{"id":10469,"date":"2015-02-19T10:00:14","date_gmt":"2015-02-19T14:00:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/?p=10469"},"modified":"2015-02-19T10:00:14","modified_gmt":"2015-02-19T14:00:14","slug":"em-15-segundos-a-vastidao-rosiana-de-um-impasse","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/em-15-segundos-a-vastidao-rosiana-de-um-impasse\/","title":{"rendered":"Em 15 segundos, a vastid\u00e3o rosiana de um impasse"},"content":{"rendered":"<p><em>Jaldes Meneses<\/em><\/p>\n<p>Por um desses acasos do destino, tive a ventura ou o sortil\u00e9gio de uma forma\u00e7\u00e3o intelectual juvenil torta (por conter muito de autodidatismo) e at\u00edpica, mais num partido comunista &#8211; o PCdoB, no qual militei por 15 anos &#8211; que nos bancos formais da universidade, onde mais flanei no movimento estudantil que propriamente nas carteiras de madeira das salas de aulas. Gorki chamaria de uma forma\u00e7\u00e3o na universidade da vida. Mudei muito intelectualmente desde a \u00e9poca, por assim dizer, das \u201cprimeiras letras\u201d, depois tive a oportunidade complementar, e de alguma maneira superar, muito da forma\u00e7\u00e3o ainda dogm\u00e1tica oferecida ao militante comunista entre o final dos anos 70 e toda a d\u00e9cada de 80.<\/p>\n<p>Devo logo afirmar que nunca cuspi no prato que comi. Ou seja, n\u00e3o me tornei um desses ex-militantes da causa comunista que renegam o passado com a mesma f\u00faria religiosa antes devotada \u00e0 velha organiza\u00e7\u00e3o. No fundo de suas almas, esses camaradas continuam os mesmos, apenas est\u00e3o servindo a dogmas diferentes, num balanc\u00ea que cruzou da esquerda \u00e0 direita. De minha parte, n\u00e3o aderi a dogmas liberais, continuo comunista, hoje sem partido. Gosto muito, e acho gra\u00e7a, de me definir como um \u201ccomunista alien\u00edgena\u201d porque insisto em estudar e refletir assuntos que est\u00e3o fora da pauta e dos interesses imediatos da maioria das organiza\u00e7\u00f5es da esquerda brasileira.<\/p>\n<p>Por exemplo, estudo especulativamente a quest\u00e3o do comunismo. Praticamente n\u00e3o vejo hoje no Brasil um debate antidogm\u00e1tico entre as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda que afrontem a s\u00e9rio a quest\u00e3o. Em geral, preferem responder \u00e0 quest\u00e3o da necessidade de ter claro hoje quais os contornos de uma futura sociedade comunista com o chav\u00e3o que Marx, em virtude do conte\u00fado antiut\u00f3pico de sua teoria, ter tido o cuidado de n\u00e3o formular um projeto \u201cideal&#8221; de sociedade \u00e0 maneira dos falanst\u00e9rios do genial maluco beleza chamado Charles Fourier. A virtude, em Marx, tornou-se a pregui\u00e7a mental de certos de seus pseudo herdeiros, de boca torta pelo uso do cachimbo.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XXI, no mesmo processo de se criar para frente, deve-se tamb\u00e9m rever para tr\u00e1s, pois a grande saga hist\u00f3rica do s\u00e9culo passado foi exatamente a tentativa de construir a chamada \u201csociedade do futuro\u201d que Marx teve parcim\u00f4nia em descrever. Para criar em novos termos, temos uma esp\u00e9cie de \u201cvolume morte\u201d a ultrapassar: algu\u00e9m, em s\u00e3 consci\u00eancia, ousaria negar que as duas principais experi\u00eancias do socialismo no s\u00e9culo XX tiveram resultados tr\u00e1gicos? Quais os resultados das duas principais tentativas de socialismo? A URSS explodiu por dentro, acossada pelas contradi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas do poder burocr\u00e1tico, e a China explodiu para fora, como capitalismo. Nenhum programa de esquerda pode mais contornar, sob pena de enganar a si mesmo \u2013 ledo engano pensar que engana os demais circunstantes \u201ccompanheiros de viagem\u201d \u2013, os \u00e1ridos temas postos pela complexa hist\u00f3ria do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Pode parecer aos incautos que diviso o mundo em paragens de alta especula\u00e7\u00e3o idealista. Nada disso. Esses temas t\u00eam interesse pr\u00e1tico, me considero um sujeito pr\u00e1tico em pol\u00edtica. A quem duvida encerro o artigo narrando um fragmento pessoal. Estava em casa assistindo, por dever de of\u00edcio, o guia de TV das elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2014, quando me aparece na tela o programa eleitoral do PCB, em cujo candidato, Mauro Iasi, at\u00e9 votei em primeiro turno (no segundo, votei em Dilma).<\/p>\n<p>Vamos ao fragmento: em 15 segundos, o PCB revelou todo o impasse hist\u00f3rico (o volume morto) do qual \u00e9 legat\u00e1rio, para o bem e tamb\u00e9m para o mal. Antes de o do Partido candidato falar, abria o programa pequenas anima\u00e7\u00f5es. Numa dessas, escolheu-se a conhecida refer\u00eancia de explora\u00e7\u00e3o capitalista denunciada por Chaplin em \u201cTempos modernos\u201d &#8211; a figura do oper\u00e1rio de macac\u00e3o escuro numa linha de montagem fordista. A imagem \u00e9 ajustada, contudo insuficiente, por dois motivos: 1) a explora\u00e7\u00e3o capitalista n\u00e3o \u00e9 exclusivamente fordista, explodiu para a rua, ou seja, a propaganda, para ser eficaz, n\u00e3o deve ser dirigida apenas ao oper\u00e1rio de macac\u00e3o, mas, entre tantos trabalhadores de tantas ocupa\u00e7\u00f5es &#8211; inclusive intelectuais -, por exemplo, aos jovens explorados do telemarketing; 2) pior, foi exatamente nas malhas da explora\u00e7\u00e3o fordista mais intensiva que se construiu a experi\u00eancia, enfim malograda, da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>Em 15 segundos, a vastid\u00e3o rosiana de um impasse\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jaldes Meneses Por um desses acasos do destino, tive a ventura ou o sortil\u00e9gio de uma forma\u00e7\u00e3o intelectual juvenil torta (por conter muito de autodidatismo) e at\u00edpica, mais num partido comunista &#8211; o PCdoB, no qual militei por 15 anos &#8211; que nos bancos formais da universidade, onde mais flanei no movimento estudantil que propriamente&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16,15],"tags":[],"class_list":["post-10469","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","category-noticias","category-16","category-15","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10469","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10469"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10469\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10470,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10469\/revisions\/10470"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10469"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10469"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10469"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}