{"id":5572,"date":"2013-08-18T18:54:34","date_gmt":"2013-08-18T22:54:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/?p=5572"},"modified":"2014-02-19T16:03:47","modified_gmt":"2014-02-19T20:03:47","slug":"o-ultimo-perrepista-nivalson-miranda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/o-ultimo-perrepista-nivalson-miranda\/","title":{"rendered":"A-Deus, o \u00faltimo perrepista: Nivalson Miranda"},"content":{"rendered":"<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-size: 13px;\">Jos\u00e9 Fl\u00e1vio Silva (*)<\/span><\/p>\n<p>A mem\u00f3ria viva de mil novecentos e trinta encerra-se com a ida de Nivalson Miranda cujo falecimento ocorreu na manh\u00e3 do s\u00e1bado, 17\/08, no Hospital Memorial S\u00e3o Francisco. N\u00e3o disponho de detalhes sobre os dias passados naquele nosoc\u00f4mio.<\/p>\n<p>Nascido em 1927, na capital do Estado da Parahyba, ent\u00e3o Parahyba do Norte, estava com tr\u00eas anos quando o presidente Jo\u00e3o Pessoa foi assassinado pelo advogado Jo\u00e3o Dantas na confeitaria \u201cA Gloria\u201d, no dia 26 de julho de 1930.<\/p>\n<p>O Partido Republicano Paulista (PRP) elegera naquele ano o paulista J\u00falio Prestes para presidente da Rep\u00fablica do Brasil. O partido tinha adeptos na Parahyba, cognominados de \u201cperrepistas\u201d. Esses partid\u00e1rios faziam oposi\u00e7\u00e3o ao presidente Jo\u00e3o Pessoa.<\/p>\n<p>Com a morte do presidente Jo\u00e3o Pessoa, os perrepistas foram perseguidos. Em entrevista ao jornalista do jornal O Norte, Henrique Fran\u00e7a, em 5\/8\/2006, Nivalson Miranda diz o seguinte: \u201c&#8230; <strong><em>de um dos primeiros dias de agosto de 1930 quando um\u00a0\u00a0 caminh\u00e3o do Ex\u00e9rcito da Parahyba estaciona em frente \u00e0 casa do comerciante Ant\u00f4nio Bandeira de Miranda. Apressados, os soldados fazem subir ao ve\u00edculo os tr\u00eas filhos, a esposa e a sogra do comerciante, que seriam apanhados logo mais, no 22\u00b0 BC, onde estava preso. Junto a outras fam\u00edlias, o grupo viajou durante a madrugada at\u00e9 chegar a Recife, onde foi deixado ao relento. Entre os expatriados estava o menino Nivalson Miranda, de apenas tr\u00eas anos. `As crian\u00e7as iam soltas dentro do caminh\u00e3o, as m\u00e3es tentando segurar, chorando. Minha fam\u00edlia foi deixada em uma das cal\u00e7adas da avenida Jo\u00e3o de Barro, na Encruzilhada.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Ficamos todos ali, escorados em uma parede, debaixo de uma chuva grosa. Aquilo eu n\u00e3o esque\u00e7o nunca`, relembra o historiador e heraldista.\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u201cO tiro recebido por Jo\u00e3o Pessoa disparou a ca\u00e7a aos chamados perrepistas.`Os presos foram libertados das cadeias com uma condi\u00e7\u00e3o: que iam ser apontadas as casas dos perr\u00e9s e eles tinham direito ao saque, ao estupro e \u00e0 queima de tudo o que tivesse nessa casa. N\u00e3o sofremos maior viol\u00eancia porque minha m\u00e3e era da fam\u00edlia Fernandes.\u201d\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p>Retornando \u00e0 Parahyba, quando cessou a onda de persegui\u00e7\u00e3o, Nivalson Miranda dedicou-se ao estudo galgando o diploma de qu\u00edmico industrial. Ao mesmo tempo tinha como hobby o desenho de bico de pena com foco na Hist\u00f3ria da Parahyba e, de al\u00e9m mar, trouxe a inquieta\u00e7\u00e3o da Her\u00e1ldica.<\/p>\n<p>Henrique Fran\u00e7a, no mesmo jornal, na edi\u00e7\u00e3o do dia 15\/10\/2009, esclarece: \u201centre as exposi\u00e7\u00f5es realizadas destacam-se a Mostra de Her\u00e1ldica Gent\u00edlica Brasileira e Her\u00e1ldica C\u00edvica; Her\u00e1ldica Eclesi\u00e1stica dos bispos e arcebispos Para\u00edbanos, Sert\u00e3o Hist\u00f3rico e Hans Staden.<\/p>\n<p>\u00c9 o criador do bras\u00e3o do Bras\u00e3o de Armas do 15\u00b0 Batalh\u00e3o de Infantaria de Jo\u00e3o Pessoa e das Armas de v\u00e1rios munic\u00edpios. \u00c9 autor do livro \u201cAreia e seu entorno\u201d&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Nivalson Miranda foi o colega que contagiava por suas hist\u00f3rias e est\u00f3rias no ambiente frequentado por professores da UFPB, ADUFPB. Nunca o presenciamos triste. En\u00e9rgico, transmitia luz e esperan\u00e7a a todos n\u00f3s com maestria e sabedoria. Inquieto, sempre estava com uma pasta a tiracolo recheados de projetos para desenvolv\u00ea-los no instrumento companheiro de luta, o bico de pena. A\u00ed sim, expandia-se em criatividade metaf\u00edsica.<\/p>\n<p>Do amigo Jos\u00e9 Fl\u00e1vio<\/p>\n<p>______________________<\/p>\n<p>(*) Jos\u00e9 Fl\u00e1vio Silva, professor da UFPB, aposentado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Fl\u00e1vio Silva (*) A mem\u00f3ria viva de mil novecentos e trinta encerra-se com a ida de Nivalson Miranda cujo falecimento ocorreu na manh\u00e3 do s\u00e1bado, 17\/08, no Hospital Memorial S\u00e3o Francisco. N\u00e3o disponho de detalhes sobre os dias passados naquele nosoc\u00f4mio. 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