{"id":92,"date":"2009-09-02T17:17:15","date_gmt":"2009-09-02T21:17:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.insightsnaweb.com.br\/~adufpb\/?p=92"},"modified":"2009-09-02T17:17:15","modified_gmt":"2009-09-02T21:17:15","slug":"aos-parlamentares-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/aos-parlamentares-brasileiros\/","title":{"rendered":"AOS PARLAMENTARES BRASILEIROS"},"content":{"rendered":"<p>Por Marcos A. R. de Barros &#8211; Professor Adjunto da UFPB &#8211; marcospesquisa@bol.com.br<\/p>\n<p><strong>Senhores Parlamentares brasileiros!<br \/>\n<\/strong><br \/>\nTudo come\u00e7a quando questionamos a atua\u00e7\u00e3o e a import\u00e2ncia do trabalho docente na Universidade brasileira, bem como o desprest\u00edgio que constatamos por parte da sociedade e de pol\u00edticos e pol\u00edticas inconseq\u00fcentes.<\/p>\n<p>N\u00e3o precisamos ir muito longe para entendermos a sociedade brasileira, principalmente quando dispomos de boas obras e pesquisas j\u00e1 realizadas que tratam da forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rico-cultural do Brasil. Sabemos que a diversidade cultural, somada \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o, \u00e0 deseduca\u00e7\u00e3o, levadas a cabo pelos programas de televis\u00e3o, bem como a inger\u00eancia do Banco Mundial nos assuntos da Educa\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 o suficiente para entendermos porque n\u00e3o existe uma pol\u00edtica educacional do governo brasileiro. Lamentavelmente as elites pol\u00edticas e os \u00faltimos governos sempre dan\u00e7aram a balada macabra e sorrateira do neocolonialismo.<\/p>\n<p>Senhores Parlamentares! \u00c9 nesse quadro dantesco de desencanto e desolamento promovido pelo estrelismo da sociedade do espet\u00e1culo, que encontramos a figura solit\u00e1ria, j\u00e1 bastante desgastada, do PROFESSOR UNIVERSIT\u00c1RIO, o qual, segundo sabemos, em suas atribui\u00e7\u00f5es, \u00e9 o respons\u00e1vel pela gera\u00e7\u00e3o do conhecimento, bem como pela forma\u00e7\u00e3o de todos os profissionais produzidos pelas universidades, tais como: engenheiros, professores, advogados, f\u00edsicos, qu\u00edmicos, artistas, odont\u00f3logos, m\u00e9dicos, ju\u00edzes, promotores, cientistas, jornalistas, arquitetos e outros tipos profissionais espec\u00edficos. A forma\u00e7\u00e3o do PROFESSOR UNIVERSIT\u00c1RIO requer alto n\u00edvel cient\u00edfico-tecnol\u00f3gico, requer um aprendizado continuado, para maior avan\u00e7o das artes, ci\u00eancias e tecnologias. As experi\u00eancias de outros pa\u00edses mostraram que, para sairmos do atraso, do subdesenvolvimento, \u00e9 preciso uma pol\u00edtica de educa\u00e7\u00e3o genuinamente brasileira.<\/p>\n<p>Do exposto, nada mais justo e racional que, para a maior qualifica\u00e7\u00e3o o maior sal\u00e1rio, o que, na verdade, n\u00e3o vem acontecendo! Atualmente, n\u00e3o existem crit\u00e9rios racionais para a quantifica\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios! Queremos, sim, que seja implantada a isonomia salarial entre os poderes!<\/p>\n<p>Senhores Parlamentares! \u00c9 lament\u00e1vel o quadro de mis\u00e9ria que se abateu sobre a doc\u00eancia superior na universidade brasileira. \u00c9 bastante consultar a tabela de sal\u00e1rio do Magist\u00e9rio Superior MP n.\u00ba 295\/2006 \u2013 Vig\u00eancia: Maio\/2006, anexa, em que um professor universit\u00e1rio, que inicia como auxiliar(1) e dedica\u00e7\u00e3o exclusiva, percebe um m\u00edsero sal\u00e1rio b\u00e1sico de R$ 456,92 (quatrocentos e cinq\u00fcenta e seis reais e noventa e dois centavos). \u00c9 realmente uma indignidade, uma manobra esp\u00faria, criminosa, na medida em que reduz o patrim\u00f4nio e empobrece mais ainda os professores, j\u00e1 h\u00e1 muito marginalizados. Assim, assistem atemorizados \u00e0s decis\u00f5es impostas pelos promotores do estrelismo da sociedade do espet\u00e1culo.<\/p>\n<p>Como exemplo, aponto o problema do ensino b\u00e1sico enfocado pelo Plano de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o do PAC que, de sa\u00edda, n\u00e3o contempla os professores universit\u00e1rios, os quais preparam e formam os professores para o ensino b\u00e1sico. \u00c9 necess\u00e1rio, portanto, intensificar tamb\u00e9m a forma\u00e7\u00e3o de professores para o suprimento cont\u00ednuo de milhares de vagas no ensino b\u00e1sico. Caso contr\u00e1rio, o Plano de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o passar\u00e1 de uma farsa, de uma utopia, de mais uma manobra pol\u00edtica.<\/p>\n<p>A crise do transporte a\u00e9reo, da seguran\u00e7a p\u00fablica, da sa\u00fade p\u00fablica, da pecu\u00e1ria, etc. n\u00e3o \u00e9, de forma alguma, mais s\u00e9ria do que a crise da educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 a educa\u00e7\u00e3o que permeia todos esses espa\u00e7os e permite a cria\u00e7\u00e3o de concep\u00e7\u00f5es transformadoras; a cria\u00e7\u00e3o de uma nova \u00e9tica compat\u00edvel com o desenvolvimento da sociedade humana. A verdade \u00e9 que in\u00fameros apag\u00f5es da vida acontecem a toda hora, na engendrada estrutura de conveni\u00eancia dos acionistas da sociedade do espet\u00e1culo.<\/p>\n<p>Dirijo-me, agora, ao Senador M\u00e3o Santa, a Cristovam Buarque, Jos\u00e9 Agripino, Arthur Virg\u00edlio e outros que, simplesmente, reconhecem a crise na educa\u00e7\u00e3o. Falam em planos, mas, mesmo assim, n\u00e3o entram a fundo no cerne da quest\u00e3o, uma vez que a educa\u00e7\u00e3o faz parte dos grandes problemas nacionais.<\/p>\n<p>Vossas Excel\u00eancias devem saber, portanto, que os professores universit\u00e1rios t\u00eam a certeza cr\u00edtica de que s\u00e3o especialistas pesquisadores e querem ganhar, simplesmente, com dignidade, ser reconhecidos e respeitados pelo parlamento, pelo poder. Professores n\u00e3o se interessam em negociar com gasolina, ter frota de t\u00e1xi, ter concession\u00e1ria de ve\u00edculos, mas se encontram comprometidos permanentemente com os saberes art\u00edsticos, cient\u00edficos e tecnol\u00f3gicos. Professores n\u00e3o se envolvem em mensal\u00f5es, em esc\u00e2ndalos como o das ambul\u00e2ncias, o das propinas e outros! Professores, como os demais brasileiros, delegam poderes, mas, mesmo assim, permanecem sempre \u00e0 espera de uma justi\u00e7a imparcial, \u00e9tica.<\/p>\n<p>Senhores Parlamentares!<\/p>\n<p>N\u00e3o iremos citar nomes, nem per\u00edodos hist\u00f3ricos, mas, se constata que existe uma cumplicidade heredit\u00e1ria que se arrasta desde o in\u00edcio do processo colonizat\u00f3rio brasileiro, at\u00e9 os dias atuais, principalmente, quando assistimos aos promotores do estrelismo darem o p\u00e9ssimo exemplo, sedimentando a banaliza\u00e7\u00e3o do crime e da corrup\u00e7\u00e3o. Assistimos, dessa forma, \u00e0 coroa\u00e7\u00e3o da cumplicidade!<\/p>\n<p>Existe um desrespeito efetivo e uma irracionalidade conjuntural vis\u00edvel, que povoa o imagin\u00e1rio de parte das elites dirigentes deste pa\u00eds, produzindo compulsivamente a falta de vontade pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Senhores parlamentares, a impress\u00e3o que tenho \u00e9 de que, quanto mais se desconstr\u00f3i, se minimiza o trabalho docente, e a educa\u00e7\u00e3o mais se mergulha nas ondas do \u201cespet\u00e1culo ca\u00f3tico\u201d do descaso. O exemplo abaixo citado \u00e9 uma tentativa de subestimar a intelig\u00eancia humana, quando o estado brasileiro paga ao professor universit\u00e1rio, fim de carreira, um sal\u00e1rio inferior ao de um patrulheiro rodovi\u00e1rio de n\u00edvel m\u00e9dio, segundo grau.<\/p>\n<p>Para tanto, os promotores da acima qualificada \u201cSociedade do espet\u00e1culo\u201d criam deliberadamente uma SUBJETIVIDADE ARTIFICIAL, que \u00e9 o somat\u00f3rio de agenciamentos e argumentos falsos da \u201csubjetiva\u00e7\u00e3o\u201d para justificarem, assim, o miser\u00e1vel sal\u00e1rio oferecido aos docentes universit\u00e1rios. Entre os falsos argumentos, encontra-se a alega\u00e7\u00e3o do alto custo da educa\u00e7\u00e3o, e, conseq\u00fcentemente, a falta de dinheiro, a quest\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria.<\/p>\n<p>Esperamos a compreensiva aceita\u00e7\u00e3o deste documento no Egr\u00e9gio Parlamento e aguardamos as avalia\u00e7\u00f5es de Vossas Excel\u00eancias.<\/p>\n<p><em>Marcos A. R. de Barros &#8211; Professor Adjunto da UFPB &#8211; marcospesquisa@bol.com.br<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Marcos A. R. de Barros &#8211; Professor Adjunto da UFPB &#8211; marcospesquisa@bol.com.br Senhores Parlamentares brasileiros! Tudo come\u00e7a quando questionamos a atua\u00e7\u00e3o e a import\u00e2ncia do trabalho docente na Universidade brasileira, bem como o desprest\u00edgio que constatamos por parte da sociedade e de pol\u00edticos e pol\u00edticas inconseq\u00fcentes. 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