{"id":905,"date":"2010-02-17T13:42:09","date_gmt":"2010-02-17T17:42:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/carta-a-anayde-beiriz\/"},"modified":"2010-02-17T13:42:09","modified_gmt":"2010-02-17T17:42:09","slug":"carta-a-anayde-beiriz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/carta-a-anayde-beiriz\/","title":{"rendered":"Carta a Anayde Beiriz"},"content":{"rendered":"<p>Tu \u00e9s a nossa inspira\u00e7\u00e3o feminina. O \u00edcone da coragem e da ousadia da mulher paraibana. Guerreira na luta contra a subjun\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o dos costumes, que libertam o ser masculino e, limitam a experimenta\u00e7\u00e3o da plenitude da vida ao ser feminino. Foste covardemente injusti\u00e7ada, julgada e condenada. Eu indago aos teus algozes: Qual o teu pecado ou crime? Afinal, se n\u00e3o violaste nenhuma Lei, e pecado \u00e9 um problema meramente de fundamento moral e metaf\u00edsico, j\u00e1 o dizia Nietzsche.<\/p>\n<p>Na verdade, Anayde, desejar e defender veementemente a liberdade do corpo, do pensamento e da alma feminina, n\u00e3o se configura em crime e muito menos em pecado. Na realidade, os teus julgadores, n\u00e3o compreenderam e nem acompanharam a amplitude do teu pensamento, em perceber o que j\u00e1 vinha acontecendo no mundo, desde a passagem dos s\u00e9culos.<\/p>\n<p>Teu legado n\u00e3o foi extinto, est\u00e1s no rol das representantes hist\u00f3ricas das mulheres nordestinas, misturada \u00e0 m\u00edstica dos cantadores de viola, da literatura de cordel e dos folhetins. \u00c9s para n\u00f3s mulheres de hoje, a ess\u00eancia do ser feminino livre, independente e emancipado.<\/p>\n<p>Neste dia do teu anivers\u00e1rio de nascimento (18\/02\/1905), dia em que comemoramos a heran\u00e7a das tuas id\u00e9ias expressas na tua pr\u00e1tica, que se assemelha a hist\u00f3ria de in\u00fameras outras mulheres, como a de Roda Luxemburg, defensora incondicional da liberdade humana. Como ela, tu tivestes uma vida curta e intensa de persegui\u00e7\u00f5es. Posta a clandestinidade, viveste no final da tua vida \u00e1 margem da sociedade. Tu foste \u201cassassinada\u201d, sem que ningu\u00e9m da tua fam\u00edlia ou do teu pr\u00f3prio grupo tivesse a chance de te ajudar.\u00a0 Enfim, assim como Rosa, pagaste o alto pre\u00e7o da liberdade defendida.<\/p>\n<p>A ti, libert\u00e1ria, em nome das mulheres da atualidade que defendem e reivindicam a emancipa\u00e7\u00e3o entendida como a liberta\u00e7\u00e3o de toda e qualquer forma de subjun\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o, todo o nosso respeito e a nossa admira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\nMariza de Oliveira Pinheiro<br \/>\n(Docente da UFPB e Diretora de Pol\u00edtica Social da Adufpb)<br \/>\nJo\u00e3o Pessoa, 18 de fevereiro de 2010.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tu \u00e9s a nossa inspira\u00e7\u00e3o feminina. O \u00edcone da coragem e da ousadia da mulher paraibana. Guerreira na luta contra a subjun\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o dos costumes, que libertam o ser masculino e, limitam a experimenta\u00e7\u00e3o da plenitude da vida ao ser feminino. Foste covardemente injusti\u00e7ada, julgada e condenada. Eu indago aos teus algozes: Qual o&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[115],"class_list":["post-905","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","tag-dia-da-mulher","category-16","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/905","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=905"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/905\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=905"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=905"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=905"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}