{"id":6102,"date":"2013-11-22T11:53:31","date_gmt":"2013-11-22T15:53:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/?p=6102"},"modified":"2014-02-19T16:00:31","modified_gmt":"2014-02-19T20:00:31","slug":"as-paixoes-do-mensalao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/as-paixoes-do-mensalao\/","title":{"rendered":"As paix\u00f5es do Mensal\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Jaldes Meneses<\/em><\/p>\n<p>Nunca fui vi\u00fava de Jos\u00e9 Dirceu nem f\u00e3 de Joaquim Barbosa. Jamais me animei em participar dos dois partidos organizados em torno da defesa ou acusa\u00e7\u00e3o no processo do mensal\u00e3o, seja como escriba intelectual no estilo de um Wanderley Guilherme dos Santos (denunciador exagerado da perspectiva iminente de \u201cum golpe da m\u00eddia\u201d) ou de um Reinaldo Azevedo (criador no neologismo \u201cpetralha\u201d, do petista que tenta justificar o roubo de recursos p\u00fablicos para fins pol\u00edticos). As redes sociais est\u00e3o repletas dessas pessoas, reiterando em a\u00e7\u00e3o todos os mecanismos, descritos por Marx, da ideologia como estado bruto de \u201cfalsa consci\u00eancia\u201d.&lt; \/span&gt;<\/p>\n<p>As pessoas se comportam nos debates (de que o ru\u00eddo das redes sociais \u00e9 pr\u00f3digo) a partir de convic\u00e7\u00f5es profundas e sinceras, no mais das vezes filiadas emocionalmente ao passado, atadas de maneira acr\u00edtica aos tempos idos, das passeatas contra a ditadura que contamos a nossos filhos e netos. O principal patrim\u00f4nio do PT n\u00e3o se resume a suas realiza\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, nem no bolsa-fam\u00edlia nem no cr\u00e9dito consignado, mas exatamente neste verdadeiro ex\u00e9rcito gratuito, a narrativa de uma gera\u00e7\u00e3o que nenhum partido outro possui no Brasil.<\/p>\n<p>Por outro lado, a simpatia difusa agregada em torno das atitudes de Joaquim Barbosa, na aus\u00eancia de organicidade da oposi\u00e7\u00e3o, reuniu em suas hostes o mal-estar de um setor das classes m\u00e9dias (n\u00e3o se trata de toda a classe m\u00e9dia, como pensa erroneamente Marilena Chau\u00ed) contra as pol\u00edticas de transfer\u00eancia de renda ou o fato de os membros do PT, se pertencem indiscutivelmente \u00e0s elites sindicais e pol\u00edticas, est\u00e3o longe de compor o n\u00facleo duro da economia. No fundo, para estes, por v\u00edcio de origem, Lula e seus companheiros, jamais passar\u00e3o de convidados for\u00e7ados \u00e0 festa. Por muito que fa\u00e7am, jamais ser\u00e3o dos seus.<\/p>\n<p>Atuando mais em circuito fechado de reitera\u00e7\u00e3o que expansivamente em di\u00e1logo com as novas camadas sociais, a exemplo da juventude das Jornadas de Junho, as duas torcidas organizadas \u2013principalmente a das vi\u00favas de Jos\u00e9 Dirceu, origin\u00e1ria da esquerda \u2013, por mais que neguem, reiteram o pacto conservador. Andr\u00e9 Singer, um insuspeito petista, no livro \u201cOs sentidos do lulismo\u201d denomina a este conservadorismo de\u201creformismo fraco\u201d. Marcos Nobre, outro intelectual neopetista, em \u201cImobilismo em movimento\u201d, um livro do momento, cunhou o termo pemedebismo, expressando que o PT dirige hoje, com batuta de maestro, o conservadorismo e o f isiologismo brasileiro, ra\u00edzes de nossos mensal\u00f5es ancestrais.<\/p>\n<p><em>[1]Professor Associado do Departamento de Hist\u00f3ria (UFPB). e-mail: jaldesm@uol.com.br.<\/em><\/p>\n<p><em>blog: http:\/\/jaldes-campodeensaio.blogspot.com\/<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jaldes Meneses Nunca fui vi\u00fava de Jos\u00e9 Dirceu nem f\u00e3 de Joaquim Barbosa. 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