{"id":19246,"date":"2018-10-15T21:29:11","date_gmt":"2018-10-16T00:29:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/?p=19246"},"modified":"2018-10-15T21:31:41","modified_gmt":"2018-10-16T00:31:41","slug":"dia-do-professor-por-vitoria-lima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/dia-do-professor-por-vitoria-lima\/","title":{"rendered":"DIA DO PROFESSOR (Por Vit\u00f3ria Lima)"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><i>Para meu ex-aluno Tiago Silva, que se deixou encantar por Elizabeth Bishop e em nome de quem homenageio todos os meus ex-alunos<\/i><\/p>\n<p align=\"right\">Vit\u00f3ria Lima<\/p>\n<p>Sim, fui e sou professora, desde muito cedo na vida. Tinha quinze anos quando comecei a dar aulas de ingl\u00eas. N\u00e3o tinha inten\u00e7\u00e3o de ser professora, mas quando me vi numa sala de aula, rodeada de jovens, alguns at\u00e9 mais velhos que eu, senti-me bem. Uma profiss\u00e3o que combinava com meu lado leonino de estar no mundo.<\/p>\n<p>Fui me encaminhando na profiss\u00e3o e, como consequ\u00eancia inevit\u00e1vel, dirigi-me para o curso de Letras. E gostei. E nele fiquei. E fiz concurso para professora de UFPB, s\u00f3 que n\u00e3o sabia na \u00e9poca que ser Auxiliar de Ensino ainda n\u00e3o era ser professora. E sa\u00ed do pa\u00eds para fazer Mestrado e prestei outro concurso para Professor Assistente, quando voltei para a UFPB.<\/p>\n<p>Cumpri meu tempo de servi\u00e7o l\u00e1, aposentei-me, mas minha carreira ainda n\u00e3o estava finda. Alguns anos depois prestei novo concurso, desta vez para a UEPB, que fora minha primeira casa de ensino superior, na \u00e9poca com outro nome: FURNE. L\u00e1 fiquei por 10 anos, at\u00e9 que minha coluna come\u00e7ou a dar sinais de cansa\u00e7o e tive que parar. Nova aposentadoria.<\/p>\n<p>Dessas duas experi\u00eancias como professora universit\u00e1ria ficaram-me as melhores lembran\u00e7as e a certeza que n\u00e3o poderia ter escolhido outra profiss\u00e3o. Como professora pude viajar, conhecer pessoas, trocar conhecimentos e afetos com as mais diversas pessoas, adquirir conhecimentos, alargar horizontes, tornar-me a pessoa mais abrangente, calorosa, realizada que sou hoje.<\/p>\n<p>Como m\u00e3e, tamb\u00e9m aproveitei muito do aprendizado que fiz como professora. E ainda continuo aprendendo, e ensinando, como av\u00f3 que sou.<\/p>\n<p>No meu of\u00edcio de escritora uso muito do que aprendi e ensinei. Sempre h\u00e1 algu\u00e9m me dando respostas sobre isso, embora minha responsabilidade seja menor, uma vez que n\u00e3o estou participando, formalmente, da forma\u00e7\u00e3o profissional do outro. S\u00f3 colaborando, de alguma forma, continuando minha trajet\u00f3ria de formadora de opini\u00e3o, sem sair de casa, s\u00f3 usando o computador e as redes.<\/p>\n<p>E \u00e9 assim que quero continuar minha vida. Dando minha contribui\u00e7\u00e3o como cidad\u00e3 que sou, grata por tudo que me foi repassado por meus pais e mestres ao longo de toda uma vida, que j\u00e1 se estende por mais de setenta d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Como a poesia \u00e9 o meu mais definido Norte, quero encerrar este texto comemorativo do dia do professor com um poema da poetisa norte-americana Elizabeth Bishop, (1911-1979) que me ensinou muito e transmitiu muita sabedoria. Bishop tem uma significa\u00e7\u00e3o bem especial para n\u00f3s brasileiros por ter vivido parte da sua vida no Brasil, por ter amado este pa\u00eds e ter tido uma profunda experi\u00eancia amorosa com uma arquiteta brasileira. \u00a0Transcreverei o poema no original ingl\u00eas, para os que leem nessa l\u00edngua possam apreciar sua sonoridade original e na tradu\u00e7\u00e3o de Paulo Henriques Britto, em portugu\u00eas do Brasil:<\/p>\n<p><i>One Art\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Uma Arte<\/i><\/p>\n<p><i>The art of losing isn\u2019t hard to master,\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A arte de perder n\u00e3o \u00e9 nenhum mist\u00e9rio<\/i><\/p>\n<p><i>so many things seem filled with the intent\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 tantas coisas cont\u00eam em si o acidente<\/i><\/p>\n<p><i>to be lost that their loss is no disaster.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 de perd\u00ea-las, que perder n\u00e3o \u00e9 nada s\u00e9rio.<\/i><\/p>\n<p><i>\u00a0<\/i><\/p>\n<p><i>Lose something every day. Accept the fluster\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Perca um pouquinho a cada dia. <\/i><i>Aceite, austero,<\/i><\/p>\n<p><i>Of lost door keys, the hour badly spent.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>a chave\u00a0 perdida, a hora gasta bestamente.<\/i><\/p>\n<p><i>The art of losing isn\u2019t hard to master\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A arte de perder n\u00e3o \u00e9 nenhum mist\u00e9rio.<\/i><\/p>\n<p><i>\u00a0<\/i><\/p>\n<p><i>Then practice losing farther, losing faster\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Depois perca mais r\u00e1pido, com mais crit\u00e9rio:<\/i><\/p>\n<p><i>places, and names, and where it was you meant\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 lugares, nomes, a escala subsequente<\/i><\/p>\n<p><i>to travel. None of these will bring disaster.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>da viagem n\u00e3o feita. Nada disso \u00e9 s\u00e9rio.<\/i><\/p>\n<p><i>\u00a0<\/i><\/p>\n<p><i>I lost my mother\u2019s watch. And look! my last, or\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Perdi o rel\u00f3gio de mam\u00e3e. Ah! E nem quero<\/i><\/p>\n<p><i>next-to-last, of three loved houses went.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>lembrar a perda de tr\u00eas casas excelentes.<\/i><\/p>\n<p><i>the art of losing isn\u2019t hard to master.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>a arte de perder n\u00e3o \u00e9 nenhum mist\u00e9rio.<\/i><\/p>\n<p><i>\u00a0<\/i><\/p>\n<p><i>I lost two cities, lovely ones. <\/i><i>And vaster,\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Perdi duas cidades lindas. E um imp\u00e9rio<\/i><\/p>\n<p><i>some\u00a0 realms I owned, two rivers, a continent.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 que era meu, dois rios e mais um continente.<\/i><\/p>\n<p><i>I miss them, but it wasn\u2019t a disaster.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>Tenho saudade deles. Mas n\u00e3o \u00e9 nada s\u00e9rio.<\/i><\/p>\n<p><i>\u00a0<\/i><\/p>\n<p><i>&#8211;Even losing you (the joking voice, a gesture\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mesmo perder voc\u00ea (a voz, o riso et\u00e9reo<\/i><\/p>\n<p><i>I love) I shan\u2019t have lied. <\/i><i>It\u2019s evident\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 que eu amo) n\u00e3o muda nada. Pois \u00e9 evidente<\/i><\/p>\n<p><i>the art of losing\u2019s not too hard to master\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 que a arte de perder n\u00e3o chega a ser mist\u00e9rio<\/i><\/p>\n<p><i>though it may look like (Write it!) like disaster\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 por mais que pare\u00e7a (Escreve!) muito s\u00e9rio.<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Este poema foi originalmente publicado na revista <i>New Yorker, <\/i>em abril de 1976 e com ele quero saudar todos os meus colegas de profiss\u00e3o e ex-alunos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para meu ex-aluno Tiago Silva, que se deixou encantar por Elizabeth Bishop e em nome de quem homenageio todos os meus ex-alunos Vit\u00f3ria Lima Sim, fui e sou professora, desde muito cedo na vida. Tinha quinze anos quando comecei a dar aulas de ingl\u00eas. N\u00e3o tinha inten\u00e7\u00e3o de ser professora, mas quando me vi numa&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16,15],"tags":[],"class_list":["post-19246","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","category-noticias","category-16","category-15","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19246","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19246"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19246\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19247,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19246\/revisions\/19247"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19246"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19246"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19246"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}