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Assim caminha a educação

Prof. Marcos A.R. de Barros
 

A luta pelo ensino público no Brasil inclui, sobretudo, a luta dos heróicos professores universitários em defesa da Universidade Pública Brasileira de qualidade.

Os neoliberais, nacionais e internacionais implementadores do capitalismo expansionista de lucro máximo, com base no consenso de Washington em 1989, vêm sorrateiramente saqueando o Brasil e os demais países da América Latina. Portanto, internacionalizando a miséria, com o assessoramento do Fundo Monetário Internacional (FMI ). O processo expropriatório agora é agudo e vem levando aceleradamente o Brasil ao endividamento, portanto, ao empobrecimento cada vez mais do seu povo.

Só podemos entender a destruição do ensino público de 1º e 2º graus, bem como o sucateamento da Universidade Pública Brasileira, se considerarmos a Tese dos neoliberais fascistas, cuja proposta é a privatização da educação no país. Visam, portanto, desobrigar o estado oligárquico dessa árdua missão. Os professores sabem que isto não é um fato isolado, mas, faz parte da estratégia do imperialismo contemporâneo encabeçada, no Brasil, pela equipe da ditadura econômica do atual governo.

Não podemos esquecer que lutar contra o capitalismo predatório é lutar em defesa da educação e da universidade pública. A luta dos professores está no bojo da luta contra o investidas neocolonialistas.

Existe uma cumplicidade hereditária que vem das origens da colonização brasileira. A educação neste país. nunca foi prioridade. Portanto, nunca existiu, por parte dos governantes, uma política no sentido de oferecer uma educação de qualidade.

Na década de 1920, ocorreu pela primeira vez no Brasil um movimento educacional liderado por facções progressistas, cuja proposta oferecia ao trabalhador uma educação politizante. Movimento que encontrou muita resistência por parte da burguesia, de liberais e católicos conservadores.

Registros da história da educação brasileira mostram que o plano nacional de educação da constituição de 1934 foi um documento de bases fascistas clericais. Com letras garrafais o Sr. Ministro da Educação Gustavo Capanema disse: "Ensinemos o brasileiro a ser humilde e miserável para sentir a eternidade"1. Documento que ficou conhecido pela singularidade e clareza de intenções. Mais adiante, o ministro Capanema anuncia três princípios que, segundo ele, são os objetivos do supracitado plano nacional de educação. Na verdade, esses princípios atentavam contra a soberania nacional na medida em que, propunham a submissão do Brasil aos apetites do ditador Benito Mussolini.

Os lances aqui apresentados demonstram que a educação no Brasil nunca foi levada a sério, foi sempre objeto de manobras políticas nas mãos de apátridas inescrupulosos. Disse o pesquisador Libâneo: " Não está nos planos dos governos a elevação da qualidade da escola, porque não interessa à classe dominante a formação cultural verdadeira que libertaria os indivíduos e possibilitaria a tomada de consciência dos mecanismos de dominação capitalista"2.

Para melhor entendermos a política de intervenção do imperialismo no Brasil, analisemos o que se segue: O informativo, " Informandes " ( editorial ) de fevereiro de 2001, pag.2, mostra parte de uma matéria sobre o ensino superior no Brasil, que diz: " O FMI recomenda que o governo institua mensalidades nas universidades públicas ". E mais, determina que " os professores devem ser contratados em regime de trabalho privado está presente nas recomendações do banco mundial ". Notícias que foram divulgadas nos principais jornais do país.

Sabemos que os abutres neoliberais vivem da miséria das nações periféricas e para isto tentam impedir o desenvolvimento desses países, anulando o espaço que teriam na geração de ciência e tecnologia. Portanto, impondo-lhes uma política de submissão, não só no Brasil, mas também nos demais países dependentes. Dessa forma, reduzem as Nações a meros mercados consumidores, obedientes e passivos, garantindo seus interesses de exploração. Assim atacam a universidade brasileira através dos seus representantes locais porque sabem que a universidade é o fórum crítico onde se gera o saber científico, a tecnologia e a cultura.

Os professores brasileiros têm uma historia de lutas e de lideranças na defesa da educação e da cultura, em vários momentos, entre os quais destacamos: "O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova" em 1932; "O Manifesto dos Educadores", em 1959; "O movimento de cultura popular, em 1964, em Pernambuco"; "O manifesto dos participantes da IV conferência brasileira de educação" em 1984 e posteriormente a "Carta de Goiânia" em 1986 etc.

Todos esses movimentos expressam a luta dos professores em momentos decisivos da história da educação no Brasil. Paralelamente, o ANDES, sindicato e associação dos docentes do ensino superior, fundado em 1978, vem atuando através das sucessivas diretorias em defesa da educação e da universidade pública em todo país.

Agora, com o agravamento da crise, devemos pensar em uma estratégia contra a política educacional neoliberal. Portanto, trabalhando pela internacionalização da luta, sem contudo perder de vista as características e particularidades nacionais. Mobilizar todos os trabalhadores da educação e de outros segmentos da sociedade civil, mostrando insistentemente que se trata de defender a educação e a universidade pública em escala continental. Para isto, se faz necessário a reconstrução do internacionalismo dos trabalhadores da educação. Assim, propomos a convocação de um "congresso continental de educação", no qual possamos deliberar em cima do conteúdo já abordado e de outras propostas.

É fundamental que façamos a crítica das políticas neoliberais da educação na ótica do Banco Mundial e dos governos que, frente às imposições do imperialismo capitularam servilmente e agora rasgam suas constituições, aviltando seus países.

O primeiro Fórum Social Mundial (FSM) ocorrido de 25 a 30 de janeiro de 2001, em Porto Alegre, fez renascer as esperanças de, juntos, fazermos esbarrar os avanços do neoliberalismo. Pelas ruas de Porto Alegre o povo marchou com faixas e cartazes que diziam: "A luta dos trabalhadores não tem pátria"; "A classe operária é Internacional", e outras palavras de ordem que demonstravam a indignação popular contra o quadro sombrio que se apresenta a nível continental.

O comitê organizador do evento propôs a realização de Fóruns Sociais Mundiais, anualmente, em diferentes países.

Manifestação como esta, mostra que para combater o modelo perverso de expropriação globalizada é necessário, portanto, uma estratégia também global. Juntos façamos a defesa da educação e da vida contra o neoliberalismo espúrio.

Notas:
Ghiraldelli Jr. , Paulo
História da Educação - 1994 pag. 49

Libâneo, José Carlos
Democratização da Escola Pública - 1985 pag. 80

 
 
ADUFPB - Seção Sindical da ANDES-SN
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