{"id":16985,"date":"2017-08-29T10:59:05","date_gmt":"2017-08-29T13:59:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/?p=16985"},"modified":"2017-08-29T10:59:05","modified_gmt":"2017-08-29T13:59:05","slug":"feminismo-trans-e-negro-sao-destaque-no-iii-seminario-de-mulheres-do-andes-sn","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/feminismo-trans-e-negro-sao-destaque-no-iii-seminario-de-mulheres-do-andes-sn\/","title":{"rendered":"Feminismo Trans e Negro s\u00e3o destaque no III Semin\u00e1rio de Mulheres do ANDES-SN"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/2017.08.24-semin\u00e1rio-de-mulheres-do-Andes.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-16986\" alt=\"2017.08.24 - semin\u00e1rio de mulheres do Andes\" src=\"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/2017.08.24-semin\u00e1rio-de-mulheres-do-Andes-300x169.jpg\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/2017.08.24-semin\u00e1rio-de-mulheres-do-Andes-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/2017.08.24-semin\u00e1rio-de-mulheres-do-Andes.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A necessidade de se pensar o feminismo e a luta das mulheres negras e das pessoas trans foi o centro do debate no III Semin\u00e1rio Nacional de Mulheres, realizado na tarde da \u00faltima quinta-feira (24), em Pelotas (RS), como parte do Semin\u00e1rio Nacional Integrado do Grupo de Trabalho de Pol\u00edticas de Classe, Quest\u00f5es \u00c9tnico-raciais, G\u00eanero e Diversidade Sexual (GTPCGEDS). O tema foi abordado por Adriana Sales, dirigente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), e Meire Reis, professora da rede estadual da Bahia.<\/p>\n<p>Enquanto o Brasil lidera o ranking mundial de acessos a sites er\u00f3ticos com cenas de sexo protagonizadas por travestis e trans, \u00e9, tamb\u00e9m, uma das na\u00e7\u00f5es que mais mata pessoas transexuais e travestis, alertou Adriana, no in\u00edcio de sua fala. S\u00f3 no primeiro semestre deste ano, 118 j\u00e1 foram assassinadas.<\/p>\n<p>Ela destacou tamb\u00e9m o fato de que, embora 200 pessoas trans terem conseguido romper a barreira da exclus\u00e3o e efetuado inscri\u00e7\u00e3o no Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem), as institui\u00e7\u00f5es de ensino ainda n\u00e3o est\u00e3o preparadas para receber, incluir e formar essa parcela da sociedade. Para Adriana, a ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de conhecimento por travestis e transexuais \u00e9 uma atitude pol\u00edtica. \u201cN\u00e3o nos sentimos contempladas por uma academia que tenta falar pela gente. A escola e a universidade brasileira n\u00e3o d\u00e3o conta da diversidade. Esses espa\u00e7os ainda s\u00e3o para brancos, machos, burgueses, e n\u00e3o para a maioria da popula\u00e7\u00e3o brasileira\u201d, avalia.<\/p>\n<p>Exemplo citado \u00e9 a falta de disciplinas que discutam g\u00eanero e sexualidade nesses espa\u00e7os, de forma que poucos cursos de gradua\u00e7\u00e3o, em todo o Brasil, t\u00eam grades curriculares que contemplam tais assuntos. E, mesmo em cursos onde o debate est\u00e1 presente, Adriana salienta que h\u00e1 a preponder\u00e2ncia de concep\u00e7\u00f5es feministas que n\u00e3o reconhecem travestis e transexuais como mulheres.<\/p>\n<p>Na concep\u00e7\u00e3o da representante da Antra, \u00e9 preciso firmar a universidade p\u00fablica como lugar de produ\u00e7\u00e3o de um conhecimento calcado nas demandas sociais. \u201cA universidade se quer reconhece a nossa exist\u00eancia trans. Temos de pensar para quem produzimos ci\u00eancia e qual projeto de sociedade queremos\u201d, prop\u00f5e.<\/p>\n<p>Defendendo um feminismo que agregue ao inv\u00e9s de dividir, ela lan\u00e7a uma reflex\u00e3o sobre a situa\u00e7\u00e3o social reservada \u00e0s travestis e trans. \u201cEu n\u00e3o represento 1% da minha popula\u00e7\u00e3o, pois sou branca, tenho uma fam\u00edlia \u2018estruturada\u2019, estou na universidade. A maioria est\u00e1 repousando agora para ir \u00e0s ruas de noite\u201d, diz, referindo-se \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o como uma das \u00fanicas maneiras, para muitos travestis e transexuais, de sobreviv\u00eancia, uma vez que o setor privado dificilmente as emprega. Quando mesmo atos banais do cotidiano, como o acesso a banheiros, \u00e9 vetado, ela diz ser necess\u00e1rio, muitas vezes, fazer barulho e resistir.<\/p>\n<p>E se a realidade \u00e9 assim, em muito contribui, explica Adriana, a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas que acolham essa popula\u00e7\u00e3o. \u201cEstamos em guerra, porque minha popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo dizimada no territ\u00f3rio brasileiro\u201d, concluiu.<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/2017.08.24-semin\u00e1rio-de-mulheres-do-Andes-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-16987\" alt=\"2017.08.24 - semin\u00e1rio de mulheres do Andes 2\" src=\"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/2017.08.24-semin\u00e1rio-de-mulheres-do-Andes-2-300x169.jpg\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/2017.08.24-semin\u00e1rio-de-mulheres-do-Andes-2-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/2017.08.24-semin\u00e1rio-de-mulheres-do-Andes-2.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>V\u00eanus de Milo<\/strong><br \/>\nJornais nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX j\u00e1 atestavam: o modelo universal de beleza feminina contempla cabelos loiros, olhos azuis, altura em torno de 1,70, dentre outras caracter\u00edsticas um tanto espec\u00edficas. Seriam essas mulheres as \u201cV\u00eanus de Milos\u201d, tamb\u00e9m consideradas, em textos da \u00e9poca, as melhores m\u00e3es, j\u00e1 que esse fen\u00f3tipo denotaria maior gentileza e cuidado para com os filhos.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de se espantar, ent\u00e3o, que, enquanto o movimento feminista branco mobilizava-se por direitos como o de votar ou de receber heran\u00e7a, as mulheres negras gritavam por algo anterior: o direito a serem reconhecidas como seres humanos e como mulheres.<\/p>\n<p>Meire Reis trouxe essas provoca\u00e7\u00f5es para lembrar o qu\u00e3o esquecidas pelo pr\u00f3prio movimento feminista foram as mulheres negras, muitas vezes tendo de lutar pelo m\u00ednimo necess\u00e1rio \u00e0 sobreviv\u00eancia. Dessa forma, \u201cmulher\u201d n\u00e3o \u00e9 categoria universal, uma vez que h\u00e1 um abismo racial ainda hoje predominante.<\/p>\n<p>\u201cAquela feminista que diz \u2018precisamos lutar por melhores qualidades de vida\u2019, n\u00e3o incorpora as mulheres negras, que est\u00e3o sobrevivendo em condi\u00e7\u00f5es nas quais em que nem suas condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de vida est\u00e3o garantidas. Muitas vezes, universalizar desconhece os contextos e a realidade. A classe nos unifica, mas o g\u00eanero e a ra\u00e7a ainda nos divide\u201d, disse.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, h\u00e1 um respiro de esperan\u00e7a. Motivadora do empoderamento crespo na Bahia, Meire conta que tem entrado em salas de aula e visto 80, 90 e at\u00e9 100% de alunas adolescentes que n\u00e3o mais alisam os cabelos. Esse fen\u00f4meno, diz ela, era raro h\u00e1 10 ou 15 anos.<\/p>\n<p>\u201cQuando as mulheres negras avan\u00e7am, toda a sociedade avan\u00e7a. N\u00e3o existe um \u00fanico momento do meu dia em que eu n\u00e3o esteja lutando contra o racismo. N\u00f3s estamos disputando poder, e essa disputa \u00e9 desigual\u201d, conclui a professora e militante do movimento feminista negro na Bahia.<\/p>\n<p><strong>Semin\u00e1rio Integrado do GTPCEGDS\u00a0<\/strong><br \/>\nDe quinta (24) at\u00e9 s\u00e1bado (27), ocorre no Audit\u00f3rio do Col\u00e9gio T\u00e9cnico Jo\u00e3o XXIII, o I Semin\u00e1rio Integrado do Grupo de Trabalho de Pol\u00edtica de Classe para as Quest\u00f5es \u00c9tnico-raciais, de G\u00eanero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS) do ANDES-SN. Nesta sexta, 25, ser\u00e1 o momento do II Semin\u00e1rio de Diversidade Sexual, que traz a mesa \u201cPol\u00edticas P\u00fablicas para a popula\u00e7\u00e3o LGBT e o combate a LGBTfobia nas Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior\u201d. J\u00e1 no s\u00e1bado (26), acontecer\u00e1 o II Semin\u00e1rio de Repara\u00e7\u00e3o e A\u00e7\u00f5es Afirmativas, com o debate \u201cPor uma universidade p\u00fablica e plural: a luta por direitos para a popula\u00e7\u00e3o negra, ind\u00edgena e quilombola\u201d.<\/p>\n<p><em>*Texto: Bruna Homrich &#8211;<\/em><em>\u00a0com edi\u00e7\u00e3o do ANDES-SN<\/em><\/p>\n<p><strong><\/strong><em>Fonte:\u00a0Sedufsm SSind<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A necessidade de se pensar o feminismo e a luta das mulheres negras e das pessoas trans foi o centro do debate no III Semin\u00e1rio Nacional de Mulheres, realizado na tarde da \u00faltima quinta-feira (24), em Pelotas (RS), como parte do Semin\u00e1rio Nacional Integrado do Grupo de Trabalho de Pol\u00edticas de Classe, Quest\u00f5es \u00c9tnico-raciais, G\u00eanero&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[15],"tags":[856,1023,1021,1022],"class_list":["post-16985","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","tag-feminismo","tag-negro","tag-seminario-de-mulheres","tag-transexual","category-15","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16985","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16985"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16985\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16988,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16985\/revisions\/16988"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16985"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16985"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16985"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}