A diretoria da ADUFPB vem a público denunciar o aprofundamento da situação de precarização vivida pelas universidades brasileiras, agravada agora por novos cortes no orçamento previsto para o ano de 2026. Os dois novos bloqueios atingem frontalmente as instituições e escancaram uma crise que se arrasta há uma década.
Ao longo dos últimos 10 anos, o orçamento discricionário das universidades sofreu redução superior a 50%, enquanto as verbas de investimento (obras e compra de equipamentos) despencaram mais de 85%.
Simultaneamente, houve ampliação da rede de instituições e crescimento do número de matrículas. Essa combinação de menos dinheiro e uma comunidade maior levou à situação difícil e visível que se enfrenta hoje.
A asfixia financeira já se traduz, por exemplo, na redução dos serviços terceirizados, inclusive na área de segurança. Além disso, faltam recursos para que professores e alunos participem de congressos de pesquisa no Brasil: não há dinheiro para passagens, inscrições em eventos ou diárias.
O efeito concreto dessa política é a queda das universidades brasileiras nos rankings mundiais de pesquisa, noticiada recentemente. Não se trata de acaso, mas de consequência direta da falta de investimento.
Neste momento, mais um ataque se configura com os cortes no orçamento de 2026. A impressão inevitável é que, justamente quando a universidade universalizou o acesso aos filhos e filhas da classe trabalhadora, a camada que mais precisa, os cortes se intensificam.
O ataque às universidades é marca do governo anterior e é inadmissível que o atual governo siga na mesma linha. É urgente que Executivo e Congresso retirem a educação e a saúde dos cortes, áreas primordiais para o país.
Enquanto as universidades definham, o Congresso Nacional destinou, no ano passado, cerca de R$ 900 bilhões em subsídios a empresas privadas na Lei Orçamentária Anual (LOA). Os congressistas contam hoje com R$ 61 bilhões em emendas para distribuição com fins eleitoreiros.
O mesmo Congresso inseriu no orçamento as dívidas de estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul (os maiores devedores), e agora o Senado ensaia uma isenção de 120 bilhões de reais para empresários do agronegócio.
A falta de investimento estrangula as universidades a ponto de, se nada mudar, restará apenas o professor e o quadro, sem condições mínimas de funcionamento. Algumas instituições já sinalizam que, sem alteração do cenário, paralisarão suas atividades em setembro.
Diante disso, repudiamos com veemência os cortes na educação e convocamos a comunidade acadêmica e a sociedade para uma grande manifestação em denúncia a esses cortes orçamentários, que ameaçam parar as universidades e comprometem o futuro do país.
Fonte: Ascom da ADUFPB

