Às vésperas de completar 100 dias de paralisação, o Comando Nacional de Greve do ANDES-SN protocolou na manhã desta quinta-feira (23) a contraproposta elaborada pelos docentes e aprovada em suas assembleias. O documento foi entregue nos ministérios da Educação (MEC) e Planejamento (MP), solicitando audiência com os ministros e reabertura de negociação. Confira aqui o documento entregue ao MEC.

“Essa é mais uma demonstração de que seguimos dispostos a negociar e estamos inclusive abrindo mão de reajustes salariais em nome da reestruturação da nossa carreira com base em conceitos definidos”, disse Marinalva Oliveira, presidente do ANDES-SN.

A modificação preserva a natureza do trabalho acadêmico conforme a proposta de carreira docente do ANDES-SN, mas reduz os valores da malha salarial, aceitando o piso e teto propostos pelo governo, e também reduz os degraus entre níveis remuneratórios de 5% para 4%.

Os docentes foram recebidos tanto no Ministério do Planejamento quanto no da Educação por vários seguranças terceirizados e policiais que controlavam a entrada nos prédios. Nos dois ministérios só foi autorizada a entrada de uma comissão de professores para protocolar o documento, após negociação com funcionários das pastas.

Em ato no MEC, os docentes exigiam respeito e cantavam “Sou professor, não sou ladrão, eu quero já a restruturação”, questionando a presença dos policiais, inclusive do Grupo Tático Operacional (GTOp) da Polícia Militar.

 

Ato ecumênico

Após a entrega do documento no protocolo do Ministério da Educação, os docentes realizaram um ato ecumênico para protestar mais uma vez contra o desrespeito, por parte do governo, às Instituições Federais de Ensino e à Educação Pública.

Em seguida, se dirigiram para o bloco C da Esplanada, prédio da Secretaria de Relações do Trabalho (SRT/MP) do Planejamento, onde também foi entregue uma cópia da contraproposta, endereçada ao Secretário da SRT/MP, Sérgio Mendonça.

No prédio da SRT/MP, os professores repetiram a encenação do ato ecumênico e foram aplaudidos por policiais federais e rodoviários federais, que também estavam frente à SRT/MP em vigília à reunião que acontecia com as suas entidades.

 

Sala de espera de negociação

Na tarde de ontem (21), o Comando Nacional de Greve instalou a sala de espera pela negociação na Praça dos Três Poderes, em frente ao Palácio do Planalto. Lá realizaram a reunião do CNG com informes das atividades realizadas e as assembleias de base que deliberaram pela continuidade da greve.

Os docentes discutiram ainda os rumos da mobilização nesta semana e definiram as atividades que seriam realizadas nesta quinta (22). O ato terminou com manifestação em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde acontecia a leitura dos votos do julgamento do Mensalão.

 

Fonte: ANDES-SN