{"id":6026,"date":"2013-11-07T13:57:36","date_gmt":"2013-11-07T17:57:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/?p=6026"},"modified":"2014-02-19T16:01:37","modified_gmt":"2014-02-19T20:01:37","slug":"dialetica-da-dependencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/dialetica-da-dependencia\/","title":{"rendered":"Dial\u00e9tica da Depend\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><em>Jaldes Meneses[1]<\/em><\/p>\n<p>A \u201cDial\u00e9tica da depend\u00eancia\u201d, ensaio escrito e publicado no ex\u00edlio mexicano por Rui Mauro Marini, distante de Minas Gerais, onde nasceu, e do Rio de Janeiro, onde adquiriu a sua forma\u00e7\u00e3o intelectual com Guerreiro Ramos (soci\u00f3logo nacionalista do ISEB, cassado em 1964) e nos quadros da POLOP (organiza\u00e7\u00e3o de esquerda criada em 1962, cr\u00edtica ao programa do PCB), completa 40 anos. Posso estar falando aramaico ao leitor de jornal, mas no mundo inteiro o acontecimento vem sendo objeto de v\u00e1rios semin\u00e1rios, com especialistas se debru\u00e7ando avidamente no legado de Rui Mauro, especialmente as teses do subimperialismo brasileiro na Am\u00e9rica Latina, que retornaram aos esquemas interpretativos das ci\u00eancias sociais buscando dar conta a expans\u00e3o do capital privado e estatal brasileiro nos pa\u00edses vizinhos.<\/p>\n<p>De alguma maneira, Rui Mauro previu corretamente as tend\u00eancias expansivas do capitalismo brasileiro rumo a seus vizinhos, num tempo em que apenas os investimentos em Itaipu denunciavam claramente esta tend\u00eancia. Para se ter uma ideia, a Petrobr\u00e1s tem hoje 15% do PIB da Bol\u00edvia. Do ponto da economia brasileira, ao formular atrav\u00e9s da categoria de superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho um dos suportes decisivos do \u201cmilagre econ\u00f4mico\u201d da ditadura, o autor faz-nos pensar a recente aflu\u00eancia social do per\u00edodo Lula, antes e hoje, processos que conciliam formaliza\u00e7\u00e3o com ritmos semiescravistas de trabalho. H\u00e1 um senso comum idiota que s\u00f3 percebe os problemas de superexplora\u00e7\u00e3o do trabalho em per\u00edodos de crise, quando ao con tr\u00e1rio, muitas vezes os per\u00edodos de aflu\u00eancias s\u00e3o exatamente os que as taxas de mais-valia explodem.<\/p>\n<p>Reconhe\u00e7o a contribui\u00e7\u00e3o de Rui Mauro. No entanto, os esquemas de depend\u00eancia deste autor, exatamente os suportes da teoria do subimperialismo, eram demasiado r\u00edgidos, como se essas rela\u00e7\u00f5es compusessem um determinismo f\u00e9rreo. Quem detectou esses problemas no pensamento de Rui Mauro foram Fernando Henrique e Jos\u00e9 Serra, que responderam em seguida \u00e0 publica\u00e7\u00e3o mexicana.<\/p>\n<p>Fernando Henrique e Serra agiram desonestamente, dificultando a publica\u00e7\u00e3o do livro cl\u00e1ssico no Brasil. O livro e a resposta de Rui Mauro a Serra e FHC s\u00f3 foram aqui publicados em 2000, quando FHC era presidente da rep\u00fablica. Exilado no M\u00e9xico, acusado de constituir uma base te\u00f3rica dos grupos guerrilheiros latino-americanos, Rui Mauro era um autor maldito no Brasil, ao passo que, embora na oposi\u00e7\u00e3o ao regime, FHC e Serra j\u00e1 despontavam como queridinhos da elite paulista.<\/p>\n<p><em>[1] Professor Associado do Departamento de Hist\u00f3ria da UFPB. e-mail: jaldesm@uol.com.br.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jaldes Meneses[1] A \u201cDial\u00e9tica da depend\u00eancia\u201d, ensaio escrito e publicado no ex\u00edlio mexicano por Rui Mauro Marini, distante de Minas Gerais, onde nasceu, e do Rio de Janeiro, onde adquiriu a sua forma\u00e7\u00e3o intelectual com Guerreiro Ramos (soci\u00f3logo nacionalista do ISEB, cassado em 1964) e nos quadros da POLOP (organiza\u00e7\u00e3o de esquerda criada em 1962,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-6026","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","category-16","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6026","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6026"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6026\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7996,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6026\/revisions\/7996"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6026"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6026"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6026"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}