{"id":10399,"date":"2015-02-04T16:07:53","date_gmt":"2015-02-04T20:07:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/?p=10399"},"modified":"2015-02-04T16:07:53","modified_gmt":"2015-02-04T20:07:53","slug":"depois-do-syriza-e-do-podemos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/depois-do-syriza-e-do-podemos\/","title":{"rendered":"Depois do Syriza e do Podemos"},"content":{"rendered":"<p><em>Jaldes Meneses<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um dos assuntos pol\u00edticos que deverei privilegiar neste ano de 2015 ser\u00e1 o balan\u00e7o das experi\u00eancias novas de partidos\/movimentos como o Syriza grego e o Podemos espanhol. Janeiro de 2015 come\u00e7ou com jeito de 1968, quem sabe um desses anos que nunca terminam? O Syriza, uma coliga\u00e7\u00e3o da esquerda radical &#8211; quem diria poucos anos atr\u00e1s? &#8211; acabou de obter uma extraordin\u00e1ria vit\u00f3ria eleitoral, elegendo 149 deputados no parlamento e Al\u00e9xis Ts\u00edpras, principal lideran\u00e7a do partido, primeiro-ministro. Na mesma semana, o Podemos espanhol reuniu mais de 100 mil manifestantes na Pra\u00e7a Cibeles, em Madrid, despontando como favorito nas elei\u00e7\u00f5es de dezembro, talvez elegendo Pablo Iglesias, uma dessas inusitadas lideran\u00e7as jovens que parecem surgir do nada.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s muitas d\u00e9cadas de sobranceira calmaria niilista e p\u00f3s-moderna &#8211; Marcuse chamou a calmaria de \u201csociedade unidimensional\u201d e Fukuyama decretou a eterna melancolia da vida na sociedade liberal como \u201cfim da hist\u00f3ria\u201d &#8211; irrompeu um verdadeiro terremoto pol\u00edtico a saltar lavras na Europa em crise. As motiva\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas do terremoto s\u00e3o duas, ambas entremeadas: 1) os duros programas econ\u00f4micos de ajuste neoliberal visando responder a crise econ\u00f4mica de 2008, a mais grave do capitalismo desde 1929; 2) a anemia de representatividade popular e d\u00e9ficit de hegemonia recente das cinzas institui\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, as Torres de Marfim encasteladas nos luxuosos escrit\u00f3rios de Bruxelas, t\u00e3o distantes do cidad\u00e3o comum. Por aqui, pode-se come\u00e7ar a entender o fio da meada da irrup\u00e7\u00e3o do Syriza e do Podemos.<\/p>\n<p>Em resumo, o fato \u00e9 que as polariza\u00e7\u00f5es tradicionais do centro pol\u00edtico, reunido em torno dos Social-Democratas e Democratas Crist\u00e3os, ou vertentes nacionais afins, dominante desde o fim da Segunda Guerra Mundial, que produziu feitos extraordin\u00e1rios, a exemplo da paz entre a Fran\u00e7a e a Alemanha e as pol\u00edticas sociais do welfare state, reguladores fundamentais do capitalismo avan\u00e7ado, come\u00e7ou a derruir. Em conseq\u00fc\u00eancia, op\u00e7\u00f5es diferentes come\u00e7aram a despontar nas pra\u00e7as, deslizando a polariza\u00e7\u00e3o do debate pol\u00edtico do centro para os extremos, \u00e0 esquerda e \u00e0 direita. Mal comparando, pois realmente esta analogia \u00e9 um tanto for\u00e7ada, embora \u00fatil como imagem, o mapa pol\u00edtico da Europa come\u00e7ou a girar em dire\u00e7\u00e3o a um sistema de partidos parecido com o do per\u00edodo entreguerras (1914-1939), quando pontificaram as alternativas da social-democracia (ainda marxista), do trabalhismo ingl\u00eas, do comunismo, do fascismo e do nazismo.<\/p>\n<p>Embora haja o Atl\u00e2ntico, tanto mar a nos separar, da mesma maneira que os acontecimentos da revolu\u00e7\u00e3o russa (1917) e do fascismo italiano (1922), por exemplo, resultaram em seguida na cria\u00e7\u00e3o entre n\u00f3s do Partido Comunista do Brasil (PCB) e na A\u00e7\u00e3o Integralista Brasileira &#8211; e mesmo na experi\u00eancia do populismo -, o terremoto europeu inevitavelmente repercutir\u00e1 no Brasil, quem sabe injetando a m\u00e9dio e longo prazo sangue novo \u00e0 desgastada esquerda brasileira?<\/p>\n<p>Se h\u00e1 uma verdade que o conceito de hegemonia de Gramsci me ensinou, \u00e9 que uma hegemonia SEMPRE abre novas hegemonias. N\u00e3o se trata, evidentemente, de criar em proveta de laborat\u00f3rio um Syriza ou um Podemos brasileiro novinho em folha, opera\u00e7\u00e3o de antem\u00e3o fadada ao fracasso. Contudo, penso que essas experi\u00eancias podem ajudar a fazer um balan\u00e7o pol\u00edtico, te\u00f3rico, program\u00e1tico e ideol\u00f3gico, que se faz urgente, da experi\u00eancia, j\u00e1 longa, de 12 anos de governos do PT &#8211; portanto de esquerda &#8211; no Estado brasileiro. Vivemos, desde os acontecimentos de junho de 2013, um momento que for\u00e7as sociais emergentes \u2013 com \u00eanfase na nova classe trabalhadora precarizada \u2013 n\u00e3o adquiriram express\u00e3o pol\u00edtica pr\u00f3pria. Mas \u00e9 s\u00f3 quest\u00e3o de tempo: a narrativa que falta vir\u00e1 antes que se almeja.<\/p>\n<p>O momento \u00e9 de converg\u00eancia em torno de ideias, sem hegemonias decretadas ou doutrinarismos vanguardistas, que tanto mal fizeram \u00e0 hist\u00f3ria da esquerda no Brasil e no mundo. A hora \u00e9 de criar para transformar e transformar para criar, perguntando: &#8211; O que est\u00e1 faltando? &#8211; Que fazer?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jaldes Meneses &nbsp; Um dos assuntos pol\u00edticos que deverei privilegiar neste ano de 2015 ser\u00e1 o balan\u00e7o das experi\u00eancias novas de partidos\/movimentos como o Syriza grego e o Podemos espanhol. Janeiro de 2015 come\u00e7ou com jeito de 1968, quem sabe um desses anos que nunca terminam? 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