{"id":22912,"date":"2020-07-01T11:58:13","date_gmt":"2020-07-01T14:58:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/?p=22912"},"modified":"2020-10-07T21:57:03","modified_gmt":"2020-10-08T00:57:03","slug":"greve-dos-entregadores-por-aplicativo-em-1o-de-julho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/greve-dos-entregadores-por-aplicativo-em-1o-de-julho\/","title":{"rendered":"Greve dos entregadores por aplicativo em 1\u00ba de julho"},"content":{"rendered":"<div id=\"noticia-descricao\" class=\"col-12 col-md-06 mt-3 mx-100\">\n<p>Em uma \u00e9poca em que assistimos transforma\u00e7\u00f5es profundas nas formas de comunica\u00e7\u00e3o, haja vista a profus\u00e3o de debates, assembleias, reuni\u00f5es e entretenimento online, que j\u00e1 fez incorporar o termo \u2018live\u2019 \u00e0s conversas cotidianas, o mercado de trabalho tamb\u00e9m passou por mudan\u00e7as disruptivas. Primeiro de julho \u00e9 a data marcada para levar a discuss\u00e3o sobre as rela\u00e7\u00f5es de trabalho a um novo patamar. O movimento do precariado \u00e9 algo in\u00e9dito e com potencial altamente transformador.<\/p>\n<p>O questionamento a respeito da atua\u00e7\u00e3o das empresas de aplicativos introduz mais um termo desconhecido ao vocabul\u00e1rio: oligops\u00f4nio. O significado remete diretamente \u00e0s logos que circulam cada dia mais em mochilas nas costas de ciclistas e motoqueiros: \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o em que poucas empresas t\u00eam o completo dom\u00ednio do mercado em que atuam, e portanto conseguem determinar o valor que pagam aos trabalhadores. Quando mais concentrado os oligops\u00f4nios no mercado de trabalho, menos recebem os que operam na ponta de sua estrutura.<\/p>\n<p>Sem op\u00e7\u00e3o em um momento de crise, agravado imensamente pelo advento da pandemia, os entregadores que operam por aplicativo encarnam a contradi\u00e7\u00e3o do capitalismo entre produtividade e ganho de forma perversa. As pessoas que podem trabalhar sem sair de casa, para manter o isolamento sanit\u00e1rio, recorrem cada dia mais aos aplicativos de entrega; as pessoas que fazem entregas de bens, mantimentos e sup\u00e9rfluos para as pessoas em quarentena trabalham cada vez mais horas por dia e recebem cada vez menos dinheiro pelo seu trabalho.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, s\u00e3o trabalhadores que bancam seus pr\u00f3prios meios de produ\u00e7\u00e3o, passam todo o seu tempo em fun\u00e7\u00e3o de chamadas nos seus dispositivos e, apesar de muitas vezes carregarem &#8211; literalmente &#8211; pratos dos melhores restaurantes \u00e0s costas, trabalham com fome. Na paralisa\u00e7\u00e3o de 24 horas marcada para essa quarta, entretanto, n\u00e3o est\u00e1 em pauta a eros\u00e3o dos direitos trabalhistas; o movimento, que j\u00e1 se espalha por outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina como Argentina, Uruguai e Paraguai, apenas demanda revis\u00e3o da queda de remunera\u00e7\u00e3o durante a pandemia, fornecimento de itens b\u00e1sicos de higiene pessoal e o fim dos bloqueios injustificados pelos aplicativos.<\/p>\n<p>Conforme diminui a remunera\u00e7\u00e3o, aumentam a produtividade dos entregadores, o estresse, o volume de acidentes e doen\u00e7as ocupacionais e, ironicamente, os pre\u00e7os finais para os consumidores. S\u00f3 h\u00e1 um elemento que ganha com a superexplora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores de entregas por aplicativos: a dos agentes oligopsonistas.<\/p>\n<p><strong>Economia Gig<\/strong><br \/>\nA palavra Gig, uma forma de organiza\u00e7\u00e3o das regras trabalhistas que cresceu no mesmo ritmo da Internet, nasceu de um jarg\u00e3o comum ao mundo do jazz, quando as bandas s\u00e3o contratadas para um apresenta\u00e7\u00e3o \u00fanica, ou faziam um show descompromissado, remunerado na forma de um cach\u00ea ou couvert art\u00edstico. Apesar de caber perfeitamente \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de trabalho aut\u00f4nomo, sob demanda ou sem v\u00ednculo empregat\u00edcio, combina muito bem com a l\u00edngua portuguesa como sendo o diminutivo de &#8220;gigante&#8221;. Na pr\u00e1tica, pode ser definida como \u201ceconomia de bicos\u201d.<\/p>\n<p>Surgida em torno de 2008, ou seja, na mais recente at\u00e9 agora crise do capitalismo, a caracter\u00edstica da economia Gig \u00e9 n\u00e3o estabelecer qualquer tipo de benef\u00edcio ou direito trabalhista, findando a rela\u00e7\u00e3o entre as partes com o t\u00e9rmino do projeto em curso. A informalidade ocupa o que, nas empresas tradicionais, \u00e9 o contrato de trabalho. Estudo do Instituto financeiro JP Morgan Chase aponta que, nos EUA, desde 2012, esse sistema de trabalho cresceu 10 vezes e ao menos 4% das pessoas aderiram a ele em algum momento.<\/p>\n<p>Ao exigir o dom\u00ednio de toda uma estrutura tecnol\u00f3gica e se formar normalmente em torno dos primeiros empreendimentos a implant\u00e1-la, as plataformas concentradoras de demandas e pessoas aptas a atend\u00ea-las s\u00e3o verdadeiros gigantes monopolistas que barram o acesso \u00e0 pequenas empresas e, o que \u00e9 ainda pior, aos pr\u00f3prios trabalhadores que a elas se submetem.<\/p>\n<p>Uma posi\u00e7\u00e3o incensada pela \u2018nova economia\u2019, a de \u2018first movers\u2019 e \u2018start ups\u2019 &#8211; e note-se que a abund\u00e2ncia de palavras em ingl\u00eas n\u00e3o \u00e9 mera coincid\u00eancia &#8211; as empresas que constituem plataformas digitais concentradoras s\u00e3o mantidas por capital rentista e, portanto, conseguem estabelecer valores e pre\u00e7os impratic\u00e1veis por empresas concorrentes que, para serem competitivas teriam que operar com preju\u00edzo ao longo de um tempo insustent\u00e1vel para a pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Surgida com a promessa de uma revolu\u00e7\u00e3o em que, ao inv\u00e9s de funcion\u00e1rios explorados que enriquecem seus empregadores ao produzir mais valia, os trabalhadores se tornariam &#8216;empreendedores de si mesmos&#8217;, logo se revelou uma forma ardilosa de precariza\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o mais sutil e, portanto, ainda mais maliciosa do que a tradicional. A pandemia explicitou a precariedade e as m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es a que trabalhadores s\u00e3o submetidos pela assim chamada economia alternativa, que explora trabalhos tempor\u00e1rios, como aut\u00f4nomos e freelancers.<\/p>\n<p>O que se observa na vida real \u00e9 uma massa formada principalmente por jovens perif\u00e9ricos e pauperizados, sem escolaridade ou possibilidades alternativas de emprego, que se submete a jornadas exaustivas, condi\u00e7\u00f5es subumanas como aus\u00eancia de banheiros e locais de refei\u00e7\u00e3o, trabalhando sob sol, chuva ou vento e recebendo um valor menor a cada dia de trabalho.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"share-buttons\" class=\"col-12 col-md-06 mt-3 mx-100\"><em>Fonte: Andes-SN<\/em><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em uma \u00e9poca em que assistimos transforma\u00e7\u00f5es profundas nas formas de comunica\u00e7\u00e3o, haja vista a profus\u00e3o de debates, assembleias, reuni\u00f5es e entretenimento online, que j\u00e1 fez incorporar o termo \u2018live\u2019 \u00e0s conversas cotidianas, o mercado de trabalho tamb\u00e9m passou por mudan\u00e7as disruptivas. 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