{"id":16834,"date":"2017-07-28T12:49:30","date_gmt":"2017-07-28T15:49:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/?p=16834"},"modified":"2017-07-31T13:17:36","modified_gmt":"2017-07-31T16:17:36","slug":"sem-dinheiro-universidades-federais-demitem-terceirizados-reduzem-consumo-cortam-bolsas-e-paralisam-obras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/sem-dinheiro-universidades-federais-demitem-terceirizados-reduzem-consumo-cortam-bolsas-e-paralisam-obras\/","title":{"rendered":"Sem dinheiro, universidades federais demitem terceirizados, reduzem consumo, cortam bolsas e paralisam obras"},"content":{"rendered":"<p><em>A Federal do ES colocou detentos para limpar o campus; a de Santa Maria demitiu 43% dos seguran\u00e7as; a da Para\u00edba tem 42 obras paradas. Sindicato diz que, mesmo com conten\u00e7\u00e3o, verba das universidades s\u00f3 dura at\u00e9 setembro.<\/em><\/p>\n<p><em>Por Alessandra Modzeleski, Luiza Tenente e Vanessa Fajardo, G1, Bras\u00edlia e S\u00e3o Paulo<\/em><\/p>\n<p>Representantes de universidades e de trabalhadores do ensino superior afirmam que o impacto do corte de gastos imposto pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) j\u00e1 muda a rotina de campi pelo pa\u00eds, e que muitas institui\u00e7\u00f5es s\u00f3 t\u00eam dinheiro para custeio at\u00e9 setembro. Cortes em diferentes setores, demiss\u00f5es de terceirizados e busca por parcerias viraram estrat\u00e9gia para fugir das d\u00edvidas (veja, abaixo, exemplos de medidas tomadas pelas universidades).<\/p>\n<p>O &#8220;custeio&#8221; das universidadades representa os gastos como contas de luz, \u00e1gua, manuten\u00e7\u00e3o e pagamento de funcion\u00e1rios terceirizados. Por lei, n\u00e3o s\u00e3o despesas obrigat\u00f3rias para o governo e, por isso, est\u00e3o sujeitas a cortes, caso haja contingenciamento. Tamb\u00e9m pode sofrer cortes a verba de despespas de &#8220;capital&#8221;, ou &#8220;expans\u00e3o e reestrutura\u00e7\u00e3o&#8221;, ou seja, as obras realizadas nos pr\u00e9dios das institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Neste ano, o contingenciamento foi anunciado pelo governo federal em mar\u00e7o, e atingiu R$ 3,6 bilh\u00f5es de despesas diretas do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (al\u00e9m de R$ 700 milh\u00f5es em emendas parlamentares para a \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o). Em nota enviada ao G1, o MEC deu detalhes sobre como esse contingenciamento afetou as universidades e institutos federais considerando os gastos de funcionamento das institui\u00e7\u00f5es e de obras. Levando em conta o total previsto no or\u00e7amento de 2017 para essas duas despesas, o corte foi de 15% do or\u00e7amento para o custeio e de 40% da verba para as obras. A pasta explicou ainda que esse corte n\u00e3o \u00e9 definitivo.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o fez com que as universidades e institutos apertassem ainda mais os gastos, j\u00e1 que o or\u00e7amento para essas duas despesas em 2017 j\u00e1 era entre 8,1% e 31,1% menor do que o de 2016 (compare nas tabelas abaixo):<\/p>\n<div>\n<div>\n<div>\n<p>Or\u00e7amento das universidades federais<\/p>\n<div>\n<div>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td>2016<\/td>\n<td>2017<\/td>\n<td>Diferen\u00e7a<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Gastos de funcionamento<\/td>\n<td>R$ 5,211 bilh\u00f5es<\/td>\n<td>R$ 4,733 bilh\u00f5es<\/td>\n<td>-9,2%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Gastos com obras<\/td>\n<td>R$ 1,630 bilh\u00e3o<\/td>\n<td>R$ 1,123 bilh\u00e3o<\/td>\n<td>-31,1%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<div>\n<div><em>Fonte: Or\u00e7amento federal<\/em><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p>Or\u00e7amento dos institutos federais<\/p>\n<div>\n<div>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td>2016<\/td>\n<td>2017<\/td>\n<td>Diferen\u00e7a<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Gastos de funcionamento<\/td>\n<td>R$ 2,058 bilh\u00f5es<\/td>\n<td>R$ 1,892 bilh\u00e3o<\/td>\n<td>-8,1%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Gastos com obras<\/td>\n<td>R$ 285,2 milh\u00f5es<\/td>\n<td>R$ 257,4 milh\u00f5es<\/td>\n<td>-9,8%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<div>\n<div>Fonte: Or\u00e7amento federal<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Verba cobre gastos at\u00e9 setembro, diz sindicato<\/strong><\/p>\n<p>O Sindicato Nacional dos Docentes (Andes) diz que os reitores das universidades federais relatam que o dinheiro proveniente dos recursos federais para despesa e manuten\u00e7\u00e3o ser\u00e1 suficiente somente at\u00e9 o m\u00eas de setembro. Para tentar contornar o problema, renegocia\u00e7\u00f5es de contratos e outras economias b\u00e1sicas se tornaram prioridade, segundo explica o professor Jacob Paiva, secret\u00e1rio do Andes.<\/p>\n<p>Segundo Paiva, as institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o conseguem reverter o ac\u00famulo de um poss\u00edvel saldo devedor com pequenas a\u00e7\u00f5es. \u201cComo, por exemplo, com campanhas de uso racional de energia el\u00e9trica como fez a Universidade Federal do Amazonas. Mas de qualquer forma a economia \u00e9 muito pequena.\u201d<\/p>\n<p>Jacob Paiva \u00e9 contr\u00e1rio \u00e0 cobran\u00e7a de cursos de qualquer finalidade por parte de institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e rebate a cr\u00edtica de que n\u00e3o falta dinheiro, e sim, efic\u00e1cia na gest\u00e3o dos recursos. &#8220;H\u00e1 um controle da gest\u00e3o, sempre d\u00e1 para aprimorar, mas o problema \u00e9 a diminui\u00e7\u00e3o de recursos em um contexto de expans\u00e3o. H\u00e1 precariza\u00e7\u00e3o e diminui\u00e7\u00e3o da qualidade do trabalho.&#8221; Como solu\u00e7\u00e3o, a Andes defende a aplica\u00e7\u00e3o de 10% do PIB na educa\u00e7\u00e3o exclusivamente em institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.<\/p>\n<p><strong>MEDIDAS PARA BUSCAR ECONOMIA<\/strong><\/p>\n<p><strong>Detentos na limpeza dos pr\u00e9dios<\/strong><\/p>\n<p>O pr\u00f3-reitor de Planejamento da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (Ufes), Anilton Salles, afirma que a institui\u00e7\u00e3o firmou parceria com a secretaria estadual de Justi\u00e7a para que at\u00e9 150 presos atuem na limpeza do campus. A Ufes come\u00e7ou este m\u00eas com 20 detentos atuando no setor.<\/p>\n<p><strong>Renegocia\u00e7\u00e3o de contrato com terceirizados<\/strong><\/p>\n<p>A maioria das universidades consome a maior parte dos recursos de custeio com o pagamento de servi\u00e7os terceirizados, como limpeza e seguran\u00e7a. Na UnB, 75% dos or\u00e7amentos \u00e9 para terceirizados. Em praticamente todas as institui\u00e7\u00f5es h\u00e1 relatos de diminui\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os, e em algumas j\u00e1 foram praticadas demiss\u00f5es de funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>A UnB j\u00e1 demitiu 134 trabalhadores da limpeza, 14 jardineiros, 37 da manuten\u00e7\u00e3o, 22 da garagem, 32 vigilantes, 62 das portarias e 8 da copa.<\/p>\n<p>Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), dos 129 vigilantes da institui\u00e7\u00e3o, 56 j\u00e1 foram demitidos. J\u00e1 a reitoria da UFPel demitiu 50 funcion\u00e1rios e extinguiu 30% das bolsas de pesquisa e de extens\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Controle de gastos com laborat\u00f3rios, telefone, \u00e1gua e luz<\/strong><\/p>\n<p>Na Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR), uma das formas de contornar a falta de verba foi trocando l\u00e2mpadas menos eficientes por mais modernas, de LED. Al\u00e9m disso, a ordem geral \u00e9 para redu\u00e7\u00e3o de gastos de custeio, diminuindo o uso de papel, \u00e1gua, telefone e energia el\u00e9trica em geral.<\/p>\n<p>Na Universidade Federal do Piau\u00ed (UFPI) j\u00e1 h\u00e1 reclama\u00e7\u00e3o por falta de insumos nos laborat\u00f3rios da gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), o reitor Pedro Rodrigues Curi Hallal afirma que j\u00e1 h\u00e1 dificuldade para quita\u00e7\u00e3o de boletos b\u00e1sicos. &#8220;Afora a absoluta insufici\u00eancia da verba de capital, estamos tendo dificuldades quanto ao pagamento das contas regulares da universidade, especialmente as que dizem respeito aos servi\u00e7os terceirizados e \u00e0s despesas com energia el\u00e9trica, \u00e1gua e telefone&#8221;, disse.<\/p>\n<p>A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) critica o contingenciamento, mas busca sobretudo avan\u00e7ar na economia de energia. A institui\u00e7\u00e3o, que, em junho, sofreu com o corte do fornecimento de energia el\u00e9trica, lan\u00e7ou uma campanha interna para reduzir 25% do consumo. &#8220;Logramos redu\u00e7\u00e3o significativa em gastos com limpeza e seguran\u00e7a, mas ainda n\u00e3o conseguimos reduzir a nossa maior conta: o gasto com energia el\u00e9trica&#8221;, afirmou a UFRJ em nota.<\/p>\n<p><strong>Paralisa\u00e7\u00e3o de obras e redu\u00e7\u00e3o em bolsas<\/strong><\/p>\n<p>A Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB) afirma que tem 42 obras paradas, algumas j\u00e1 desde 2013. E que a estimativa \u00e9 que somente um aporte de R$ 20 milh\u00f5es exclusivamente para esse fim poderia garantir a retomada dos projetos.<\/p>\n<p>A Universidade Federal do Acre (Ufac) \u00e9 uma das institui\u00e7\u00f5es onde os administradores apontam que at\u00e9 obras de manuten\u00e7\u00e3o dos campi e investimento em infraestrutura prejudicados.<\/p>\n<p>Na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e na Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), os pesquisadores relatam redu\u00e7\u00e3o em bolsas e pesquisas, o que compromete a qualidade do ensino.<\/p>\n<p>Na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pesquisadores, estudantes e professores lan\u00e7aram o \u201ctesour\u00f4metro\u201d, equipamento que pretende medir as perdas do setor. Segundo os idealizadores da medida, a pesquisa no Brasil perde em m\u00e9dia R$ 500 mil por hora em verbas federais.<\/p>\n<p><em>Fonte: Portal G1<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Federal do ES colocou detentos para limpar o campus; a de Santa Maria demitiu 43% dos seguran\u00e7as; a da Para\u00edba tem 42 obras paradas. Sindicato diz que, mesmo com conten\u00e7\u00e3o, verba das universidades s\u00f3 dura at\u00e9 setembro. 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