{"id":17817,"date":"2017-12-11T21:49:39","date_gmt":"2017-12-12T00:49:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/?p=17817"},"modified":"2017-12-11T21:49:39","modified_gmt":"2017-12-12T00:49:39","slug":"estado-de-excecao-a-universidade-sob-ataque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/estado-de-excecao-a-universidade-sob-ataque\/","title":{"rendered":"Estado de exce\u00e7\u00e3o? A Universidade sob ataque"},"content":{"rendered":"<p><b>Rubens Pinto Lyra<\/b><\/p>\n<p><a href=\"mailto:rubelyra@uol.com.br\"><i>rubelyra@uol.com.br<\/i><\/a><i>\u00a0 <\/i><b><\/b><\/p>\n<p><i>\u201cA pior ditadura \u00e9 a do Judici\u00e1rio: contra ela, n\u00e3o h\u00e1 a quem se recorrer\u201d, <\/i>Ruy Barbosa<\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b>Os sucessivos ataques \u00e0 universidade p\u00fablica, com proibi\u00e7\u00e3o de reuni\u00f5es, condu\u00e7\u00e3o coercitiva e pris\u00e3o de dirigentes, al\u00e9m de processos judiciais abertos sob o menor pretexto contra seus integrantes, acendem o sinal vermelho. Desde a revoga\u00e7\u00e3o do Ato Institucional n\u00ba5, em 1978, com o retorno &#8211; apenas mitigado &#8211; do Estado de Direito, a institui\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria, templo do saber e basti\u00e3o das liberdades democr\u00e1ticas, da toler\u00e2ncia e do pluralismo, n\u00e3o sofre t\u00e3o severo processo de desestabiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O exemplo mais chocante ocorreu na Universidade Federal de Santa Catarina, cujo Reitor, Luiz Carlos Cancillier, se suicidou quinze dias ap\u00f3s ser submetido a diversas humilha\u00e7\u00f5es,<i> sem ser r\u00e9u em nenhum processo, sequer denunciado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico .<\/i>Algemado, desnudado, teve seus p\u00e9s acorrentados, \u00a0foi submetido \u00e0 revista \u00edntima, vestiu \u00a0uniforme de presidi\u00e1rio.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias de tamanho arb\u00edtrio deveriam ter servido de advert\u00eancia ao ativismo judicial imperante, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 exorbit\u00e2ncia de medidas tomadas &#8211; e n\u00e3o por coincid\u00eancia \u2013 contra a universidade, de onde mais emanam cr\u00edticas ao desmonte do Estado de Bem Estar em curso e \u00e0s pol\u00edticas neoliberais que o patrocinam.\u00a0 N\u00e3o foi, por\u00e9m, o que ocorreu.<\/p>\n<p>Mais uma grave agress\u00e3o registrou-se no dia 6 de dezembro, desta feita contra a Universidade Federal de Minas Gerais, mediante condu\u00e7\u00e3o coercitiva \u2013 mesmo com parecer contr\u00e1rio do Minist\u00e9rio P\u00fablico &#8211; do Reitor Jaime Ramirez, do Vice-Reitor e de mais de uma dezena de quadros.<\/p>\n<p>Como disse seu dirigente m\u00e1ximo, protestando contra o abuso de que foi v\u00edtima: \u201cse tiv\u00e9ssemos sido intimados antes, vir\u00edamos, de livre e espont\u00e2nea vontade\u201d. Nesse epis\u00f3dio, sem qualquer justificativa consistente, a dire\u00e7\u00e3o da UFMG, tal como ocorrido na UFSC, foi tratada como uma quadrilha de assaltantes, com 84 policiais destinados a captur\u00e1-los.<\/p>\n<p>Com efeito, existe um segmento influente de magistrados, imbu\u00eddo de uma miss\u00e3o salv\u00edfica, mas atuando, na pr\u00e1tica, como operador da \u201celite do dinheiro\u201d que nos governa. Espelhando-se no exemplo da Lava Jato, coloca em xeque as garantias individuais e o pr\u00f3prio processo legal, embora permane\u00e7a, esvaziada do seu conte\u00fado, a \u201ccasca\u201d da legalidade.<\/p>\n<p>Destarte, os processos judiciais seguem, paradoxalmente, regidos por atos sucessivos de agress\u00e3o a essa mesma legalidade. Trata-se de mecanismo insidioso e ambivalente, pois tudo \u00e9 feito no sistema de justi\u00e7a, ora dentro dos seus limites, ora ultrapassando-os.<\/p>\n<p>Atente-se para a dificuldade de \u201cdeslegitimar\u201d o arb\u00edtrio, pois ele se pratica com o benepl\u00e1cito dos tribunais superiores \u2013 precisamente encarregados de velar pela sua\u00a0 legalidade!<\/p>\n<p>Para um n\u00famero n\u00e3o desprez\u00edvel de juristas, est\u00e1 em gesta\u00e7\u00e3o um Estado Policial, para outros, ele j\u00e1 se encontra vigente. A maioria n\u00e3o reconhece, todavia, a sua exist\u00eancia, embora todos se preocupem com a instabilidade jur\u00eddica e os \u201cexcessos\u201d das opera\u00e7\u00f5es policiais.<\/p>\n<p>Nem sempre \u00e9 de f\u00e1cil caracteriza\u00e7\u00e3o o Estado de Exce\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m da falta de transpar\u00eancia e de contornos definidos, o que supostamente existe no Brasil distingue-se do \u201cmodelo cl\u00e1ssico&#8221; por n\u00e3o assumir essa condi\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 suspens\u00e3o formal das garantias constitucionais.<\/p>\n<p>Esse pano de fundo dram\u00e1tico requer dos setores mais conscientes da sociedade civil esfor\u00e7o inaudito para a constitui\u00e7\u00e3o de diversas frentes, <i>sem restri\u00e7\u00f5es a priori,<\/i> entre estas, a da defesa da universidade p\u00fablica.<\/p>\n<p>Frontalmente atacada, ela e os meios cient\u00edficos j\u00e1 esbo\u00e7am vigorosa rea\u00e7\u00e3o, que precisa alcan\u00e7ar amplos setores da sociedade, pois \u00e9 nossa combalida democracia que est\u00e1 em jogo.<\/p>\n<p><b>(*) Doutor em Direito P\u00fablico e Ci\u00eancia Pol\u00edtica<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rubens Pinto Lyra rubelyra@uol.com.br\u00a0 \u201cA pior ditadura \u00e9 a do Judici\u00e1rio: contra ela, n\u00e3o h\u00e1 a quem se recorrer\u201d, Ruy Barbosa \u00a0Os sucessivos ataques \u00e0 universidade p\u00fablica, com proibi\u00e7\u00e3o de reuni\u00f5es, condu\u00e7\u00e3o coercitiva e pris\u00e3o de dirigentes, al\u00e9m de processos judiciais abertos sob o menor pretexto contra seus integrantes, acendem o sinal vermelho. 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