{"id":3686,"date":"2012-07-14T01:26:59","date_gmt":"2012-07-14T05:26:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/?p=3686"},"modified":"2014-02-19T16:07:42","modified_gmt":"2014-02-19T20:07:42","slug":"hildeberto-barbosa-filho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/hildeberto-barbosa-filho\/","title":{"rendered":"Hildeberto Barbosa Filho"},"content":{"rendered":"<p><em>Jaldes Reis de Meneses<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sempre converso por poucos minutos, at\u00e9 constantemente, em encontros fortuitos, quase semanais, na sede de nossa querida ADUFPB, no cafezinho, com Hildeberto, meio como aquelas conversas de at\u00e9 mais eu vou indo de Paulinho da Viola. Mesmo na pressa do dia-a-dia, nossas trocas sempre s\u00e3o generosas. Gostaria de conversar mais, pois acho Hilbeberto \u2013 vou usar uma express\u00e3o arriscada \u2013 um sujeito feito de linguagem, que travou com ela uma luta corporal anos a fio, a cada momento se descosendo, emergindo atrav\u00e9s do poema uma rica experi\u00eancia de vida, vida esta que culmina com o lan\u00e7amento de suas poesias \u2013 at\u00e9 o momento \u2013 completas, que acho um grande acontecimento cultural na Para\u00edba.<\/p>\n<p>Conhe\u00e7o muitos poemas e livros de Hilbeberto, admiro o conjunto da obra, me vejo na obriga\u00e7\u00e3o de coment\u00e1-la de maneira mais sistem\u00e1tica algum dia, mas gostaria de aproveitar (oportunista que sou) a ocasi\u00e3o para tratar de um assunto caro a ambos, a poesia. Sou at\u00e9 mais suspeito no assunto que Hildeberto, pois de alguma maneira sou conhecido como pol\u00edtico (ou comentarista de pol\u00edtica, pior ainda). Tenho preocupa\u00e7\u00e3o com o destino da poesia no mundo, mas ao mesmo tempo vejo a poesia renascer inesperadamente, embora muitas vezes como simples \u201capari\u00e7\u00f5es\u201d, seja no sinal de tr\u00e2nsito ou no improviso de uma nota musical. O feito de Hildeberto \u00e9 precisamente este, em contrapelo, o que o fez, ele e sua obra, trata-se de uma figura absolutamente original nas rela\u00e7\u00f5es sociais do &#8220;conterpor\u00e2neo&#8221;: nele, a poesia n\u00e3o \u201caparece\u201d para em seguida \u201cdesaparecer\u201d instantaneamente, ma s, ao inverso, tornada permanente, \u00e9 produto de uma medita\u00e7\u00e3o no mundo.<\/p>\n<p>Come\u00e7a-se a se perder a tradi\u00e7\u00e3o da poesia do romantismo e at\u00e9 da fase \u00e1urea do modernismo brasileiro, de Drummond, Bandeira, Jo\u00e3o Cabral, Jorge de Lima, Vinicius e Paulo Mendes Campos. O grande m\u00e9rito de Hildeberto \u00e9 reiterar e persistir na tradi\u00e7\u00e3o meditada. Escrevi a pouco uma cr\u00f4nica aqui no wscom chamada \u201clira dos setenta anos\u201d, a respeito dos setenta anos de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Paul McCartney. N\u00e3o fui ing\u00eanuo. Tinha em mente duas refer\u00eancias liter\u00e1rias mais ou menos ocultas, \u00c1lvares de Azevedo (lira dos vinte anos) e Manuel Bandeira (lira dos cinq\u00fcenta anos). Queria demonstrar o fato que as liras foram se prolongando com o tempo \u2013 hoje, pode-se comemorar a lira aos setenta anos, da mesma maneira que a lira j\u00e1 se comemorou aos vinte e aos cinq\u00fcenta anos. Mostrei o texto e conversei sobre a quest\u00e3o com v\u00e1rios literatos, doutores em literatura da univ ersidade. Ningu\u00e9m percebeu o nuance da lira. Ningu\u00e9m percebeu, ningu\u00e9m, incr\u00edvel. Que diabos \u00e9 a literatura que se ensina nos col\u00e9gios e universidades?, at\u00e9 o n\u00edvel da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>H\u00e1 pouco entendimento da poesia no mundo. Para se fazer poesia n\u00e3o precisa se entender de poesia, ainda bem que no fundo ela \u00e9 um grande mist\u00e9rio. Deixou de haver educa\u00e7\u00e3o em poesia, nos moldes do idealismo cl\u00e1ssico alem\u00e3o ou do modernismo brasileiro, quando os livros de poesia eram esperados com avidez pelo leitor, e os poetas, desde Goethe at\u00e9 Drummond se tornaram refer\u00eancias cujos novos lan\u00e7amentos de poesia eram esperados pelo p\u00fablico. Muito disso se perdeu, menos por enquanto na Para\u00edba, pois aqui temos Hildeberto Barbosa Filho, que est\u00e1 lan\u00e7ando a sua obra po\u00e9tica completa \u2013por enquanto \u2013 salve, salve. Belo, o seu anacronismo, Hilbeberto!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jaldes Reis de Meneses &nbsp; Sempre converso por poucos minutos, at\u00e9 constantemente, em encontros fortuitos, quase semanais, na sede de nossa querida ADUFPB, no cafezinho, com Hildeberto, meio como aquelas conversas de at\u00e9 mais eu vou indo de Paulinho da Viola. Mesmo na pressa do dia-a-dia, nossas trocas sempre s\u00e3o generosas. 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