{"id":9068,"date":"2014-05-27T15:41:12","date_gmt":"2014-05-27T19:41:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/?p=9068"},"modified":"2014-05-27T15:41:12","modified_gmt":"2014-05-27T19:41:12","slug":"um-outro-manifesto-aos-docentes-da-ufpb-e-a-quem-mais-interessar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/um-outro-manifesto-aos-docentes-da-ufpb-e-a-quem-mais-interessar\/","title":{"rendered":"Um Outro Manifesto aos Docentes da UFPB (e a quem mais interessar)"},"content":{"rendered":"<p>Na \u00faltima Assembleia Docente, realizada no dia 21\/05\/2014, no Audit\u00f3rio 411 do CCHLA (Centro de Ci\u00eancias Humanas, Letras e Artes) foi lido um texto, intitulado \u201cManifesto aos Docentes da UFPB) pela Professora Maria das Gra\u00e7as de Almeida Baptista (DFE\/CE), ela mesma autora do texto em quest\u00e3o. Nele, a Professora Gra\u00e7a, em diversos momentos, retomou trechos dos discursos feitos por alguns colegas docentes em assembleia anterior, dentre os quais o meu pr\u00f3prio discurso, estabelecendo, a partir dessas falas, alguns questionamentos concernentes a algumas das ideias defendidas por mim e por outros professores, acerca do que pensamos sobre greves, sindicatos, comprometimento, participa\u00e7\u00e3o, luta e outras coisas desse jaez que surgem em momentos em que se discute a pertin\u00eancia e conveni\u00eancia de uma paralisa\u00e7\u00e3o docente na UFPB. A alguns desses questionamentos procurei responder, de viva voz e corpo presente, na mesma assembleia em que o texto da Professora Gra\u00e7a foi apresentado, quando de minha interven\u00e7\u00e3o nos debates. Contudo, ao ver o seu texto publicado na p\u00e1gina da ADUF na Internet (<a href=\"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/manifesto-aos-docentes-da-ufpb\/\">http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/manifesto-aos-docentes-da-ufpb\/<\/a>), me senti na obriga\u00e7\u00e3o de aclarar melhor o que procurei dizer, tanto em uma ocasi\u00e3o quanto na outra, e pe\u00e7o licen\u00e7a para o fazer agora, neste espa\u00e7o, sempre deixando claro que n\u00e3o se trata de uma resposta pessoal \u00e0 referida professora, a quem voto meu respeito e considera\u00e7\u00e3o, em nome da \u00e9tica e do decoro profissional e acad\u00eamico, mas sim de um contraponto a algumas das ideias que v\u00eam sendo debatidas nas assembleias docentes, contraponto esse que julgo necess\u00e1rio para que se coloque a discuss\u00e3o em termos mais objetivos e claros.<\/p>\n<p>O texto come\u00e7a com uma indaga\u00e7\u00e3o sobre a necessidade de se iniciar uma campanha para mostrar para o Governo, ou mesmo para outros setores da sociedade, que o leg\u00edtimo representante da categoria \u00e9 a ANDES. Apontei, em minha fala que, pessoalmente e com base em experi\u00eancias pr\u00f3prias adquiridas em contatos com representantes sindicais durante a greve docente de 2012, que considero digno de nota o trabalho da ANDES e a respeito, tanto pelo seu passado de reivindica\u00e7\u00f5es e vit\u00f3rias, o que n\u00e3o deploro, quanto pelo papel que ele exerce nos dias de hoje em prol dos professores. Deixei claro, tamb\u00e9m, em minha interven\u00e7\u00e3o anterior, que reconhecia o esfor\u00e7o dos seus dirigentes, consubstanciado nas ineg\u00e1veis conquistas obtidas em um passado de lutas e mobiliza\u00e7\u00e3o. Contudo, \u00e9 mister declarar que o estava em discuss\u00e3o na assembleia de 21\/05 n\u00e3o era a aceita\u00e7\u00e3o desse ou daquele \u00f3rg\u00e3o como leg\u00edtimo representante docente, mas sim a pauta de reivindica\u00e7\u00f5es e formas de mobiliza\u00e7\u00e3o da categoria. De onde se pode inquirir a validade da afirma\u00e7\u00e3o categ\u00f3rica, presente no texto, de que o representante \u00e9 a ANDES, tanto quanto a sua extens\u00e3o: somente uma assembleia convocada com tal fim pode deliberar sobre essa escolha, com seu resultado sendo universal e soberano, dentro do que se exige em um ambiente democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>No que concerne aos coment\u00e1rios sobre a \u201cmorte da ADUF\u201d e \u201cmorte da ANDES\u201d, feitas por outro colega professor e que tamb\u00e9m foram objeto de questionamento por parte da autora do texto, o que tenho a dizer \u00e9 que, n\u00e3o sendo estas palavras de minha autoria, n\u00e3o tenho como explicitar o sentido que se lhe pretendeu conferir, nem com que inten\u00e7\u00e3o foram proferidas. Posso, sim, \u00e9 afirmar que, ainda que n\u00e3o concorde com o teor delas (como igualmente discordei de alguns outros pontos da fala do seu autor), em minha opini\u00e3o elas derivam de um sentimento percept\u00edvel pelos corredores, salas e espa\u00e7os livres de nossa Universidade (talvez n\u00e3o un\u00e2nime ou mesmo majorit\u00e1rio, mas existente, sem d\u00favida): a de que a forma de atua\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os de representa\u00e7\u00e3o docente carece de reparos. N\u00e3o se sustenta mais um modelo no qual a pauta de reivindica\u00e7\u00f5es \u00e9 decidida em esferas superiores e depois levada, vertical e descendentemente, \u00e0 delibera\u00e7\u00e3o nas assembleias locais, quando o esper\u00e1vel e desej\u00e1vel era que fosse montada a partir das necessidades e anseios captados do contato direto com os professores nos campi, e posteriormente cotejada com demandas de outras universidades e institutos, de forma a produzir uma pauta nacional unificada. Mesmo as visitas de membros dos sindicatos que s\u00e3o feitas (esporadicamente) \u00e0s coordena\u00e7\u00f5es e departamentos s\u00e3o realizadas menos com o intuito de captar as demandas locais e mais com o objetivo de persuadir e convencer os docentes a aderir a uma pauta j\u00e1 previamente definida, quando n\u00e3o para sondar \u00e2nimos e almas sobre a aceita\u00e7\u00e3o dessa pauta pr\u00e9via. N\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel uma atua\u00e7\u00e3o sindical que, a despeito de trazer justas e necess\u00e1rias reivindica\u00e7\u00f5es (afinal, quem discordaria de se lutar por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho ou por uma carreira docente mais equilibrada ?), atrela-as a um silogismo falacioso: ou se \u00e9 a favor da pauta e, por isso, a favor da greve; ou se \u00e9 contra a greve, e, portanto, contra a pauta. Pode-se perfeitamente ser favor\u00e1vel ao que se reivindica e, ao mesmo tempo, ser ontra a greve como meio de reivindicar, por se entender que h\u00e1 meios e modos mais adequados, pertinentes ou mesmo mais eficazes de se conseguir o se que deseja, mas a armadilha silog\u00edstica acima aludida, mais que impingir um anti-democr\u00e1tico \u201cpensamento \u00fanico\u201d, segrega e exclui os que dela escapam: esses s\u00e3o os pelegos, os vendidos, os alienados, os descompromissados&#8230;Ser\u00e1 que o s\u00e3o mesmo ?<\/p>\n<p>Portanto, quando se faz men\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201cmorte da ADUF ou da ANDES\u201d creio que se fa\u00e7a refer\u00eancia a um modelo cujos resultados, a despeito de terem sido expressivos no passado, n\u00e3o tem correspondido \u00e0s expectativas atuais da categoria. A evid\u00eancia maior disso eu procurei levantar em meu discurso: tendo transcorrido menos de dois anos da \u00faltima paralisa\u00e7\u00e3o docente, estamos de volta \u00e0 luta com uma pauta rigorosamente igual: carreira, sal\u00e1rios, condi\u00e7\u00f5es de trabalho, como a indicar que nada foi conseguido com a a\u00e7\u00e3o anterior, a maior j\u00e1 havida na hist\u00f3ria do movimento docente. Isso sem falar em outros pontos que, apesar de toda resist\u00eancia, receberam aval governamental e j\u00e1 fazem parte da realidade: EBSERVH, regime previdenci\u00e1rio, etc. Esses resultados p\u00edfios n\u00e3o podem ser creditados a outra coisa que n\u00e3o a um modelo de a\u00e7\u00e3o sindical que n\u00e3o mobiliza o corpo docente de fato, que n\u00e3o traduz os reais anseios da categoria, que n\u00e3o agrega diferentes segmentos da universidade, como p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia, extens\u00e3o e pesquisa, que n\u00e3o cria a for\u00e7a pol\u00edtica requerida para que se ganhe peso e vigor na mesa de negocia\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o mostra \u00e0 sociedade a justeza e a pertin\u00eancia de suas reivindica\u00e7\u00f5es, deixando-as, f\u00e1cil e tacitamente,travestir-se nos meios de m\u00eddia e comunica\u00e7\u00e3o como exig\u00eancias descabidas de uma classe a quem s\u00f3 interessam privil\u00e9gios. Os aplausos que recebi ao tecer essas considera\u00e7\u00f5es em minha interven\u00e7\u00e3o , mais do que produto de aliena\u00e7\u00e3o coletiva, conforme o insinuado no texto da Professora Gra\u00e7a, ou mesmo fruto de meus discut\u00edveis m\u00e9ritos como orador, s\u00e3o a constata\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca de que o sentimento de frustra\u00e7\u00e3o a que aludi permeia nosso espa\u00e7o, e de que a necessidade de novas formas de combate \u00e9 urgente. De minha parte, continuo acreditando em meus representantes sindicais, e penso ser este o sentimento da maioria dos professores, mas n\u00e3o esperem dos que me ovacionaram o endosso a uma pol\u00edtica que, lamentavelmente, teve seu prazo de validade esgotado \u2013 conclamem todos a uma nova maneira de lutar e n\u00e3o faltar\u00e3o lutadores.<\/p>\n<p>Logo, o comportamento de uma expressiva parte do corpo docente nas recentes assembleias n\u00e3o \u00e9 derivado de um desejo de n\u00e3o fortalecer nosso sindicato, nem de n\u00e3o se compreender o que \u00e9 \u201cindicativo de greve com e sem data\u201d, nem o de n\u00e3o acreditar na luta, nem de n\u00e3o se perceber que se est\u00e1 em um \u201cmomento decisivo\u201d nas negocia\u00e7\u00f5es, ainda que em muito poucas vezes haja algum esfor\u00e7o em se demonstrar o car\u00e1ter de imin\u00eancia desse \u201cmomento\u201d. N\u00e3o duvido de que as indaga\u00e7\u00f5es suscitadas pela Professora Gra\u00e7a em seu texto sejam sinceras, mas pe\u00e7o sua permiss\u00e3o para discordar frontalmente das respostas que ela sugere. Colocamo-nos de modo resoluto n\u00e3o contra greve ou quaisquer outras formas de luta, mas sim contra esse modelo que imp\u00f5e greve como \u00fanica forma de press\u00e3o poss\u00edvel, e uma greve com todas as caracter\u00edsticas prejudiciais que apontei alhures. Propus, na ocasi\u00e3o, outros meios de a\u00e7\u00e3o que, a meu ver, mais se coadunam com a realidade atual, em termos de abrang\u00eancia, poder e efic\u00e1cia: ocupa\u00e7\u00e3o da m\u00eddia, atrav\u00e9s das redes sociais, dos blogs, dos sites de opini\u00e3o, dos canais televisivos e radiof\u00f4nicos; a\u00e7\u00f5es junto \u00e0 comunidade universit\u00e1ria, envolvendo alunos, pais e demais entes relacionados, para que se demonstre a necessidade de uma universidade forte e atuante, o que pode ocorrer dando maior visibilidade aos programas de extens\u00e3o; atua\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e incans\u00e1vel junto \u00e0 Reitoria, para que haja maior efici\u00eancia e transpar\u00eancia na gest\u00e3o dos recursos or\u00e7ament\u00e1rios, de forma a resolver as demandas internas relativas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Aos que porventura retorquirem com o argumento de que essas propostas s\u00e3o invi\u00e1veis, impratic\u00e1veis ou mesmo sonhadoras, pode-se dar como resposta a mesma cita\u00e7\u00e3o usada pela Professora Gra\u00e7a: \u201cJ\u00e1 dizia um poeta quando se perguntava: pra que serve a utopia? E ele pr\u00f3prio respondia: A utopia nos faz caminhar\u2026\u201d.<\/p>\n<p>Finalizando, concordo com a Professora Gra\u00e7a quando ela diz que n\u00e3o precisamos de outra entidade de que represente a categoria, por\u00e9m ressalvo que, seja l\u00e1 qual for essa entidade, ela n\u00e3o pode viver de m\u00e9ritos passados, nem se escorar em meios de a\u00e7\u00e3o j\u00e1 vencidos. A categoria docente resiste firmemente apesar de tudo \u2013 est\u00e3o a\u00ed os concursos p\u00fablicos para professor universit\u00e1rio que n\u00e3o me deixam mentir \u2013 e estamos longe de estarmos jogados ao ch\u00e3o ou relegados ao limbo: assim ficaremos se conferirmos \u00e0s nossas lutas ares de pret\u00e9rito perfeito, ao inv\u00e9s de fazermos dela o futuro do presente. \u00c9 isso que realmente eu desejo, juntamente com boa parte de meus colegas.<\/p>\n<p>Meus abra\u00e7os cordiais \u00e0 Professora Gra\u00e7a, com meus honestos elogios ao seu texto.<\/p>\n<p>Atenciosamente,<\/p>\n<p>Professor Jos\u00e9 Ferrari Neto<\/p>\n<p>DLCV-CCHLA<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na \u00faltima Assembleia Docente, realizada no dia 21\/05\/2014, no Audit\u00f3rio 411 do CCHLA (Centro de Ci\u00eancias Humanas, Letras e Artes) foi lido um texto, intitulado \u201cManifesto aos Docentes da UFPB) pela Professora Maria das Gra\u00e7as de Almeida Baptista (DFE\/CE), ela mesma autora do texto em quest\u00e3o. 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