{"id":2039,"date":"2011-09-15T08:29:36","date_gmt":"2011-09-15T12:29:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/universidade-e-movimentos-sociais-um-paso-a-mais\/"},"modified":"2011-09-15T08:31:04","modified_gmt":"2011-09-15T12:31:04","slug":"universidade-e-movimentos-sociais-um-paso-a-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/universidade-e-movimentos-sociais-um-paso-a-mais\/","title":{"rendered":"Universidade e movimentos sociais: um paso a mais"},"content":{"rendered":"<p><em>Rolando Lazarte*<\/em><\/p>\n<p>Talvez n\u00e3o haja nada substancialmente novo no que aqui se apresenta. N\u00e3o estou \u00e0 procura de novidades, mas talvez at\u00e9 o contr\u00e1rio, algo muito antigo na minha vida, que volta. O sentimento de que a universidade p\u00fablica, que existe em boa medida \u00e0s custas dos que nela n\u00e3o entram, dos que embora sejam objeto de teses e disserta\u00e7\u00f5es, n\u00e3o ultrapassam os port\u00f5es de entrada dos campus universit\u00e1rios, a universidade p\u00fablica, digo, repete e reflete a exclus\u00e3o social do sistema capitalista.<\/p>\n<p>Fala-se dos pobres, mas n\u00e3o com os pobres. Discrimina-se a quem n\u00e3o usa o discurso padronizado tido como cient\u00edfico. Expropria-se o saber das classes populares e n\u00e3o se lhes devolve nada em roca, com poucas exce\u00e7\u00f5es. E \u00e9 destas exce\u00e7\u00f5es que gostaria de me ocupar nestas breves linhas. Desde jovem, tive o sentimento de que a universidade deveria servir para os mais, para os que passam fome, sofrem viol\u00eancia, s\u00e3o submetidos \u00e0 domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nunca tive uma vis\u00e3o classista, ideol\u00f3gicamente alinhada com esta ou aquela corrente da esquerda. No entanto, a minha vida estudantil esteve com os que lutavam por um pa\u00eds mais justo, mais atento aos trabalhadores e \u00e0s suas necessidades, sua cultura, seus projetos de vida. Tivemos a coragem, como estudantes argentinos dos anos 1970 de construir um curso de sociologia voltado para as classes populares, na Universidad Nacional de Cuyo, em Mendoza. Isto n\u00e3o foi bem visto pela rea\u00e7\u00e3o, e tive que me exilar. Muitos anos depois, ainda continuo pensando que a universidade deveria estar mais atenta aos exclu\u00eddos e exclu\u00eddas, aos que mais sofrem, e que nem sempre encontram da parte dos universit\u00e1rios, professores ou estudantes, a necess\u00e1ria sensibilidade que abra espa\u00e7o para a voz dos de baixo, no recinto acad\u00eamico.<\/p>\n<p>Pouco tempo atr\u00e1s soube da exist\u00eancia do Movimento das Comunidades Populares, o MCP, que edita os jornais Voz das Comunidades e Voz da Juventude Popular (jvc.jvj@hotmail.com), mostrando a caminhada de mais de 40 anos de um setor da popula\u00e7\u00e3o rural brasileira e das periferias urbanas, que se organiza e trabalha com um projeto aut\u00f4nomo independente de partidos e ideologias. Este movimento tem v\u00e1rios objetivos coincidentes com os da Terapia Comunit\u00e1ria,  que atua n\u00e3o apenas na Para\u00edba, mas no Brasil inteiro, e tamb\u00e9m no Uruguay, Argentina, Chile, Venezuela, Europa e \u00c1frica. Dentre estes objetivos , partilhados pelos dois movimentos, citarei aqui o empoderamento de comunidades e pessoas, o fortalecimento de v\u00ednculos sociais, o refor\u00e7o das redes solid\u00e1rias, a defesa da juventude frente ao flagelo das drogas e do alcoolismo.<\/p>\n<p>Meu prop\u00f3sito com estas linhas, \u00e9 o de chamar a aten\u00e7\u00e3o sobre estas formas de a\u00e7\u00e3o social que v\u00eam se manifestando como modos concretos de constru\u00e7\u00e3o de cidadania, abrindo espa\u00e7os de inclus\u00e3o social e de prote\u00e7\u00e3o da pessoa humana, na contram\u00e3o das tend\u00eancias fragmentadoras e alienantes do capitalismo.<\/p>\n<p><em>*Primeiro Diretor de Comunica\u00e7\u00e3o Social da Abratecom (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Terapia Comunit\u00e1ria) e\u00a0professor aposentado da UFPB<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rolando Lazarte* Talvez n\u00e3o haja nada substancialmente novo no que aqui se apresenta. 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