{"id":10086,"date":"2014-10-31T11:29:50","date_gmt":"2014-10-31T15:29:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/?p=10086"},"modified":"2014-10-31T11:29:50","modified_gmt":"2014-10-31T15:29:50","slug":"separatismo-patente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adufpb.org.br\/site\/separatismo-patente\/","title":{"rendered":"Separatismo patente"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><b><i>Jos\u00e9 Fl\u00e1vio Silva<\/i><\/b> (*)<\/p>\n<p>Ontem, 27\/10\/2014, vi na internet uma proposta interessante: o quadro acima mostra o mapa do Brasil dividido entre azul e vermelho. o vermelho indicando \u201c<b>NOVA CUBA\u201d<\/b>. O azul sem indica\u00e7\u00e3o s\u00f3 com algumas anota\u00e7\u00f5es. O vermelho corresponde \u00e0s regi\u00f5es Nordeste e Norte. O azul, as regi\u00f5es Sudeste, Sul e Centro\u2013Oeste. Da regi\u00e3o Sudeste fica exclu\u00eddo o Estado de Minas Gerais. A proposta \u00e9 da professora Eleika Rezende, tamb\u00e9m acumulando a fun\u00e7\u00e3o de vereadora (PSDC) da cidade Natal, Rio Grande do Norte. Ela prop\u00f5e o separatismo ap\u00f3s concretizado o final da elei\u00e7\u00e3o onde Nordeste e Norte votaram maci\u00e7amente na candidata Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>A Hist\u00f3ria do Brasil \u00e9 recheada de levantes separatistas. Manoel Correia de Andrade em seu livro \u201cRa\u00edzes do separatismo no Brasil\u201d mostra a onda separatista incrementada na Hist\u00f3ria do Brasil.<\/p>\n<p>O primeiro momento separatista aconteceu no s\u00e9culo XVII com a conquista holandesa. Embora a origem da conquista holandesa esteja em raz\u00e3o da guerra entre Holanda e Espanha respingou na col\u00f4nia Brasil, onde \u00edndios desentenderam-se \u2013 Poty\/Felipe Camar\u00e3o; brasileiros: Calabar. Trinta anos\u00a0 ap\u00f3s a primeira conquista, os holandeses foram expulsos. Voltou a uni\u00e3o colonial.<\/p>\n<p>Um pouco adiante, s\u00e9culo XIX, D. Jo\u00e3o VI, monarca do Reino Unido, enfrentou na regi\u00e3o Norte, precisamente em Pernambuco o levante separatista de 1817, cujo movimento foi sufocado pelas tropas rein\u00f3is. A marca ideol\u00f3gica ficou. O movimento foi forte e conduzido para novo movimento separatista, agora com esplendor de imp\u00e9rio.<\/p>\n<p>Em 1820 D. Jo\u00e3o VI foi obrigado, se quisesse ficar no poder, a voltar a Portugal. Foi o que fez. Embarcou para terras lusitanias. Antes, para n\u00e3o desvincular o Brasil de Portugal deixou seu filho, o pr\u00edncipe Pedro, como regente da Col\u00f4nia. Com essa autoridade sentiu-se poderoso e exp\u00f4s seu estilo pessoal, desagradando os dirigentes do outro lado do oceano Atl\u00e2ntico. Encurralado, ou o pr\u00edncipe Pedro obedecia os mandos de Portugal, ou seu pr\u00f3prio estilo. Optou por si e declarou o Brasil separado de Portugal, constituindo o \u00fanico imp\u00e9rio das Am\u00e9ricas p\u00f3s descoberta.<\/p>\n<p>No entanto, no Norte do Brasil essa postura do imperador D. Pedro I n\u00e3o foi aceita com bom grado. A postura ideol\u00f3gica compartilhava com as outras col\u00f4nias independentes do jugo espanhol. Continua\u00e7\u00e3o do reino de Portugal n\u00e3o era o desejado pelos separatistas pernambucanos. Esse ide\u00e1rio estava patente na rebeli\u00e3o de 1817. Alguns remanescentes de 1817, frei Caneca, por exemplo, surgiram como l\u00edderes dessa postura e deflagraram o movimento separatista de 1824, conhecido por \u201cConfedera\u00e7\u00e3o do Equador\u201d. Tamb\u00e9m foi sufocado, rolando algumas cabe\u00e7as, entre elas a do\u00a0 frei carmelita.<\/p>\n<p>D. Pedro I enfrentou outras rebeli\u00f5es de insurrei\u00e7\u00f5es. No entanto, foi seu filho D. Pedro II quem sustentou a maior onda separatista denominada \u201cRevolu\u00e7\u00e3o Ferroupilha\u201d, no Rio Grande. segundo Manoel Correia de Andrade:<\/p>\n<p>\u201cNa verdade, temos que admitir que desta revolu\u00e7\u00e3o participou um e outro grupo, ao mesmo tempo, e, durante a luta houve press\u00f5es no sentido de que o Rio Grande, independente, formasse uma confedera\u00e7\u00e3o com o Uruguai, Entre Rios e Corrientes;\u201d (p\u00e1gina 91, op. cit.)<\/p>\n<p>A onda de nordestinos encaminharem-se para o sul do Brasil formou uma barreira entre Sul e Norte, levando o paraibano Epit\u00e1cio Pessoa, investido no cargo de presidente do Brasil a dividir o territ\u00f3rio geogr\u00e1fico em regi\u00f5es Norte, Sul, Nordeste, Sudeste e Centro. Com essa divis\u00e3o o homem nordestino assumiu um car\u00e1ter que o estigmatizou, revelando preconceitos imputado\u00a0 a ele. Gonzaga Rodrigues, cronista do jornal O Norte, em cr\u00f4nica do dia 13\/02\/2003, escreveu:<\/p>\n<p>\u201cSomos distinguidos com este libelo da professora \u00c2ngela Bezerra de Castro:<\/p>\n<p>\u00b4Que existe no Sul\/Sudeste do Brasil um disfar\u00e7\u00e1vel preconceito contra os nordestinos n\u00e3o \u00e9 novidade. Cada contacto com o Rio ou S\u00e3o Paulo \u00e9 oportunidade para a comprova\u00e7\u00e3o deste sentimento pervertido que fragiliza a certeza da unidade nacional.<\/p>\n<p>Fazendo a p\u00f3s gradua\u00e7\u00e3o no Rio, cheguei a ouvir de um professor a insinua\u00e7\u00e3o de que eu n\u00e3o seria capaz de escrever uma tese, por haver cursado a gradua\u00e7\u00e3o na Para\u00edba. E colegas do mestrado achavam que o melhor de nossa perman\u00eancia por l\u00e1 era o fato de podermos nos alimentar bem durante aquele per\u00edodo, livrando-nos de comer ratos.\u201d<\/p>\n<p>\u00c2ngela Bezerra sentiu in loco o preconceito separatista existente no Brasil. Esse manifesto preconceituoso foi realizado inter-muros. O pior veio depois como narra a professsora:<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: line-through;\">\u201c<\/span>Desde que ouvi estarrecida a entrevista do ministro Gaziano, na FIESP, lan\u00e7ando o programa Fome Zero, procuro nos jornais e televis\u00f5es coment\u00e1rios cr\u00edticos, protestos contra o crime cometido por ele ao caracterizar os migrantes Nordestinos como marginais. Reduzindo-os a bandidos contra os quais se faz indispens\u00e1vel a prote\u00e7\u00e3o dos carros blindados.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel silenciar. E muito menos aceitar a desculpa esfarrapada de que n\u00e3o existe preconceito neste discurso nazista:<\/p>\n<p>\u00b4Temos de criar emprego l\u00e1, temos de gerar oportunidade de educa\u00e7\u00e3o l\u00e1, temos de gerar cidadania l\u00e1 porque, se continuarem vindo para c\u00e1, vamos continuar andando de carro blindado.\u201d<\/p>\n<p>Agora chegou essa grande separa\u00e7\u00e3o eleitoral, Temos diante de nossos olhos \u00a0uma linha divis\u00f3ria geogr\u00e1fica proporcionada pelo eleitor votante. N\u00e3o h\u00e1 como negar a separa\u00e7\u00e3o, os eleitores digitaram n\u00fameros e abriram as portas da separa\u00e7\u00e3o\u00a0 e mostraram que \u00e9 fato concreto. Esse processo de caminhar mostra a dial\u00e9tica inerente ao processo hist\u00f3rico. Certamente, essa divis\u00e3o estava intr\u00ednseca no interior hist\u00f3rico esperando o momento de vir \u00e0 tona, acontecendo agora em 2014.<\/p>\n<p>Esse fio hist\u00f3rico delineado sobre o separatismo tem a sutileza de um fio condutor. Fio condutor que mant\u00e9m viva a forma\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica. Hegel, o mestre da dial\u00e9tica, mostra na hist\u00f3ria essa liga\u00e7\u00e3o da tese \u00e0 s\u00edntese. Modestamente, esse processo hist\u00f3rico do separatismo concretizou-se nas urnas da \u00faltima elei\u00e7\u00e3o. A ant\u00edtese camuflava o andamento simples da tese at\u00e9 que a s\u00edntese aflorou na digita\u00e7\u00e3o de dois n\u00fameros e dois n\u00fameros. A exorta\u00e7\u00e3o do ministro Gaziano contribuiu para a explos\u00e3o da s\u00edntese.<\/p>\n<p>Agora, inicia-se nova tese manifestada na busca do di\u00e1logo, na solidifica\u00e7\u00e3o da paz, em momento de vestir branco para que a na\u00e7\u00e3o seja uma, em sua totalidade, enfrentando problemas que lhes s\u00e3o inerentes. Novamente os eleitores participar\u00e3o desse novo caminhar do fio hist\u00f3rico que a dial\u00e9tica proporciona.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<\/p>\n<p>(*) Jos\u00e9 Fl\u00e1vio Silva, professor aposentado da UFPB<\/p>\n<p><a href=\"mailto:Joseflavio12@yahoo.com.br\">Joseflavio12@yahoo.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Fl\u00e1vio Silva (*) Ontem, 27\/10\/2014, vi na internet uma proposta interessante: o quadro acima mostra o mapa do Brasil dividido entre azul e vermelho. o vermelho indicando \u201cNOVA CUBA\u201d. 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