{"id":13448,"date":"2016-02-29T11:57:41","date_gmt":"2016-02-29T15:57:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/?p=13448"},"modified":"2016-02-29T12:02:42","modified_gmt":"2016-02-29T16:02:42","slug":"nove-universidades-federais-somam-deficit-de-r-400-milhoes-em-2015","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/nove-universidades-federais-somam-deficit-de-r-400-milhoes-em-2015\/","title":{"rendered":"Nove universidades federais somam d\u00e9ficit de R$ 400 milh\u00f5es em 2015"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<p><em>Na UFPB, o preju\u00edzo chega a R$ 8,7 milh\u00f5es<\/em><\/p>\n<p><em>Do G1, em S\u00e3o Paulo (*)<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/alojamento-ufrj-rodrigo-gorosito-g1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-13449\" alt=\"alojamento-ufrj-rodrigo gorosito-g1\" src=\"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/alojamento-ufrj-rodrigo-gorosito-g1-300x225.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/alojamento-ufrj-rodrigo-gorosito-g1-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/alojamento-ufrj-rodrigo-gorosito-g1.jpg 620w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Nove das 15 maiores universidades federais acumularam d\u00e9ficit de quase R$ 400 milh\u00f5es em 2015, segundo levantamento do <strong>G1 <\/strong><em>(veja tabela e dados abaixo)<\/em>. S\u00f3 a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) fechou o ano com d\u00e9ficit de R$ 125 milh\u00f5es, o maior no levantamento.<\/p>\n<p>Problemas na oferta de servi\u00e7os, falta de material b\u00e1sico e capacidade limitada para pol\u00edticas de apoio estudantil s\u00e3o efeitos imediatos da crise.<\/p>\n<p>A cifra parcial com exatos R$ 393,8 milh\u00f5es \u00e9 uma amostra de como os cortes impostos pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) em 2015 afetaram o balan\u00e7o das maiores entre as 63 universidades federais.<\/p>\n<p>Segundo a Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Dirigentes das Institui\u00e7\u00f5es Federais de Ensino Superior (Andifes), ao menos um ter\u00e7o das federais pediu socorro ao MEC para fechar as contas no ano passado. O corte atingiu, de modo geral, 10% do valor de custeio e 50% dos investimentos previstos nos or\u00e7amentos de todas as universidades federais.<\/p>\n<p>O MEC diz que, ap\u00f3s reuni\u00f5es e acompanhamento do impacto das medidas, liberou mais de R$ 200 milh\u00f5es para 45 das 63 federais. Os cortes foram o resultado de contingenciamento no Or\u00e7amento de 2015 por causa da crise financeira no Brasil: o MEC teve R$ 9,42 bilh\u00f5es bloqueados.<\/p>\n<p>Administradores das universidades, especialistas e representantes dos estudantes apontam solu\u00e7\u00f5es que v\u00e3o desde a necessidade de novas estrat\u00e9gias para capta\u00e7\u00e3o de recursos at\u00e9 a cobran\u00e7a de maior empenho do MEC na ajuda a universidades que ampliaram servi\u00e7os nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/gr\u00e1fico-d\u00e9ficit-g1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-13450\" alt=\"gr\u00e1fico-d\u00e9ficit-g1\" src=\"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/gr\u00e1fico-d\u00e9ficit-g1.jpg\" width=\"340\" height=\"510\" srcset=\"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/gr\u00e1fico-d\u00e9ficit-g1.jpg 340w, https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/gr\u00e1fico-d\u00e9ficit-g1-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><\/a>Situa\u00e7\u00e3o na UFF e UERJ<\/strong><\/p>\n<p>O levantamento do G1 n\u00e3o considera a situa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal Fluminense (UFF). A institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o retornou os pedidos da equipe de reportagem, que agora aguarda dados via Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o (LAI).<\/p>\n<p>Entretanto, apesar de n\u00e3o entrar na lista inicial por ser bancada pelo governo estadual, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) tamb\u00e9m vive momento de crise financeira.<\/p>\n<p>A institui\u00e7\u00e3o evita usar a palavra d\u00e9ficit para explicar a diferen\u00e7a entre o or\u00e7amento e os pagamentos pendentes, mas admitiu, via Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o (LAI), ter R$ 1,04 bilh\u00e3o de despesas empenhadas de 2015 que ainda precisam ser quitadas. E j\u00e1 prev\u00ea dificuldades com o contingenciamento de R$ 530 milh\u00f5es, metade do or\u00e7amento previsto para 2016, por causa da crise financeira no estado.<\/p>\n<p><strong>Origem da crise na UFRJ<\/strong><\/p>\n<p>No caso da UFRJ, o pr\u00f3-Reitor de Planejamento e Desenvolvimento, Roberto Ant\u00f4nio Gambine Moreira, diz que os problemas da institui\u00e7\u00e3o j\u00e1 come\u00e7aram nos cortes de 2014 e foram ampliados pelo aumento de custos.<\/p>\n<p>\u201cO d\u00e9ficit tem rela\u00e7\u00e3o muito forte com o contingenciamento ocorrido no or\u00e7amento da UFRJ em 2014, na ordem de R$ 70 milh\u00f5es, somado ao \u2018tarifa\u00e7o\u2019 aplicado na conta de energia el\u00e9trica, que dobrou a conta da UFRJ sem aumento de consumo na mesma propor\u00e7\u00e3o, nem suplementa\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria voltada para esse fim\u201d, afirma Moreira.<\/p>\n<p>Por sua vez, o MEC afirma que, em 2015, a UFRJ teve o maior or\u00e7amento entre todas as federais, recebendo o equivalente a 5,77% do total liberado \u00e0s outras institui\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, a pasta lembra que a UFRJ recebeu R$ 21.122.506,00, o equivalente a 10,56% dos recursos destinados \u00e0 suplementa\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria das federais no ano passado.<\/p>\n<p>&#8220;Para reduzir o d\u00e9ficit em 2016, a UFRJ precisa intensificar as suas a\u00e7\u00f5es para continuar melhorando a gest\u00e3o e a efici\u00eancia no uso de recursos&#8221;, informou o MEC em nota.<\/p>\n<p>Nesta semana, alunos de odontologia protestaram contra a falta de materiais b\u00e1sicos para atender pacientes. Nesta ter\u00e7a-feira (23), o Hospital Universit\u00e1rio Clementino Fraga Filho, no Fund\u00e3o, cancelou cirurgias por pane em elevadores. No fim de dezembro, por causa do d\u00e9ficit, j\u00e1 tinha suspendido consultas e cirurgias eletivas, anunciando que s\u00f3 faria cirurgias de emerg\u00eancia.<\/p>\n<p>Assim como na UFRJ, outras universidades do pa\u00eds viram os cortes afetar o funcionamento de atividades b\u00e1sicas e ao menos um ter\u00e7o das institui\u00e7\u00f5es federais de ensino superior reivindicaram ao MEC complementos para n\u00e3o terminar o ano no vermelho, segundo dados da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Dirigentes das Institui\u00e7\u00f5es Federais de Ensino Superior.<\/p>\n<p>O d\u00e9ficit de R$ 240 milh\u00f5es, quando aplicado sobre o or\u00e7amento dessas oito universidades, soma 3% dos 9,1 bilh\u00f5es do or\u00e7amento inicial previsto pelo MEC. Apesar do percentual baixo, o corte incide justamente sobre a parcela do or\u00e7amento que n\u00e3o est\u00e1 comprometida com a folha de sal\u00e1rios, que \u00e9 o maior gasto das universidades.<\/p>\n<p><strong>Levantamento nacional<\/strong><\/p>\n<p>O levantamento do G1 considerou as 15 maiores universidades brasileiras pelo crit\u00e9rio de oferta de vagas: UFF, UFRJ, UFPB, UFPA, UNB, UFRN, UFBA, UFSC, UFPE, UTFPR, UFMG, UFG, UFPR, UFAM, UFMS, UEMA, USP, UNESP, UERJ e UEG.<\/p>\n<p>Para a equipe de reportagem, UFAM, UFPR, UFBA e UFRN dizem ter fechado 2015 sem d\u00e9ficit apesar dos cortes do MEC. Tanto nos casos dessas federais quanto as que declaram ter tido d\u00e9ficit, a sa\u00edda para fechar o balan\u00e7o \u00e9 complementar a diferen\u00e7a com receitas pr\u00f3prias ou rolar o pagamento de compromissos para o exerc\u00edcio posterior.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m com alto \u00edndice de d\u00e9ficit em 2015, a Universidade Tecnol\u00f3gica Federal do Paran\u00e1 (UTFPR) fechou o ano de 2015 com saldo negativo de R$ 83,5 milh\u00f5es. No ano anterior, em 2014, esse d\u00e9ficit foi de R$ 28,9 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>A institui\u00e7\u00e3o informou, no entanto, que no ano passado foi poss\u00edvel revisar o planejamento e deixaram de ser executadas obras de amplia\u00e7\u00e3o do campus, como a constru\u00e7\u00e3o de biblioteca, laborat\u00f3rio e salas de aulas. Al\u00e9m do repasse do governo, a UTFPR possui outras receitas provenientes de alugu\u00e9is e produ\u00e7\u00f5es vegetais e animais.<\/p>\n<p><strong>Varia\u00e7\u00f5es no or\u00e7amento<\/strong><\/p>\n<p>Na soma total, a previs\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria para as 15 universidades analisadas no levantamento do G1 apresentou aumento em 2016. No ano passado elas somaram previs\u00e3o de 17,2 bilh\u00e3o. Neste ano, o previsto \u00e9 de R$ 17,4 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Entretanto, a varia\u00e7\u00e3o positiva n\u00e3o \u00e9 apontada como solu\u00e7\u00e3o. No caso da UFRJ, o aumento previsto \u00e9 de 5%. \u201cN\u00e3o (ser\u00e1 suficiente para equilibrar as necessidades da institui\u00e7\u00e3o), necessitamos uma suplementa\u00e7\u00e3o na dota\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria de 2016 na ordem de R$ 170 milh\u00f5es\u201d, afirma o pr\u00f3-Reitor de Planejamento e Desenvolvimento, Roberto Ant\u00f4nio Gambine Moreira.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 fundamental que possamos avan\u00e7ar no debate sobre a matriz de distribui\u00e7\u00e3o de recursos, para que a UFRJ supere suas necessidades or\u00e7ament\u00e1rias\u201d, defende Moreira, que apesar disso ressalta que o MEC vem liberando \u201ccotas de limite de empenho\u201d que mantiveram o funcionamento no per\u00edodo em que est\u00e1 ocorrendo a reposi\u00e7\u00e3o de aulas decorrente da greve em 2015.<\/p>\n<p>Um dos diretores do DCE e conselheiro Universit\u00e1rio da UFRJ pela bancada discente, o estudante de hist\u00f3ria Raphael Almeida defende a repactua\u00e7\u00e3o financeira do governo federal com as universidades. &#8220;Com essa situa\u00e7\u00e3o de cortes, a gente passa do ruim para o horr\u00edvel&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>O estudante avalia que o problema n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 da UFRJ, lembrando que outras universidades sofreram corte e atrasos de bolsas, paralisa\u00e7\u00e3o na amplia\u00e7\u00e3o de alojamentos estudantis e precariza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o de restaurantes universit\u00e1rios.<\/p>\n<p>&#8220;50% de vagas de ingresso precisam dessa pol\u00edtica de perman\u00eancia\u201d, defende o estudante, lembrando que a nova reitoria da UFRJ havia comprometido na amplia\u00e7\u00e3o do atendimento.<\/p>\n<p>Se alunos apontam problemas, os professores que realizaram greve de tr\u00eas meses em 2015 fazem coro. Para a diretora do Andes (Sindicato Nacional dos Docentes das Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior), Olga\u00edses Cabral Mau\u00e9s, os cortes no or\u00e7amento aprofundaram os problemas que tamb\u00e9m afetam o corpo docente.<\/p>\n<p>\u201cA crise na carreira dos professores n\u00e3o surgiu em 2015 com os ajustes no or\u00e7amento, mas foi aprofundada. N\u00e3o h\u00e1 abertura de novos concursos, os sal\u00e1rios est\u00e3o achatados e a carreira est\u00e1 desestruturada\u201d, afirma Olga\u00edses.<\/p>\n<p><strong>Universidade de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Na Universidade de Bras\u00edlia (UNB), os cortes iniciais de R$ 81,2 milh\u00f5es acabaram em um d\u00e9ficit de R$ 60 milh\u00f5es. De acordo com o decano de Planejamento e Or\u00e7amento da UNB, C\u00e9sar Augusto Tib\u00farcio Silva, o valor s\u00f3 n\u00e3o se transformou em d\u00edvida com os fornecedores porque a universidade usou recursos de super\u00e1vit acumulado em outros anos para quitar os compromissos.<\/p>\n<p>&#8220;O ano passado foi t\u00e3o complicado que at\u00e9 a taxa de c\u00e2mbio acabou afetando&#8221;, explicou o decano. Ele explicou que a UNB chegou a cotar preju\u00edzo de R$ 1 milh\u00e3o com a varia\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar na importa\u00e7\u00e3o de equipamentos para pesquisa. &#8220;A diferen\u00e7a saiu dos nossos recursos&#8221;, explica C\u00e9sar Augusto Tib\u00farcio Silva, que aponta que a UNB conta com receita vinda de alugueis de im\u00f3veis.<\/p>\n<p>A principal receita para diminuir o impacto dos cortes foi a renegocia\u00e7\u00e3o de contratos com prestadores de servi\u00e7os. A contrata\u00e7\u00e3o da equipe de limpeza, por exemplo, foi alterada de um modelo que considerava postos de trabalho e passou a contratar servi\u00e7os, levando para a terceirizada a necessidade de gerir tamb\u00e9m os insumos para o trabalho.<\/p>\n<p>Para 2016, a equipe de planejamento da UNB ainda aguarda a defini\u00e7\u00e3o de se eventuais novos cortes v\u00e3o afetar a institui\u00e7\u00e3o. &#8220;A gente n\u00e3o sabe quanto que isso (corte) vai representar em termos de valor. Estamos finalizando fevereiro sem ter no\u00e7\u00e3o de quanto ser\u00e1 o corte em investimento. Isso acaba gerando uma inseguran\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p>Apesar dos dilemas, o decano da UNB ressalta ter visto colabora\u00e7\u00e3o do MEC. &#8220;O di\u00e1logo est\u00e1 funcionando&#8221;, diz Tib\u00farcio.<\/p>\n<p><strong>Entre as estaduais, rombo e crise na UERJ<\/strong><\/p>\n<p>Por meio da Lei de Acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, a UERJ relatou ao G1 ter R$ 1.043.092.289, 00 em despesas empenhadas, que seriam &#8220;valores a serem pagos referentes \u00e0 2015&#8221;. Al\u00e9m disso, o or\u00e7amento aprovado para 2016 \u00e9 de R$ 1.124.856.510,00, mas R$ 530.668.516,00 est\u00e3o contingenciados por causa da crise financeira do estado.<\/p>\n<p>No fim de dezembro, pouco tempo depois de aulas serem suspensas por insalubridade, alunos ocuparam pr\u00e9dio do campus Maracan\u00e3 contra atrasos nos pagamentos dos sal\u00e1rios e bolsas.<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca, al\u00e9m dos atrasos em bolsas estudantis, funcion\u00e1rios da universidade e da empresa de limpeza, que presta servi\u00e7o \u00e0 Uerj, tamb\u00e9m estavam sem receber. O movimento levou \u00e0 suspens\u00e3o das aulas e ao anuncio da Comiss\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) de que investigaria os contratos de servi\u00e7os terceirizados da Uerj.<\/p>\n<p>Nesta ter\u00e7a-feira (23), o novo reitor da Uerj, Ruy Garcia Marques, diz que a maior parte do d\u00e9ficit da institui\u00e7\u00e3o \u00e9 com empresas terceirizadas de manuten\u00e7\u00e3o, vigil\u00e2ncia e que prestam servi\u00e7os de alimenta\u00e7\u00e3o \u00e0 universidade.<\/p>\n<p>Apesar disso, ele deu valores inferiores ao prestado pela pr\u00f3pria UERJ via LAI. &#8220;N\u00e3o \u00e9 uma d\u00edvida, s\u00e3o restos a pagar que ficaram de 2015, deve estar entre R$ 60, 70 milh\u00f5es. A ideia \u00e9 que tenhamos um calend\u00e1rio que se desenrole a partir de mar\u00e7o, para que se pague, ao mesmo tempo, o m\u00eas vigente e o m\u00eas anterior&#8221;, afirmou durante caf\u00e9 da manh\u00e3 com jornalistas.<\/p>\n<p>&#8220;A gente tem que racionalizar o quanto puder com as empresas terceirizadas. N\u00e3o se cogita redu\u00e7\u00e3o de bolsas de maneira nenhuma\u201d, disse. O reitor usou como exemplo a rescis\u00e3o do contrato, nesta semana, da empresa que faz a limpeza no Hospital Pedro Ernesto. &#8220;Os funcion\u00e1rios da empresa anterior n\u00e3o vinham comparecendo e limpeza \u00e9 essencial, sobretudo num hospital\u201d, disse Marques.<\/p>\n<p><strong>Crise persiste na USP<\/strong><\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, o maior problema financeiro \u00e9 o da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), que \u00e9 custeada com receitas do governo estadual, destinada a partir de arrecada\u00e7\u00e3o de ICMS. A institui\u00e7\u00e3o, considerada a melhor universidade brasileira em rankings internacionais, fechou as contas de 2014 com d\u00e9ficit de R$ 1 bilh\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao final de 2015, esse d\u00e9ficit foi de R$ 900 milh\u00f5es. A perspectiva para 2016 \u00e9 de que a institui\u00e7\u00e3o feche o ano com d\u00e9ficit de R$ 543 milh\u00f5es. A USP aponta que apenas a folha de pagamento da institui\u00e7\u00e3o exige, todos os meses, quase todo o or\u00e7amento. Do total do or\u00e7amento para 2016, de R$ 5,2 milh\u00f5es, ser\u00e3o destinados R$ 4,8 bilh\u00f5es para este fim, o equivalente a 97,4%.<\/p>\n<p>Em 2014, a USP lan\u00e7ou um plano de demiss\u00e3o volunt\u00e1ria para tentar reduzir este custo. Foram 1.433 ades\u00f5es e uma redu\u00e7\u00e3o de 4,4% dos gastos com folha de pagamento. Tamb\u00e9m informou que suspendeu novas contrata\u00e7\u00f5es, revisou e renegociou contratos.<\/p>\n<p>A atual crise financeira obrigou a universidade a paralisar obras. Est\u00e3o sendo feitas somente a\u00e7\u00f5es emergenciais, como as relacionadas ao Museu Paulista (que completar\u00e1 em agosto o terceiro ano fechado sem que as reformas tenham de fato come\u00e7ado) e \u00e0 USP Leste. Como alternativa, tamb\u00e9m foi aprovado no fim do ano passado, um programa que prev\u00ea que ex-alunos da USP fa\u00e7am doa\u00e7\u00f5es em dinheiro ou m\u00f3veis, ou ainda, patrocinem reformas.<\/p>\n<p><strong>Novas fontes de receitas<\/strong><\/p>\n<p>Sandro Cabral, professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) e licenciado da Universidade Federal da Bahia (UFBA), diz que o momento \u00e9 prop\u00edcio para criar oportunidades para que as institui\u00e7\u00f5es arrecadem receitas pr\u00f3prias e n\u00e3o dependam apenas do repasse do governo.<\/p>\n<p>\u201cSe o governo vive uma recess\u00e3o fiscal e por um momento conjuntural n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de suplementar, a escola tem de captar. Se a receita \u00e9 menor do que a despesa, n\u00e3o tem de haver constrangimento em buscar novas receitas\u201d, diz.<\/p>\n<p>Cabral cita como uma das alternativas, por exemplo, a cria\u00e7\u00e3o de cursos de mestrados profissionais que podem ser cobrados. \u201cPode ser uma porta para alavancar recurso. O excedente pode ser utilizado para cobrir certos gastos que a fonte do tesouro n\u00e3o cobre.\u201d<\/p>\n<p>Em nota, o MEC disse que, no ano passado, as universidades arrecadaram R$ 573.458.304 em recursos pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>&#8220;Com as recentes altera\u00e7\u00f5es na Lei de Inova\u00e7\u00e3o, assim como com a aprova\u00e7\u00e3o de Projeto de Lei autorizando a realiza\u00e7\u00e3o de cursos de especializa\u00e7\u00e3o pagos nas Universidades Federais, a tend\u00eancia para os pr\u00f3ximos anos \u00e9 de aumento desta arrecada\u00e7\u00e3o&#8221;, informa o MEC.<\/p>\n<p>Outra forma de driblar a crise e otimizar os gastos, segundo o professor do Insper, \u00e9 revisar e fiscalizar os contratos terceirizados, que geralmente abocanham os servi\u00e7os de vigil\u00e2ncia e limpeza. At\u00e9 no corpo docente h\u00e1 espa\u00e7o para reestrutura\u00e7\u00f5es, na vis\u00e3o de Cabral.<\/p>\n<p>\u201cUm professor de dedica\u00e7\u00e3o exclusiva que n\u00e3o produz pesquisa tem de dar uma maior quantidade de horas aulas. H\u00e1 espa\u00e7o para racionaliza\u00e7\u00e3o e otimiza\u00e7\u00e3o, fazendo com quem trabalhe pouco, trabalhe mais\u201d, afirma Cabral.<\/p>\n<p>Doa\u00e7\u00f5es de ex-alunos tamb\u00e9m seriam op\u00e7\u00e3o de capta\u00e7\u00e3o de receita. Cabral lembra que nos Estados Unidos \u00e9 muito comum ex-alunos doarem grandes montantes \u00e0s institui\u00e7\u00f5es onde se formaram. Em contrapartida ganham salas que levam seus nomes ou de empresas que representam.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 visto com reserva por universidades p\u00fablicas, por acharem que abre uma porta para a privatiza\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 necess\u00e1rio reduzir o n\u00edvel de depend\u00eancia do governo federal.\u201d<\/p>\n<p>O temor existente no meio \u00e9 confirmado no posicionamento do estudante de hist\u00f3ria da UFRJ. &#8220;(Recurso pr\u00f3prio) n\u00e3o \u00e9 bom a custo de qualquer coisa. Somos contra cursos pagos na universidade. N\u00e3o admitimos, porque da\u00ed para se criar um esp\u00edrito de privatiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o custa&#8221;, finaliza Raphael Almeida.<\/p>\n<p>(*) Colaboraram G1 DF, G1 GO, G1 MS, G1 MT, G1 AL, G1 BA, G1 CE, G1 MA, G1 PB, G1 PE, G1 PI, G1 RN, G1 SE, G1 AP, G1 AC, G1 AM, G1 PA, G1 RR, G1 RO, G1 TO, G1 ES, G1 MG, G1 RJ, G1 PR, G1 RS e G1 SC.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na UFPB, o preju\u00edzo chega a R$ 8,7 milh\u00f5es Do G1, em S\u00e3o Paulo (*) Nove das 15 maiores universidades federais acumularam d\u00e9ficit de quase R$ 400 milh\u00f5es em 2015, segundo levantamento do G1 (veja tabela e dados abaixo). 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