{"id":1065,"date":"2010-05-12T10:34:49","date_gmt":"2010-05-12T14:34:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/o-fetiche-de-quantidade\/"},"modified":"2010-05-12T10:34:49","modified_gmt":"2010-05-12T14:34:49","slug":"o-fetiche-de-quantidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/o-fetiche-de-quantidade\/","title":{"rendered":"O fetiche de quantidade"},"content":{"rendered":"<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">O fetiche de quantidade<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Metas de produtividade e burocracia acad\u00eamica diminuem o potencial de pesquisas cient\u00edficas<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">A cria\u00e7\u00e3o de conhecimento n\u00e3o pode ser medida somente pelo n\u00famero de trabalhos escritos pelos pesquisadores, como \u00e9 a tend\u00eancia atual no Brasil<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">RENATO MEZAN<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">COLUNISTA DA FOLHA<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">A cada tanto tempo, volta-se a discutir como deve ser avaliado o trabalho dos professores. O grande n\u00famero de pessoas envolvidas nos diversos n\u00edveis de ensino, assim como o de artigos e livros que materializam resultados de pesquisa, tem determinado uma prefer\u00eancia por medidas quantitativas.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Se estas podem trazer informa\u00e7\u00f5es \u00fateis como dado parcial para comparar resultados de escolas em vestibulares ou o desempenho m\u00e9dio de alunos em determinada mat\u00e9ria, sua aplica\u00e7\u00e3o como \u00fanico crit\u00e9rio de &#8220;produtividade&#8221; na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o vem gerando -a meu ver, pelo menos- distor\u00e7\u00f5es bastante s\u00e9rias.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">N\u00e3o \u00e9 meu intuito recusar, em princ\u00edpio, a avalia\u00e7\u00e3o externa, que considero \u00fatil e necess\u00e1ria. Gostaria apenas de lembrar que a cria\u00e7\u00e3o de conhecimento n\u00e3o pode ser medida somente pelo n\u00famero de trabalhos escritos pelos pesquisadores, como \u00e9 a tend\u00eancia atual no Brasil. Tampouco me parece correta a fetichiza\u00e7\u00e3o da forma &#8220;artigo em revista&#8221; em detrim ento de textos de maior f\u00f4lego, para cuja elabora\u00e7\u00e3o, \u00e0s vezes, s\u00e3o necess\u00e1rios anos de trabalho paciente.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">A mesma concep\u00e7\u00e3o tem conduzido ao encurtamento dos prazos para a defesa de disserta\u00e7\u00f5es e teses na \u00e1rea de humanas, com o que se torna dif\u00edcil que exibam a qualidade de muitas das realizadas com mais vagar, que (tamb\u00e9m) por isso se tornaram refer\u00eancia nos campos respectivos.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">O equ\u00edvoco desse conjunto de posturas tornou-se, mais uma vez, sens\u00edvel para mim ao ler dois livros que narram grandes aventuras do intelecto: &#8220;O \u00daltimo Teorema de Fermat&#8221;, de Simon Singh (ed. Record), e &#8220;O Homem Que Amava a China&#8221;, de Simon Winchester (Companhia das Letras).<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">O leitor talvez objete que n\u00e3o se podem comparar as realiza\u00e7\u00f5es de que tratam com o trabalho de pesquisadores iniciantes; lembro, por\u00e9m, que os autores delas tamb\u00e9m come\u00e7aram modestamente e que, se lhes tivessem sido impostas as condi\u00e7\u00f5es que critico, provavelmente n\u00e3o teriam podido des envolver as capacidades que lhes permitiram chegar at\u00e9 onde chegaram.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Everest da matem\u00e1tica<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">O teorema de Fermat desafiou os matem\u00e1ticos por mais de tr\u00eas s\u00e9culos, at\u00e9 ser demonstrado em 1994 pelo brit\u00e2nico Andrew Wiles. O livro de Singh narra a hist\u00f3ria do problema, cujo fasc\u00ednio consiste em ser compreens\u00edvel para qualquer ginasiano e, ao mesmo tempo, ter uma solu\u00e7\u00e3o extremamente complexa. Em resumo, trata-se de uma variante do teorema de Pit\u00e1goras: &#8220;Em todo tri\u00e2ngulo ret\u00e2ngulo, a soma do quadrado dos catetos \u00e9 igual ao quadrado da hipotenusa&#8221;, ou, em linguagem matem\u00e1tica, a2\u00b2=b2\u00b2+c2\u00b2.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Lendo sobre esta express\u00e3o na &#8220;Aritm\u00e9tica&#8221; de Diofante (s\u00e9culo 3\u00ba), o franc\u00eas Pierre de Fermat (1601-65) -cuja especialidade era a teoria dos n\u00fameros e que, junto com Pascal, determinou as leis da probabilidade- teve a curiosidade de saber se a rela\u00e7\u00e3o valia para outras pot\u00eancias: x3\u00b3= y3\u00b3 + z3, x4 = y4 + z4 e assim por diante . N\u00e3o conseguindo encontrar nenhum trio de n\u00fameros que satisfizesse as condi\u00e7\u00f5es da equa\u00e7\u00e3o, formulou o teorema que acabou levando seu nome -&#8220;N\u00e3o existem solu\u00e7\u00f5es inteiras para ela, se o valor de n for maior que 2&#8221;- e anotou na p\u00e1gina do livro: &#8220;Encontrei uma demonstra\u00e7\u00e3o maravilhosa para esta proposi\u00e7\u00e3o, mas esta margem \u00e9 estreita demais para que eu a possa escrever aqui&#8221;.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Ap\u00f3s a morte de Fermat, seu filho publicou uma edi\u00e7\u00e3o da obra grega com as observa\u00e7\u00f5es do pai. Como o problema parecia simples, os matem\u00e1ticos lan\u00e7aram-se \u00e0 tarefa de o resolver -e descobriram que era muit\u00edssimo complicado.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Singh conta como in\u00fameros deles fracassaram ao longo dos 300 anos seguintes; os avan\u00e7os foram lent\u00edssimos, um conseguindo provar que o teorema era v\u00e1lido para a pot\u00eancia 3, outro (cem anos depois) para 5 etc. O enigma resistia a todas as tentativas de demonstra\u00e7\u00e3o e acabou sendo conhecido como &#8220;o monte Everest da matem\u00e1tica&#8221;. \u00c9 quase certo que Fermat se equivocou ao pensar que dispunha da prova, que exige conceitos e t\u00e9cnicas muito mais complexos que os dispon\u00edveis na sua \u00e9poca.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Quem a descobriu foi Andrew Wiles, e a hist\u00f3ria de como o fez \u00e9 um forte argumento a favor da posi\u00e7\u00e3o que defendo. O professor de Princeton [universidade americana] precisou de sete anos de c\u00e1lculos e teve de criar pontes entre ramos inteiramente diferentes da disciplina, numa epopeia intelectual que Singh descreve com grande habilidade e clareza. N\u00e3o \u00e9 o caso de descrever aqui os passos que o levaram \u00e0 vit\u00f3ria; quero ressaltar somente que, n\u00e3o tendo de apresentar projetos nem relat\u00f3rios, publicando pouqu\u00edssimo durante sete anos e se retirando do &#8220;circuito intermin\u00e1vel de reuni\u00f5es cient\u00edficas&#8221;, Wiles p\u00f4de concentrar-se com exclusividade no que estava fazendo.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Por exemplo, passou um ano inteiro revisando tudo o que j\u00e1 se tentara desde o s\u00e9culo 18 e outro tanto para dominar certas ferramentas matem\u00e1ticas com as quais tinha pouca familiaridade, mas indispens\u00e1veis para a estrat\u00e9gia que decidiu seguir. Questionado por Singh sobre seu m\u00e9todo de trabalho, Wiles respondeu: &#8220;\u00c9 necess\u00e1rio ter concentra\u00e7\u00e3o total. Depois, voc\u00ea para. Ent\u00e3o parece ocorrer uma esp\u00e9cie de relaxamento, durante o qual, aparentemente, o inconsciente assume o controle. \u00c9 a\u00ed que surgem as ideias novas&#8221;.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Este processo \u00e9 bem conhecido e costumo recomend\u00e1-lo a meus orientandos: absorver o m\u00e1ximo de informa\u00e7\u00f5es e deix\u00e1-las &#8220;flutuar&#8221; at\u00e9 que apare\u00e7a algum padr\u00e3o, ou uma liga\u00e7\u00e3o entre coisas que aparentemente nada t\u00eam a ver uma com a outra. Uma variante da livre associa\u00e7\u00e3o, em suma.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Ora, se est\u00e1 correndo contra o rel\u00f3gio, como o estudante pode se permitir isso? A chance de ter o &#8220;estalo de Vieira&#8221; \u00e9 reduzida; o mais prov\u00e1vel \u00e9 que se conforme com as ideias j\u00e1 estabelecidas, o que obviamente diminui o potencial de inova\u00e7\u00e3o do seu trabalho.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Tarefa herc\u00falea<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Outro exemplo de que o tempo de gesta\u00e7\u00e3o de uma obra precisa ser respeitado \u00e9 o de Joseph Needham (1900-95), cuja vida extraordin\u00e1ria ficamos conhecendo em &#8220;O Homem Que Amava a China&#8221;.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Bioqu\u00edmico de forma\u00e7\u00e3o, apaixonou-se por uma estudante chinesa que fora a Cambridge [no Reino Unido] para se aperfei\u00e7oar; ela lhe ensinou a l\u00edngua e, \u00e0 medida que se aprofundava no estudo da cultura chinesa, Needham foi se tomando de admira\u00e7\u00e3o pelas suas realiza\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e tecnol\u00f3gicas.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Em 1943, o Minist\u00e9rio do Exterior brit\u00e2nico o enviou como diplomata \u00e0 China, ent\u00e3o parcialmente ocupada pelos japoneses. Sua miss\u00e3o era ajudar os acad\u00eamicos a manter o \u00e2nimo e a prosseguir em suas pesquisas.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Para saber do que precisavam, viajou muito pelo pa\u00eds e entrou em contato com in\u00fameros cientistas; em seguida, mandava-lhes publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, reagentes, instrumentos e o que mais pudesse obter.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Nessxe p\u00e9riplo, Needham se deu conta de que -longe de terem se mantido \u00e0 margem do desenvolvimento da civiliza\u00e7\u00e3o, como ent\u00e3o se acreditava no Ocidente- os chineses tinham descoberto e inventado muito antes dos europeus uma enorme quantidade de coisas, tanto em \u00e1reas te\u00f3ricas quanto no que se refere \u00e0 vida pr\u00e1tica (uma lista parcial cobre 12 p\u00e1ginas do livro de Winchester).<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Formulou ent\u00e3o o que se tornou conhecido como &#8220;a pergunta de Needham&#8221;: se aquele povo tinha demonstrado tamanha criatividade, por que n\u00e3o foi entre eles, e sim na Europa, que a ci\u00eancia moderna se desenvolveu?<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">A resposta envolvia provar que existiam condi\u00e7\u00f5es para que isso pudesse ter acontecido, e depois elaborar hip\u00f3teses sobre por que n\u00e3o ocorreu. Da\u00ed a ideia de escrever um livro que mostrasse toda a inventividade dos chineses, tendo como base os textos recolhidos em suas viagens e as pr\u00e1ticas que pudera observar.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Embora o projeto fosse ambicioso, a Cambridge University Press o aceitou, considerando que, uma v ez realizado, abrilhantaria ainda mais a reputa\u00e7\u00e3o da universidade.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">&#8220;Science and Civilization in China&#8221; [Ci\u00eancia e Civiliza\u00e7\u00e3o na China] teria sete volumes, e Needham acreditava que poderia escrev\u00ea-lo &#8220;num prazo relativamente curto para uma obra acad\u00eamica: dez anos&#8221;.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Na verdade, tomou quatro vezes mais tempo, e, quando o autor morreu, em 1995, j\u00e1 contava 15 mil p\u00e1ginas. Empreendimento herc\u00faleo, como se v\u00ea, que transformou radicalmente a percep\u00e7\u00e3o ocidental quanto ao papel da China na hist\u00f3ria da civiliza\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">O volume de trabalho envolvido era imenso: de sa\u00edda, ler e classificar milhares de documentos sobre os mais variados assuntos; em seguida, organizar tudo de modo claro e persuasivo, e por fim apresentar algumas respostas \u00e0 &#8220;pergunta de Needham&#8221;. V\u00e1rias pessoas o auxiliaram no percurso (em particular, sua amante chinesa), mas a concep\u00e7\u00e3o de base, e boa parte do texto final, se devem exclusivamente a ele.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Monumento<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Needham n\u00e3o publicou uma linha de bioqu\u00edmica durante os \u00faltimos 30 anos de sua carreira.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Tampouco tinha forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica em hist\u00f3ria das ideias -mas isso n\u00e3o o impediu de, com talento e disciplina, redigir uma das obras mais importantes do s\u00e9culo 20.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Se tivesse sido atrapalhado por exig\u00eancias burocr\u00e1ticas, se tivesse de orientar p\u00f3s-graduandos, se a editora o pressionasse com prazos ou n\u00e3o o deixasse trabalhar em seu ritmo (o primeiro volume levou seis anos para ficar pronto), teria talvez escrito mais um livro interessante, mas n\u00e3o o monumento que nos legou.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">O que estes exemplos nos ensinam \u00e9 que um trabalho intelectual de grande alcance s\u00f3 pode ser feito em condi\u00e7\u00f5es adequadas -e uma delas \u00e9 a confian\u00e7a dos que decidem (e manejam os cord\u00f5es da bolsa) em quem se prop\u00f5e a realiz\u00e1-lo.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Tal confian\u00e7a envolve n\u00e3o suspeitar que tempo longo signifique pregui\u00e7a, admitir que pensar tamb\u00e9m \u00e9 trabalho, que a verifica\u00e7\u00e3o d e uma ideia-chave ou de uma refer\u00eancia central pode levar meses -e que nada disso tem import\u00e2ncia frente ao resultado final.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Em tempo: um dos motivos encontrados por Needham para o estancamento da criatividade chinesa a partir de 1500 foi justamente a avers\u00e3o de uma estrutura burocr\u00e1tica acomodada na certeza de sua pr\u00f3pria sapi\u00eancia a tudo que discrepasse dos padr\u00f5es impostos.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">Enquanto isso, na Europa (e depois na Am\u00e9rica do Norte) a inova\u00e7\u00e3o era valorizada, e o talento individual, recompensado. Nas palavras de um sin\u00f3logo citado no fim do livro, o resultado da atitude dos mandarins foi que &#8220;o incentivo se atrofiou, e a mediocridade tornou-se a norma&#8221;. Seria uma pena que, em nome da produtividade medida em termos somente quantitativos, ca\u00edssemos no mesmo erro.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;\">RENATO MEZAN \u00e9 psicanalista e professor titular na Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de SP.<\/div>\n<p><strong>Metas de produtividade e burocracia acad\u00eamica diminuem o potencial de pesquisas cient\u00edficas <\/strong><\/p>\n<p><strong>A cria\u00e7\u00e3o de conhecimento n\u00e3o pode ser medida somente pelo n\u00famero de trabalhos escritos pelos pesquisadores, como \u00e9 a tend\u00eancia atual no Brasil <\/strong><\/p>\n<p><em>RENATO MEZAN *<\/em><\/p>\n<p><em>COLUNISTA DA FOLHA<\/em><\/p>\n<p>A cada tanto tempo, volta-se a discutir como deve ser avaliado o trabalho dos professores. O grande n\u00famero de pessoas envolvidas nos diversos n\u00edveis de ensino, assim como o de artigos e livros que materializam resultados de pesquisa, tem determinado uma prefer\u00eancia por medidas quantitativas.<\/p>\n<p>Se estas podem trazer informa\u00e7\u00f5es \u00fateis como dado parcial para comparar resultados de escolas em vestibulares ou o desempenho m\u00e9dio de alunos em determinada mat\u00e9ria, sua aplica\u00e7\u00e3o como \u00fanico crit\u00e9rio de &#8220;produtividade&#8221; na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o vem gerando -a meu ver, pelo menos- distor\u00e7\u00f5es bastante s\u00e9rias.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 meu intuito recusar, em princ\u00edpio, a avalia\u00e7\u00e3o externa, que considero \u00fatil e necess\u00e1ria. Gostaria apenas de lembrar que a cria\u00e7\u00e3o de conhecimento n\u00e3o pode ser medida somente pelo n\u00famero de trabalhos escritos pelos pesquisadores, como \u00e9 a tend\u00eancia atual no Brasil. Tampouco me parece correta a fetichiza\u00e7\u00e3o da forma &#8220;artigo em revista&#8221; em detrim ento de textos de maior f\u00f4lego, para cuja elabora\u00e7\u00e3o, \u00e0s vezes, s\u00e3o necess\u00e1rios anos de trabalho paciente.<\/p>\n<p>A mesma concep\u00e7\u00e3o tem conduzido ao encurtamento dos prazos para a defesa de disserta\u00e7\u00f5es e teses na \u00e1rea de humanas, com o que se torna dif\u00edcil que exibam a qualidade de muitas das realizadas com mais vagar, que (tamb\u00e9m) por isso se tornaram refer\u00eancia nos campos respectivos.<\/p>\n<p>O equ\u00edvoco desse conjunto de posturas tornou-se, mais uma vez, sens\u00edvel para mim ao ler dois livros que narram grandes aventuras do intelecto: &#8220;O \u00daltimo Teorema de Fermat&#8221;, de Simon Singh (ed. Record), e &#8220;O Homem Que Amava a China&#8221;, de Simon Winchester (Companhia das Letras).<\/p>\n<p>O leitor talvez objete que n\u00e3o se podem comparar as realiza\u00e7\u00f5es de que tratam com o trabalho de pesquisadores iniciantes; lembro, por\u00e9m, que os autores delas tamb\u00e9m come\u00e7aram modestamente e que, se lhes tivessem sido impostas as condi\u00e7\u00f5es que critico, provavelmente n\u00e3o teriam podido des envolver as capacidades que lhes permitiram chegar at\u00e9 onde chegaram.<\/p>\n<p><strong>Everest da matem\u00e1tica<\/strong><\/p>\n<p>O teorema de Fermat desafiou os matem\u00e1ticos por mais de tr\u00eas s\u00e9culos, at\u00e9 ser demonstrado em 1994 pelo brit\u00e2nico Andrew Wiles. O livro de Singh narra a hist\u00f3ria do problema, cujo fasc\u00ednio consiste em ser compreens\u00edvel para qualquer ginasiano e, ao mesmo tempo, ter uma solu\u00e7\u00e3o extremamente complexa. Em resumo, trata-se de uma variante do teorema de Pit\u00e1goras: &#8220;Em todo tri\u00e2ngulo ret\u00e2ngulo, a soma do quadrado dos catetos \u00e9 igual ao quadrado da hipotenusa&#8221;, ou, em linguagem matem\u00e1tica, a2\u00b2=b2\u00b2+c2\u00b2.<\/p>\n<p>Lendo sobre esta express\u00e3o na &#8220;Aritm\u00e9tica&#8221; de Diofante (s\u00e9culo 3\u00ba), o franc\u00eas Pierre de Fermat (1601-65) -cuja especialidade era a teoria dos n\u00fameros e que, junto com Pascal, determinou as leis da probabilidade- teve a curiosidade de saber se a rela\u00e7\u00e3o valia para outras pot\u00eancias: x3\u00b3= y3\u00b3 + z3, x4 = y4 + z4 e assim por diante . N\u00e3o conseguindo encontrar nenhum trio de n\u00fameros que satisfizesse as condi\u00e7\u00f5es da equa\u00e7\u00e3o, formulou o teorema que acabou levando seu nome -&#8220;N\u00e3o existem solu\u00e7\u00f5es inteiras para ela, se o valor de n for maior que 2&#8221;- e anotou na p\u00e1gina do livro: &#8220;Encontrei uma demonstra\u00e7\u00e3o maravilhosa para esta proposi\u00e7\u00e3o, mas esta margem \u00e9 estreita demais para que eu a possa escrever aqui&#8221;.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a morte de Fermat, seu filho publicou uma edi\u00e7\u00e3o da obra grega com as observa\u00e7\u00f5es do pai. Como o problema parecia simples, os matem\u00e1ticos lan\u00e7aram-se \u00e0 tarefa de o resolver -e descobriram que era muit\u00edssimo complicado.<\/p>\n<p>Singh conta como in\u00fameros deles fracassaram ao longo dos 300 anos seguintes; os avan\u00e7os foram lent\u00edssimos, um conseguindo provar que o teorema era v\u00e1lido para a pot\u00eancia 3, outro (cem anos depois) para 5 etc. O enigma resistia a todas as tentativas de demonstra\u00e7\u00e3o e acabou sendo conhecido como &#8220;o monte Everest da matem\u00e1tica&#8221;. \u00c9 quase certo que Fermat se equivocou ao pensar que dispunha da prova, que exige conceitos e t\u00e9cnicas muito mais complexos que os dispon\u00edveis na sua \u00e9poca.<\/p>\n<p>Quem a descobriu foi Andrew Wiles, e a hist\u00f3ria de como o fez \u00e9 um forte argumento a favor da posi\u00e7\u00e3o que defendo. O professor de Princeton [universidade americana] precisou de sete anos de c\u00e1lculos e teve de criar pontes entre ramos inteiramente diferentes da disciplina, numa epopeia intelectual que Singh descreve com grande habilidade e clareza. N\u00e3o \u00e9 o caso de descrever aqui os passos que o levaram \u00e0 vit\u00f3ria; quero ressaltar somente que, n\u00e3o tendo de apresentar projetos nem relat\u00f3rios, publicando pouqu\u00edssimo durante sete anos e se retirando do &#8220;circuito intermin\u00e1vel de reuni\u00f5es cient\u00edficas&#8221;, Wiles p\u00f4de concentrar-se com exclusividade no que estava fazendo.<\/p>\n<p>Por exemplo, passou um ano inteiro revisando tudo o que j\u00e1 se tentara desde o s\u00e9culo 18 e outro tanto para dominar certas ferramentas matem\u00e1ticas com as quais tinha pouca familiaridade, mas indispens\u00e1veis para a estrat\u00e9gia que decidiu seguir. Questionado por Singh sobre seu m\u00e9todo de trabalho, Wiles respondeu: &#8220;\u00c9 necess\u00e1rio ter concentra\u00e7\u00e3o total. Depois, voc\u00ea para. Ent\u00e3o parece ocorrer uma esp\u00e9cie de relaxamento, durante o qual, aparentemente, o inconsciente assume o controle. \u00c9 a\u00ed que surgem as ideias novas&#8221;.<\/p>\n<p>Este processo \u00e9 bem conhecido e costumo recomend\u00e1-lo a meus orientandos: absorver o m\u00e1ximo de informa\u00e7\u00f5es e deix\u00e1-las &#8220;flutuar&#8221; at\u00e9 que apare\u00e7a algum padr\u00e3o, ou uma liga\u00e7\u00e3o entre coisas que aparentemente nada t\u00eam a ver uma com a outra. Uma variante da livre associa\u00e7\u00e3o, em suma.<\/p>\n<p>Ora, se est\u00e1 correndo contra o rel\u00f3gio, como o estudante pode se permitir isso? A chance de ter o &#8220;estalo de Vieira&#8221; \u00e9 reduzida; o mais prov\u00e1vel \u00e9 que se conforme com as ideias j\u00e1 estabelecidas, o que obviamente diminui o potencial de inova\u00e7\u00e3o do seu trabalho.<\/p>\n<p><strong>Tarefa herc\u00falea<\/strong><\/p>\n<p>Outro exemplo de que o tempo de gesta\u00e7\u00e3o de uma obra precisa ser respeitado \u00e9 o de Joseph Needham (1900-95), cuja vida extraordin\u00e1ria ficamos conhecendo em &#8220;O Homem Que Amava a China&#8221;.<\/p>\n<p>Bioqu\u00edmico de forma\u00e7\u00e3o, apaixonou-se por uma estudante chinesa que fora a Cambridge [no Reino Unido] para se aperfei\u00e7oar; ela lhe ensinou a l\u00edngua e, \u00e0 medida que se aprofundava no estudo da cultura chinesa, Needham foi se tomando de admira\u00e7\u00e3o pelas suas realiza\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e tecnol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Em 1943, o Minist\u00e9rio do Exterior brit\u00e2nico o enviou como diplomata \u00e0 China, ent\u00e3o parcialmente ocupada pelos japoneses. Sua miss\u00e3o era ajudar os acad\u00eamicos a manter o \u00e2nimo e a prosseguir em suas pesquisas.<\/p>\n<p>Para saber do que precisavam, viajou muito pelo pa\u00eds e entrou em contato com in\u00fameros cientistas; em seguida, mandava-lhes publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, reagentes, instrumentos e o que mais pudesse obter.<\/p>\n<p>Nessxe p\u00e9riplo, Needham se deu conta de que -longe de terem se mantido \u00e0 margem do desenvolvimento da civiliza\u00e7\u00e3o, como ent\u00e3o se acreditava no Ocidente- os chineses tinham descoberto e inventado muito antes dos europeus uma enorme quantidade de coisas, tanto em \u00e1reas te\u00f3ricas quanto no que se refere \u00e0 vida pr\u00e1tica (uma lista parcial cobre 12 p\u00e1ginas do livro de Winchester).<\/p>\n<p>Formulou ent\u00e3o o que se tornou conhecido como &#8220;a pergunta de Needham&#8221;: se aquele povo tinha demonstrado tamanha criatividade, por que n\u00e3o foi entre eles, e sim na Europa, que a ci\u00eancia moderna se desenvolveu?<\/p>\n<p>A resposta envolvia provar que existiam condi\u00e7\u00f5es para que isso pudesse ter acontecido, e depois elaborar hip\u00f3teses sobre por que n\u00e3o ocorreu. Da\u00ed a ideia de escrever um livro que mostrasse toda a inventividade dos chineses, tendo como base os textos recolhidos em suas viagens e as pr\u00e1ticas que pudera observar.<\/p>\n<p>Embora o projeto fosse ambicioso, a Cambridge University Press o aceitou, considerando que, uma v ez realizado, abrilhantaria ainda mais a reputa\u00e7\u00e3o da universidade.<\/p>\n<p>&#8220;Science and Civilization in China&#8221; [Ci\u00eancia e Civiliza\u00e7\u00e3o na China] teria sete volumes, e Needham acreditava que poderia escrev\u00ea-lo &#8220;num prazo relativamente curto para uma obra acad\u00eamica: dez anos&#8221;.<\/p>\n<p>Na verdade, tomou quatro vezes mais tempo, e, quando o autor morreu, em 1995, j\u00e1 contava 15 mil p\u00e1ginas. Empreendimento herc\u00faleo, como se v\u00ea, que transformou radicalmente a percep\u00e7\u00e3o ocidental quanto ao papel da China na hist\u00f3ria da civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O volume de trabalho envolvido era imenso: de sa\u00edda, ler e classificar milhares de documentos sobre os mais variados assuntos; em seguida, organizar tudo de modo claro e persuasivo, e por fim apresentar algumas respostas \u00e0 &#8220;pergunta de Needham&#8221;. V\u00e1rias pessoas o auxiliaram no percurso (em particular, sua amante chinesa), mas a concep\u00e7\u00e3o de base, e boa parte do texto final, se devem exclusivamente a ele.<\/p>\n<p><strong>Monumento<\/strong><\/p>\n<p>Needham n\u00e3o publicou uma linha de bioqu\u00edmica durante os \u00faltimos 30 anos de sua carreira.<\/p>\n<p>Tampouco tinha forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica em hist\u00f3ria das ideias -mas isso n\u00e3o o impediu de, com talento e disciplina, redigir uma das obras mais importantes do s\u00e9culo 20.<\/p>\n<p>Se tivesse sido atrapalhado por exig\u00eancias burocr\u00e1ticas, se tivesse de orientar p\u00f3s-graduandos, se a editora o pressionasse com prazos ou n\u00e3o o deixasse trabalhar em seu ritmo (o primeiro volume levou seis anos para ficar pronto), teria talvez escrito mais um livro interessante, mas n\u00e3o o monumento que nos legou.<\/p>\n<p>O que estes exemplos nos ensinam \u00e9 que um trabalho intelectual de grande alcance s\u00f3 pode ser feito em condi\u00e7\u00f5es adequadas -e uma delas \u00e9 a confian\u00e7a dos que decidem (e manejam os cord\u00f5es da bolsa) em quem se prop\u00f5e a realiz\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Tal confian\u00e7a envolve n\u00e3o suspeitar que tempo longo signifique pregui\u00e7a, admitir que pensar tamb\u00e9m \u00e9 trabalho, que a verifica\u00e7\u00e3o d e uma ideia-chave ou de uma refer\u00eancia central pode levar meses -e que nada disso tem import\u00e2ncia frente ao resultado final.<\/p>\n<p>Em tempo: um dos motivos encontrados por Needham para o estancamento da criatividade chinesa a partir de 1500 foi justamente a avers\u00e3o de uma estrutura burocr\u00e1tica acomodada na certeza de sua pr\u00f3pria sapi\u00eancia a tudo que discrepasse dos padr\u00f5es impostos.<\/p>\n<p>Enquanto isso, na Europa (e depois na Am\u00e9rica do Norte) a inova\u00e7\u00e3o era valorizada, e o talento individual, recompensado. Nas palavras de um sin\u00f3logo citado no fim do livro, o resultado da atitude dos mandarins foi que &#8220;o incentivo se atrofiou, e a mediocridade tornou-se a norma&#8221;. Seria uma pena que, em nome da produtividade medida em termos somente quantitativos, ca\u00edssemos no mesmo erro.<\/p>\n<p><em>* RENATO MEZAN \u00e9 psicanalista e professor titular na Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de SP. <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O fetiche de quantidade Metas de produtividade e burocracia acad\u00eamica diminuem o potencial de pesquisas cient\u00edficas A cria\u00e7\u00e3o de conhecimento n\u00e3o pode ser medida somente pelo n\u00famero de trabalhos escritos pelos pesquisadores, como \u00e9 a tend\u00eancia atual no Brasil RENATO MEZAN COLUNISTA DA FOLHA A cada tanto tempo, volta-se a discutir como deve ser avaliado&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-1065","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","category-16","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1065","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1065"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1065\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1065"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1065"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1065"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}