{"id":10457,"date":"2015-02-11T08:39:02","date_gmt":"2015-02-11T12:39:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/?p=10457"},"modified":"2015-02-11T08:39:02","modified_gmt":"2015-02-11T12:39:02","slug":"elizabeth-teixeira-90-anos-de-luta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/elizabeth-teixeira-90-anos-de-luta\/","title":{"rendered":"Elizabeth Teixeira: 90 anos de luta"},"content":{"rendered":"<p><em>Evento lembra anivers\u00e1rio de l\u00edder do movimento campon\u00eas<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/11.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-10460\" alt=\"11\" src=\"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/11-199x300.jpg\" width=\"199\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/11-199x300.jpg 199w, https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/11-680x1024.jpg 680w, https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/11.jpg 797w\" sizes=\"auto, (max-width: 199px) 100vw, 199px\" \/><\/a>Ela abriu m\u00e3o do conforto para viver o amor ao lado de um trabalhador pobre e analfabeto. Com ele, formou fam\u00edlia. E ajudou a construir a hist\u00f3ria do movimento sindical agr\u00e1rio no Brasil. A paraibana Elizabeth Teixeira \u00e9 a face feminina das lutas camponesas da metade do s\u00e9culo passado. Junto ao marido, Jo\u00e3o Pedro Teixeira, fundou, no munic\u00edpio de Sap\u00e9 (PB), o maior sindicato de trabalhadores agr\u00e1rios do pa\u00eds at\u00e9 ent\u00e3o. E assumiu a lideran\u00e7a do movimento depois do assassinato dele, em 1962.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria de Elizabeth ser\u00e1 lembrada na pr\u00f3xima sexta-feira (13\/2), quando ela completa 90 anos de vida. A celebra\u00e7\u00e3o vai ocorrer no Memorial das Ligas Camponesas, fundado no antigo s\u00edtio onde a camponesa viveu com Jo\u00e3o Pedro e os 11 filhos, no distrito de Barra das Antas, em Sap\u00e9 (munic\u00edpio a 65 quil\u00f4metros da capital do Estado, Jo\u00e3o Pessoa).<\/p>\n<p>O im\u00f3vel de sete hectares foi tombado em 2012 pelo Governo do Estado da Para\u00edba e transformado em um espa\u00e7o de resgate da mem\u00f3ria e homenagem aos trabalhadores que dedicaram a vida a lutar por dignidade no campo e reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n<p>Universidades, sindicatos e movimentos sociais est\u00e3o engajados no evento, do qual devem participar filhos e netos de Elizabeth e Jo\u00e3o Pedro. Pela manh\u00e3, as atividades ser\u00e3o fechadas aos parentes e organizadores. \u201cSer\u00e1 uma reuni\u00e3o de fam\u00edlia\u201d, explica o professor da UFPB Ant\u00f4nio Alberto Pereira, um dos coordenadores do Memorial das Ligas Camponesas.<\/p>\n<p>\u00c0s 14h, ter\u00e1 in\u00edcio o evento aberto a toda a comunidade. O coral Voz Ativa vai se apresentar cantando o Hino do Campon\u00eas, acompanhado pela Orquestra Santa Cec\u00edlia, de Sap\u00e9, e sob a reg\u00eancia do pr\u00f3prio compositor da obra, o maestro Geraldo Menucci, antigo militante do Movimento Cultural Popular. A letra da m\u00fasica \u00e9 de Francisco Juli\u00e3o, advogado, pol\u00edtico e escritor que atuou com as ligas camponesas de Pernambuco.<\/p>\n<p>A parte cultural do evento ter\u00e1 tamb\u00e9m apresenta\u00e7\u00f5es de coco de roda e m\u00fasicas populares. A organiza\u00e7\u00e3o espera reunir, al\u00e9m de autoridades da regi\u00e3o e representantes dos movimentos populares e sindicais, crian\u00e7as e jovens das escolas p\u00fablicas de Mari, Sap\u00e9, Sobrado e Cruz do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>No s\u00e1bado (14\/2), haver\u00e1 o lan\u00e7amento do document\u00e1rio &#8220;A fam\u00edlia de Elizabeth Teixeira&#8221;, do cineasta Eduardo Coutinho, morto em 2014 e diretor de \u201cCabra Marcado para Morrer\u201d, obra que conta a hist\u00f3ria de Jo\u00e3o Pedro, Elizabeth e das ligas camponesas do Nordeste. O lan\u00e7amento do document\u00e1rio ser\u00e1 no Centro de Forma\u00e7\u00e3o Elizabeth e Jo\u00e3o Pedro Teixeira, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, no munic\u00edpio de Lagoa Seca (PB).<\/p>\n<p><strong>Pris\u00e3o e fuga<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/elizabeth-teixeira.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-10458\" alt=\"elizabeth teixeira\" src=\"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/elizabeth-teixeira-187x300.jpg\" width=\"187\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/elizabeth-teixeira-187x300.jpg 187w, https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/elizabeth-teixeira-640x1024.jpg 640w, https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/elizabeth-teixeira.jpg 1122w\" sizes=\"auto, (max-width: 187px) 100vw, 187px\" \/><\/a>Depois da morte de Jo\u00e3o Pedro, em 2 de abril de 1962, Elizabeth assume a lideran\u00e7a do movimento, ao lado de nomes como Pedro Fazendeiro e Nego Fuba. Foi presa por v\u00e1rias vezes e, numa delas, retorna \u00e0 casa para se deparar com a trag\u00e9dia do suic\u00eddio da filha mais velha, Marluce, que n\u00e3o suportou conviver com a possibilidade de a m\u00e3e ter o mesmo destino do pai.<\/p>\n<p>Em 1964, com a instala\u00e7\u00e3o do regime militar, Elizabeth \u00e9 presa pelo Ex\u00e9rcito e passa oito meses na cadeia. Na volta, precisa fugir para n\u00e3o ser morta. Esconde-se na cidade de S\u00e3o Rafael, no interior do Rio Grande do Norte, com apenas um dos 11 filhos \u2013 Carlos, que \u00e9 rejeitado pelo av\u00f4 por se parecer muito com o pai. Passa 17 anos afastada da fam\u00edlia, vivendo com a identidade de Marta Maria da Costa.<\/p>\n<p>Isso at\u00e9 1981, quando o cineasta Eduardo Coutinho resolve retomar as grava\u00e7\u00f5es de \u201cCabra Marcado para Morrer\u201d, interrompidas pela trucul\u00eancia da ditadura. Por interm\u00e9dio de um dos filhos de Elizabeth, Coutinho reencontra a l\u00edder camponesa e conclui o trabalho. A vi\u00fava de Jo\u00e3o Pedro vem, ent\u00e3o, morar em Jo\u00e3o Pessoa, no bairro de Cruz das Armas, em uma casa que lhe \u00e9 presenteada pelo pr\u00f3prio Eduardo Coutinho.<\/p>\n<p><strong>Heran\u00e7as da luta<\/strong><\/p>\n<p>As ligas camponesas e a hist\u00f3ria de Jo\u00e3o Pedro e Elizabeth s\u00e3o lembradas n\u00e3o apenas como registro hist\u00f3rico. A luta chegou aos dias atuais, trouxe heran\u00e7as e desafios futuros. Embora a sonhada reforma agr\u00e1ria ainda n\u00e3o tenha se concretizado, o homem do campo est\u00e1 consciente dos pr\u00f3prios direitos e busca cada vez mais organizar-se em cooperativas e associa\u00e7\u00f5es para potencializar a\u00e7\u00f5es e iniciativas.<\/p>\n<p>Para o presidente do Memorial das Ligas Camponesas, o agricultor Luiz Dam\u00e1zio de Lima (o Luizinho), os l\u00edderes Jo\u00e3o Pedro e Elizabeth Teixeira deram o primeiro passo, mas a luta camponesa continua se atualizando. E v\u00e1rias s\u00e3o as heran\u00e7as desse movimento. Uma delas, segundo Luizinho, \u00e9 o crescimento da organiza\u00e7\u00e3o dos pequenos produtores.<\/p>\n<p>Ele cita a experi\u00eancia da Ecov\u00e1rzea (Associa\u00e7\u00e3o dos Agricultores e Agricultoras da V\u00e1rzea Paraibana), uma entidade que re\u00fane cerca de 300 assentados. \u201cEsse tipo de iniciativa nasceu com as ligas\u201d, afirma. Juntos, os pequenos produtores s\u00e3o mais fortes do que se estivessem trabalhando de forma independentes.<\/p>\n<p>No caso da Ecov\u00e1rzea, eles optaram por um modelo de cultivo limpo e saud\u00e1vel: a agroecologia. Longe dos agrot\u00f3xicos e aditivos qu\u00edmicos, os trabalhadores ganham em qualidade de vida e levam verduras, hortali\u00e7as e frutas de melhor qualidade ao consumidor. A comercializa\u00e7\u00e3o \u00e9 feita sempre \u00e0s sextas-feiras, na UFPB, e a estimativa de venda \u00e9 de R$ 7 mil a R$ 8 mil por semana.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/Memorial.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-10459\" alt=\"Memorial\" src=\"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/Memorial-300x199.jpg\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/Memorial-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/Memorial-1024x680.jpg 1024w, https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/Memorial.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Segundo Luizinho, a Para\u00edba j\u00e1 conta com 45 feiras de pequenos produtores com a da Ecov\u00e1rzea. \u201cN\u00e3o s\u00e3o todas agroecol\u00f3gicas, mas isso j\u00e1 demonstra o processo organizativo dos agricultores\u201d. Nessas feiras, s\u00e3o comercializadas entre 90 e 100 toneladas de produtos semanalmente. \u201cIsso d\u00e1 uma rentabilidade imensa\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Outra heran\u00e7a das ligas, segundo o agricultor, est\u00e1 no maior acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. \u201cHoje temos filho de agricultor fazendo Pedagogia, Enfermagem, Ci\u00eancias Agr\u00e1rias, Agroecologia, Agronomia, por exemplo. Nossos filhos est\u00e3o lutando para conquistar um espa\u00e7o na universidade\u201d, garante. \u201cH\u00e1 uma quantidade muito grande de jovens do campo que est\u00e3o conseguindo sua forma\u00e7\u00e3o e est\u00e3o atuando em cooperativas e associa\u00e7\u00f5es\u201d, reafirma a professora da UFPB, F\u00e1tima Rodrigues, que \u00e9 colaboradora do Memorial das Ligas Camponesas.<\/p>\n<p>Ela e Luizinho citam ainda como ganhos decorrentes das ligas camponesas o maior acesso \u00e0 sa\u00fade e o crescimento da participa\u00e7\u00e3o e do protagonismo das mulheres nas a\u00e7\u00f5es das comunidades rurais.<\/p>\n<p>\u201cAinda precisamos melhorar bastantes, por exemplo, ampliando a assist\u00eancia m\u00e9dica, as pol\u00edticas p\u00fablicas para os jovens, a infraestrutura, as escolas\u201d, afirma Luizinho. E para se alcan\u00e7ar essas melhorias, segundo ele, \u00e9 necess\u00e1rio que o homem do campo continue ciente da import\u00e2ncia do processo organizativo.<\/p>\n<p>Sobre qual conquista seria a mais dif\u00edcil de alcan\u00e7a, Luizinho se mostra convicto: \u201cdif\u00edcil \u00e9 conquistar a consci\u00eancia da sociedade em apoio a essa luta\u201d, declara. Para ele, o anivers\u00e1rio de Elizabeth Teixeira \u00e9 a consagra\u00e7\u00e3o de 90 anos de luta. \u201cEla n\u00e3o come\u00e7ou a lutar depois de casada com Jo\u00e3o Pedro, mas quando nasceu. Ela enfrentou o pr\u00f3prio pai, que era latifundi\u00e1rio. Essa celebra\u00e7\u00e3o \u00e9 uma honra para n\u00f3s. Se Jo\u00e3o Pedro \u00e9 o cabra marcado para morrer, Elizabeth \u00e9 a mulher marcada para viver\u201d, declara.<\/p>\n<p><em>Fonte: Ascom ADUFPB<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Evento lembra anivers\u00e1rio de l\u00edder do movimento campon\u00eas Ela abriu m\u00e3o do conforto para viver o amor ao lado de um trabalhador pobre e analfabeto. Com ele, formou fam\u00edlia. E ajudou a construir a hist\u00f3ria do movimento sindical agr\u00e1rio no Brasil. 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