{"id":11006,"date":"2015-05-22T09:04:53","date_gmt":"2015-05-22T13:04:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/?p=11006"},"modified":"2015-05-22T09:04:53","modified_gmt":"2015-05-22T13:04:53","slug":"professores-adoecem-mais-por-conta-da-precarizacao-de-condicoes-de-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/professores-adoecem-mais-por-conta-da-precarizacao-de-condicoes-de-trabalho\/","title":{"rendered":"Professores adoecem mais por conta da precariza\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es de trabalho"},"content":{"rendered":"<p>O adoecimento vem afetando cada vez mais os professores em seus locais de trabalho. Das doen\u00e7as laborais cl\u00e1ssicas \u2013 provocadas por atividades insalubres \u2013 aos transtornos mentais e comportamentais, os docentes t\u00eam sofrido, mental e fisicamente, pela precariza\u00e7\u00e3o de suas condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>A Se\u00e7\u00e3o Sindical dos Docentes da Universidade Federal de Santa Maria (Sedufsm \u2013 Se\u00e7\u00e3o Sindical do ANDES-SN) levantou dados e entrevistou especialistas sobre o tema para reportagem especial publicada em seu jornal de maio. De 2012 para 2013, os casos de adoecimento docente por contra do pr\u00f3prio trabalho passaram de 26 para 58, conforme dados cedidos pelo Setor de Qualidade de Vida da UFSM.<\/p>\n<p>E, dentre esses transtornos, a depress\u00e3o \u00e9 o carro-chefe, ilustrando um cen\u00e1rio, para os professores, que n\u00e3o se afasta daquele mais amplo observado no conjunto da classe trabalhadora. Estimativas da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) apontam que, na pr\u00f3xima d\u00e9cada, a doen\u00e7a ser\u00e1 a mais comum do mundo. J\u00e1 dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) mostram que a depress\u00e3o foi respons\u00e1vel por 61.044 dos pedidos de afastamento do trabalho no ano de 2013 em nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Por que a universidade causa adoecimento?<\/strong><\/p>\n<p>Foi o que se perguntou a professora da Sociedade Brasileira para o Ensino e Pesquisa (Sobresp) e da Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia (EaD) na UFSM, Alessandra Pimenta, no decorrer de sua pesquisa na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. \u201cEu notava a diferen\u00e7a de comportamento de alguns professores em sala. Geralmente o aluno de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o \u00e9 problematizador, levanta quest\u00f5es e busca avan\u00e7ar no conhecimento. E em determinadas aulas ningu\u00e9m abria a boca. Via-se que mudava a postura dos colegas. E a\u00ed tu olhas para o professor e v\u00eas que ele est\u00e1 a ponto de explodir\u201d, diz a autora da tese de doutorado \u2018(Des)caminhos da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o brasileira: o produtivismo acad\u00eamico e seus efeitos nos professores pesquisadores\u2019.<\/p>\n<p>E a resposta central para sua indaga\u00e7\u00e3o n\u00e3o ficou longe daquilo que o movimento sindical docente vem apontando: o produtivismo acad\u00eamico, esp\u00e9cie de valor que hoje encharca o modelo de universidade, de educa\u00e7\u00e3o e as pr\u00f3prias rela\u00e7\u00f5es de trabalho, construiu uma l\u00f3gica perversa da qual o professor dificilmente consegue se desvencilhar. Se por um lado tal l\u00f3gica pressiona os docentes a produzirem num ritmo quase t\u00e3o acelerado quanto o observado numa linha de produ\u00e7\u00e3o, por outro oprime com a desvaloriza\u00e7\u00e3o aqueles que desenvolvem projetos de extens\u00e3o considerados pouco rent\u00e1veis na perspectiva dos \u00f3rg\u00e3os fomentadores.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica produtivista traz consigo outra intencionalidade, destacada pelo professor do departamento de Medicina do Trabalho da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA), Jadir Campos: a responsabiliza\u00e7\u00e3o da categoria docente pela capta\u00e7\u00e3o de recursos or\u00e7ament\u00e1rios, uma vez que a universidade p\u00fablica vem sofrendo cada vez mais com os cortes de verbas. \u201cA suposta \u2018genialidade\u2019 do docente, eleita por crit\u00e9rios definidos pelos interesses do mercado, \u00e9 produto da pr\u00f3pria escassez dos recursos (disponibilizados para as institui\u00e7\u00f5es de ensino), que se tornam alvo de disputa\u201d, explica Campos. Na UFPA, os transtornos mentais s\u00e3o a principal causa de adoecimento na categoria docente.<\/p>\n<p>Envoltos como est\u00e3o, a maioria n\u00e3o se d\u00e1 conta do seu processo de adoecimento, de forma que a \u00fanica situa\u00e7\u00e3o capaz de afast\u00e1-los da rotina fren\u00e9tica de produ\u00e7\u00e3o \u00e9, muitas vezes, uma doen\u00e7a aparentemente org\u00e2nica que os incapacite para as atividades. \u201cA pessoa est\u00e1 t\u00e3o envolvida naquilo \u2013 fazer projetos, conseguir recursos, orientar \u2013 que uma dor de barriga faz ela parar depois. E muitas vezes tu vai avaliar e n\u00e3o tem nenhuma doen\u00e7a org\u00e2nica que justifique aquele sintoma de dor, pois est\u00e1 relacionado \u00e0 quest\u00e3o mental\u201d, diz Liliani Brum, m\u00e9dica coordenadora do Setor de Per\u00edcia da UFSM. Ins\u00f4nia, depend\u00eancia qu\u00edmica e transtornos de adapta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se incluem entre os principais problemas de ordem ps\u00edquica que v\u00eam afetando os professores da institui\u00e7\u00e3o. \u201cNo meio do caminho alguns n\u00e3o conseguem e acabam adoecendo\u201d, problematiza Liliani, ilustrando a rela\u00e7\u00e3o nada harm\u00f4nica entre o produtivismo e a sa\u00fade dos professores.<\/p>\n<p>Transtorno campe\u00e3o em afastar docentes da atividade laboral na UFSM, a depress\u00e3o caracteriza-se, conforme explica a m\u00e9dica, pela perda de vitalidade no dia-a-dia. Cansa\u00e7o, falta de prazer nas atividades do cotidiano \u2013 nas quais figura o trabalho, dist\u00farbios alimentares \u2013 aumento ou perda de peso, dist\u00farbios no sono \u2013 ins\u00f4nia ou muita sonol\u00eancia, isolamento e excesso de adinamia (cansa\u00e7o) s\u00e3o alguns dos principais sintomas. Uma vez que se relaciona diretamente com o cotidiano, o professor afetado tende a transformar seu comportamento em sala de aula, podendo se mostrar irrit\u00e1vel ou ap\u00e1tico.<\/p>\n<p><strong>A s\u00edndrome por tr\u00e1s dos atestados m\u00e9dicos das universidades<\/strong><\/p>\n<p>Exaust\u00e3o emocional, distanciamento afetivo e baixa realiza\u00e7\u00e3o profissional. Em quantos atestados de afastamentos figuram esses sintomas? Podemos arriscar: em nenhum. Por\u00e9m, s\u00e3o esses os indicadores respons\u00e1veis por atestar se um trabalhador est\u00e1 ou n\u00e3o acometido pela S\u00edndrome de Burnout. Transtorno relativamente recente \u2013 tendo sido descrito, pela primeira vez, em 1974 por Freudenberger, um m\u00e9dico alem\u00e3o -, atinge com mais intensidade aquelas categorias que possuem contato direto com o p\u00fablico. A\u00ed se incluem, por exemplo, banc\u00e1rios, profissionais da sa\u00fade e docentes dos mais variados n\u00edveis de ensino. De natureza multifatorial e psicossom\u00e1tica, a doen\u00e7a manifesta-se de diversas formas, podendo alterar o comportamento do professor em sala de aula e at\u00e9 incentivar o surgimento de problemas g\u00e1stricos ou card\u00edacos.<\/p>\n<p><strong>ANDES-SN de olho na sa\u00fade da categoria<\/strong><\/p>\n<p>Walcyr de Oliveira Barros \u00e9 um dos coordenadores do Grupo de Trabalho de Seguridade Social e Assuntos de Aposentadoria (GTSSA) do ANDES-SN e conta que j\u00e1 h\u00e1, na entidade, a proposta de que sejam realizados levantamentos, em cada universidade, sobre a quest\u00e3o da sa\u00fade docente. \u201cO GT pensou na pesquisa como instrumento n\u00e3o apenas de conseguir dados, mas como um instrumento atrav\u00e9s do qual pud\u00e9ssemos dialogar com a nossa base e sensibiliz\u00e1-la. Se tem algo que, de certa forma, preocupa a cada sujeito \u00e9 justamente seu processo de finitude e as quest\u00f5es de sa\u00fade\u201d, explica Barros, que, mesmo sem o resultado de todas as universidades, j\u00e1 aponta a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho docente como uma das causas basilares para o adoecimento cada vez mais presente na categoria.<\/p>\n<p><em>Edi\u00e7\u00e3o de ANDES-SN<\/em><\/p>\n<p><em>Fonte: Sedufsm SSind<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O adoecimento vem afetando cada vez mais os professores em seus locais de trabalho. Das doen\u00e7as laborais cl\u00e1ssicas \u2013 provocadas por atividades insalubres \u2013 aos transtornos mentais e comportamentais, os docentes t\u00eam sofrido, mental e fisicamente, pela precariza\u00e7\u00e3o de suas condi\u00e7\u00f5es de trabalho. 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