{"id":1538,"date":"2011-03-30T21:01:43","date_gmt":"2011-03-31T01:01:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/o-%e2%80%9cespirito%e2%80%9d-de-1964\/"},"modified":"2011-03-30T21:01:43","modified_gmt":"2011-03-31T01:01:43","slug":"o-%e2%80%9cespirito%e2%80%9d-de-1964","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/o-%e2%80%9cespirito%e2%80%9d-de-1964\/","title":{"rendered":"O \u201cesp\u00edrito\u201d de 1964"},"content":{"rendered":"<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">O \u201cesp\u00edrito\u201d de 1964<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Jaldes Reis de Meneses (Professor dos Programas de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria e Servi\u00e7o Social \u2013 UFPB)<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Toda hist\u00f3ria da cultura \u00e9 tamb\u00e9m uma hist\u00f3ria da barb\u00e1rie (Walter Benjamin)<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Como abordar o golpe militar de 31 de mar\u00e7o (ou primeiro de abril) de 1964, 47 anos passados?<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Em sua bela biografia de Napole\u00e3o, publicada logo ap\u00f3s o fim da Restaura\u00e7\u00e3o francesa (a sequ\u00eancia de 15 anos de \u00faltimo retorno da dinastia dos Bourbons, na qual ficou evidente a quimera do projeto conservador de retorno do antigo regime), Stendhal faz uma observa\u00e7\u00e3o decisiva a quem pretenda escrever a hist\u00f3ria de seu pr\u00f3prio tempo: o escriba vai se meter em exumar os companheiros de gera\u00e7\u00e3o, as promessas que se dissiparam e os fracassos que ficaram feito cicatrizes, mas principalmente as viragens. O romancista anota que os homens que foram no passado os antigos radicais jacobinos s\u00e3o os mesmos moderados que conduziam naqueles dias os neg\u00f3cios de Estado. Arguto, Stendhal percebe um remoto sentimento de cumplicidade, de ele mesmo ele mesmo participa. No sentido stendhalniano, a gera\u00e7\u00e3o que resistiu ao golpe de 1964, indiscutivelmente, \u00e9 vitoriosa, a pr\u00f3pria presidente Dilma Rousseff foi uma das que participaram do esfor\u00e7o de resist\u00eancia armada \u00e0 ditadura, dessa maneira servindo como exemplo do \u00eaxito. As gera\u00e7\u00f5es se apaziguam e confraternizam, al\u00e7adas \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de elites.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">No entanto, parafraseando um livro rec\u00e9m-editado (organizado por Edson Telles e Vladimir Safatle, a cuja leitura recomendo), deve-se fazer uma pergunta pertinente, mas inc\u00f4moda: o que restou da ditadura? Quais as sobreviv\u00eancias do regime de for\u00e7a em nossas institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, jur\u00eddicas e sociais? Tal indaga\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser respondida se virarmos pelo avesso o senso comum, se formos \u00e0s zonas de sombra, enfim, se ousarmos encarar, olho no olho, a trag\u00e9dia. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Quando ocorre o trauma, a rea\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea \u00e9 de imediato ativar as defesas do esquecimento.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">O esp\u00edrito de 1964 continua viv\u00edssimo. Posso chocar e surpreender o coro dos contentes (como se dizia naquela \u00e9poca), mas o \u201cesp\u00edrito\u201d de 1964 habita onde menos se espera: por exemplo, nas promessas de progresso e desenvolvimento, nas obras do PAC. Somente operando com esta chave anal\u00edtica de longa dura\u00e7\u00e3o pode-se compreender a revolta, sob a forma de greves e manifesta\u00e7\u00f5es, que fizeram 78.000 trabalhadores dos canteiros de obras do PAC em Pernambuco (Suape) e Rond\u00f4nia (Jirau) cruzarem os bra\u00e7os na semana passada. Ficaram expostos em Suape e Jirau a omiss\u00e3o do Estado, a vis\u00e3o arcaica do grande empresariado e o peleguismo dos sindicatos, mas tamb\u00e9m as jornadas de trabalho extenuantes, semi-escravocratas, a inseguran\u00e7a, o livre comercio de drogas (crack e coca\u00edna).<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Quem estudou a fundo a saga das grandes obras de infraestrutura dos tempos da ditadura, sabe \u00e0 custa de quanto suor e sangue elas foram erguidas, e de como o lamento de suas v\u00edtimas foram soterrados, tanto nos por\u00f5es da tortura como nos canteiros de obras. Conhece \u2013 para ficar num \u00fanico de tantos exemplos \u2013 o trauma da morte de centenas de oper\u00e1rios na queda das vigas do pavimento inferior do Centro Administrativo da Gameleira (Belo Horizonte, 1971), fato proibido de ser noticiado assim como a guerrilha do Araguaia tamb\u00e9m estava sob o fogo cerrado da censura. (A prop\u00f3sito, a chamada \u201ctrag\u00e9dia da Gameleira\u201d rendeu uma extraordin\u00e1ria tese de doutorado do professor mineiro Antonio Lib\u00e9rio Borba, na Unicamp).<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Evidentemente, como mostra Vladimir Carvalho, no document\u00e1rio Conterr\u00e2neos velhos de guerra (1980), sobre a constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia no governo JK, as tend\u00eancias compulsivas do progresso na modernidade (encontramo-las como transfigura\u00e7\u00e3o est\u00e9tica j\u00e1 no Fausto de Goethe, 1801) vinham de muito antes, contudo foram exponenciadas, virou dispositivo t\u00e9cnico (para usar o precioso termo de Heidegger e Foucault) intr\u00ednseco ao regime militar brasileiro.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">De maneira tr\u00e1gica, nas sombras invis\u00edveis do contrato social da democracia, movem-se as mesmas diretrizes das grandes obras dos tempos da ditadura: a tend\u00eancia \u00e0 superexplora\u00e7\u00e3o do trabalho nas regi\u00f5es de vanguarda do desenvolvimento. Quando o assunto \u00e9 pobreza, tendemos \u00e0 superficialidade, a exemplo dos rebaixados crit\u00e9rios sociol\u00f3gicos de classe que decantam a ascens\u00e3o de milh\u00f5es \u00e0 classe \u201cc\u201d no Brasil. O crit\u00e9rio de reconhecimento de classe aferra-se ao consumo, esquecendo-se de abordar, concomitantemente, o complexo plano das rela\u00e7\u00f5es sociais cotidianas, no qual necessariamente conta o mundo da cultura. Em resumo, ao mesmo tempo em que se permite a participa\u00e7\u00e3o dos pobres nos benef\u00edcios do crescimento econ\u00f4mico pela via do consumo, eles s\u00e3o segregados em seus ambientes de trabalho e moradia insalubres, nos quais praticamente inexistem servi\u00e7os p\u00fablicos de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade de qualidade.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Vive-se e morre-se \u00e0 m\u00edngua, embora se possa ter acesso \u00e0 televis\u00e3o e o celular. S\u00f3 se pode acreditar em qualquer projeto republicano no Brasil se verdadeiramente ele vier ou olhar para baixo, encarar o desafio de eliminar a pobreza extrema n\u00e3o como desencargo emocional de consci\u00eancia, todavia, paradoxalmente, como condi\u00e7\u00e3o civilizat\u00f3ria de realiza\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria luta de classes. Afinal, h\u00e1 luta de classes no reino da Dinamarca, contudo l\u00e1 inexiste pobreza absoluta.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">H\u00e1 muita cr\u00edtica estritamente pol\u00edtica aos tempos da ditadura, e toda ela \u00e9 vinda. Mas devemo-nos advertir que o \u201cesp\u00edrito\u201d da ditadura s\u00f3 voltar\u00e1 \u00e0 caixa de pandora caso lograrmos ultrapassar o umbral da epiderme pol\u00edtica, se conseguirmos vencer a cegueira de olhos abertos que n\u00e3o conseguem enxergar<\/div>\n<p><em>Jaldes Reis de Meneses*<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Toda hist\u00f3ria da cultura \u00e9 tamb\u00e9m uma hist\u00f3ria da barb\u00e1rie (Walter Benjamin) <\/strong><\/em><\/p>\n<p>Como abordar o golpe militar de 31 de mar\u00e7o (ou primeiro de abril) de 1964, 47 anos passados?<\/p>\n<p>Em sua bela biografia de Napole\u00e3o, publicada logo ap\u00f3s o fim da Restaura\u00e7\u00e3o francesa (a sequ\u00eancia de 15 anos de \u00faltimo retorno da dinastia dos Bourbons, na qual ficou evidente a quimera do projeto conservador de retorno do antigo regime), Stendhal faz uma observa\u00e7\u00e3o decisiva a quem pretenda escrever a hist\u00f3ria de seu pr\u00f3prio tempo: o escriba vai se meter em exumar os companheiros de gera\u00e7\u00e3o, as promessas que se dissiparam e os fracassos que ficaram feito cicatrizes, mas principalmente as viragens. O romancista anota que os homens que foram no passado os antigos radicais jacobinos s\u00e3o os mesmos moderados que conduziam naqueles dias os neg\u00f3cios de Estado. Arguto, Stendhal percebe um remoto sentimento de cumplicidade, de ele mesmo ele mesmo participa. No sentido stendhalniano, a gera\u00e7\u00e3o que resistiu ao golpe de 1964, indiscutivelmente, \u00e9 vitoriosa, a pr\u00f3pria presidente Dilma Rousseff foi uma das que participaram do esfor\u00e7o de resist\u00eancia armada \u00e0 ditadura, dessa maneira servindo como exemplo do \u00eaxito. As gera\u00e7\u00f5es se apaziguam e confraternizam, al\u00e7adas \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de elites.<\/p>\n<p>No entanto, parafraseando um livro rec\u00e9m-editado (organizado por Edson Telles e Vladimir Safatle, a cuja leitura recomendo), deve-se fazer uma pergunta pertinente, mas inc\u00f4moda: o que restou da ditadura? Quais as sobreviv\u00eancias do regime de for\u00e7a em nossas institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, jur\u00eddicas e sociais? Tal indaga\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser respondida se virarmos pelo avesso o senso comum, se formos \u00e0s zonas de sombra, enfim, se ousarmos encarar, olho no olho, a trag\u00e9dia. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Quando ocorre o trauma, a rea\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea \u00e9 de imediato ativar as defesas do esquecimento.<\/p>\n<p>O esp\u00edrito de 1964 continua viv\u00edssimo. Posso chocar e surpreender o coro dos contentes (como se dizia naquela \u00e9poca), mas o \u201cesp\u00edrito\u201d de 1964 habita onde menos se espera: por exemplo, nas promessas de progresso e desenvolvimento, nas obras do PAC. Somente operando com esta chave anal\u00edtica de longa dura\u00e7\u00e3o pode-se compreender a revolta, sob a forma de greves e manifesta\u00e7\u00f5es, que fizeram 78.000 trabalhadores dos canteiros de obras do PAC em Pernambuco (Suape) e Rond\u00f4nia (Jirau) cruzarem os bra\u00e7os na semana passada. Ficaram expostos em Suape e Jirau a omiss\u00e3o do Estado, a vis\u00e3o arcaica do grande empresariado e o peleguismo dos sindicatos, mas tamb\u00e9m as jornadas de trabalho extenuantes, semi-escravocratas, a inseguran\u00e7a, o livre comercio de drogas (crack e coca\u00edna).<\/p>\n<p>Quem estudou a fundo a saga das grandes obras de infraestrutura dos tempos da ditadura, sabe \u00e0 custa de quanto suor e sangue elas foram erguidas, e de como o lamento de suas v\u00edtimas foram soterrados, tanto nos por\u00f5es da tortura como nos canteiros de obras.<\/p>\n<p>Conhece \u2013 para ficar num \u00fanico de tantos exemplos \u2013 o trauma da morte de centenas de oper\u00e1rios na queda das vigas do pavimento inferior do Centro Administrativo da Gameleira (Belo Horizonte, 1971), fato proibido de ser noticiado assim como a guerrilha do Araguaia tamb\u00e9m estava sob o fogo cerrado da censura. (A prop\u00f3sito, a chamada \u201ctrag\u00e9dia da Gameleira\u201d rendeu uma extraordin\u00e1ria tese de doutorado do professor mineiro Antonio Lib\u00e9rio Borba, na Unicamp).<\/p>\n<p>Evidentemente, como mostra Vladimir Carvalho, no document\u00e1rio Conterr\u00e2neos velhos de guerra (1980), sobre a constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia no governo JK, as tend\u00eancias compulsivas do progresso na modernidade (encontramo-las como transfigura\u00e7\u00e3o est\u00e9tica j\u00e1 no Fausto de Goethe, 1801) vinham de muito antes, contudo foram exponenciadas, virou dispositivo t\u00e9cnico (para usar o precioso termo de Heidegger e Foucault) intr\u00ednseco ao regime militar brasileiro.<\/p>\n<p>De maneira tr\u00e1gica, nas sombras invis\u00edveis do contrato social da democracia, movem-se as mesmas diretrizes das grandes obras dos tempos da ditadura: a tend\u00eancia \u00e0 superexplora\u00e7\u00e3o do trabalho nas regi\u00f5es de vanguarda do desenvolvimento. Quando o assunto \u00e9 pobreza, tendemos \u00e0 superficialidade, a exemplo dos rebaixados crit\u00e9rios sociol\u00f3gicos de classe que decantam a ascens\u00e3o de milh\u00f5es \u00e0 classe \u201cc\u201d no Brasil. O crit\u00e9rio de reconhecimento de classe aferra-se ao consumo, esquecendo-se de abordar, concomitantemente, o complexo plano das rela\u00e7\u00f5es sociais cotidianas, no qual necessariamente conta o mundo da cultura. Em resumo, ao mesmo tempo em que se permite a participa\u00e7\u00e3o dos pobres nos benef\u00edcios do crescimento econ\u00f4mico pela via do consumo, eles s\u00e3o segregados em seus ambientes de trabalho e moradia insalubres, nos quais praticamente inexistem servi\u00e7os p\u00fablicos de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade de qualidade.<\/p>\n<p>Vive-se e morre-se \u00e0 m\u00edngua, embora se possa ter acesso \u00e0 televis\u00e3o e o celular. S\u00f3 se pode acreditar em qualquer projeto republicano no Brasil se verdadeiramente ele vier ou olhar para baixo, encarar o desafio de eliminar a pobreza extrema n\u00e3o como desencargo emocional de consci\u00eancia, todavia, paradoxalmente, como condi\u00e7\u00e3o civilizat\u00f3ria de realiza\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria luta de classes. Afinal, h\u00e1 luta de classes no reino da Dinamarca, contudo l\u00e1 inexiste pobreza absoluta.<\/p>\n<p>H\u00e1 muita cr\u00edtica estritamente pol\u00edtica aos tempos da ditadura, e toda ela \u00e9 vinda. Mas devemo-nos advertir que o \u201cesp\u00edrito\u201d da ditadura s\u00f3 voltar\u00e1 \u00e0 caixa de pandora caso lograrmos ultrapassar o umbral da epiderme pol\u00edtica, se conseguirmos vencer a cegueira de olhos abertos que n\u00e3o conseguem enxergar.<\/p>\n<p>*Professor dos Programas de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria e Servi\u00e7o Social \u2013 UFPB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O \u201cesp\u00edrito\u201d de 1964 Jaldes Reis de Meneses (Professor dos Programas de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria e Servi\u00e7o Social \u2013 UFPB) Toda hist\u00f3ria da cultura \u00e9 tamb\u00e9m uma hist\u00f3ria da barb\u00e1rie (Walter Benjamin) Como abordar o golpe militar de 31 de mar\u00e7o (ou primeiro de abril) de 1964, 47 anos passados? 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