{"id":999,"date":"2010-04-07T09:46:57","date_gmt":"2010-04-07T13:46:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/a-era-lula-politica-internacional-i\/"},"modified":"2010-04-07T09:46:57","modified_gmt":"2010-04-07T13:46:57","slug":"a-era-lula-politica-internacional-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/a-era-lula-politica-internacional-i\/","title":{"rendered":"A era Lula: pol\u00edtica internacional (I)"},"content":{"rendered":"<p><em>Jaldes Reis de Meneses<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 conhecida a imagem do Brasil como um pa\u00eds ciclot\u00edmico, que alterna comportamentos de euforia e depress\u00e3o, de alto-astral e mal-estar. Esta caracter\u00edstica do pa\u00eds contaminou at\u00e9 mesmo os cl\u00e1ssicos do pensamento ensa\u00edstico sobre a nossa forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, que pode ser dividido, entre dois exemplos, o dionis\u00edaco Gilberto Freyre e as pr\u00e9dicas de uma nova civiliza\u00e7\u00e3o nos tr\u00f3picos ao soturno Raimundo Faoro e a eterna viagem redonda ao ponto morto de come\u00e7o do Brasil, a eterna domina\u00e7\u00e3o do Estado por uma esp\u00e9cie de patronato pol\u00edtico que nunca cedeu mil\u00edmetro de poder aos de baixo, sen\u00e3o como coopta\u00e7\u00e3o seletiva.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, nos \u00faltimos anos (a que chamamos de \u201cera Lula\u201d) vivemos um daqueles momentos de euforia, tanto que mesmo a crise econ\u00f4mica internacional e o decr\u00e9scimo de 0,2 do PIB ano passado \u2013 em outras conjunturas combust\u00edvel de uma grave crise pol\u00edtica \u2013, est\u00e3o longe de estancar o nosso otimismo com o futuro. Resta indagar se vivemos um daqueles momentos de euforia que logo se esfumam, ou se h\u00e1 bases estruturais de sustentar a hip\u00f3tese de que o Brasil enfim atravessou as cadeias da periferia do mundo capitalista. Nesta s\u00e9rie de pequenos artigos, buscaremos fornece r subs\u00eddios \u00e0 reposta da hip\u00f3tese (observando que \u00e9 imposs\u00edvel obter uma resposta conclusiva), ao mesmo tempo em que elucidamos elementos da hist\u00f3ria brasileira recente.<\/p>\n<p>Um fato \u00e9 certo: at\u00e9 nos anos noventa, comp\u00fanhamos um bloco estrutural comum com dois outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina \u2013 o M\u00e9xico e a Argentina \u2013, contudo nos dias de hoje o volume bruto de nossa economia exportadora de gr\u00e3os, auxiliado pelo crescimento do mercado interno, nos vem permitindo subir alguns degraus, criando uma situa\u00e7\u00e3o nova, na qual o capitalismo brasileiro se instala num patamar junto com a China, a \u00cdndia e a R\u00fassia.<\/p>\n<p>A economia e a pol\u00edtica se imbricam. Tal circunst\u00e2ncia tem motivado a possibilidade de tentar formular uma pol\u00edtica internacional cujo eixo n\u00e3o \u00e9 mais precisamente o alinhamento autom\u00e1tico aos Estados Unidos (Col\u00f4mbia), mas de negociar posi\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas, principalmente no hemisf\u00e9rio sul. A presen\u00e7a de tropas brasileiras no Haiti \u00e9 o emblema mais evidente da estrat\u00e9gica de negociar posi\u00e7\u00f5es. As inusitadas aproxima\u00e7\u00f5es com a Fran\u00e7a de Sarkozy s\u00e3o um segundo \u00edndice revelador das inten\u00e7\u00f5es brasileiras, entre v\u00e1rios merecedores de cita\u00e7\u00e3o, em especial a pol\u00eamica tomada de partido pelo Ir\u00e3 de Ahmadinejad e dos aiatol\u00e1s, na queda de bra\u00c3 \u00a7o com a ONU sobre o car\u00e1ter de seu programa nuclear.<br \/>\nDemais disso, se pensarmos a outra pol\u00edtica internacional existente na Am\u00e9rica Latina, o bolivarianismo revolucion\u00e1rio de Hugo Ch\u00e1vez, como de confronto com os americanos, na medida em que ela \u00e9 objeto de contesta\u00e7\u00e3o aberta por for\u00e7as internas na Venezuela, embora se consolidando o processo revolucion\u00e1rio num pa\u00eds economicamente atrasado como a Bol\u00edvia, na pr\u00e1tica a estrat\u00e9gia chavista encontra-se na defensiva, na verdade mais servindo como reserva indireta dos objetivos da pol\u00edtica internacional brasileira, pois o confronto \u00e0 esquerda comp\u00f5e a rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as de quem negocia ao centro.<\/p>\n<p>Do ponto de vista das elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2010, o eleitor deve saber que pela primeira vez em tempos recentes haver\u00e1 duas pol\u00edticas internacionais claramente em confronto, a do alinhamento autom\u00e1tico com os Estados Unidos, representado pelos tucanos (a atua\u00e7\u00e3o dos tucanos, principalmente na Comiss\u00e3o de Relacionais Exteriores do Senado deixa expl\u00edcito a inflex\u00e3o tucana, inclusive em rela\u00e7\u00e3o ao governo de Fernando Henrique Cardoso) e a de negociar posi\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas, vinculada ao bloco pol\u00edtico que gravita em torno do lulismo. Quanto ao bolivarianismo, ele \u00e9 institucionalmente subrepresentado no Brasil, em que pese \u00e0 presen\u00e7a ativa no MST e em alguns movimentos sociais.<\/p>\n<p>Publicado em: http:\/\/www.wscom.com.br\/blog\/jaldesmenezes\/+A+era+Lula%3A+pol%C3%ADtica+internacional+%28I%29+-69<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jaldes Reis de Meneses \u00c9 conhecida a imagem do Brasil como um pa\u00eds ciclot\u00edmico, que alterna comportamentos de euforia e depress\u00e3o, de alto-astral e mal-estar. Esta caracter\u00edstica do pa\u00eds contaminou at\u00e9 mesmo os cl\u00e1ssicos do pensamento ensa\u00edstico sobre a nossa forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, que pode ser dividido, entre dois exemplos, o dionis\u00edaco Gilberto Freyre e as&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-999","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","category-16","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/999","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=999"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/999\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=999"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=999"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=999"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}