{"id":14424,"date":"2016-07-25T12:40:01","date_gmt":"2016-07-25T15:40:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/?p=14424"},"modified":"2016-07-25T12:40:01","modified_gmt":"2016-07-25T15:40:01","slug":"chegou-o-dia-acabam-de-propor-o-fim-da-universidade-gratuita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/chegou-o-dia-acabam-de-propor-o-fim-da-universidade-gratuita\/","title":{"rendered":"Chegou o dia: acabam de propor o fim da universidade gratuita"},"content":{"rendered":"<p>O jornal\u00a0<em>O Globo<\/em>\u00a0sugeriu em editorial neste fim de semana aquela que talvez seja a medida mais grave de desmonte do estado de bem-estar social brasileiro \u2013 constru\u00eddo a duras penas durante as \u00faltimas d\u00e9cadas. Em fun\u00e7\u00e3o da crise econ\u00f4mica, o jornal\u00a0<a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/opiniao\/crise-forca-fim-do-injusto-ensino-superior-gratuito-19768461\" target=\"_blank\">sugeriu que simplesmente se acabe com o ensino superior gratuito<\/a>. Assim: acabe-se, ponto.<\/p>\n<p>A medida, de acordo com o editorial, serviria para duas finalidades diferentes. A primeira, diminuir o peso da educa\u00e7\u00e3o para o Estado (a velha discuss\u00e3o sobre o gigantismo do Estado brasileiro e sobre a necessidade de diminuir impostos). Por outro lado, dando um aspecto \u201chumanit\u00e1rio\u201d \u00e0 proposta, diz que isso acabaria com uma injusti\u00e7a.<\/p>\n<p>O argumento sobre a redu\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria \u00e9 mais intelig\u00edvel, at\u00e9 por estar sendo debatido o tempo todo. O outro, que tenta vender como fim da injusti\u00e7a aquilo que seria uma injusti\u00e7a em si mesmo, \u00e9 mais curioso e menos comum. Segundo o jornal, o grande problema \u00e9 que quem fica com as vagas na universidade gratuita s\u00e3o os mais ricos. Os pobres s\u00e3o levados a pagar ensino privado de qualidade muitas vezes duvidosa (\u00e9\u00a0<em>O Globo<\/em>\u00a0quem diz, n\u00e3o eu).<\/p>\n<p>A premissa do argumento tem uma certa verdade. Destinar as vagas do ensino gratuito aos mais ricos \u00e9 injusto. A solu\u00e7\u00e3o \u00e9 bizarra. Ao inv\u00e9s de permitir que os mais pobres tenham acesso (mesmo que fosse em detrimento dos ricos), jogue-se tudo fora. O beb\u00ea junto com a \u00e1gua do banho. D\u00e9cadas de investimento em uma educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade em fun\u00e7\u00e3o de um sistema de sele\u00e7\u00e3o imperfeito.<\/p>\n<p>Para\u00a0<em>O Globo<\/em>, a solu\u00e7\u00e3o seria o sistema inteiramente privado, com bolsas para os mais pobres. Se essa fosse uma proposta s\u00e9ria, se o argumento humanit\u00e1rio fosse realmente a raz\u00e3o, e n\u00e3o o aspecto econ\u00f4mico, n\u00e3o faria sentido. Quem vai conseguir, dentre os pobres, as bolsas nas faculdades privadas que restariam? Os que t\u00eam melhor desempenho, os mesmos que hoje entram nas p\u00fablicas gratuitas.<\/p>\n<p>O argumento econ\u00f4mico tamb\u00e9m \u00e9 fr\u00e1gil. Se a ideia fosse dar bolsas (p\u00fablicas?) v\u00ea-se que o custo poderia ser enorme. Seria para todos, universal? Ent\u00e3o o imposto seria ainda mais caro. Seria para poucos? Ent\u00e3o seria excludente, e n\u00e3o humanit\u00e1rio. Nesse segundo caso, os mais pobres continuariam destinados a faculdades que o pr\u00f3prio jornal considera inferiores. Ou seja, n\u00e3o se resolve problema algum.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 verdadeiramente em jogo \u00e9 um projeto de pa\u00eds. O desmonte de uma estrutura de inclus\u00e3o que vem sendo posta em xeque nos \u00faltimos anos em detrimento de um Estado menor e mais leve \u2013 e tamb\u00e9m mais desigual.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, v\u00eam surgindo repetidamente ideias de que a Previd\u00eancia deve ser privada. De que o SUS deve diminuir. E de que o ensino gratuito, agora, \u00e9 injusto. Ao mesmo tempo, propostas que realmente aumentam o atendimento aos brasileiros mais pobres, como o ProUni e o Pronatec geralmente vistas com desconfian\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso chamar as coisas pelos seus nomes. O que a proposta do fim do ensino superior p\u00fablico traz em si n\u00e3o \u00e9 o fim de uma injusti\u00e7a. \u00c9 a ideia de que a injusti\u00e7a se d\u00e1 de qualquer jeito e de que devemos simplesmente deixar que ela ocorra sem p\u00f4r as m\u00e3os no nosso bolso para ajudar quem fica de fora do sistema. \u00c9 a meritocracia que protege o bolso contra o assalto de quem nunca teve nada e quer ter chance de competir em condi\u00e7\u00f5es de igualdade.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 algo que luta contra a injusti\u00e7a nesse pa\u00eds \u00e9 o acesso a uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade para todos. Se o Estado n\u00e3o servir para isso, servir\u00e1 apenas para muito pouco. Para muito menos do que precisamos.<\/p>\n<p><em>Fonte: Rog\u00e9rio Galindo\/Blog Caixa Zero<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jornal\u00a0O Globo\u00a0sugeriu em editorial neste fim de semana aquela que talvez seja a medida mais grave de desmonte do estado de bem-estar social brasileiro \u2013 constru\u00eddo a duras penas durante as \u00faltimas d\u00e9cadas. Em fun\u00e7\u00e3o da crise econ\u00f4mica, o jornal\u00a0sugeriu que simplesmente se acabe com o ensino superior gratuito. Assim: acabe-se, ponto. 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