{"id":934,"date":"2010-03-08T10:24:47","date_gmt":"2010-03-08T14:24:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/mulheres-cem-anos-de-luta-contra-a-opressao-e-a-exploracao\/"},"modified":"2010-03-08T10:24:47","modified_gmt":"2010-03-08T14:24:47","slug":"mulheres-cem-anos-de-luta-contra-a-opressao-e-a-exploracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/mulheres-cem-anos-de-luta-contra-a-opressao-e-a-exploracao\/","title":{"rendered":"Mulheres: cem anos de luta contra a opress\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Socorro Aguiar<br \/>\n1\u00aa vice-presidente da Regional Norte II do ANDES-SN e uma das coordenadoras do GT G\u00eanero, Ra\u00e7a e Classe do Sindicato Nacional<br \/>\n<\/em><br \/>\n<strong>O centen\u00e1rio do 8 de mar\u00e7o<\/strong><br \/>\nNeste 8 de mar\u00e7o, comemoramos 100 anos do Dia Internacional da Mulher. Por\u00e9m, um s\u00e9culo depois, seja no seu local de trabalho ou em seus lares, as mulheres continuam a ser submetidas ao machismo, \u00e0 opress\u00e3o e \u00e0 explora\u00e7\u00e3o. Conquistaram seu espa\u00e7o no mercado de trabalho, por\u00e9m, h\u00e1 muito a ser conquistado. A luta contra a viol\u00eancia, a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho e os sal\u00e1rios pagos que, em muitos casos, s\u00e3o menores do que os pagos aos homens, ainda s\u00e3o os principais desafios impostos as mulheres brasileiras.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria origem do Dia Internacional da Mulher nos fala sobre essa realidade. No dia 8 de mar\u00e7o de1857, oper\u00e1rias de uma f\u00e1brica de tecidos, situada na cidade de Nova York, fizeram uma grande greve. Ocuparam a f\u00e1brica e come\u00e7aram a reivindicar melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, tais como redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho para dez horas (trabalhavam 16 horas por dia), sal\u00e1rios iguais aos dos homens (elas recebiam um ter\u00e7o do sal\u00e1rio de um homem para executar a mesma tarefa) e tratamento digno no ambiente de trabalho.<\/p>\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o foi violentamente reprimida. As mulheres foram trancadas dentro da f\u00e1brica, que foi incendiada. Pelo menos 130 tecel\u00e3s morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano. Somente em 1910, durante uma confer\u00eancia na Dinamarca, decidiu-se que o 8 de mar\u00e7o passaria a ser o dia \u201cDia Internacional da Mulher\u201d, em homenagem \u00e0s mulheres que morreram naquela f\u00e1brica em 1857. Em 1975, atrav\u00e9s de um decreto, a data foi oficializada pela ONU.<\/p>\n<p>O ANDES-SN considera o 8 de Mar\u00e7o um dia de lutas e mobiliza\u00e7\u00f5es pela emancipa\u00e7\u00e3o da mulher trabalhadora, contra toda forma de opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p><strong>Uma realidade que ainda precisa ser mudada<\/strong><br \/>\nEm diversas quest\u00f5es pode-se verificar que, sob\u00a0 o capitalismo, a vida da mulher ainda \u00e9 marcada pelo sofrimento, desigualdades e pobreza.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia perpetrada \u00e0 mulher, na maioria das vezes de dentro de seu pr\u00f3prio lar, \u00e9 uma realidade dolorosa. Dois exemplos recentes exemplificam essa situa\u00e7\u00e3o. No dia 20 de janeiro Maria Islaine de Morais, 31 anos, foi assassinada pelo ex-marido, F\u00e1bio W. da Silva, 30 anos. O crime ocorreu em BH, diante das c\u00e2meras instaladas no sal\u00e3o de beleza de sua propriedade e na presen\u00e7a de mais tr\u00eas mulheres, ap\u00f3s amea\u00e7as constantes \u00e0 Maria Islaine e uma bomba jogada na porta do sal\u00e3o h\u00e1 quatro meses. Em Bel\u00e9m (PA), tamb\u00e9m em janeiro, uma jovem foi violentamente espancada, tendo sua face deformada, e recebeu um tiro na medula espinhal que a deixou parapl\u00e9gica pelo simples fato de ter reagido ao ass\u00e9dio sexual de um policial, em uma festa na periferia da cidade.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de direitos b\u00e1sicos \u00e9 outra quest\u00e3o que mostra as dificuldades pelas quais ainda passa a mulher trabalhadora. A licen\u00e7a maternidade \u00e9 uma delas. A garantia da licen\u00e7a maternidade de no m\u00ednimo seis meses deve ser assegurada a todas as trabalhadoras, sem nenhum benef\u00edcio \u00e0 patronal, garantida pelo estado e estendida aos pais, que devem fazer parte da educa\u00e7\u00e3o dos filhos.<\/p>\n<p>Hoje, mais de 69% das mulheres que trabalham est\u00e3o localizadas nas pequenas e m\u00e9dias empresas e\/ou em empregos precarizados e n\u00e3o t\u00eam o direito \u00e0 licen\u00e7a maternidade. No mercado formal grande parte delas tem somente quatro meses de licen\u00e7a maternidade, ainda que, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, o tempo m\u00ednimo necess\u00e1rio \u00e9 de seis meses.<\/p>\n<p>O governo Lula sancionou no dia 10 de setembro de 2008 a extens\u00e3o da licen\u00e7a maternidade de quatro\u00a0 para seis meses, propondo que essa isen\u00e7\u00e3o seja facultada \u00e0s empresas. Isto \u00e9, sujeita \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o entre os patr\u00f5es e as trabalhadoras, bem como garante a isen\u00e7\u00e3o fiscal no imposto de renda.<\/p>\n<p>A previs\u00e3o \u00e9 de que o governo deixar\u00e1 de arrecadar de R$ 500 milh\u00f5es a R$ 800 milh\u00f5es ao ano com essas isen\u00e7\u00f5es. Vale ressaltar que as trabalhadoras do mercado informal, bem como as empregadas dom\u00e9sticas, n\u00e3o ter\u00e3o esse direito.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso unificar todas as mulheres trabalhadoras e suas organiza\u00e7\u00f5es e fazer valer esse direito que tanta luta tem custado e exigir de Lula e dos governos estaduais e municipais, bem como das empresas a imediata aplica\u00e7\u00e3o da licen\u00e7a maternidade de seis meses obrigat\u00f3ria.<\/p>\n<p>O direito a creches \u00e9 praticamente inexistente para a mulher trabalhadora brasileira. O Brasil tem 84, 5% de crian\u00e7as fora das creches. Na regi\u00e3o norte, esse \u00edndice \u00e9 de espantosos 91,6%. Isso significa que as mulheres que n\u00e3o t\u00eam com quem deixar seus filhos. Mesmo que encontrem emprego, simplesmente n\u00e3o podem trabalhar.<\/p>\n<p>A luta pelo emprego e sua manuten\u00e7\u00e3o, bem como o direito de ganhar sal\u00e1rio igual ao do homem por uma mesma tarefa, tamb\u00e9m fazem parte do cotidiano da mulher. Mat\u00e9rias veiculadas em programas de TV mostram que, em 2010, a mulher j\u00e1 perdeu 5% do seu posto de trabalho e a mulher jovem sem qualifica\u00e7\u00e3o, ao lado da mulher negra, s\u00e3o aquelas que mais sofrem com o desemprego e a pobreza.<\/p>\n<p>A verdadeira situa\u00e7\u00e3o da mulher trabalhadora e pobre \u00e9 dada pelas cifras. As pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es imperialistas (ONU, OIT, UNICEF, Banco Mundial) mostram como vivem as mulheres pobres e trabalhadoras pelo mundo afora.<\/p>\n<p>As mulheres somam 70% dos 1,3 bilh\u00f5es de pobres absolutos do mundo. Isto \u00e9 assim mesmo que, segundo dados da ONU, o trabalho da mulher tenha um papel de primeira ordem j\u00e1 que entre o 50% e 80% da produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o de alimentos est\u00e1 em suas m\u00e3os.<\/p>\n<p>No n\u00edvel do trabalho, estima-se que o trabalho n\u00e3o remunerado da mulher no lar representa um ter\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica mundial (ONU). Das mulheres em idade de trabalhar (fora do lar), apenas o fazem 54% contra 80% dos homens (OIT). As mulheres desempenham a maior parte dos trabalhos mal pagos e menos protegidos (OIT). As mulheres ganham entre 20% e 30% menos que os homens (OIT).<\/p>\n<p>Em se tratando da educa\u00e7\u00e3o, 2\/3 dos 876 milh\u00f5es de analfabetos do mundo s\u00e3o mulheres. Ao completar os 18 anos, as garotas t\u00eam em m\u00e9dia 4,4 anos menos de educa\u00e7\u00e3o que os homens da mesma idade. Dos 121 milh\u00f5es de crian\u00e7as n\u00e3o escolarizados no mundo, 65 milh\u00f5es s\u00e3o meninas. (ONU, Unicef).<\/p>\n<p>J\u00e1 quanto \u00e0 sa\u00fade, a cada ano morrem no mundo mais de meio milh\u00e3o de mulheres em fun\u00e7\u00e3o de problemas acarretados pela gravidez e pelo parto, o que est\u00e1 diretamente relacionado ao n\u00edvel\u00a0 pobreza. Nos pa\u00edses coloniais e semicoloniais (agora conhecidos como pa\u00edses em vias de desenvolvimento), a taxa de mortalidade materna \u00e9 de um a cada 48 partos. Em pa\u00edses europeus, como a Espanha, morrem 3,9 mulheres a cada 100 mil. Na Espanha 98% das mulheres recebem assist\u00eancia durante a gravidez e o parto. Nos pa\u00edses coloniais e semicoloniais, 35% das mulheres n\u00e3o recebem aten\u00e7\u00e3o pr\u00e9-natal; quase 50% d\u00e1 \u00e0 luz sem assist\u00eancia especializada. As \u00faltimas estat\u00edsticas indicam que h\u00e1 mais mulheres que homens infectadas pelo v\u00edrus da AIDS.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o panorama da vida da mulher sob o capitalismo atual. Acreditamos que s\u00f3 a organiza\u00e7\u00e3o e a luta podem mudar esse triste quadro.<\/p>\n<p>Um 8 de Mar\u00e7o de Ra\u00e7a, Classe e Internacionalismo: Toda solidariedade \u00e0s Mulheres do Haiti!<br \/>\nNo Brasil 55% das trabalhadoras informais s\u00e3o negras. Do conjunto de mulheres trabalhadoras negras, 57% s\u00e3o dom\u00e9sticas, sendo que 54,5% trabalham sem carteira assinada. Isso \u00e9 dupla discrimina\u00e7\u00e3o contra a mulher e mostra o sofisticado racismo no mercado de trabalho. Essa realidade \u00e9 vivida com muito mais profundidade pelas mulheres negras do Haiti.\u00a0 S\u00e3o elas as que ganham os sal\u00e1rios mais miser\u00e1veis do mundo e que n\u00e3o t\u00eam direito algum.<\/p>\n<p>O Movimento Mulheres em Luta da CONLUTAS, no Dia Internacional da Mulher, divulga a campanha classista de solidariedade ao Haiti, denunciando a ocupa\u00e7\u00e3o militar naquele pa\u00eds. Panfletos ser\u00e3o distribu\u00eddos nacionalmente com alertas sobre a explora\u00e7\u00e3o sofrida pelas mulheres haitianas, que s\u00e3o violentadas e humilhadas pelas tropas de ocupa\u00e7\u00e3o. Sem contar \u00e0s mortes que seguem por conta da fome e do caos social ap\u00f3s o terr\u00edvel terremoto que devastou aquele pa\u00eds, deixando mais de um milh\u00e3o de desabrigados.<br \/>\n<em>Fonte: ANDES-SN<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Socorro Aguiar 1\u00aa vice-presidente da Regional Norte II do ANDES-SN e uma das coordenadoras do GT G\u00eanero, Ra\u00e7a e Classe do Sindicato Nacional O centen\u00e1rio do 8 de mar\u00e7o Neste 8 de mar\u00e7o, comemoramos 100 anos do Dia Internacional da Mulher. 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