{"id":1729,"date":"2011-06-20T09:21:17","date_gmt":"2011-06-20T13:21:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/?p=1729"},"modified":"2011-06-20T09:21:31","modified_gmt":"2011-06-20T13:21:31","slug":"os-pintassilgos-os-cobras-o-sapo-e-a-republica-das-%e2%80%9camazonas%e2%80%9d","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/os-pintassilgos-os-cobras-o-sapo-e-a-republica-das-%e2%80%9camazonas%e2%80%9d\/","title":{"rendered":"Os pintassilgos, os cobras, o Sapo e a Rep\u00fablica das \u201cAmazonas\u201d"},"content":{"rendered":"<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Prof. Dr. Reginaldo de Souza Silva<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Os pintassilgos, os cobras, o Sapo e a Rep\u00fablica das \u201cAmazonas\u201d<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Numa terra n\u00e3o muito longe daqui, criou-se um po\u00e7o fundo e escuro, onde explorava-se povos de v\u00e1rias etnias e culturas. Seduzidos, comprados e amorda\u00e7ados outros foram levados para dentro. As pessoas nunca mais puderam sair vivendo for\u00e7adas ao trabalho e aqueles que tentavam sair ou contrariar os \u201cdonos\u201d das terras e dos povos eram punidos e sacrificados como exemplo para os demais. L\u00e1 se casaram, tiveram filhos e multiplicaram-se. As mais velhas ainda se lembravam da beleza do seu mundo al\u00e9m mar e morriam de saudades. Contavam est\u00f3rias para seus filhos e netos de como eram livres em suas terras, como o seu povo era maravilhoso e a l\u00edngua que falavam era compreens\u00edvel a todos.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">No in\u00edcio as crian\u00e7as e jovens gostavam de ouvir as &#8220;est\u00f3rias dos ancestrais&#8221;, mas, como nunca estiveram do lado de fora pensavam que as mem\u00f3rias n\u00e3o passavam de inven\u00e7\u00f5es de seus av\u00f3s. O tempo foi passando, os velhos morreram e as est\u00f3rias foram esquecidas. As novas gera\u00e7\u00f5es educadas segundo \u201cnovos\u201d princ\u00edpios pedag\u00f3gicos, o que importava era se dar bem, acreditavam que a forma de funcionar aquela terra era tudo o que poderia ser realizado. Isto fora atestado pelos \u201cmalvadezas\u201d da \u00e9poca, os coron\u00e9is, os pol\u00edticos, os religiosos, era cientificamente comprovado. No po\u00e7o profundo, havia uma combina\u00e7\u00e3o perfeita do mar, da floresta e do c\u00e9u, denominado multiculturalismo. Os pintassilgos aprendiam que ali era o melhor dos mundos e, na escola, aprendiam a recitar: &#8220;n\u00e3o ver\u00e1s lugar algum como este. Ama com orgulho a terra em que nasceste. Este \u00e9 um pa\u00eds que vai pra frente, Ame-o ou Deixe-o e, a Terra de Todos OS n\u00f3s&#8230;&#8221;<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Naquele mundo havia pintassilgos e cobras, fortes e truculentos que mandavam nos \u201cfracos\u201d que tinham de obedecer e trabalhar dobrado. As frutas e alimentos mais gostosos iam para os mais fortes. Os pintassilgos oprimidos achavam que isto era uma injusti\u00e7a. E, por isso, preparavam-se para uma grande revolu\u00e7\u00e3o que poria fim a esse estado de coisas. Quando a classe dominante fosse derrubada, a vida no fundo do po\u00e7o ficaria democr\u00e1tica e os alimentos seriam distribu\u00eddos com justi\u00e7a diziam um bando de outros p\u00e1ssaros chamados \u201cTrabalhadores\u201d.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Havia ide\u00f3logos denominados \u201cPartido dos P\u00e1ssaros Trabalhadores\u201d que entoavam can\u00e7\u00f5es e poesias que diziam que as terras n\u00e3o eram t\u00e3o boas porque elas estavam dominadas pelos \u201ccobras\u201d fortes. Os pintassilgos come\u00e7aram a dar asas a seus sonhos, ficaram curiosos e resolveram arriscar. Voaram pelas terras e entraram nas profundezas. Qual n\u00e3o foi a surpresa e perplexidade ao descobrir uma criatura chamada democracia e liberdade. \u00a0A simples presen\u00e7a da democracia colocava em quest\u00e3o todas as teorias sobre o mundo, pois n\u00e3o havia registro dela nos arquivos hist\u00f3ricos. Os \u201ccobras\u201d ao observarem os pintassilgos tentando conhecer a liberdade morreram de d\u00f3 e para o bem de todos colocavam-os como prisioneiros naquele mundo escuro. Com a cultura dos povos que ficaram presos os \u201ccobras\u201d organizavam festas e at\u00e9 um esporte denominado futebol. L\u00e1 sim todos eram \u201ciguais\u201d. Jogando, dan\u00e7ando e amea\u00e7ando alguns.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Os pintassilgos questionavam: Viver ali dentro ou sair? Para se planejar sair \u00e9 preciso acreditar que existe um mundo diferente &#8220;l\u00e1 fora&#8221;, pois eram ensinados que um &#8220;l\u00e1 fora&#8221; n\u00e3o existia. Os limites do po\u00e7o eram os limites do universo. Um pintassilgo relembrou as est\u00f3rias dos ancestrais e contou aos demais como era o mundo de fora. E se p\u00f4s a cantar furiosamente. Trinou voando, cantando, e seguindo a can\u00e7\u00e3o. Reafirmou: somos todos iguais bra\u00e7os dados ou n\u00e3o, nas escolas nas ruas, campos, constru\u00e7\u00f5es&#8230;<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">O po\u00e7o come\u00e7ou a ficar agitado, os \u201ccobras\u201d ficaram sabendo que um \u201cSapo\u201d poderia trazer aos pintassilgos a liberdade que tanto cantavam e ansiavam. Houve uma divis\u00e3o alguns acreditaram e come\u00e7aram a imaginar como seria l\u00e1 fora. Ficaram mais alegres e at\u00e9 mesmo mais bonitos. Trinaram can\u00e7\u00f5es novas Lua l\u00e1, nasce uma estrela&#8230;. E come\u00e7aram a fazer planos para a fuga do po\u00e7o. Recha\u00e7aram as esperan\u00e7as pol\u00edticas antigas. N\u00e3o, n\u00e3o queremos ficar no fundo do po\u00e7o. Queremos democracia. Os outros fecharam a cara e trinaram mais forte ainda. N\u00e3o acreditaram.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">O pintassilgo trouxe, ent\u00e3o, provas do que dizia. Chamou o beija-flor, os papagaios, as abelhas com mel e a turma do batuque que diziam haver um \u201cSapo\u201d salvador. Convidou tamb\u00e9m aves e insetos coloridos, trouxe flores perfumadas que vieram de outras terras onde estavam exiladas. Mas tudo foi in\u00fatil para os que n\u00e3o queriam acreditar. Este bicho \u00e9 um grande enganador. Sabemos que estas coisas n\u00e3o existem. Os \u201ccobras\u201d (generais, coron\u00e9is e empres\u00e1rios) ponderaram que as id\u00e9ias dos exilados eram politicamente perigosas. Os pintassilgos estavam perdendo o interesse pelo trabalho. Produziam menos diminuindo os recursos para as despesas do Estado, especialmente uma ferrovia que se pretendia construir, ligando um lado do po\u00e7o ao outro, um grande est\u00e1dio de futebol e um samb\u00f3dromo. Trabalhavam menos, trinavam mais. Claro que as palavras dos exilados s\u00f3 podiam ser mentiras deslavadas, intrigas de oposi\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Os revolucion\u00e1rios atacavam outros p\u00e1ssaros denominados PSDB, DEM, PMDB, PP, PTB e puseram os exilados de quarentena, pois o seu canto enfraquecia politicamente os pintassilgos dominados, que agora estavam mais interessados em sair que em revolucionar o po\u00e7o. Os \u201ccobras\u201d apoiados pelos pintassilgos intelectuais se puseram a fazer a an\u00e1lise filos\u00f3fica, ideol\u00f3gica e psicanal\u00edtica da fala dos exilados. O seu relat\u00f3rio foi longo. Nele conclu\u00edram que: filosoficamente, faltava rigor ao discurso do \u201cSapo\u201d, afinal ele n\u00e3o havia conclu\u00eddo a educa\u00e7\u00e3o formal, aproximando-se da ret\u00f3rica que da ci\u00eancia; ideologicamente, tratava-se de um discurso alienado, no qual n\u00e3o se fazia nem mesmo uma an\u00e1lise cr\u00edtica das condi\u00e7\u00f5es objetivas da sociedade e do ponto de vista psicanal\u00edtico, era \u00f3bvio que o \u201cSapo\u201d sofria de perigosas alucina\u00e7\u00f5es que, dado o seu conte\u00fado, poderiam se transformar num fen\u00f4meno de massas. Observaram, finalmente, que dadas as evid\u00eancias, o Sapo se constitu\u00eda num grave perigo tanto para a cultura como para as institui\u00e7\u00f5es do mundo dos pintassilgos. E com isto pediam provid\u00eancias as autoridades para erradicar o mal. Mas a revoada dos p\u00e1ssaros aclamou o \u201cSapo\u201d como o novo l\u00edder do po\u00e7o e por um per\u00edodo de tempo parecia ter melhorado. A economia cresceu, nunca os \u201ccobras\u201d ganharam tanto dinheiro, o po\u00e7o ficou mais conhecido nas terras al\u00e9m mar e para melhorar a educa\u00e7\u00e3o dos pintassilgos foi refor\u00e7ada a id\u00e9ia dos \u201cCobras\u201d com um programa de p\u00e1ssaro para p\u00e1ssaro denominado \u201cReuni\u201d, os pintassilgos agora poderiam ter acesso aos v\u00f4os superiores em \u201cboas\u201d escolas mantidas pelos \u201ccobras\u201d e tamb\u00e9m em outras chamadas p\u00fablicas mais pobrezinhas com ingresso atrav\u00e9s do engaENEM.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Nas terras da Bahia um p\u00e1ssaro da esp\u00e9cie em extin\u00e7\u00e3o denominado ex-sindicalista petroqu\u00edmico Jaques Wagner sem escolaridade conclu\u00edda resolveu copiar tudo que o \u201cSapo\u201d fazia, copiou o Manifesto (decretos) dos \u201cCobras\u201d seus aliados \u00a0sendo acolhido unanimemente tanto pelos l\u00edderes da direita como pelos l\u00edderes da esquerda no ninho chamado ALBA pois, para al\u00e9m de suas discord\u00e2ncias conjunturais, estava seu compromisso comum com o bem-estar e a tranquilidade da fam\u00edlia pintassilga-neoliberal. Por ocasi\u00e3o da visita do \u00fanico l\u00edder em a\u00e7\u00e3o a contrari\u00e1-los ANDES \u2013 Sindicato Nacional e Associa\u00e7\u00f5es de Docentes das Universidades Estaduais da Bahia apresentou-lhes uma armadilha: Falsas Promessas, Acordos e Termos de Compromisso e acusados de dificultarem as melhorias para o povo. Iludidos pelas bravatas, suas id\u00e9ias e bandeiras mortas foram empalhadas e expostas no Museu de Hist\u00f3ria da Democracia e Liberdade na Educa\u00e7\u00e3o de Voos Superiores. Quanto aos pintassilgos, foram proibidos de trinar as can\u00e7\u00f5es que os exilados lhes ensinaram at\u00e9 2013. Um aluno-pintassilgo-universit\u00e1rio, que lutava pela perman\u00eancia estudantil de todos os p\u00e1ssaros visitava o museu, perguntou \u00e0 sua professora: Que \u00e9 aquilo, professora? \u00c9 um pintassilgo-professor-universit\u00e1rio, ela respondeu. E que coisas estranhas s\u00e3o aquelas nas suas costas?, ele perguntou. S\u00e3o asas&#8230; E para que servem?, ele insistiu. Para voar&#8230; E n\u00f3s voamos? N\u00e3o, respondeu a professora. N\u00f3s n\u00e3o voamos. N\u00f3s pulamos e batemos palmas&#8230; E assim um p\u00e1ssaro da esp\u00e9cie em extin\u00e7\u00e3o denominado ex-sindicalista petroqu\u00edmico Jaques Wagner continua sua devassa na Educa\u00e7\u00e3o Superior do Estado da Bahia agora copiando as a\u00e7\u00f5es da \u201cRep\u00fablica das Amazonas\u201d, apoiados pela UNE, UJS e PCdoB.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">*Reginaldo de Souza Silva \u2013 Doutor em Educa\u00e7\u00e3o Brasileira, professor do Departamento de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Email: reginaldoprof@yahoo.com.br<\/div>\n<p><em>Prof. Dr. Reginaldo de Souza Silva<\/em><\/p>\n<p>Numa terra n\u00e3o muito longe daqui, criou-se um po\u00e7o fundo e escuro, onde explorava-se povos de v\u00e1rias etnias e culturas. Seduzidos, comprados e amorda\u00e7ados outros foram levados para dentro. As pessoas nunca mais puderam sair vivendo for\u00e7adas ao trabalho e aqueles que tentavam sair ou contrariar os \u201cdonos\u201d das terras e dos povos eram punidos e sacrificados como exemplo para os demais. L\u00e1 se casaram, tiveram filhos e multiplicaram-se. As mais velhas ainda se lembravam da beleza do seu mundo al\u00e9m mar e morriam de saudades. Contavam est\u00f3rias para seus filhos e netos de como eram livres em suas terras, como o seu povo era maravilhoso e a l\u00edngua que falavam era compreens\u00edvel a todos.<\/p>\n<p>No in\u00edcio as crian\u00e7as e jovens gostavam de ouvir as &#8220;est\u00f3rias dos ancestrais&#8221;, mas, como nunca estiveram do lado de fora pensavam que as mem\u00f3rias n\u00e3o passavam de inven\u00e7\u00f5es de seus av\u00f3s. O tempo foi passando, os velhos morreram e as est\u00f3rias foram esquecidas. As novas gera\u00e7\u00f5es educadas segundo \u201cnovos\u201d princ\u00edpios pedag\u00f3gicos, o que importava era se dar bem, acreditavam que a forma de funcionar aquela terra era tudo o que poderia ser realizado. Isto fora atestado pelos \u201cmalvadezas\u201d da \u00e9poca, os coron\u00e9is, os pol\u00edticos, os religiosos, era cientificamente comprovado. No po\u00e7o profundo, havia uma combina\u00e7\u00e3o perfeita do mar, da floresta e do c\u00e9u, denominado multiculturalismo. Os pintassilgos aprendiam que ali era o melhor dos mundos e, na escola, aprendiam a recitar: &#8220;n\u00e3o ver\u00e1s lugar algum como este. Ama com orgulho a terra em que nasceste. Este \u00e9 um pa\u00eds que vai pra frente, Ame-o ou Deixe-o e, a Terra de Todos OS n\u00f3s&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Naquele mundo havia pintassilgos e cobras, fortes e truculentos que mandavam nos \u201cfracos\u201d que tinham de obedecer e trabalhar dobrado. As frutas e alimentos mais gostosos iam para os mais fortes. Os pintassilgos oprimidos achavam que isto era uma injusti\u00e7a. E, por isso, preparavam-se para uma grande revolu\u00e7\u00e3o que poria fim a esse estado de coisas. Quando a classe dominante fosse derrubada, a vida no fundo do po\u00e7o ficaria democr\u00e1tica e os alimentos seriam distribu\u00eddos com justi\u00e7a diziam um bando de outros p\u00e1ssaros chamados \u201cTrabalhadores\u201d.<\/p>\n<p>Havia ide\u00f3logos denominados \u201cPartido dos P\u00e1ssaros Trabalhadores\u201d que entoavam can\u00e7\u00f5es e poesias que diziam que as terras n\u00e3o eram t\u00e3o boas porque elas estavam dominadas pelos \u201ccobras\u201d fortes. Os pintassilgos come\u00e7aram a dar asas a seus sonhos, ficaram curiosos e resolveram arriscar. Voaram pelas terras e entraram nas profundezas. Qual n\u00e3o foi a surpresa e perplexidade ao descobrir uma criatura chamada democracia e liberdade. \u00a0A simples presen\u00e7a da democracia colocava em quest\u00e3o todas as teorias sobre o mundo, pois n\u00e3o havia registro dela nos arquivos hist\u00f3ricos. Os \u201ccobras\u201d ao observarem os pintassilgos tentando conhecer a liberdade morreram de d\u00f3 e para o bem de todos colocavam-os como prisioneiros naquele mundo escuro. Com a cultura dos povos que ficaram presos os \u201ccobras\u201d organizavam festas e at\u00e9 um esporte denominado futebol. L\u00e1 sim todos eram \u201ciguais\u201d. Jogando, dan\u00e7ando e amea\u00e7ando alguns.<\/p>\n<p>Os pintassilgos questionavam: Viver ali dentro ou sair? Para se planejar sair \u00e9 preciso acreditar que existe um mundo diferente &#8220;l\u00e1 fora&#8221;, pois eram ensinados que um &#8220;l\u00e1 fora&#8221; n\u00e3o existia. Os limites do po\u00e7o eram os limites do universo. Um pintassilgo relembrou as est\u00f3rias dos ancestrais e contou aos demais como era o mundo de fora. E se p\u00f4s a cantar furiosamente. Trinou voando, cantando, e seguindo a can\u00e7\u00e3o. Reafirmou: somos todos iguais bra\u00e7os dados ou n\u00e3o, nas escolas nas ruas, campos, constru\u00e7\u00f5es&#8230;<\/p>\n<p>O po\u00e7o come\u00e7ou a ficar agitado, os \u201ccobras\u201d ficaram sabendo que um \u201cSapo\u201d poderia trazer aos pintassilgos a liberdade que tanto cantavam e ansiavam. Houve uma divis\u00e3o alguns acreditaram e come\u00e7aram a imaginar como seria l\u00e1 fora. Ficaram mais alegres e at\u00e9 mesmo mais bonitos. Trinaram can\u00e7\u00f5es novas Lua l\u00e1, nasce uma estrela&#8230;. E come\u00e7aram a fazer planos para a fuga do po\u00e7o. Recha\u00e7aram as esperan\u00e7as pol\u00edticas antigas. N\u00e3o, n\u00e3o queremos ficar no fundo do po\u00e7o. Queremos democracia. Os outros fecharam a cara e trinaram mais forte ainda. N\u00e3o acreditaram.<\/p>\n<p>O pintassilgo trouxe, ent\u00e3o, provas do que dizia. Chamou o beija-flor, os papagaios, as abelhas com mel e a turma do batuque que diziam haver um \u201cSapo\u201d salvador. Convidou tamb\u00e9m aves e insetos coloridos, trouxe flores perfumadas que vieram de outras terras onde estavam exiladas. Mas tudo foi in\u00fatil para os que n\u00e3o queriam acreditar. Este bicho \u00e9 um grande enganador. Sabemos que estas coisas n\u00e3o existem. Os \u201ccobras\u201d (generais, coron\u00e9is e empres\u00e1rios) ponderaram que as id\u00e9ias dos exilados eram politicamente perigosas. Os pintassilgos estavam perdendo o interesse pelo trabalho. Produziam menos diminuindo os recursos para as despesas do Estado, especialmente uma ferrovia que se pretendia construir, ligando um lado do po\u00e7o ao outro, um grande est\u00e1dio de futebol e um samb\u00f3dromo. Trabalhavam menos, trinavam mais. Claro que as palavras dos exilados s\u00f3 podiam ser mentiras deslavadas, intrigas de oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os revolucion\u00e1rios atacavam outros p\u00e1ssaros denominados PSDB, DEM, PMDB, PP, PTB e puseram os exilados de quarentena, pois o seu canto enfraquecia politicamente os pintassilgos dominados, que agora estavam mais interessados em sair que em revolucionar o po\u00e7o. Os \u201ccobras\u201d apoiados pelos pintassilgos intelectuais se puseram a fazer a an\u00e1lise filos\u00f3fica, ideol\u00f3gica e psicanal\u00edtica da fala dos exilados. O seu relat\u00f3rio foi longo. Nele conclu\u00edram que: filosoficamente, faltava rigor ao discurso do \u201cSapo\u201d, afinal ele n\u00e3o havia conclu\u00eddo a educa\u00e7\u00e3o formal, aproximando-se da ret\u00f3rica que da ci\u00eancia; ideologicamente, tratava-se de um discurso alienado, no qual n\u00e3o se fazia nem mesmo uma an\u00e1lise cr\u00edtica das condi\u00e7\u00f5es objetivas da sociedade e do ponto de vista psicanal\u00edtico, era \u00f3bvio que o \u201cSapo\u201d sofria de perigosas alucina\u00e7\u00f5es que, dado o seu conte\u00fado, poderiam se transformar num fen\u00f4meno de massas. Observaram, finalmente, que dadas as evid\u00eancias, o Sapo se constitu\u00eda num grave perigo tanto para a cultura como para as institui\u00e7\u00f5es do mundo dos pintassilgos. E com isto pediam provid\u00eancias as autoridades para erradicar o mal. Mas a revoada dos p\u00e1ssaros aclamou o \u201cSapo\u201d como o novo l\u00edder do po\u00e7o e por um per\u00edodo de tempo parecia ter melhorado. A economia cresceu, nunca os \u201ccobras\u201d ganharam tanto dinheiro, o po\u00e7o ficou mais conhecido nas terras al\u00e9m mar e para melhorar a educa\u00e7\u00e3o dos pintassilgos foi refor\u00e7ada a id\u00e9ia dos \u201cCobras\u201d com um programa de p\u00e1ssaro para p\u00e1ssaro denominado \u201cReuni\u201d, os pintassilgos agora poderiam ter acesso aos v\u00f4os superiores em \u201cboas\u201d escolas mantidas pelos \u201ccobras\u201d e tamb\u00e9m em outras chamadas p\u00fablicas mais pobrezinhas com ingresso atrav\u00e9s do engaENEM.<\/p>\n<p>Nas terras da Bahia um p\u00e1ssaro da esp\u00e9cie em extin\u00e7\u00e3o denominado ex-sindicalista petroqu\u00edmico Jaques Wagner sem escolaridade conclu\u00edda resolveu copiar tudo que o \u201cSapo\u201d fazia, copiou o Manifesto (decretos) dos \u201cCobras\u201d seus aliados \u00a0sendo acolhido unanimemente tanto pelos l\u00edderes da direita como pelos l\u00edderes da esquerda no ninho chamado ALBA pois, para al\u00e9m de suas discord\u00e2ncias conjunturais, estava seu compromisso comum com o bem-estar e a tranquilidade da fam\u00edlia pintassilga-neoliberal. Por ocasi\u00e3o da visita do \u00fanico l\u00edder em a\u00e7\u00e3o a contrari\u00e1-los ANDES \u2013 Sindicato Nacional e Associa\u00e7\u00f5es de Docentes das Universidades Estaduais da Bahia apresentou-lhes uma armadilha: Falsas Promessas, Acordos e Termos de Compromisso e acusados de dificultarem as melhorias para o povo. Iludidos pelas bravatas, suas id\u00e9ias e bandeiras mortas foram empalhadas e expostas no Museu de Hist\u00f3ria da Democracia e Liberdade na Educa\u00e7\u00e3o de Voos Superiores. Quanto aos pintassilgos, foram proibidos de trinar as can\u00e7\u00f5es que os exilados lhes ensinaram at\u00e9 2013. Um aluno-pintassilgo-universit\u00e1rio, que lutava pela perman\u00eancia estudantil de todos os p\u00e1ssaros visitava o museu, perguntou \u00e0 sua professora: Que \u00e9 aquilo, professora? \u00c9 um pintassilgo-professor-universit\u00e1rio, ela respondeu. E que coisas estranhas s\u00e3o aquelas nas suas costas?, ele perguntou. S\u00e3o asas&#8230; E para que servem?, ele insistiu. Para voar&#8230; E n\u00f3s voamos? N\u00e3o, respondeu a professora. N\u00f3s n\u00e3o voamos. N\u00f3s pulamos e batemos palmas&#8230; E assim um p\u00e1ssaro da esp\u00e9cie em extin\u00e7\u00e3o denominado ex-sindicalista petroqu\u00edmico Jaques Wagner continua sua devassa na Educa\u00e7\u00e3o Superior do Estado da Bahia agora copiando as a\u00e7\u00f5es da \u201cRep\u00fablica das Amazonas\u201d, apoiados pela UNE, UJS e PCdoB.<\/p>\n<p><em>*Reginaldo de Souza Silva \u2013 Doutor em Educa\u00e7\u00e3o Brasileira, professor do Departamento de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Email: reginaldoprof@yahoo.com.br<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prof. Dr. Reginaldo de Souza Silva Os pintassilgos, os cobras, o Sapo e a Rep\u00fablica das \u201cAmazonas\u201d Numa terra n\u00e3o muito longe daqui, criou-se um po\u00e7o fundo e escuro, onde explorava-se povos de v\u00e1rias etnias e culturas. Seduzidos, comprados e amorda\u00e7ados outros foram levados para dentro. 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