{"id":2140,"date":"2011-10-17T17:51:43","date_gmt":"2011-10-17T21:51:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/tragedia-do-professor-universitario\/"},"modified":"2011-10-17T18:08:10","modified_gmt":"2011-10-17T22:08:10","slug":"tragedia-do-professor-universitario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/tragedia-do-professor-universitario\/","title":{"rendered":"Trag\u00e9dia do professor universit\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>Professor por profiss\u00e3o, maior, vacinado, cidad\u00e3o de segunda zona, domic\u00edlio incerto, vagabundo pleno quando inativo; por ser, em dor, nele fiquei \u00e0 sombra do manto de incerteza&#8230; Ator e animador de programas educacionais na pequena comunidade onde nasci. Criou a sinfonia do quase sempre nas suas aspira\u00e7\u00f5es vocacionais. P\u00e1ra! Tira a m\u00e1scara da cara e olha novamente o teu arrojo.<\/p>\n<p>Graduou-se na esperan\u00e7a de emprego, tornou-se mestre em bens n\u00e3o mercantis. Foi obsessivo nas suas neuras, continuou agregando t\u00edtulos medievais. Doutor em filosofia sem a honraria da nobreza e nem a posse da burguesia. Engajado na viela da educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 lamento que lhe apague o lume, metrificou a sua pauta musical na harmonia da fuga. \u201cAmanh\u00e3 ser\u00e1 outro dia\u201d&#8230; Sentiu na crise, o desmoronar dos seus valores, privatiza\u00e7\u00e3o do emprego, demiss\u00e3o dos ditos improdutivos: liter\u00e1rios, artistas, cientistas sociais e outros bichos que Inexoravelmente, caminham para a fronteira do inexistente sem o direito de sonhar com caminho de Pas\u00e1rgada. J\u2019accuse o direito de ser professor. Mas a gente s\u00f3 sente o horror quando participa da comunidade, o desespero ningu\u00e9m nos diz, ningu\u00e9m sabe aonde vamos! Meu Deus! O que foi que me sujeitei?<\/p>\n<p>A vida o acomodou numa carreira de longo Investimento. Pagou cursos locais e no exterior, vestido de incerteza quanto aos seus reconhecimentos. A Institui\u00e7\u00e3o emagreceria bolsos, sal\u00e1rios e outros apetrechos econ\u00f4micos se estes n\u00e3o estivessem vinculados \u00e0 via crucis do mundo acad\u00eamico. Na sua maratona de cavaleiro errante, definhou na solid\u00e3o de Dom Quixote sem o aux\u00edlio de Sancho Pan\u00e7a. No momento de reflex\u00e3o, mesmo pressionado pela profiss\u00e3o, fez cessar o desejo de aquisi\u00e7\u00e3o de livros, caindo no ber\u00e7o do voyeurismo livresco, peregrinando suas taras pelos Sebos mais sebentos dos seus desalentos, assinante de todas as livrarias virtuais. Na trama dos equ\u00edvocos, tomou-se um fervoroso do Doutor Guilhotln, cortando cabe\u00e7as dos pimpolhos nos cursinhos. Restaurou a democracia da competi\u00e7\u00e3o, empurrando os rebentos para as escolas p\u00fablicas de professores com sal\u00e1rios m\u00ednimos, e continuou nesta opera\u00e7\u00e3o de perdedor do jogo de soma nula.<\/p>\n<p>Vivendo nesta gangorra, equilibrista de circo de Interior, desatentou para quase tudo: vida, fam\u00edlia e reconhecimento. Encolheu pretens\u00f5es, aumentou frustra\u00e7\u00f5es e sonhou como a hero\u00edna de Woody Allen, na &#8220;Rosa P\u00farpura do Cairo&#8221;. Canalizou todos os seus problemas para o Imagin\u00e1rio. A impot\u00eancia, sem o recurso do Viagra, aos poucos se sentou nas suas paragens: sal\u00e1rios congelados, Infla\u00e7\u00e3o controlada exclusivamente para cesta de bens populares.<\/p>\n<p>Neste caminhar, num gesto que desata mais do que limita, continuou vendo a realidade quebrando sonhos: alugu\u00e9is, condom\u00ednios, telefones, escolas, cursos de l\u00ednguas, cursinhos e, outros diabos soltos no imagin\u00e1rio do educador. Na mania da raz\u00e3o cartesiana, fez greve de protesto, esperando que o patr\u00e3o do MEC compreendesse a p\u00edfia situa\u00e7\u00e3o dos solicitantes. Mas, sem medo de expor as suas id\u00e9ias, mesmo que confronte as cren\u00e7as estabelecidas, sua coragem est\u00e1 presente nesta pequena hist\u00f3ria com algumas representa\u00e7\u00f5es: N\u00f3s acreditamos que a desvaloriza\u00e7\u00e3o do professorado n\u00e3o tem lugar numa sociedade civilizada, e sim nos museus da hist\u00f3ria do pa\u00eds. E mister, desde logo, identificar Ecce homo, s\u00f3 biografia de infinitas palavras. Teve corpo a driblar a vida e no alambrado da mente assistia a vida na geral e figurava em permanente ensinamento, sem distin\u00e7\u00e3o entre alunos medianos e geniais, mas agora \u00e9 um leitor de sala vazia na cata da aposentadoria.<\/p>\n<p>Finalmente, Na expectativa de encontrar um mundo melhor, o professor tomou-se um leitor \u00e1vido dos informes do Minist\u00e9rio, bisbilhotando o humor do big-boss, mas descobriu tardiamente que o professor \u00e9 quase tudo; ou seja, \u00e9 quase nada. Mudamos ao longo da nossa carreira a vida de milhares de pessoas no Pa\u00eds.<\/p>\n<p><em>Um comediante em atividade Jo\u00e3o Luiz Fonseca dos Santos<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professor por profiss\u00e3o, maior, vacinado, cidad\u00e3o de segunda zona, domic\u00edlio incerto, vagabundo pleno quando inativo; por ser, em dor, nele fiquei \u00e0 sombra do manto de incerteza&#8230; Ator e animador de programas educacionais na pequena comunidade onde nasci. Criou a sinfonia do quase sempre nas suas aspira\u00e7\u00f5es vocacionais. P\u00e1ra! Tira a m\u00e1scara da cara e&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-2140","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","category-16","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2140","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2140"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2140\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2141,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2140\/revisions\/2141"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2140"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2140"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2140"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}