{"id":8802,"date":"2014-04-23T09:36:35","date_gmt":"2014-04-23T13:36:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/?p=8802"},"modified":"2014-04-23T09:41:27","modified_gmt":"2014-04-23T13:41:27","slug":"fomento-ao-produtivismo-leva-ao-adoecimento-docente-aponta-pesquisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/fomento-ao-produtivismo-leva-ao-adoecimento-docente-aponta-pesquisa\/","title":{"rendered":"Fomento ao produtivismo leva ao adoecimento docente, aponta pesquisa"},"content":{"rendered":"<p>Pauta hist\u00f3rica do movimento docente, a luta contra o adoecimento docente ganhou mais elementos. Recente entrevista divulgada pela Associa\u00e7\u00e3o dos Docentes da Universidade Federal do Par\u00e1 (Adufpa-SSind) com o professor e pesquisador Jadir Campos aponta que o produtivismo e a competitividade impostos pelos \u00f3rg\u00e3os oficiais de fomento e pelas pol\u00edticas mercantilistas do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) s\u00e3o respons\u00e1veis por preju\u00edzos causados \u00e0 sa\u00fade mental e f\u00edsica dos docentes.<\/p>\n<p>Contribuindo para o aprofundamento desse debate, a Associa\u00e7\u00e3o dos Docentes da Universidade Federal do Par\u00e1 (Adufpa-SSind) divulgou em seu site uma entrevista com professor e pesquisador Jadir Campos. Ex-Coordenador de Sa\u00fade do Trabalhador da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA), m\u00e9dico, mestre na \u00e1rea m\u00e9dica e em educa\u00e7\u00e3o e doutorando em Sa\u00fade do Trabalhador na Universidad Internacional Tres Fronteras, de Buenos Aires (Argentina), o docente da UFPA \u00e9 respons\u00e1vel pela pesquisa \u201cTrabalho Docente e Sa\u00fade: Tens\u00f5es da Educa\u00e7\u00e3o Superior\u201d, resultado do seu projeto de mestrado. Nela, aparecem revela\u00e7\u00f5es estarrecedoras e infelizmente reais das atuais condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos professores, especialmente quanto ao adoecimento mental causado pelos mecanismos de controle da produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica.<\/p>\n<p>No estudo, Campos discute como as tens\u00f5es das pol\u00edticas p\u00fablicas para a Educa\u00e7\u00e3o Superior estariam levando ao sofrimento e, consequentemente, ao adoecimento docente. S\u00e3o apresentados dados que sugerem que o fomento ao produtivismo e \u00e0 competitividade, estimulados \u2013 sobretudo &#8211; pela Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), est\u00e3o gerando adoecimento mental entre professores da UFPA. De acordo com a pesquisa, 14,13% dos pedidos de afastamento do trabalho de docentes da universidade, entre 2006 e 2010, estiveram relacionados a problemas com a sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>O pesquisador aponta que o cen\u00e1rio da sua universidade n\u00e3o \u00e9 diferente do da maioria das institui\u00e7\u00f5es de ensino superior do Brasil. Para ele, \u201ca precariza\u00e7\u00e3o do trabalho leva a uma situa\u00e7\u00e3o de sofrimento, e se aquela pessoa que est\u00e1 passando por este sofrimento n\u00e3o tiver condi\u00e7\u00f5es de super\u00e1-lo, ir\u00e1 adoecer, pois o docente est\u00e1 submetido a uma s\u00e9rie de exig\u00eancias por conta da pol\u00edtica de educa\u00e7\u00e3o do MEC\u201d. O adoecimento apontado \u00e9 mental, mas tamb\u00e9m f\u00edsico, como a Les\u00e3o por Esfor\u00e7o Repetitivo (LER), o Dist\u00farbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho (DORT), a lombalgia e problemas de pregas vocais com altera\u00e7\u00f5es da voz (disfonia).<\/p>\n<p>O professor da UFPA tamb\u00e9m lembra que os docentes muitas vezes n\u00e3o percebem a causa de seu adoecimento mental. \u201cO docente n\u00e3o est\u00e1 percebendo que est\u00e1 sendo \u201cusado\u201d e, digamos assim, imiscu\u00eddo em um contexto pol\u00edtico em que pela falta ou pela exiguidade de recursos financeiros, os dois \u00f3rg\u00e3os mais importantes de fomento \u00e0 pesquisa, a Capes e o CNPq, fazem uma triagem produtivista, tornando os docentes bodes expiat\u00f3rios de um esquema perverso ao professor. Deste modo, o professor vai atr\u00e1s deste fomento para conseguir recursos para sua pesquisa, para ter acesso \u00e0s tecnologias, bolsistas etc. O professor que consegue isto acredita que o conseguiu por ser \u201cg\u00eanio\u201d, por\u00e9m, o que n\u00e3o se percebe \u00e9 que isso o coloca ref\u00e9m do produtivismo, da competi\u00e7\u00e3o, e imp\u00f5e a exig\u00eancia de um grande n\u00famero de publica\u00e7\u00f5es em revistas com qualis elevados\u201d afirma Campos.<\/p>\n<p>Na entrevista, Jadir Campos tamb\u00e9m aponta que a S\u00edndrome de Burnout (intimamente ligada \u00e0 depress\u00e3o) \u00e9 a forma mais comum de adoecimento mental dos docentes causada pelo produtivismo acad\u00eamico, e j\u00e1 \u00e9 a segunda doen\u00e7a que mais afasta trabalhadores de suas atividades no mundo, ap\u00f3s a LER-DORT. \u201cA S\u00edndrome de Burnout tem caracter\u00edsticas especiais. A exaust\u00e3o emocional; a falta de envolvimento com o trabalho, a pessoa perde o interesse e j\u00e1 n\u00e3o tem mais o mesmo entusiasmo de antes; e a desumaniza\u00e7\u00e3o. A desumaniza\u00e7\u00e3o se expressa naquele professor que \u00e9 questionado pelo aluno e responde com pedras na m\u00e3o e n\u00e3o deixa ningu\u00e9m sequer intervir, adotando posturas autorit\u00e1rias com falas como &#8216;Aqui o professor sou eu, fique calado&#8217;, ou adota posturas similares quando abordado pelas demais pessoas\u201d, alega Campos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o desses problemas, segundo o entrevistado, passa pelo combate \u00e0s atuais formas de controle da produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. \u201cN\u00e3o se iludam, todas essas pol\u00edticas criadas pelo MEC tem um vi\u00e9s de controle. Por exemplo, quando se imp\u00f5e uma avalia\u00e7\u00e3o quantitativa aos docentes, com uma s\u00e9rie de requisitos e pontua\u00e7\u00f5es que devem ser preenchidas, isso faz parte de uma pol\u00edtica de controle. A Lei de Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica \u00e9 outra quest\u00e3o perigos\u00edssima, pois ela incentiva o professor a ser al\u00e9m de produtivista, empreendedor. Essa Lei direciona a pesquisa aos interesses mercantis, sujeitando os docentes a pesquisarem de acordo com o retorno que os resultados da pesquisa dar\u00e3o ao mercado, \u00e0s empresas e\/ou ind\u00fastria; al\u00e9m disso, outras \u00e1reas que n\u00e3o est\u00e3o ligadas aos interesses industriais e de mercado, s\u00e3o penalizadas, dificilmente tem seus projetos aprovados porque n\u00e3o s\u00e3o \u201crent\u00e1veis\u201d. Aquilo que existia nas universidades em termos da autonomia, n\u00e3o existe mais. Tornou-se o que n\u00f3s chamamos de \u2018autonomia consentida\u2019. Voc\u00ea vai at\u00e9 onde a institui\u00e7\u00e3o acha que \u00e9 permitido ir. O pr\u00f3prio docente est\u00e1 comprometido em sua autonomia intelectual, ou seja, ele n\u00e3o tem mais a liberdade de pesquisar o que ele julga e percebe ser importante para a sociedade e para a universidade\u201d, concluiu Jadir Campos.<\/p>\n<p>Confira a \u00edntegra da entrevista <a href=\"http:\/\/portal.andes.org.br\/imprensa\/noticias\/imp-ult-492400535.pdf\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p><em>* Com informa\u00e7\u00f5es e foto de Adufpa-SSind<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pauta hist\u00f3rica do movimento docente, a luta contra o adoecimento docente ganhou mais elementos. 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