
O Grupo de Trabalho de Política Agrária, Urbana e Ambiental (GTPAUA) da ADUFPB realiza, na próxima terça-feira, 4 de novembro, às 9h, o debate “Rio das Onças – O Jaguaribe pede passagem”, um encontro voltado à reflexão sobre as condições ambientais do rio Jaguaribe, sua importância histórica para João Pessoa e as medidas necessárias para conter a degradação de seu leito.
O evento acontece na Sala de Leitura da ADUFPB, localizada no Centro de Vivência da UFPB, campus I, e é aberto à participação de toda a comunidade.
O encontro reunirá pesquisadores, lideranças comunitárias e ambientalistas comprometidos com a preservação do meio ambiente e o fortalecimento das políticas públicas voltadas aos recursos hídricos urbanos.
Entre os expositores, estão a professora Rossana Honorato, arquiteta e urbanista, mestre em Sociologia Urbana pela UFPB e doutora em Planejamento Urbano e Regional pelo IPPUR/UFRJ. Docente do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPB, Rossana desenvolve pesquisas sobre legislação de proteção da orla paraibana e coordena o projeto de extensão AndaCIDADE, que promove práticas sustentáveis e a ocupação consciente dos espaços urbanos.
Também participa a sindicalista Rita Maria de Jesus da Silva, conhecida como Dona Rita, moradora do bairro São José e fundadora de uma associação de mulheres que há 17 anos produz sabão ecológico a partir do reaproveitamento de resíduos. Dona Rita é diretora do Sindicato das Empregadas Domésticas de João Pessoa e referência na luta por direitos trabalhistas e justiça ambiental.
O professor Cassio Geovani da Silva, mestre em História e docente da rede estadual de ensino, completa a mesa. Morador do São José, ele pesquisou a trajetória da Associação União da Beira Rio e a reestruturação urbana do bairro, trazendo ao debate uma perspectiva social e histórica sobre o impacto das transformações no entorno do Jaguaribe.
Participa também do debate o ambientalista Ricardo Lucena, titular professor aposentado DFE/CE/UFPB e membro do GTPAUA. Lucena será o debatedor e coordenará a mesa de exposição. Além do debate, será exibido ainda o filme “Rio da Onças – O Jaguaribe pede passagem”, do cineasta paraibano Marcus Vilar.
O rio que pede passagem
Embora a capital paraibana tenha surgido às margens do rio Sanhauá, o Jaguaribe se consolidou como o curso d’água mais extenso e ambientalmente relevante de João Pessoa, atravessando boa parte de seu perímetro urbano. O nome vem do tupi-guarani — jaguar (onça) e ’ybe ou ’pe (rio, água) — e significa “rio das onças”.
Historicamente, o Jaguaribe foi o segundo principal manancial de abastecimento de água potável da cidade. Hoje, enfrenta sérios problemas de poluição e descarte irregular de resíduos, reflexo da falta de planejamento urbano e de políticas eficazes de saneamento e preservação ambiental.
A defesa do rio está intimamente ligada à criação do Jardim Botânico Benjamim Maranhão, área que resistiu à pressão imobiliária graças à mobilização de ambientalistas, pesquisadores e moradores, e que permanece como um dos últimos refúgios verdes da capital.


