{"id":16226,"date":"2017-05-12T17:33:58","date_gmt":"2017-05-12T20:33:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/?p=16226"},"modified":"2017-05-12T19:35:10","modified_gmt":"2017-05-12T22:35:10","slug":"mais-de-100-anos-apos-abolicao-negras-e-negros-ainda-lutam-por-igualdade-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/mais-de-100-anos-apos-abolicao-negras-e-negros-ainda-lutam-por-igualdade-social\/","title":{"rendered":"Mais de 100 anos ap\u00f3s aboli\u00e7\u00e3o, negras e negros ainda lutam por igualdade social"},"content":{"rendered":"<div id=\"conteudo\">\n<p>No dia 13 de maio de 1888, a escravid\u00e3o foi abolida legalmente no pa\u00eds. Apesar do marco hist\u00f3rico, 129 anos depois, a popula\u00e7\u00e3o negra at\u00e9 hoje enfrenta, cotidianamente, as consequ\u00eancias dos quatro s\u00e9culos de escravid\u00e3o. Desigualdade social, a\u00a0 explora\u00e7\u00e3o, criminaliza\u00e7\u00e3o e racismo ainda s\u00e3o realidades presentes em nossa sociedade.<\/p>\n<p>A Lei \u00c1urea, assinada pela princesa Isabel, foi considerada uma conquista do movimento negro, pois milhares de escravos foram libertados.\u201cPor tr\u00e1s deste evento se vincula a ideia de benevol\u00eancia da princesa Isabel, tida como redentora e por isso devia-se gratid\u00e3o por esse feito hist\u00f3rico. Isso n\u00e3o revela que na corros\u00e3o do sistema escravista tamb\u00e9m fez parte a luta e resist\u00eancia dos negros escravizados, a exemplo dos quilombos e outras formas de luta. A aboli\u00e7\u00e3o foi essencialmente formal, no p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o, a maioria da popula\u00e7\u00e3o negra foi jogada a uma situa\u00e7\u00e3o de \u2018marginaliza\u00e7\u00e3o\u2019 social, ocupando palafitas, favelas, desemprego, servi\u00e7os precarizados, etc\u201d, explicou Cl\u00e1udia Durans, 2\u00aa vice-presidente e uma das coordenadoras do Grupo de Trabalho de Pol\u00edticas de Classe, Etnicorraciais, G\u00eanero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS) do ANDES-SN.<\/p>\n<p>Entretanto, ap\u00f3s 1888, nenhuma condi\u00e7\u00e3o foi criada para que a popula\u00e7\u00e3o negra fosse inserida na sociedade, ressalta Claudia Durans. \u201cAo aproximar-se o 13 de maio, fazemos uma reflex\u00e3o sobre a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o e a condi\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra ap\u00f3s 1888 at\u00e9 os dias atuais. Nesse sentido, \u00e9 preciso denunciar a condi\u00e7\u00e3o em que fomos submetidos historicamente, tanto nas periferias urbanas e quanto no meio rural: jovens, mulheres, homens negros, quilombolas violentados permanentemente com os piores empregos e sal\u00e1rios, o desemprego, a viol\u00eancia policial, o tr\u00e1fico de drogas, com um p\u00e9ssimo acesso \u00e0 universidade e educa\u00e7\u00e3o como um todo, \u00e0 sa\u00fade, e, ainda, sem a titula\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios quilombolas\u201d, disse.<\/p>\n<p>De acordo com a diretora do Sindicato Nacional, a popula\u00e7\u00e3o negra brasileira tem se levantado contra os quatro s\u00e9culos de escravid\u00e3o, contra a total aus\u00eancia do Estado brasileiro e contra ataques postos \u2013 como a contrarreforma da Previd\u00eancia e Trabalhista &#8211; que atingir\u00e3o em cheio os trabalhadores do pa\u00eds, principalmente, os negros e negras. Cl\u00e1udia cita, como exemplo, os levantes contra os assassinatos de Amarildo e de Cl\u00e1udia Silva, no Rio de Janeiro, os rol\u00eazinhos da juventude, a greve dos garis, as ocupa\u00e7\u00f5es de escolas p\u00fablicas e a luta nas mobiliza\u00e7\u00f5es como nos dias 8 e 15 de mar\u00e7o e em 28 de abril, com a Greve Geral, como formas de resist\u00eancia dos negros e negras no Brasil, entre outros.<\/p>\n<p>\u201cAp\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o negra permaneceu em uma situa\u00e7\u00e3o desprivilegiada e com o encargo de lutar contra o preconceito racial e por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida. Agora, temos os ataques das contrarreformas da Previd\u00eancia e Trabalhista ora propostas. Para n\u00f3s, o caminho \u00e9 a luta por um programa completo de repara\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas. Precisamos retomar as li\u00e7\u00f5es de Zumbi, Dandara, Jo\u00e3o C\u00e2ndido, Negro Cosme. Aquilombar para reparar\u201d, conclui a docente.<\/p>\n<p><strong>N\u00fameros da viol\u00eancia<\/strong><br \/>\nDados do Anu\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica de 2016 apontam que a cada nove minutos uma pessoa morre v\u00edtima de arma de fogo no pa\u00eds. Deste total, 54% s\u00e3o jovens, entre 15 e 24 anos, e 73% s\u00e3o negros e pardos. A juventude negra \u00e9 a maior v\u00edtima da viol\u00eancia no Brasil.<\/p>\n<p>N\u00fameros divulgados pelo Mapa da Viol\u00eancia 2016 mostram tamb\u00e9m que a vitimiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra no pa\u00eds aumentou de 71,7%, em 2003, para 158,9%, em 2014. Morrem, proporcionalmente, mais negros que brancos. Enquanto, no mesmo per\u00edodo, a taxa de homic\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o branca caiu de 14,5%, em 2003, para 10,6%, em 2014. Ou seja, morrem 2,6 vezes mais negros que brancos vitimados por arma de fogo. O mesmo acontece com a taxa de homic\u00eddios de mulheres, o percentual de mortes de mulheres negras e pardas cresceu 19,5%, enquanto a taxa de homic\u00eddios contra mulheres brancas caiu 11,9%.<\/p>\n<p><strong>ANDES-SN<\/strong><br \/>\nHistoricamente o ANDES-SN vem construindo pol\u00edticas de combate ao racismo e, principalmente, de reconhecimento \u00e0 necessidade de pol\u00edticas de repara\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra.\u00a0 No 35\u00b0 Congresso, realizado em 2016 na cidade de Curitiba (PR), o Sindicato Nacional aprovou importantes resolu\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 quest\u00e3o \u00e9tnicorracial, que buscam intensificar a luta contra o racismo, a defesa e a amplia\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es afirmativas, assim como continuar no engajamento da den\u00fancia do genoc\u00eddio da juventude negra. Nesse ano, no 36\u00b0 Congresso, que aconteceu em janeiro, na cidade de Cuiab\u00e1 (MT), os docentes deliberaram pela intensifica\u00e7\u00e3o da defesa de a\u00e7\u00f5es afirmativas, com amplia\u00e7\u00e3o de cotas \u00e9tnicorraciais para negros e ind\u00edgenas nas Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior, com garantia de pol\u00edticas adequadas de perman\u00eancia estudantil, inclusive nos cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Confira a cartilha do GTPCEGDS:\u00a0<a href=\"http:\/\/portal.andes.org.br\/imprensa\/documentos\/imp-doc-346583622.pdf\" target=\"_blank\"><strong>Em defesa dos direitos das mulheres, dos ind\u00edgenas, das\/os negras\/os, e das\/os LGBT.<\/strong><\/a><\/p>\n<p><strong>Saiba Mais<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.andes.org.br\/andes\/print-ultimas-noticias.andes?id=8528\" target=\"_blank\">Marcha da Periferia \u00e9 realizada em diversos estados no Dia da Consci\u00eancia Negra<\/a><\/p>\n<p><em>Fonte:\u00a0ANDES-SN<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 13 de maio de 1888, a escravid\u00e3o foi abolida legalmente no pa\u00eds. Apesar do marco hist\u00f3rico, 129 anos depois, a popula\u00e7\u00e3o negra at\u00e9 hoje enfrenta, cotidianamente, as consequ\u00eancias dos quatro s\u00e9culos de escravid\u00e3o. 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