{"id":4246,"date":"2012-10-31T21:54:32","date_gmt":"2012-11-01T01:54:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/?p=4246"},"modified":"2012-10-31T21:54:32","modified_gmt":"2012-11-01T01:54:32","slug":"mec-financiara-curso-de-medicina-em-faculdade-privada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/mec-financiara-curso-de-medicina-em-faculdade-privada\/","title":{"rendered":"MEC financiar\u00e1 curso de medicina em faculdade privada"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/mercadante.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-4247\" title=\"mercadante\" src=\"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/mercadante-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/mercadante-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/mercadante.jpg 449w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Durante a 82\u00aa Reuni\u00e3o Plen\u00e1ria do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (Crub), ocorrida no \u00faltimo dia 24, o ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Aloizio Mercadante, anunciou que o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) pretende financiar a abertura de cursos de medicina em faculdades privadas. Tal abertura seria, principalmente, nas regi\u00f5es Norte e Nordeste, visando suprir a demanda de m\u00e9dicos nessas localidades. A ideia \u00e9 que o edital seja lan\u00e7ado at\u00e9 o in\u00edcio de 2013, oferecendo linha de cr\u00e9dito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) \u00e0s institui\u00e7\u00f5es que demonstrarem interesse. Para a Sedufsm e alguns docentes da Ufsm, entretanto, os resultados dessa medida s\u00e3o duvidosas, uma vez que essa n\u00e3o tocar\u00e1 nos reais problemas da sa\u00fade brasileira.<\/p>\n<p>Para o presidente da Sedufsm e diretor do ANDES-SN, Rondon de Castro, o problema n\u00e3o reside na falta de m\u00e9dicos, mas na err\u00e1tica distribui\u00e7\u00e3o desses pelo pa\u00eds. \u201cEsses [os m\u00e9dicos] acabam se concentrando nas \u00e1reas urbanas, densamente povoadas, e deixando desassistida boa parte do pa\u00eds. Mas tal realidade ocorre devido \u00e0 falta de condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de infraestrutura\u201d, explica Rondon. O ex-presidente da Sedufsm e docente do departamento de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas, Ricardo Rondinel, compartilha de opini\u00e3o semelhante, expondo dois motivos para a falta de profissionais de medicina nas duas regi\u00f5es citadas: s\u00e3o regi\u00f5es pobres, ou seja, n\u00e3o apresentam demanda, estando essa concentrada no centro-sul do pa\u00eds; e o baixo n\u00edvel dos sal\u00e1rios oferecidos pelo setor p\u00fablico. O professor destaca tamb\u00e9m que, embora fossem altos os sal\u00e1rios, a falta de infraestrutura n\u00e3o permitiria a grande atra\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos para as regi\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cA solu\u00e7\u00e3o para o Norte e o Nordeste \u00e9 o SUS (Sistema \u00danico de Sa\u00fade). Investir em Medicina Preventiva e Curativa, com sal\u00e1rios diferenciados, maiores, para profissionais que trabalhem l\u00e1. Tamb\u00e9m deveria ser criado um servi\u00e7o civil de graduandos em Medicina, em que os m\u00e9dicos seriam obrigados a trabalhar nas regi\u00f5es Norte e Nordeste em troca de bolsas, antes de receber seus diplomas\u201d, opina Rondinel.<\/p>\n<p>Corroborando a ideia de que o problema n\u00e3o \u00e9 a falta de profissionais de medicina no pa\u00eds, o professor do departamento de Ginecologia e Obstetr\u00edcia, Edson Nunes, diz que, no Brasil, h\u00e1 mais cursos de medicina do que nos Estados Unidos. O docente explica que a recomenda\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) \u00e9 de um m\u00e9dico para cada 1000 habitantes e contrasta com a desigual distribui\u00e7\u00e3o dos profissionais em nosso pa\u00eds: enquanto regi\u00f5es como a norte apresentam um m\u00e9dico para cada 2.000 habitantes \u2013 desrespeitando o que recomenda a OMS -, regi\u00f5es como a sudeste e sul chegam a dispor de um m\u00e9dico para menos de 100 habitantes. \u201cA abertura de novos cursos de medicina j\u00e1 est\u00e1 se tornando habitual, quase corriqueiro neste pa\u00eds, cuja inten\u00e7\u00e3o nem de longe visa \u00e0 melhoria da sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o com a forma\u00e7\u00e3o de novos profissionais m\u00e9dicos; ao contr\u00e1rio, o objetivo \u00e9 \u00fanica e exclusivamente pol\u00edtico-eleitoreiro\u201d, critica Morais.<\/p>\n<p><strong>Consequ\u00eancias do apoio ao privado<\/strong><\/p>\n<p>Rondon de Castro problematiza o apoio do governo aos empres\u00e1rios da educa\u00e7\u00e3o, entendendo que a cria\u00e7\u00e3o de faculdades privadas desincumbe o poder p\u00fablico da tarefa de fornecer, para a sociedade, profissionais da \u00e1rea da sa\u00fade, jogando isso para a iniciativa privada. \u201cTal medida ir\u00e1 atrair pessoas que podem ter acesso ao ensino privado, ou seja, a classe m\u00e9dia alta. Sem fazer uma pol\u00edtica de condi\u00e7\u00f5es de trabalho, esses profissionais continuar\u00e3o concentrando-se nas grandes cidades, o que pode provocar competitividade entre eles, consequente arrocho de sal\u00e1rios e defici\u00eancia no atendimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o\u201d, explica.<\/p>\n<p>Durante a reuni\u00e3o com a Associa\u00e7\u00e3o dos Reitores, Mercadante afirmou que existem, em processo de an\u00e1lise pelo MEC, pedidos para a cria\u00e7\u00e3o de cerca de 2,5 mil vagas de Medicina. \u201cN\u00e3o temos condi\u00e7\u00f5es de atender as demandas que s\u00e3o apresentadas, porque n\u00f3s vamos entrar numa canibaliza\u00e7\u00e3o ou numa concentra\u00e7\u00e3o. Canibaliza\u00e7\u00e3o, porque \u00e0s vezes voc\u00ea s\u00f3 tem um equipamento do SUS e cursos p\u00fablicos e privados disputando aquela infraestrutura. Isso prejudica a forma\u00e7\u00e3o e a qualidade do servi\u00e7o. Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma concentra\u00e7\u00e3o muito elevada. Queremos desconcentrar a forma\u00e7\u00e3o e pensar o Brasil como um todo. Por isso vamos mudar a pol\u00edtica\u201d, disse o ministro.<\/p>\n<p><strong>Reuni<\/strong><\/p>\n<p>O professor Rondinel diz que, a partir do plano de expans\u00e3o das Institui\u00e7\u00f5es Federais de Ensino Superior (Ifes) \u2013 o Reuni &#8211; foi oferecida verba para a expans\u00e3o de vagas em qualquer curso. Ele exemplifica a falta de pol\u00edtica dessa expans\u00e3o atrav\u00e9s da UFSM, que, em cursos que apresentam mais demanda, como Medicina e Direito, praticamente n\u00e3o ampliou vagas, enquanto em outros cursos, que apresentam rela\u00e7\u00e3o candidato-vaga igual ou menor a um, foram ampliadas as vagas. Outro exemplo citado pelo professor \u00e9 a Unidade Descentralizada de Silveira Martins (UDESSM), que n\u00e3o possui sequer candidatos. \u201cE o maior exemplo disto \u00e9 que a \u00faltima greve nas IFES foi puxada pelas novas universidades, que t\u00eam condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, por falta de docentes, servidores, pr\u00e9dios, laborat\u00f3rios\u201d, diz Rondinel.<\/p>\n<p><strong>Car\u00e1ter excludente da faculdade privada<\/strong><\/p>\n<p>Edson Nunes de Morais explica que, para o assalariado, as chances de cursar Medicina em uma universidade privada s\u00e3o muito reduzidas, uma vez que os custos s\u00e3o exorbitantes. \u201cAbrir novas escolas m\u00e9dicas continua sendo uma a\u00e7\u00e3o n\u00e3o justific\u00e1vel por parte dos seus mentores pol\u00edticos, especialmente. Tais atitudes j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o mais reprimidas pelas entidades como sindicatos m\u00e9dicos, associa\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas e conselhos regionais de medicina, que, antigamente, pela for\u00e7a de seus movimentos coletivos, conseguiam restringir o \u00edmpeto de pol\u00edticos mal intencionados\u201d, diz o docente, que acredita estar presente, nesse processo, uma l\u00f3gica: quanto mais escolas sem qualidade, mais doentes continuar\u00e3o doentes.<\/p>\n<p>\u201cPortanto, que se reprima mais esta iniciativa do governo, com a for\u00e7a da sociedade, das entidades representativas dos profissionais da \u00e1rea da sa\u00fade, especialmente da \u00e1rea m\u00e9dica. O respeito \u00e0 vida constitui a ess\u00eancia do trabalho do m\u00e9dico. Lutemos por isso\u201d, conclui Edson.<\/p>\n<p>Texto: Bruna Homrich (estagi\u00e1ria) com informa\u00e7\u00f5es de Andifes\/O Globo<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Fritz Nunes (Jornalista)<\/p>\n<p>Foto: Ant\u00f4nio Cruz (Ag\u00eancia Brasil)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Fonte: Sedufsm<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante a 82\u00aa Reuni\u00e3o Plen\u00e1ria do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (Crub), ocorrida no \u00faltimo dia 24, o ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Aloizio Mercadante, anunciou que o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) pretende financiar a abertura de cursos de medicina em faculdades privadas. 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