{"id":19780,"date":"2019-01-11T17:18:16","date_gmt":"2019-01-11T20:18:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/?p=19780"},"modified":"2019-01-11T17:18:16","modified_gmt":"2019-01-11T20:18:16","slug":"mais-de-20-mulheres-sao-vitimas-de-feminicidio-no-pais-em-2019","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/mais-de-20-mulheres-sao-vitimas-de-feminicidio-no-pais-em-2019\/","title":{"rendered":"Mais de 20 mulheres s\u00e3o v\u00edtimas de feminic\u00eddio no pa\u00eds em 2019"},"content":{"rendered":"<p>21 mortes e 11 tentativas de assassinatos noticiados na imprensa at\u00e9 6 de janeiro. Em constante atualiza\u00e7\u00e3o, os n\u00fameros fazem parte de uma pesquisa feita por Jefferson Nascimento, doutor em Direito Internacional pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p>Os dados revelam o aterrador cen\u00e1rio do feminic\u00eddio no Brasil. Al\u00e9m disso, o estudo aponta para algo em comum entre os casos: o autor do crime tem algum relacionamento \u00edntimo com a v\u00edtima. Em geral s\u00e3o namorados, maridos ou ex-companheiros.<\/p>\n<p><strong>Perfil dos crimes<\/strong><br \/>\nAs caracter\u00edsticas dos crimes apuradas por Nascimento reverberam percentuais divulgados pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado de S\u00e3o Paulo. Segundo um estudo do \u00f3rg\u00e3o, divulgado em mar\u00e7o de 2018, 66% dos assassinatos de mulheres acontecem dentro do ambiente familiar. E dois ter\u00e7os deles ocorrem na casa da v\u00edtima.<\/p>\n<p>Intitulado o Raio X do Feminic\u00eddio em SP, o levantamento indica que a n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o da separa\u00e7\u00e3o \u00e9 o principal motivo para os crimes. O estudo aponta que armas brancas (facas, canivetes etc) s\u00e3o usadas em 60% dos assassinatos.<\/p>\n<p>A Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica de S\u00e3o Paulo (SSP-SP) registrou 119 casos de feminic\u00eddios entre janeiro e novembro de 2018, um aumento de 26% em rela\u00e7\u00e3o aos 94 casos registrados no mesmo per\u00edodo em 2017.<\/p>\n<p><strong>N\u00fameros do Feminic\u00eddio<\/strong><br \/>\nOs dados sobre o feminic\u00eddio no Brasil s\u00e3o assustadores. Segundo o Atlas da Viol\u00eancia 2018, foram registradas 13 mortes violentas de mulheres por dia, totalizando 4745 mortes. N\u00famero semelhante ao ano de 2016, per\u00edodo em que 4.645 mulheres foram assassinadas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros de 2016 representam um aumento de 6,4% em rela\u00e7\u00e3o a 2006. Em 2017, o Brasil concentrou 40% dos feminic\u00eddios da Am\u00e9rica Latina segundo a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal), vinculada \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU).<\/p>\n<p><strong>Educa\u00e7\u00e3o e G\u00eanero<\/strong><br \/>\nEm 2015, entrou em vigor a lei do Feminic\u00eddio, adicionando esse crime ao rol daqueles considerados hediondos como o estupro, o genoc\u00eddio e o latroc\u00ednio. A legisla\u00e7\u00e3o \u00e9 fruto da Comiss\u00e3o Parlamentar Mista de Inqu\u00e9rito sobre Viol\u00eancia contra a Mulher, instalada em 2013. A tipifica\u00e7\u00e3o do crime foi um passo comemorado por militantes e especialistas na \u00e1rea por mostrar, com mais precis\u00e3o, o cen\u00e1rio da viol\u00eancia de g\u00eanero no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A puni\u00e7\u00e3o, contudo, n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica forma de impedir este tipo de crime. A ju\u00edza Herm\u00ednia Azoury pontua a necessidade de implementar, em paralelo, a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o. Ela foi respons\u00e1vel pela instala\u00e7\u00e3o da primeira vara de viol\u00eancia dom\u00e9stica do estado do Esp\u00edrito Santo, a segunda do pa\u00eds: \u201cEssa mudan\u00e7a de paradigma \u00e9 complicada, mas \u00e9 poss\u00edvel. Eu sempre bato na mesma tecla, em 25 anos de magistratura e 16 anos de Defensoria P\u00fablica: tem que come\u00e7ar pela Educa\u00e7\u00e3o. E mudan\u00e7a de cultura \u00e9 uma coisa que tem que ser trabalhada de forma gradual e passando pela Educa\u00e7\u00e3o\u201d, defendeu em entrevista ao jornal Brasil de Fato.<\/p>\n<p>Na contram\u00e3o da recomenda\u00e7\u00e3o da magistrada, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) afirmou que alunos do ensino m\u00e9dio n\u00e3o precisam \u201csaber sobre feminismo, linguagens outras que n\u00e3o a l\u00edngua portuguesa ou hist\u00f3ria\u201d. Assim como seu pai, o presidente de extrema direita Jair Bolsonaro, o deputado \u00e9 apoiador do projeto Escola Sem Partido e \u00e9 contr\u00e1rio a discuss\u00f5es de g\u00eanero nas escolas p\u00fablicas.<\/p>\n<p><em>*Com informa\u00e7\u00f5es do Brasil de Fato, Folha de S\u00e3o Paulo e G1<\/em><br \/>\n<em> * Imagem: M\u00eddia Ninja<\/em><\/p>\n<p><em>Fonte: ANDES-SN<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>21 mortes e 11 tentativas de assassinatos noticiados na imprensa at\u00e9 6 de janeiro. Em constante atualiza\u00e7\u00e3o, os n\u00fameros fazem parte de uma pesquisa feita por Jefferson Nascimento, doutor em Direito Internacional pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Os dados revelam o aterrador cen\u00e1rio do feminic\u00eddio no Brasil. 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