{"id":914,"date":"2010-03-01T17:02:09","date_gmt":"2010-03-01T21:02:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/ociosidade-sobe-99-nas-universidades-em-cinco-anos\/"},"modified":"2010-03-01T17:02:09","modified_gmt":"2010-03-01T21:02:09","slug":"ociosidade-sobe-99-nas-universidades-em-cinco-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/ociosidade-sobe-99-nas-universidades-em-cinco-anos\/","title":{"rendered":"Ociosidade sobe 99% nas universidades em cinco anos"},"content":{"rendered":"<p><em>Autor(es): Luciano M\u00e1ximo , de S\u00e3o Paulo e Santo Andr\u00e9<br \/>\nValor Econ\u00f4mico &#8211; 01\/03\/2010<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p>O Brasil vive momento paradoxal e emblem\u00e1tico na educa\u00e7\u00e3o superior. Sonho de muitos jovens, o acesso \u00e0 universidade, p\u00fablica ou privada, \u00e9 um dos mais expressivos da hist\u00f3ria. Entre 2003 e 2008, o n\u00famero de estudantes cresceu 30%, superando a faixa dos 5 milh\u00f5es, e as vagas aumentaram 50%, oferta que representa quase 3 milh\u00f5es de novos lugares nos bancos universit\u00e1rios a cada novo ano.<\/p>\n<p>Dentro da oferta total de vagas, no \u00e2mbito federal est\u00e1 em curso um ambicioso projeto de reestrutura\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o do ensino superior, com um misto de inaugura\u00e7\u00f5es e amplia\u00e7\u00f5es que resultaram em 13 novas institui\u00e7\u00f5es, intensa interioriza\u00e7\u00e3o de campi universit\u00e1rios, cria\u00e7\u00e3o de mais cursos, contrata\u00e7\u00f5es de dezenas de milhares de professores e funcion\u00e1rios e uma consequente eleva\u00e7\u00e3o na taxa de matr\u00edculas.<\/p>\n<p>Em meio \u00e0s boas not\u00edcias, por\u00e9m, o crescimento sustentado da educa\u00e7\u00e3o superior brasileira esbarra nos gargalos do ensino m\u00e9dio, que n\u00e3o forma jovens suficientes para preencher a oferta em alta do terceiro grau. De acordo com os dados mais atuais dos censos escolares do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep), mais de 1,7 milh\u00e3o de jovens conclu\u00edram o ensino m\u00e9dio em 2007. Ao sa\u00edrem da escola, 2,9 milh\u00f5es de vagas estavam sendo oferecidas no ensino superior para ingresso no in\u00edcio de 2008.<\/p>\n<p>O retrospecto de conclus\u00e3o do ensino m\u00e9dio &#8211; praticamente estagnado em rela\u00e7\u00e3o ao forte ritmo de aumento de oportunidades no pr\u00f3ximo n\u00edvel &#8211; acaba sendo, assim, um dos principais fatores para a causa de um efeito perverso na expans\u00e3o do ensino universit\u00e1rio: a explos\u00e3o de vagas sem preenchimento.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/www.valoronline.com.br\/imagens\/impresso\/ed_0002454\/imagens\/arte01bra-universi-a5.gif\" alt=\"\" width=\"330\" height=\"536\" \/><\/p>\n<p>De 2003 a 2008, o ensino superior amargou alta de 99% das vagas ociosas, chegando a 1,479 milh\u00e3o. As universidades federais s\u00e3o respons\u00e1veis por uma \u00ednfima parte dessa ociosidade, mas ela cresceu 500% &#8211; as vagas n\u00e3o preenchidas subiram de 893 em 2003 para 5.364 h\u00e1 dois anos. O grosso da evolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 no setor privado, com 1,442 milh\u00e3o de vagas ociosas registradas em 2008 &#8211; crescimento de 98% em seis anos. Nas universidades e faculdades estaduais a curva \u00e9 menos acentuada: as oportunidades desperdi\u00e7adas passaram de 3.085 para 4.372, eleva\u00e7\u00e3o de 41% no per\u00edodo. &#8220;Para conclus\u00f5es mais apropriadas, \u00e9 necess\u00e1rio an\u00e1lise detalhada dos dados sobre a oferta por curso, turno, modalidade de ensino. Al\u00e9m disso, \u00e9 poss\u00edvel realizar compara\u00e7\u00e3o prof\u00edcua entre esses dados e informa\u00e7\u00f5es sobre o mercado de trabalho, provenientes de outras pesquisas realizadas pelo IBGE e pelo Minist\u00e9rio do Trabalho&#8221;, justifica resumo t\u00e9cnico do Inep.<\/p>\n<p>O desequil\u00edbrio oferta-demanda tamb\u00e9m pode ser explicado por problemas de infraestrutura nas novas federais, desist\u00eancia de matr\u00edculas, hor\u00e1rios conflitantes, baixa procura por determinados cursos e, sobretudo, excesso proposital de vagas ofertadas por institui\u00e7\u00f5es de ensino superior particulares. &#8220;As privadas est\u00e3o mais ajustadas \u00e0 din\u00e2mica da oferta e da demanda. Tirando as PUCs [Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica] e algumas tradicionais, as faculdades privadas j\u00e1 se registram no Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o com capacidade maior e acertam as vagas conforme o movimento da tesouraria&#8221;, opina Jo\u00e3o Monlevade, consultor legislativo do Senado e doutor em pol\u00edticas educacionais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).<\/p>\n<p>O ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Fernando Haddad, acrescenta que a postura de muitas privadas &#8220;\u00e9 uma esp\u00e9cie de ilus\u00e3o estat\u00edstica&#8221;. Segundo ele, nos editais de oferta as institui\u00e7\u00f5es particulares superestimam a demanda para n\u00e3o sofrer constrangimento no momento da matr\u00edcula e para demonstrar alta capacidade de potencial de atendimento perante o MEC. &#8220;Elas recebem autoriza\u00e7\u00e3o para ofertar 200 vagas para um determinado curso que todo ano tem 100 matr\u00edculas. \u00c9 uma virtualidade que n\u00e3o ajuda a explicar a expans\u00e3o, um dado que sequer \u00e9 publicado em outros pa\u00edses, uma excentricidade brasileira&#8221;, complementa Haddad.<\/p>\n<p>A justificativa, entretanto, n\u00e3o \u00e9 plaus\u00edvel para as universidades p\u00fablicas, que apresentam uma m\u00e9dia superior a oito candidatos disputando uma \u00fanica vaga. Para atender a essa demanda, a partir de 2005, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o intensificou pol\u00edticas governamentais de expans\u00e3o da rede federal, que resultaram no aumento superior a 30% nas vagas ofertadas. Estas pol\u00edticas, contudo, tamb\u00e9m repercutiram na acelera\u00e7\u00e3o, em ritmo mais forte, das vagas ociosas.<\/p>\n<p>Inaugurada em setembro de 2006 e ainda em constru\u00e7\u00e3o, a Universidade Federal do ABC (UFABC), localizada em Santo Andr\u00e9, enfrentou um \u00edndice de evas\u00e3o de 42% no primeiro ano de funcionamento por causa de problemas de infraestrutura. &#8220;A primeira turma foi muito castigada. Sempre soubemos que no in\u00edcio a universidade teria que avan\u00e7ar com gargalos, como conciliar obras com atividade acad\u00eamica&#8221;, explica Helio Waldman, reitor da UFABC. Atualmente, a evas\u00e3o \u00e9 menor, na casa dos 12%, e a universidade foi a mais procurada no vestibular deste ano, com mais de 19 mil inscri\u00e7\u00f5es para 1,7 mil vagas dispon\u00edveis. A universidade foi uma das que adotou o Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem) como \u00fanico instrumento de sele\u00e7\u00e3o dos estudantes para o ingresso em 2010.<\/p>\n<p>Fernando Haddad reconhece as dificuldades que o governo est\u00e1 enfrentando. &#8220;S\u00f3 com expans\u00e3o universit\u00e1ria administramos hoje obras em 104 cidades e bilh\u00f5es em recursos. Apesar das dificuldades or\u00e7ament\u00e1rias e operacionais, apostamos na interioriza\u00e7\u00e3o das universidades e da educa\u00e7\u00e3o profissional, um processo complexo que pode ajudar a trazer muitos benef\u00edcios no m\u00e9dio e longo prazos&#8221;, prev\u00ea o ministro.<\/p>\n<p>A secret\u00e1ria de ensino superior do MEC, Maria Paula Dallari Bucci, minimiza o aumento das vagas ociosas nas universidades federais. &#8220;Representam apenas 0,36% da ociosidade geral&#8221;, argumenta. Como parte do plano de amplia\u00e7\u00e3o do acesso ao terceiro grau no pa\u00eds, ela explica que existe um alinhamento entre ensino m\u00e9dio e superior, como forma de equacionar problemas de acesso \u00e0s universidades e de qualidade da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. &#8220;A primeira pol\u00edtica importante \u00e9 permitir a forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria e continuada dos professores da rede p\u00fablica. As outras s\u00e3o o Enem [Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio] e o SiSU [Sistema de Sele\u00e7\u00e3o Unificada], definidos para permitir que se fale a mesma l\u00edngua entre ensino m\u00e9dio e superior, al\u00e9m do ProUni&#8221;, diz Maria Paula.<\/p>\n<p>Na UFABC, essa conex\u00e3o ser\u00e1 traduzida em nova oferta de vagas para a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, com a cria\u00e7\u00e3o de uma escola de ensino m\u00e9dio a ser administrada pela pr\u00f3pria universidade. Dentro de um programa de bolsas da Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes), alunos de licenciatura participam atualmente de atividades pedag\u00f3gicas em col\u00e9gios do ABC, com o objetivo de ajudar na forma\u00e7\u00e3o de professores e atrair alunos para a universidade. &#8220;At\u00e9 2014, isso pode resultar na abertura de um col\u00e9gio de aplica\u00e7\u00e3o de n\u00edvel m\u00e9dio dentro da universidade, o que ir\u00e1 possibilitar a abertura de est\u00e1gios para nossos estudantes, focando pesquisa sobre o ensino b\u00e1sico de ci\u00eancias, e oferecer vagas gratuitas a alunos da rede p\u00fablica em uma escola de n\u00edvel m\u00e9dio qualificada em pleno ambiente universit\u00e1rio&#8221;, destaca Waldman, reitor da UFABC.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autor(es): Luciano M\u00e1ximo , de S\u00e3o Paulo e Santo Andr\u00e9 Valor Econ\u00f4mico &#8211; 01\/03\/2010 O Brasil vive momento paradoxal e emblem\u00e1tico na educa\u00e7\u00e3o superior. Sonho de muitos jovens, o acesso \u00e0 universidade, p\u00fablica ou privada, \u00e9 um dos mais expressivos da hist\u00f3ria. Entre 2003 e 2008, o n\u00famero de estudantes cresceu 30%, superando a faixa&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[15],"tags":[119],"class_list":["post-914","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","tag-reuni","category-15","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/914","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=914"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/914\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=914"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=914"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=914"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}