{"id":3219,"date":"2012-05-28T06:41:12","date_gmt":"2012-05-28T10:41:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/?p=3219"},"modified":"2014-02-19T16:13:57","modified_gmt":"2014-02-19T20:13:57","slug":"universidades-em-greve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/universidades-em-greve\/","title":{"rendered":"Universidades em greve"},"content":{"rendered":"<p><em>Jaldes Reis de Meneses [1]<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os docentes das universidades federais brasileiras est\u00e3o em greve. Na mesa de negocia\u00e7\u00f5es entre os grevistas e o governo existe um \u00fanico e perverso consenso, que justifica o movimento: o patamar atual dos sal\u00e1rios dos professores das universidades p\u00fablicas \u00e9 baix\u00edssimo.<\/p>\n<p>N\u00e3o fa\u00e7o figura de ret\u00f3rica: os vencimentos b\u00e1sicos de um professor em in\u00edcio de carreira (20 horas de trabalho semanais), pasmem, s\u00e3o menores que o sal\u00e1rio m\u00ednimo. Trata-se do menor piso salarial entre todas as 73 carreiras do servi\u00e7o p\u00fablico federal. Sem chauvinismo, apenas constato um professor universit\u00e1rio com doutorado ganha menos que um policial rodovi\u00e1rio. A proposta dos professores \u2013 que acredito seja perfeitamente fact\u00edvel para o tesouro nacional, tendo em vista o crescimento econ\u00f4mico dos \u00faltimos anos \u2013 \u00e9 de subir o piso para a quantia de 2.329,35 (valor do sal\u00e1rio m\u00ednimo do DIEESE).<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m h\u00e1 de negar a import\u00e2ncia estrat\u00e9gica do trabalho dos professores-pesquisadores universit\u00e1rios. As institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas brasileiras (principalmente as universidades) concentram 90% da pesquisa cient\u00edfica e da inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica do pa\u00eds. Foram desenvolvidas nas universidades p\u00fablicas, por exemplo, as pesquisas avan\u00e7adas de prospec\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo em \u00e1guas profundas (fundamental para tornar vi\u00e1vel economicamente a riqueza do Pr\u00e9 Sal) e as novas fontes energ\u00e9ticas.<\/p>\n<p>As universidades p\u00fablicas se expandiram no per\u00edodo rec\u00e9m passado do governo Lula. Tornou-se lugar comum afirmar que os campi universit\u00e1rios se transformaram num aut\u00eantico canteiro de obras. No entanto, os sal\u00e1rios dos professores (Universidade de verdade se faz priorizando o investimento em recursos humanos) nem de longe acompanharam o ritmo da expans\u00e3o f\u00edsica. Ao contr\u00e1rio, o governo tem tratado os professores com menosprezo. Se Dilma quiser fazer hist\u00f3ria, fica uma dica: valorize o trabalho docente.<\/p>\n<p>No ano passado foi firmado um acordo dos sindicatos docentes com o governo no qual constam duas clausulas simples: aumento de 4% (abaixo da infla\u00e7\u00e3o anual), a partir de mar\u00e7o de 2012, e negocia\u00e7\u00e3o \u2013 com prazo final tamb\u00e9m em mar\u00e7o \u2013 de uma nova carreira profissional. Passou o prazo e o governo fez ouvidos de mercador. Somente quando se ensaiou a possibilidade de greve, enfim, o governo editou a Medida Provis\u00f3ria do irris\u00f3rio aumento dos 4%. Mas cad\u00ea a nova carreira?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>[1] Professor Associado do Departamento de Hist\u00f3ria (UFPB). E-mail: jaldesm@uol.com.br.<\/em><\/p>\n<p><em>Fonte: Jornal da Para\u00edba, 27\/05\/2012.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jaldes Reis de Meneses [1] &nbsp; Os docentes das universidades federais brasileiras est\u00e3o em greve. 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