{"id":13580,"date":"2016-03-28T15:27:03","date_gmt":"2016-03-28T19:27:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/?p=13580"},"modified":"2016-03-28T15:27:03","modified_gmt":"2016-03-28T19:27:03","slug":"cidadania-proativa-a-contracorrente-da-ordem-hegemonica-moleculas-de-alternatividade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/cidadania-proativa-a-contracorrente-da-ordem-hegemonica-moleculas-de-alternatividade\/","title":{"rendered":"Cidadania proativa \u00e0 contracorrente da ordem hegem\u00f4nica: mol\u00e9culas de alternatividade"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Alder J\u00falio Ferreira Calado<\/em><\/p>\n<p>Se em qualquer tempo, seres hist\u00f3ricos que s\u00e3o, os humanos buscam mudan\u00e7as, em \u201cmudan\u00e7a de \u00e9poca\u201d \u201ca fortiori\u201d \u2013 como a em que vivemos \u2013 tais buscas se densificam sobremaneira. Pr\u00e1ticas e concep\u00e7\u00f5es, secularmente introjetadas e reproduzidas, se tornam alvo de questionamentos. Isto tamb\u00e9m implica repensar pr\u00e1ticas e conceitos, na esfera da Pol\u00edtica. Uma delas prende-se aos distintos sentidos conferidos \u00e0 Pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Por d\u00e9cadas a fio, ela vem sendo questionada: a despeito do longo e profundo h\u00e1bito instalado de se tom\u00e1-la como um campo sem\u00e2ntico quase apenas restrito \u00e0s rela\u00e7\u00f5es Sociedade-Estado, eis que irrompe, cada vez mais, a necessidade de se tomar mais a s\u00e9rio outras dimens\u00f5es da Pol\u00edtica e do fazer pol\u00edtico, estendendo e conectando seu universo sem\u00e2ntico \u00e0 Pol\u00edtica do cotidiano dos cidad\u00e3os e cidad\u00e3s. Pol\u00edtica como uma rede de rela\u00e7\u00f5es que n\u00e3o se esgota no \u00e2mbito do Estado, como polo relacional da Sociedade. Por mais expostas que estas se mostrem \u2013 e ao alcance direto e imediato de nossa percep\u00e7\u00e3o, temos que convir que as rela\u00e7\u00f5es Sociedade-Estado se inserem como um dos \u00e2mbitos \u2013 o p\u00f3lo estatal. H\u00e1 outros p\u00f3los relacionais a pulsar no vasto e complexo tecido societal. H\u00e1, com efeito, toda uma malha de micro-rela\u00e7\u00f5es na vida social que, por mais subterr\u00e2neos que apare\u00e7am, s\u00e3o portadoras de um enorme potencial transformador.<\/p>\n<p>No dia-a-dia da vida social, h\u00e1 uma vasta e complexa malha de rela\u00e7\u00f5es vivenciadas pelos cidad\u00e3os e cidad\u00e3s, nos mais diversos espa\u00e7os, em que tamb\u00e9m s\u00e3o protagonistas. Com efeito, a Pol\u00edtica do cotidiano comporta uma constela\u00e7\u00e3o de macro e micro-rela\u00e7\u00f5es, que v\u00e3o bem al\u00e9m dos afazeres de Estado. Impregnam espa\u00e7os tais como vida familiar, rela\u00e7\u00f5es de vizinhan\u00e7a, distintos espa\u00e7os comunit\u00e1rios, associativos, de car\u00e1ter cultural, religioso, rela\u00e7\u00f5es de trabalho, escola, vida l\u00fadica, esportiva, art\u00edstico-cultural, posturas dos cidad\u00e3os e cidad\u00e3s diante de situa\u00e7\u00f5es embara\u00e7osas no tr\u00e2nsito, nas filas de bancos, de hospitais, a atestarem tanto atitudes e pr\u00e1ticas de privatiza\u00e7\u00e3o (expl\u00edcita ou dissimulada) de espa\u00e7os p\u00fablicos \u2013 e, neste caso, reproduzindo e consolidando a l\u00f3gica da ordem estabelecida \u2013 quanto pr\u00e1ticas, atitudes e posturas de alternatividade da ordem vigente.<\/p>\n<p>Na vida cotidiana, pulsam rela\u00e7\u00f5es (econ\u00f4micas, pol\u00edticas e culturais) t\u00e3o relevantes quanto as que se referem ao \u00e2mbito estrito do Estado. Descobrimos que essas micro-rela\u00e7\u00f5es se revestem de sementes portadoras de macro-rela\u00e7\u00f5es, e, n\u00e3o raro, mostrando-se de um potencial transformador n\u00e3o desprez\u00edvel. Constata\u00e7\u00e3o que nos alerta quanto \u00e0 necessidade e urg\u00eancia de um redimensionamento mais cr\u00edtico das chamadas \u201cmicro-rela\u00e7\u00f5es\u201d, \u00e0 medida que elas v\u00e3o dando provas de uma tremenda potencialidade, a repercutirem nas macro-rela\u00e7\u00f5es. J\u00e1 n\u00e3o se trata de observar-se o micro e o macro, mas, antes, de se verificar o micro no macro e o macro no micro. Cidad\u00e3os e cidad\u00e3s que, em vez de reduzirem suas atividades apenas \u00e0 esfera do Estado, cuidam de esbo\u00e7ar, pelas suas pr\u00e1ticas cotidianas, posturas alternativas aos diversos v\u00edcios sociais hegem\u00f4nicos, est\u00e3o ou n\u00e3o sinalizando que, n\u00e3o apenas \u00e9 poss\u00edvel, mas j\u00e1 d\u00e3o mostra de estarem mudando a sociedade, ainda que em doses moleculares?<\/p>\n<p>A quem ainda n\u00e3o aposta no potencial subversivo das iniciativas moleculares atuando no, e desde o ch\u00e3o do cotidiano, cumpre lembr\u00e1-los de que as for\u00e7as hoje hegem\u00f4nicas atuam, tamb\u00e9m elas, no ch\u00e3o da Hist\u00f3ria. Nasceram n\u00e3o-hegem\u00f4nicas, eram incipientes, no nascedouro, a exemplo de outras tantas, foram desenvolvendo-se nos entrechoques da Hist\u00f3ria. Tamb\u00e9m atingem seu \u00e1pice, e v\u00e3o cedendo terreno a novo sujeito hist\u00f3rico. For\u00e7as sociais bem mais recentes enfrentam semelhante trajet\u00f3ria, semelhante din\u00e2mica de tudo quanto \u00e9 hist\u00f3rico. Em resumo: n\u00e3o s\u00e3o eternas! Exemplos se sucedem. Lembre-se, por exemplo, do que foi, por muito tempo, o imp\u00e9rio romano\u2026<\/p>\n<p>A despeito de tal constata\u00e7\u00e3o, importa atentar-se para o fato de que tal sucess\u00e3o de sujeitos hist\u00f3ricos n\u00e3o obedece \u201cnaturalmente\u201d a uma evolu\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea que necessariamente assegure \u00e0s for\u00e7as sucessoras um padr\u00e3o superior ao das precedentes: a um modo X de produ\u00e7\u00e3o, de consumo e de gest\u00e3o societal n\u00e3o se segue necessariamente um modo Y de produ\u00e7\u00e3o, de consumo e de gest\u00e3o, de qualidade superior. Tal qualidade s\u00f3 resulta superior, a depender do que se planta e do que se cultiva precedentemente, com vistas \u00e0 supera\u00e7\u00e3o do at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo vigente. N\u00e3o se trata, pois, de \u201cp\u00f4r abaixo o que a\u00ed est\u00e1\u201d, sem que, desde antes n\u00e3o se venham materializando sinais convincentes da consist\u00eancia do novo sujeito hist\u00f3rico. Isto remete a gente de minha gera\u00e7\u00e3o ao famoso filme \u201cQueimada\u201d, em que os cidad\u00e3os combatentes das for\u00e7as invasoras achavam que, para se verem livres daquela domina\u00e7\u00e3o, era bastante expulsar os invasores. Dada a expuls\u00e3o, verificou-se tardiamente que os cidad\u00e3os nativos n\u00e3o se haviam preparado devidamente para, uma vez expulsos os invasores, levar a efeito uma gest\u00e3o alternativa\u2026 Da\u00ed, a famosa afirma\u00e7\u00e3o da personagem Jos\u00e9 Dolores: \u201c\u00c9 melhor saber para onde ir, sem saber como, do que saber como, e n\u00e3o saber para onde ir.\u201d<\/p>\n<p>Nas breves linhas que seguem, propomo-nos compartilhar algumas considera\u00e7\u00f5es acerca da necessidade e urg\u00eancia de as organiza\u00e7\u00f5es de base de nossa sociedade ousarem, desde j\u00e1 \u2013 e sem cessar \u2013 ir exercitando passos concretos, ainda que moleculares, de produ\u00e7\u00e3o, de consumo e de gest\u00e3o societal alternativos aos da ordem vigente. Aqui, vamos restringir-nos a dois pontos:<\/p>\n<p>\u2013 por que n\u00e3o basta limitar-nos a re-agir aos efeitos perniciosos da ordem vigente?<\/p>\n<p>\u2013 como e por onde come\u00e7ar a ensaiar passos concretos \u00e0 contracorrente \u201cdo que a\u00ed est\u00e1\u201d?<\/p>\n<p><strong>Resistir \u00e9 um primeiro passo, necess\u00e1rio, mas ainda insuficiente, se mantido isolado e desconectado de iniciativas articuladas, gr\u00e1vidas de alternatividade<\/strong><\/p>\n<p>Segue, tamb\u00e9m hoje, vigendo o compromisso com as iniciativas de resist\u00eancia popular ante as diversas formas de ataque e agress\u00e3o das for\u00e7as adversas. N\u00e3o se pode calar diante da sucess\u00e3o de formas de agress\u00e3o, feitas pelas for\u00e7as hegem\u00f4nicas contra a M\u00e3e-Natureza e toda a comunidade de viventes. H\u00e1 que se resistir, sim! O desafio atual \u00e9 ir al\u00e9m da mera resist\u00eancia, isto \u00e9, da mera rea\u00e7\u00e3o feita a varejo, pontual e epis\u00f3dica \u00e0s sucessivas formas de agress\u00e3o das for\u00e7as dominantes. Urge, mais do que nunca, ir al\u00e9m delas, articulando-as a iniciativas de um quefazer alternativo a toda a l\u00f3gica das for\u00e7as adversas.<\/p>\n<p>Combinar resist\u00eancia com ensaio de passos alternativos, desde j\u00e1 e ininterruptamente\u2026 Ainda assim, n\u00e3o inclu\u00edmos, entre essas resist\u00eancias, certas manifesta\u00e7\u00f5es equivocadas pretendo defender o indefens\u00e1vel, com evasivas estritamente formais, sem a devida fundamenta\u00e7\u00e3o \u00e9tico-pol\u00edtica. Aqui, a despeito de vigorosos discursos ideol\u00f3gicos, n\u00e3o se acham em jogo os verdadeiros interesses das classes populares, por mais que se fale em nome delas (at\u00e9 como recurso ret\u00f3rico em defesa de interesses de pequenos grupos e respectivos projetos de poder. Tamb\u00e9m aqui, soa de grande valia a famosa Tese 2 dirigida a Feuerbach, de que n\u00e3o \u00e9 o discurso, mas a pr\u00e1tica, o crit\u00e9rio de aferi\u00e7\u00e3o da busca da verdade. Sustenta\u00e7\u00e3o, ali\u00e1s, que, bem antes de nascer da filosofia da pr\u00e1xis, tem a cunha do Evangelho: \u201cN\u00e3o s\u00e3o aqueles que dizem Senhor, Senhor, que entrar\u00e3o no Reino dos C\u00e9us, mas aqueles que fazem a vontade do meu Pai\u201d..; a \u00e1rvore se conhece pelos frutos; pelos seus frutos os conhecereis\u2026 (cf. Mt 7. 14-29);<\/p>\n<p>No que concerne, todavia, \u00e0quelas iniciativas de resist\u00eancia convencionais, sempre t\u00e3o corriqueiras, cumpre ponderar que, por mais necess\u00e1rias que sigam sendo, elas n\u00e3o t\u00eam grande f\u00f4lego, na perspectiva de alternatividade, se as for\u00e7as de transforma\u00e7\u00e3o se restringirem a isto, n\u00e3o lograr\u00e3o sucesso na constru\u00e7\u00e3o de uma sociabilidade alternativa \u00e0quela que pretendem superar. Ficar\u00edamos presos e enredados \u00e0 l\u00f3gica, ao horizonte e aos m\u00e9todos das for\u00e7as hegem\u00f4nicas, sem nos exercitarmos em verdadeiras iniciativas de alternatividade. Se n\u00e3o formos capazes de vislumbrar, de forjar e de implementar iniciativas de alternatividade ao esp\u00edrito desse \u201csistema mercantil totalit\u00e1rio\u201d, acabamos, mais cedo ou mais tarde, ref\u00e9ns de suas estrat\u00e9gias e de seu horizonte, ainda que nos declaremos opostos a tudo isto.<\/p>\n<p>Mesmo tendo que irromper do \u00fatero da velha ordem, somos historicamente chamados a ensaiarmos nossas potencialidades heur\u00edsticas, ensaiando-as, desde o ch\u00e3o do aqui e agora, sob pena de nos atrairmos pelos caminhos dos advers\u00e1rios \u2013 seu horizonte, seus m\u00e9todos, suas estrat\u00e9gias. Nesse sentido, em v\u00e3o seguimos suas trilhas. Seus sedutores atalhos econ\u00f4micos, pol\u00edticos e culturais \u2013 sobejamente mostrados pelos seus frutos \u2013 s\u00f3 nos t\u00eam mergulhado cada vez mais no abismo.<\/p>\n<p>Na esfera econ\u00f4mica, por exemplo, em v\u00e3o buscamos sa\u00eddas, a partir de sua l\u00f3gica, ou seja:<\/p>\n<p>\u2013 acomodando-nos \u00e0 l\u00f3gica do seu Mercado;<\/p>\n<p>\u2013 reeditando pr\u00e1ticas produtivas animadas por seu horizonte e caminhos;<\/p>\n<p>\u2013 cedendo aos, por vezes, sedutores caminhos do hidro-agroneg\u00f3cio;<\/p>\n<p>\u2013 cedendo \u00e0 l\u00f3gica de defini\u00e7\u00e3o do qu\u00ea produzir;<\/p>\n<p>\u2013 adotando seus mecanismos de lucratividade;<\/p>\n<p>\u2013 seguindo seus procedimentos de relacionamento com a Natureza e com toda a comunidade dos viventes, e assim por diante.<\/p>\n<p>Igualmente no plano pol\u00edtico, bem outro h\u00e1 de ser a nossa busca de uma sociabilidade alternativa. Tamb\u00e9m aqui, os frutos da longa experi\u00eancia do modelo hegem\u00f4nico se mostram bem ilustrativos.<\/p>\n<p>Trilhas de alternatividade a ensaiar, n\u00e3o apenas na esfera econ\u00f4mica, mas igualmente no \u00e2mbito pol\u00edtico e no plano cultural, adequadamente articulados.<\/p>\n<p>No caso espec\u00edfico do plano pol\u00edtico, importa perceber e reconhecer que,\u00a0via espa\u00e7os estatais\/governamentais ou de representa\u00e7\u00e3o formal, ou pela via organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-partid\u00e1ria convencional, ou pela via do sistema eleitoral, os \u00f3bices se acham cada vez mais esgotados e irrevers\u00edveis. D\u00e3o prova robusta de progressivo exaurimento. O mesmo vale, com for\u00e7a igual ou ainda maior, para o cen\u00e1rio cultural, o mundo dos valores.<\/p>\n<p><strong>Como e por onde ensaiar passos concretos \u00e0 contracorrente \u201cdo que a\u00ed est\u00e1\u201d?<\/strong><\/p>\n<p>Cumpre lembrar, para come\u00e7o de conversa, que n\u00e3o precisamos partir da estaca zero. H\u00e1 experi\u00eancias moleculares alternativas sendo vivenciadas, mundo afora. Partimos da\u00ed. E, conscientes de que n\u00e3o bastam, buscamos avan\u00e7ar para al\u00e9m delas. Disso cuidamos, a seguir.<\/p>\n<p><strong>Na esfera da produ\u00e7\u00e3o \u2013<\/strong> Gra\u00e7as \u00e0 enorme diversidade de ferramentas de comunica\u00e7\u00e3o hoje dispon\u00edveis \u2013 e n\u00e3o me refiro \u00e0 m\u00eddia comercial -, com crescente frequ\u00eancia, podemos assistir a muitas dessas experi\u00eancias alternativas, nos distintos setores e ramos da economia. Mais: podemos testemunhar, de perto, ou mesmo protagonizar algumas delas. Atentos e animados com seus frutos, por um lado, tamb\u00e9m n\u00e3o ignoramos suas insufici\u00eancias. Desde h\u00e1 algum tempo, vicejam, mundo afora, na Am\u00e9rica Latina, no Brasil, no Nordeste, no Semi\u00e1rido, promissoras iniciativas de produ\u00e7\u00e3o, associadas ao consumo. Nestas linhas, limitamo-nos a ilustrar rapidamente algumas dessas iniciativas, circunscritas \u00e0 conviv\u00eancia com o Semi\u00e1rido.<\/p>\n<p>Iniciativas de conviv\u00eancia alternativa com o Semi\u00e1rido \u2013 Constatamos, com alegria, todo um leque de experi\u00eancias revolucion\u00e1rias de conviv\u00eancia alternativa com o Semi\u00e1rido. E n\u00e3o de hoje! Se \u00e9 certo que tais experi\u00eancias, hoje trabalhadas em rede protagonizada diretamente por nossas organiza\u00e7\u00f5es de base, n\u00e3o menos verdade \u00e9 que elas t\u00eam ra\u00edzes fincadas, pelo menos, em finais do s\u00e9culo XIX\/primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, a partir de iniciativas comunit\u00e1rias, animadas por figuras tais como Pe. Ibiapina, Pe. C\u00edcero, Beato Jos\u00e9 Louren\u00e7o e tantas beatas e beatos que protagonizaram tais feitos, por meio de seu empenho em criar condi\u00e7\u00f5es agroecol\u00f3gicas de saud\u00e1vel conviv\u00eancia alternativa com o Semi\u00e1rido, por meio de constru\u00e7\u00f5es fecundas de obras, nesse sentido. Aqui n\u00e3o vai ser o espa\u00e7o adequado de entrarmos numa an\u00e1lise mais detida. Outros j\u00e1 o v\u00eam fazendo. Nosso prop\u00f3sito \u00e9 de relembrar que as experi\u00eancias das quais nos ocupamos, n\u00e3o nasceram ontem. S\u00e3o inspiradas em outras interven\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias do povo dos pobres de nossa regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais recentemente, de umas d\u00e9cadas para c\u00e1, vimos observando o crescimento da consci\u00eancia ecol\u00f3gica, acompanhada de fecundas interven\u00e7\u00f5es, fruto quase exclusivamente do trabalho de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, dentre as quais, apenas como tr\u00eas exemplos ilustrativos (lembrando que s\u00e3o dezenas, entre movimentos populares, associa\u00e7\u00f5es, cooperativas, coletivos outros), citamos aqui: Articula\u00e7\u00e3o do Semi\u00e1rido (ASA) e C\u00e1ritas e SETA. Destas e de outras iniciativas civis de car\u00e1ter alternativo ressaltamos o car\u00e1ter alternativo, em suas constru\u00e7\u00f5es tais como cisternas, barragens subterr\u00e2neas e toda uma s\u00e9rie de tecnologias e equipamentos alternativos de conviv\u00eancia criativa e respeitosa com o nosso bioma, sempre numa perspectiva socioambiental, como a apontada na recente Enc\u00edclica \u201cLaudato si\u00b4\u201d, do Papa Francisco. Aqui nos limitamos, n\u00e3o a descrever ou analisar cada uma delas, mas a destacar algumas de suas caracter\u00edsticas comuns ou qual \u00e9 o seu \u201cesp\u00edrito\u201d:<\/p>\n<p>\u2013 s\u00e3o concebidas a partir da experi\u00eancia direta de nossas comunidades tradicionais \u2013 ind\u00edgenas, quilombolas, camponesas, dos povos das \u00e1guas, das florestas, pescadores, comunidades ribeirinhas, vivendo em comunh\u00e3o secular e respeitosa com a M\u00e3e Natureza;<\/p>\n<p>\u2014 distanciam-se radicalmente das \u201cobras fara\u00f4nicas\u201d t\u00e3o ao gosto e da l\u00f3gica do sistema dominante (do Mercado capitalista e do seu Estado), \u00e0 medida que apostam nas \u201cpequenas\u201d iniciativas, organicamente articuladas, de baix\u00edssimo custo e de amplo alcance socioambiental;<\/p>\n<p>\u2013 sem descartar os procedimentos cient\u00edficos convencionais, tratam de combin\u00e1-los com o ac\u00famulo multissecular da sabedoria popular;<\/p>\n<p>\u2013 priorizam, desde a concep\u00e7\u00e3o \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o \u2013 e passando pelo planejamento, pela implementa\u00e7\u00e3o, controle social, transpar\u00eancia, etc. \u2013 o protagonismo do conjunto das comunidades envolvidas nas respectivas iniciativas;<\/p>\n<p>\u2013 pelos seus frutos, mostram-se transparentes e pouco ou nada vulner\u00e1veis a pr\u00e1ticas de corrup\u00e7\u00e3o, abusivamente correntes nas\u00a0Obras fara\u00f4nicas.<\/p>\n<p>Como antes assinalado, do vasto leque de experi\u00eancias moleculares gr\u00e1vidas de alternatividade, restringimos apenas a pouqu\u00edssimos exemplos ilustrativos de um \u00fanico campo: o da produ\u00e7\u00e3o socioambiental, no Semi\u00e1rido. Mesmo assim, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel sentir o quanto foi e est\u00e1 sendo poss\u00edvel avan\u00e7ar, na qualidade social das interven\u00e7\u00f5es j\u00e1 postas em pr\u00e1ticas, a despeito de, e para al\u00e9m de suas insufici\u00eancias.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso, sim, ampliar e articular mais adequadamente essas e tantas outras iniciativas, nas diversas esferas de nossa realidade: no campos da sa\u00fade\/saneamento, da forma\u00e7\u00e3o, dos processos organizativos de base, etc., etc.<\/p>\n<p><strong>Potencializando a for\u00e7a transformadora alternativa das experi\u00eancias moleculares em curso<\/strong><\/p>\n<p>A despeito de, e para al\u00e9m das insufici\u00eancias das iniciativas moleculares, por si mesmas insuficientes de produzirem as mudan\u00e7as desej\u00e1veis, cumpre seguir buscando, incessantemente, pistas de car\u00e1ter mais diretamente macrossocial, \u00e0s quais devem ser articuladas as de car\u00e1ter mais diretamente microssocial. Tarefa gigantesca, que se vai cumprindo a m\u00e9dio e longo prazos, desde que passos concretos nessa dire\u00e7\u00e3o v\u00e3o sendo ensaiados, desde j\u00e1.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Pessoa, 26 de mar\u00e7o de 2016<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Alder J\u00falio Ferreira Calado Se em qualquer tempo, seres hist\u00f3ricos que s\u00e3o, os humanos buscam mudan\u00e7as, em \u201cmudan\u00e7a de \u00e9poca\u201d \u201ca fortiori\u201d \u2013 como a em que vivemos \u2013 tais buscas se densificam sobremaneira. Pr\u00e1ticas e concep\u00e7\u00f5es, secularmente introjetadas e reproduzidas, se tornam alvo de questionamentos. Isto tamb\u00e9m implica repensar pr\u00e1ticas e conceitos, na&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16,15],"tags":[],"class_list":["post-13580","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","category-noticias","category-16","category-15","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13580","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13580"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13580\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13581,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13580\/revisions\/13581"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13580"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13580"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13580"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}