{"id":16231,"date":"2017-05-15T10:24:23","date_gmt":"2017-05-15T13:24:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/?p=16231"},"modified":"2017-05-15T10:24:23","modified_gmt":"2017-05-15T13:24:23","slug":"uma-aula-de-filosofia-antiga-no-cariri-da-paraiba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/uma-aula-de-filosofia-antiga-no-cariri-da-paraiba\/","title":{"rendered":"Uma aula de Filosofia Antiga no Cariri da Para\u00edba"},"content":{"rendered":"<p><em>Jos\u00e9 Fl\u00e1vio Silva<\/em><\/p>\n<p>Transbordou. N\u00e3o foi o rio Para\u00edba que transbordou a chegada das \u00e1guas vindas da capta\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco. A \u00e1gua n\u00e3o foi volumosa, o que transbordou foi a alegria das pessoas ribeirinhas do rio Para\u00edba. Algumas banhavam-se nas \u00e1guas escorregadias, cuja lembran\u00e7as remete a Her\u00e1clito. Outras encheram as m\u00e3os de \u00e1gua, c\u00e9ticas do que estavam vendo, para ter certeza banhavam os rostos e fixando-se os olhares desvendando o mist\u00e9rio do H2O, cuja jun\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental para a vida.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio dial\u00e9tico mostra que a \u00e1gua \u00e9 a subst\u00e2ncia necess\u00e1ria \u00e0 vida. Encontra-se em Jean-Paul Sartre: \u201ca exist\u00eancia precede a ess\u00eancia\u201d. Seguindo Arist\u00f3teles quando diz \u201cTales diz ser \u00e1gua (o princ\u00edpio), leva sem d\u00favida a esta concep\u00e7\u00e3o por ver que o alimento de todas as coisas \u00e9 \u00famido, e que o pr\u00f3prio quente de procede por ver que o alimento de todas as coisas \u00e9 \u00famido,&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Entendendo que Tales antecede o existencialismo de Sartre porque tem na \u00e1gua o princ\u00edpio de todas as coisas. Da\u00ed a alegria contagiante das pessoas residentes na regi\u00e3o do Cariri da Para\u00edba, no entorno da cidade de Monteiro. A \u00e1gua chegou com afirma\u00e7\u00e3o de vida que apelava para fixa\u00e7\u00e3o, concretizando a esperan\u00e7a realizada ap\u00f3s d\u00e9cadas de olhar para o infinito, barrando no horizonte em busca de \u00e1gua. Ao lado das pessoas as plantas rejuvenescem confirmando as previs\u00f5es de Tales, como princ\u00edpio.<\/p>\n<p>As \u00e1guas seguem rolando o declive do leito do rio Para\u00edba absolutamente seco. Preenche cada po\u00e7o, cada brecha encontrada, cada fenda encontrada no barro sofrido pela alta temperatura vinda do sol. Caminhou sem pernas, rolou por sobre o colch\u00e3o seco aguardado pelo rio Para\u00edba, sempre avan\u00e7ando para atingir as \u00e1guas do a\u00e7ude Epit\u00e1cio Pessoa. As \u00e1guas do a\u00e7ude Boqueir\u00e3o prepararam um comit\u00ea de recep\u00e7\u00e3o. Ao tocarem-se a esperan\u00e7a tornou-se realidade. Todo o Cariri tremeu de alegria. A terra vibrou de emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Essas constata\u00e7\u00f5es mostram o quanto Tales \u00e9 importante em suas reflex\u00f5es para as pessoas do Cariri da Para\u00edba. Sem querer t\u00eam na \u00e1gua o princ\u00edpio material e o princ\u00edpio filos\u00f3fico. \u00c9 um momento de reflex\u00e3o para professores, alunos e estudiosos residentes naquela regi\u00e3o castigada pelos raios ultravioletas emitidos pelo sol, soberanamente reinando no espa\u00e7o.<\/p>\n<p>No momento o foco filos\u00f3fico centraliza-se em Tales. Ele foi o fil\u00f3sofo que se debru\u00e7ou sobre a \u00e1gua para senti-la como mat\u00e9ria consubstanciosa da vida, diferente de Narciso que ao debru\u00e7ar-se sobre a \u00e1gua apenas via-se com orgulho. Tales declinava que a \u00e1gua era a plenitude da vida, como mostraram os ribeirinhos do rio Para\u00edba ao contemplarem aquele veio transbordante que seguia em busca do infinito isto \u00e9, a vida. S\u00f3 nos resta dizer: \u201ccom \u00e1gua, a vida prolonga-se\u201d.<\/p>\n<p>\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014<\/p>\n<p><em>Aula apresentada no Congresso Nacional de Professores e Estudiosos de Filosofia (I CONPEF), realizado na UFPB em 03\/04 de maio de 2017.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Fl\u00e1vio Silva Transbordou. N\u00e3o foi o rio Para\u00edba que transbordou a chegada das \u00e1guas vindas da capta\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco. A \u00e1gua n\u00e3o foi volumosa, o que transbordou foi a alegria das pessoas ribeirinhas do rio Para\u00edba. Algumas banhavam-se nas \u00e1guas escorregadias, cuja lembran\u00e7as remete a Her\u00e1clito. Outras encheram as m\u00e3os de \u00e1gua,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16,15],"tags":[],"class_list":["post-16231","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","category-noticias","category-16","category-15","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16231","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16231"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16231\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16232,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16231\/revisions\/16232"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16231"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16231"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16231"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}