{"id":25326,"date":"2021-08-03T10:17:49","date_gmt":"2021-08-03T13:17:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/?p=25326"},"modified":"2021-08-13T11:25:12","modified_gmt":"2021-08-13T14:25:12","slug":"em-tempo-denuncia-as-formas-discursivas-do-capitalismo-neoliberal-e-convida-a-resistencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/em-tempo-denuncia-as-formas-discursivas-do-capitalismo-neoliberal-e-convida-a-resistencia\/","title":{"rendered":"&#8220;Em Tempo&#8221; denuncia as formas discursivas do capitalismo neoliberal e convida \u00e0 resist\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Come\u00e7a a circular nesta ter\u00e7a-feira (3\/8), nas redes sociais, mais um n\u00famero do jornal &#8220;Em Tempo&#8221;, organizado e editado pela ADUFPB. &#8220;H\u00e1 resist\u00eancia no Brasil \u00e0s formas discursivas do capitalismo neoliberal?&#8221; \u00e9 o t\u00edtulo desta edi\u00e7\u00e3o, escrita pela professora F\u00e1tima Rodrigues, do Departamento de Geografia da UFPB.<\/p>\n<p>No texto, ela denuncia as desigualdades sociais brasileiras em suas rela\u00e7\u00f5es com o racismo, a nega\u00e7\u00e3o de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, o desemprego, considerando, ainda, a problem\u00e1tica da concentra\u00e7\u00e3o de terras e o monop\u00f3lio das comunica\u00e7\u00f5es pelas elites.<\/p>\n<p>&#8220;Nossa perversa estrutura social imp\u00f5e as condi\u00e7\u00f5es e instala, conforme argumenta Achille Mbembe, a Necropol\u00edtica, que empurra para a morte os(as) pretos(as), a popula\u00e7\u00e3o LGBTQI+, os(as) pobres que enfeiam a paisagem e sobrecarregam o SUS, os(as) idosos(as) improdutivos(as) e outros(as) considerados(as) descart\u00e1veis no capitalismo neoliberal&#8221;, alerta a professora F\u00e1tima Rodrigues, que tamb\u00e9m faz um convite \u00e0 resist\u00eancia. &#8220;Coloquemos essas forma\u00e7\u00f5es discursivas em seu lugar de inverdades e honremos a mem\u00f3ria de tantas pessoas que morreram em luta no Brasil&#8221;.<\/p>\n<p>Para ler o texto completo, basta acessar o site da ADUFPB (www.adufpb.org.br) ou solicitar o jornal em formato PDF pelo Whatsapp da assessoria de comunica\u00e7\u00e3o (99645-7000). A edi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 enviada por e-mail para todos(as) os(as) docentes cadastrados(as) na nossa lista de distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Leia abaixo o texto na \u00edntegra ou <a href=\"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/EM-TEMPO-06-03-AGOSTO-2021.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">clique aqui<\/a> para fazer o download em formato PDF.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>H\u00e1 resist\u00eancia no Brasil \u00e0s formas discursivas do capitalismo neoliberal?<\/strong><\/h3>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>F\u00e1tima Rodrigues<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>Professora do Departamento de Geografia da UFPB<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"padding-left: 40px; text-align: right;\">Pai, afasta de mim esse c\u00e1lice<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px; text-align: right;\">De vinho tinto de sangue<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px; text-align: right;\"><em>Chico Buarque e Milton Nascimento<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Neste di\u00e1logo que aqui travamos com nossos leitores, o conceito que atravessa o texto \u00e9 o de mem\u00f3ria coletiva, e o seu objetivo \u00e9 situar o lugar da mentalidade escravocrata, alicer\u00e7ada na coloniza\u00e7\u00e3o e na colonialidade, balizas da estrutura\u00e7\u00e3o perversa da sociedade brasileira, que exclui a maioria do acesso \u00e0 terra e aos frutos do pr\u00f3prio trabalho, mantendo-a secularmente expropriada por uma minoria. Nessa s\u00edntese e simbiose reside o sustent\u00e1culo material das desigualdades sociais brasileiras.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">O racismo e o mandonismo, com suas pr\u00e1ticas de silenciamento e de opress\u00e3o, constituem inst\u00e2ncias imateriais desse mesmo processo. Para que essa sociedade ganhasse materialidade &#8211; e os conflitos fossem silenciados -, foi negado o acesso \u00e0 escola para a maior parte da popula\u00e7\u00e3o at\u00e9 as primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX e o monop\u00f3lio das comunica\u00e7\u00f5es foi assegurado \u00e0s elites nacional e regionais at\u00e9 o presente. As resist\u00eancias sempre ocorreram, mas os eventos e fatos que deveriam alimentar essa mem\u00f3ria coletiva s\u00e3o pouco mencionados nos curr\u00edculos. Pouco se fala sobre a Guerra dos B\u00e1rbaros, Palmares, Canudos, Contestado, Caldeir\u00e3o&#8230; Zumbi, Margarida Maria Alves, Elizabeth Teixeira, Antonio Conselheiro, Jo\u00e3o Pedro Teixeira, Marielle Franco e de tantas outras lutas e lutadores(as) do campo popular.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Na Hist\u00f3ria do Tempo Presente, apesar dos avan\u00e7os conquistados com a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o Nacional (LDBN), que estabelecem a obrigatoriedade do acesso \u00e0 escola, ainda temos um enorme contingente de trabalhadores iletrados e de jovens que n\u00e3o conseguem concluir a Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica &#8211; sobretudo, segmentos da popula\u00e7\u00e3o negra. A concentra\u00e7\u00e3o de terras e de renda, o desemprego, os baixos sal\u00e1rios e a aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas dirigidas \u00e0s pessoas precarizadas contribuem para termos em 2020, segundo a ONU, a cifra de 19,1 milh\u00f5es de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Esse quadro social exige coragem para nos manifestarmos ante a produ\u00e7\u00e3o de formas discursivas, como nos ensina Foucault, que determinam quais s\u00e3o os corpos que devem viver ou morrer no Brasil. Nossa perversa estrutura social imp\u00f5e as condi\u00e7\u00f5es e instala, conforme argumenta Achille Mbembe, a Necropol\u00edtica, que empurra para a morte os(as) pretos(as), a popula\u00e7\u00e3o LGBTQI+, os(as) pobres que enfeiam a paisagem e sobrecarregam o SUS, os(as) idosos(as) improdutivos(as) e outros(as) considerados(as) descart\u00e1veis no capitalismo neoliberal.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Coloquemos essas forma\u00e7\u00f5es discursivas em seu lugar de inverdades e honremos a mem\u00f3ria de tantas pessoas que morreram em luta no Brasil. Deixemos falar a mem\u00f3ria dos ilustres e dos an\u00f4nimos, \u201cde Juvenais e de Raimundos, tantos J\u00falios de Santana\u201d, como bem cantava Gonzaguinha. E por que n\u00e3o trazermos aqui Marielle Franco, exterminada para que sua voz n\u00e3o ecoasse em outras, silenciadas?<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Lembremos as palavras de Euclides da Cunha: \u201cCanudos n\u00e3o se rendeu\u201d. \u00c9 certo n\u00e3o esquecer e afirmar que tamb\u00e9m n\u00e3o se renderam os quilombos, os Cariris, os Tapuias, os Tabajaras, os Potiguaras, os Guaranis, as Ligas Camponesas&#8230; \u00c9 infinda a lista dos que resistem, dos que n\u00e3o se renderam e n\u00e3o se rendem. Os brasileiros e as brasileiras que querem mudar esse estado de coisas voltaram \u00e0s ruas, apesar da pandemia, como no dia 24 de julho e em tantas outras datas, desde 2016. Cientes de que essa rea\u00e7\u00e3o n\u00e3o bastou, voltaremos \u00e0s ruas.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">N\u00e3o adianta os que ocupam o poder continuarem com ouvidos moucos e em estado de cegueira diante dos que lutam por direitos fundamentais para a vida humana. Frente ao desamparo, a cidade e o campo se rebelam e reconstroem a Hist\u00f3ria. \u00c9 educativo lembrar que, sem saber discernir baguete de brioche, Maria Antonieta foi degolada.<\/p>\n<p><em>Fonte: Ascom ADUFPB<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Come\u00e7a a circular nesta ter\u00e7a-feira (3\/8), nas redes sociais, mais um n\u00famero do jornal &#8220;Em Tempo&#8221;, organizado e editado pela ADUFPB. &#8220;H\u00e1 resist\u00eancia no Brasil \u00e0s formas discursivas do capitalismo neoliberal?&#8221; \u00e9 o t\u00edtulo desta edi\u00e7\u00e3o, escrita pela professora F\u00e1tima Rodrigues, do Departamento de Geografia da UFPB. 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