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	<title>ADUFPB &#187; Artigos</title>
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		<title>POESIA: No Cosmo do Campus</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Aug 2010 14:54:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>renata</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Poema do professor Antonio Gomes para a &#8220;multipoetisa&#8221; Celinha
NO COSMO DO
CAMPUS
Dedica Antonio Gomes
à multipoetisa Célia Lopes.
Quando
a poetisa
Célia,
lá no
sindicato
de todos nós professores,
nos
cumprimentou
(a mim e a meu filho Pablo)
mais que
educadamente
(generosamente, até),
com as duas mãos
espal-
dadas
no sentido
das nuvens dos
céus&#8230;,
EU ME
ALEMBREI,
PELA IMAGINAÇÃO,
DE SUA MÃE E
DE MINHA MÃE
DONA NINÁ
D’TAPEROÁ E
DE TODAS AS NOSSAS MÃES,
JUNTAS,
ORANDO,
PELO MUNDO AFORA
(TAL A COMPANHEIRA DO
POETA CAMARADA
JOÃO CABRAL [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Poema do professor Antonio Gomes para a &#8220;multipoetisa&#8221; Celinha</p>
<p><strong>NO COSMO DO</strong></p>
<p><strong>CAMPUS</strong></p>
<p><em>Dedica Antonio Gomes</em></p>
<p><em>à multipoetisa Célia Lopes.</em></p>
<p>Quando</p>
<p>a poetisa</p>
<p>Célia,</p>
<p>lá no</p>
<p>sindicato</p>
<p>de todos nós professores,</p>
<p>nos</p>
<p>cumprimentou</p>
<p>(a mim e a meu filho Pablo)</p>
<p>mais que</p>
<p>educadamente</p>
<p>(generosamente, até),</p>
<p>com as duas mãos</p>
<p>espal-</p>
<p>dadas</p>
<p>no sentido</p>
<p>das nuvens dos</p>
<p>céus&#8230;,</p>
<p style="padding-left: 60px;">EU ME</p>
<p style="padding-left: 60px;">ALEMBREI,</p>
<p style="padding-left: 60px;">PELA IMAGINAÇÃO,</p>
<p style="padding-left: 60px;">DE SUA MÃE E</p>
<p style="padding-left: 60px;">DE MINHA MÃE</p>
<p style="padding-left: 60px;">DONA NINÁ</p>
<p style="padding-left: 60px;">D’TAPEROÁ E</p>
<p style="padding-left: 60px;">DE TODAS AS NOSSAS MÃES,</p>
<p style="padding-left: 60px;">JUNTAS,</p>
<p style="padding-left: 60px;">ORANDO,</p>
<p style="padding-left: 60px;">PELO MUNDO AFORA</p>
<p style="padding-left: 60px;">(TAL A COMPANHEIRA DO</p>
<p style="padding-left: 60px;">POETA CAMARADA</p>
<p style="padding-left: 60px;">JOÃO CABRAL DE MELO NETO),</p>
<p style="padding-left: 60px;">ORANDO</p>
<p style="padding-left: 60px;">PARA TODOS NÓS</p>
<p style="padding-left: 60px;">SERMOS</p>
<p style="padding-left: 60px;">FELIZES.</p>
<p align="right">UFPB, Campus 1,</p>
<p align="right">João Pessoa, 20.03.2010&#8243;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Educação, um terrível círculo vicioso</title>
		<link>http://www.adufpb.org.br/educacao-um-terrivel-circulo-vicioso/</link>
		<comments>http://www.adufpb.org.br/educacao-um-terrivel-circulo-vicioso/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 25 Aug 2010 12:04:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>renata</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Opinião: Educação, um terrível círculo vicioso
Otaviano Helene, José Marcelino de Rezende Pinto e Thiago Alves*
O problema da formação de pessoas no País é muito grave. Na creche e na pré-escola, atingimos um nível de atendimento correspondente apenas à metade do previsto no Plano Nacional de Educação (PNE), cujos dez anos de vigência se encerram em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Opinião: Educação, um terrível círculo vicioso</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Otaviano Helene, José Marcelino de Rezende Pinto e Thiago Alves*</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O problema da formação de pessoas no País é muito grave. Na creche e na pré-escola, atingimos um nível de atendimento correspondente apenas à metade do previsto no Plano Nacional de Educação (PNE), cujos dez anos de vigência se encerram em breve. No ensino fundamental, estamos atrasados mais de 20 anos em relação ao que nos propusemos na Constituição de 1988, que o definiu como obrigatório: atualmente, uma em cada três crianças deixa o sistema educacional sem completá-lo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Ao final do ensino médio, a evasão já terá atingido cerca da metade das pessoas, situação muito pior do que nossa realidade econômica e demográfica exige e permite. Quanto ao ensino superior, não apenas não cumprimos o deliberado no PNE, como continuamos com taxas de atendimento próximas à metade da observada em muitos dos nossos vizinhos geográficos ou geopolíticos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Essa carência educacional se manifesta também, como não poderia deixar de ser, na formação de profissionais de nível superior. Vamos ver qual a nossa situação no caso de duas profissões para as quais há dados internacionais disponíveis. Segundo a Organização Mundial da Saúde, temos 17 médicos para cada 10 mil habitantes, número abaixo da média dos países sul-americanos (19) e perto da metade do que têm Uruguai (39), Argentina (32) e México (29). No caso da engenharia, profissão indicadora das possibilidades de crescimento futuro de um país, temos uma proporção de estudantes em relação à população total próxima da metade da de Índia, China, Argentina ou Chile. Além dos indicadores quantitativos estarem aquém do necessário, temos carências qualitativas graves e má distribuição geográfica dos cursos e dos profissionais.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Vamos ao caso de professores, cujos déficits são enormes: em algumas áreas de conhecimento a quantidade de novos licenciados formados a cada ano é insuficiente sequer para repor o quadro se este estivesse completo e se a eficiência no aproveitamento dos formados fosse de 100%, o que não ocorre em nenhuma profissão em nenhum lugar do mundo. Por que isso?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Como nas outras profissões, essa carência é causada pela pequena quantidade de formados no ensino médio e a pouca presença do setor público na oferta de cursos de graduação. Mas, no caso de professores, há outra causa mais marcante: a má perspectiva profissional, em especial quanto à remuneração.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Os números falam por si. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2008, enquanto a renda mensal média na ocupação principal dos trabalhadores com nível superior completo era de aproximadamente R$ 3 mil, a renda média dos professores que têm formação superior e atuam nas redes estaduais ou municipais de educação básica (nas quais está a grande maioria dos estudantes e professores) variava na faixa de R$ 1 mil a R$ 1.600, dependendo do vínculo administrativo (municipal ou estadual) e do nível em que ensinam. Esses valores estão mais próximos da renda dos trabalhadores com ensino médio, cerca de R$ 1 mil mensais. Tal diferença salarial entre professores com formação superior e os demais trabalhadores também com mesmo nível educacional existe, com raríssimas exceções, em todos os municípios e Estados, inclusive no Estado de São Paulo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Não é, portanto, surpreendente que cerca da terça parte dos professores do ensino básico não tenha o nível superior, ou que as taxas de evasão nos cursos de licenciatura sejam altíssimas, ou que perto da metade dos cerca de 2 milhões de potenciais professores com nível superior existentes no País não se dedique ao ensino. Não é também surpreendente o mau desempenho dos estudantes das redes públicas, com muitas &#8220;aulas vagas&#8221; e atendidos por professores sobrecarregados, nem o fato de que muitos dos que concluem o ensino médio estejam insuficientemente preparados e motivados para continuar seus estudos e prover o País com os profissionais de que tanto precisa. Surpreendente seria observarmos o contrário disso.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Como já apontado à exaustão, não há como corrigir nossos problemas educacionais sem um significativo aumento dos recursos públicos. Precisamos melhorar o desempenho dos estudantes e reduzir a evasão escolar, necessitamos de mais (e bons) profissionais em muitas áreas do conhecimento, os ambientes escolares precisam melhorar. Precisamos de mais professores e não podemos depender apenas de abnegados ou militantes, que sacrificam a vida pessoal em nome da educação escolar dos outros, não porque isso não seja bonito e louvável, mas porque não há abnegados em quantidade suficiente. Além disso, a qualidade de uma política pública, qualquer que seja, depende de pessoas bem preparadas e de recursos materiais, não de abnegados ou militantes.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Professores bem preparados e motivados &#8211; embora não suficientes -, essa é condição necessária para se construir um sistema educacional sólido e eficiente. Como corolário, a ausência disso é suficiente para tornar inviável o sistema educacional. Como é esta última a situação que vivemos, vemos fechar-se um círculo vicioso terrível: a falta de professores e a sobrecarga de trabalho são responsáveis pela educação infantil fraca e insuficiente, pela alta evasão e baixa qualidade no ensino básico, pelo pequeno número de jovens que concluem o ensino médio e, finalmente, pouca procura pelos cursos superiores fundamentais para a construção de um País soberano e que garanta a toda a população condições dignas de vida.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">* Respectivamente, professor no Instituto de Física da USP, ex-presidente do INEP e da Associação dos Docentes da USP; professor de Filosofia, Ciências e Letras da USP de Ribeirão Preto, ex-diretor de Tratamento e Disseminação de Informações Educacionais do INEP; doutorando em Administração pela FEA-USP e gestor governamental de Finanças e Controle de Goiás.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Fonte: Estado de S. Paulo</div>
<p><em>Otaviano Helene, José Marcelino de Rezende Pinto e Thiago Alves*</em></p>
<p>O problema da formação de pessoas no País é muito grave. Na creche e na pré-escola, atingimos um nível de atendimento correspondente apenas à metade do previsto no Plano Nacional de Educação (PNE), cujos dez anos de vigência se encerram em breve. No ensino fundamental, estamos atrasados mais de 20 anos em relação ao que nos propusemos na Constituição de 1988, que o definiu como obrigatório: atualmente, uma em cada três crianças deixa o sistema educacional sem completá-lo.</p>
<p>Ao final do ensino médio, a evasão já terá atingido cerca da metade das pessoas, situação muito pior do que nossa realidade econômica e demográfica exige e permite. Quanto ao ensino superior, não apenas não cumprimos o deliberado no PNE, como continuamos com taxas de atendimento próximas à metade da observada em muitos dos nossos vizinhos geográficos ou geopolíticos.</p>
<p>Essa carência educacional se manifesta também, como não poderia deixar de ser, na formação de profissionais de nível superior. Vamos ver qual a nossa situação no caso de duas profissões para as quais há dados internacionais disponíveis. Segundo a Organização Mundial da Saúde, temos 17 médicos para cada 10 mil habitantes, número abaixo da média dos países sul-americanos (19) e perto da metade do que têm Uruguai (39), Argentina (32) e México (29). No caso da engenharia, profissão indicadora das possibilidades de crescimento futuro de um país, temos uma proporção de estudantes em relação à população total próxima da metade da de Índia, China, Argentina ou Chile. Além dos indicadores quantitativos estarem aquém do necessário, temos carências qualitativas graves e má distribuição geográfica dos cursos e dos profissionais.</p>
<p>Vamos ao caso de professores, cujos déficits são enormes: em algumas áreas de conhecimento a quantidade de novos licenciados formados a cada ano é insuficiente sequer para repor o quadro se este estivesse completo e se a eficiência no aproveitamento dos formados fosse de 100%, o que não ocorre em nenhuma profissão em nenhum lugar do mundo. Por que isso?</p>
<p>Como nas outras profissões, essa carência é causada pela pequena quantidade de formados no ensino médio e a pouca presença do setor público na oferta de cursos de graduação. Mas, no caso de professores, há outra causa mais marcante: a má perspectiva profissional, em especial quanto à remuneração.</p>
<p>Os números falam por si. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2008, enquanto a renda mensal média na ocupação principal dos trabalhadores com nível superior completo era de aproximadamente R$ 3 mil, a renda média dos professores que têm formação superior e atuam nas redes estaduais ou municipais de educação básica (nas quais está a grande maioria dos estudantes e professores) variava na faixa de R$ 1 mil a R$ 1.600, dependendo do vínculo administrativo (municipal ou estadual) e do nível em que ensinam. Esses valores estão mais próximos da renda dos trabalhadores com ensino médio, cerca de R$ 1 mil mensais. Tal diferença salarial entre professores com formação superior e os demais trabalhadores também com mesmo nível educacional existe, com raríssimas exceções, em todos os municípios e Estados, inclusive no Estado de São Paulo.</p>
<p>Não é, portanto, surpreendente que cerca da terça parte dos professores do ensino básico não tenha o nível superior, ou que as taxas de evasão nos cursos de licenciatura sejam altíssimas, ou que perto da metade dos cerca de 2 milhões de potenciais professores com nível superior existentes no País não se dedique ao ensino. Não é também surpreendente o mau desempenho dos estudantes das redes públicas, com muitas &#8220;aulas vagas&#8221; e atendidos por professores sobrecarregados, nem o fato de que muitos dos que concluem o ensino médio estejam insuficientemente preparados e motivados para continuar seus estudos e prover o País com os profissionais de que tanto precisa. Surpreendente seria observarmos o contrário disso.</p>
<p>Como já apontado à exaustão, não há como corrigir nossos problemas educacionais sem um significativo aumento dos recursos públicos. Precisamos melhorar o desempenho dos estudantes e reduzir a evasão escolar, necessitamos de mais (e bons) profissionais em muitas áreas do conhecimento, os ambientes escolares precisam melhorar. Precisamos de mais professores e não podemos depender apenas de abnegados ou militantes, que sacrificam a vida pessoal em nome da educação escolar dos outros, não porque isso não seja bonito e louvável, mas porque não há abnegados em quantidade suficiente. Além disso, a qualidade de uma política pública, qualquer que seja, depende de pessoas bem preparadas e de recursos materiais, não de abnegados ou militantes.</p>
<p>Professores bem preparados e motivados &#8211; embora não suficientes -, essa é condição necessária para se construir um sistema educacional sólido e eficiente. Como corolário, a ausência disso é suficiente para tornar inviável o sistema educacional. Como é esta última a situação que vivemos, vemos fechar-se um círculo vicioso terrível: a falta de professores e a sobrecarga de trabalho são responsáveis pela educação infantil fraca e insuficiente, pela alta evasão e baixa qualidade no ensino básico, pelo pequeno número de jovens que concluem o ensino médio e, finalmente, pouca procura pelos cursos superiores fundamentais para a construção de um País soberano e que garanta a toda a população condições dignas de vida.</p>
<p><em>* Respectivamente, professor no Instituto de Física da USP, ex-presidente do INEP e da Associação dos Docentes da USP; professor de Filosofia, Ciências e Letras da USP de Ribeirão Preto, ex-diretor de Tratamento e Disseminação de Informações Educacionais do INEP; doutorando em Administração pela FEA-USP e gestor governamental de Finanças e Controle de Goiás. </em></p>
<p><em>Fonte: Estado de S. Paulo</em></p>
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		<title>O legado que mantém Florestan Fernandes vivo – Por Miriam Limoeiro Cardoso</title>
		<link>http://www.adufpb.org.br/o-legado-que-mantem-florestan-fernandes-vivo-%e2%80%93-por-miriam-limoeiro-cardoso/</link>
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		<pubDate>Thu, 12 Aug 2010 23:29:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Miriam Limoeiro Cardoso*
Há quinze anos, a morte tirou Florestan do nosso convívio. Já faz tanto tempo, e Florestan continua fazendo tanta falta, com sua lucidez, sua coragem, sua inteligência e sua integridade, buscando sempre encontrar a raiz dos grandes problemas postos no seu tempo, tentando problematizá-los de maneira mais consistente tanto teórica quanto politicamente, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Miriam Limoeiro Cardoso*</p>
<p>Há quinze anos, a morte tirou Florestan do nosso convívio. Já faz tanto tempo, e Florestan continua fazendo tanta falta, com sua lucidez, sua coragem, sua inteligência e sua integridade, buscando sempre encontrar a raiz dos grandes problemas postos no seu tempo, tentando problematizá-los de maneira mais consistente tanto teórica quanto politicamente, apontando assim novos caminhos para enfrentá-los, tendo sempre como norte as possibilidades da construção de uma sociedade nova, socialista. Florestan fala de “utopias igualitárias e libertárias, de fraternidade e felicidade entre os seres humanos”.</p>
<p>Guardamos dele sua lembrança e seu exemplo. Acima de tudo, porém, podemos mantê-lo presente (a nós e, principalmente, às nossas lutas) por meio do legado que nos deixou com os seus escritos. Aí suas idéias, suas formulações e seus embates – teóricos e políticos – continuam vivos, atuais, presentes, motivadores. Aí podemos continuar a falar de Florestan no tempo presente, e assim recolher seu ensinamento para enriquecer o pensamento e para clarificar o encaminhamento das lutas que o presente requer.</p>
<p>Florestan Fernandes construiu uma obra que o transcende como pessoa e que contém contribuições teóricas e metodológicas de grande relevância para as Ciências Sociais. Sua obra não faz dele apenas um grande sociólogo no Brasil, mas o inscreve entre os grandes sociólogos das Ciências Sociais em nível internacional.</p>
<p>Transformou em profundidade o padrão do trabalho científico da Sociologia no Brasil, configurando o que para ele constituía a Sociologia crítica. De acordo com Florestan, a produção desta Sociologia resulta da conjugação de dois esforços simultâneos. Por um lado, requer trabalho rigoroso e metódico de pesquisa balizada por padrões propriamente científicos. Por outro lado, ciente de que a neutralidade científica é um mito, requer que o próprio trabalho científico assuma compromisso ético e político com a transformação social em favor dos oprimidos e humilhados. Assim, para Florestan Fernandes, a Sociologia crítica é ciência que, no movimento mesmo de fazer-se como ciência, é engajada.</p>
<p>A obra de Florestan Fernandes é vasta e complexa. Há, porém, uma linha de investigação, que atravessa toda a sua produção madura, que confere conteúdo histórico, sociológico e político à ótica dos dominados e à perspectiva de transformação social, das quais Florestan jamais se afastou. É a investigação que o leva à formulação do seu conceito de capitalismo dependente como uma forma específica do desenvolvimento capitalista. Este conceito e sua teorização constituem uma contribuição teórica e metodológica importantíssima de Florestan Fernandes para a teoria do desenvolvimento capitalista. E abriga conseqüências políticas da maior relevância. Levá-las em consideração pode afetar significativamente o posicionamento quanto a políticas voltadas para a transformação social mais efetiva e mais profunda. Trata-se, portanto, de questões que permanecem importantes no cenário político.</p>
<p>O grande problema posto era o chamado “desenvolvimento”. Era apresentado como um problema econômico a demandar equacionamento político. Tal como estava posto, esse problema continha também um quadro supostamente teórico, a oferecer sentido às políticas supostamente necessárias para “resolver” o problema que desse modo era proposto: as chamadas “teorias” da modernização ou do desenvolvimento.</p>
<p>À época, essas “teorias” eram bastante discutidas e criticadas no âmbito acadêmico, mas Florestan foi dos primeiros a questioná-las mais a fundo, em pesquisa que o levou a teorizar o capitalismo dependente. Ao tempo em que Florestan finalizava a sua concepção do capitalismo dependente como um conceito, e logo depois que ele tornou pública a sua formulação, a chamada “escola da dependência” ensaiava seus primeiros passos, mas estancava a meio caminho entre as “teorias” do desenvolvimento/ modernização e a teorização de Florestan sobre o capitalismo dependente. Na verdade, os dependentistas se aproximavam de uma parte das descobertas/construções teóricas e metodológicas de Florestan, mas as despiam de alguns de seus atributos essenciais, exatamente aqueles que colocavam em questão o desenvolvimento desigual e combinado da expansão do capitalismo naquele momento.</p>
<p>Para teorizar o capitalismo dependente, Florestan se opõe às noções de desenvolvimento e de subdesenvolvimento oriundas das concepções evolucionistas e deterministas das chamadas “teorias” da modernização. Nega essas duas noções e, para analisar, compreender e ser capaz de explicar a condição da nossa sociedade (e das sociedades que Florestan identificava na sua teorização como sendo do mesmo tipo que a nossa), recorre às formulações sobre o imperialismo.</p>
<p>Ao entender o desenvolvimento desigual e combinado do capitalismo da perspectiva dos povos e das regiões que a expansão capitalista mundial incorpora, Florestan consegue dar conta de que esse processo mesmo de incorporação implica necessariamente submeter esses povos e essas regiões, sob formas historicamente diferenciadas, aos desígnios e aos interesses maiores do capital que deste modo se realiza e se amplia.</p>
<p>A compreensão do capitalismo dependente como especificidade da expansão do capitalismo em sua fase monopolista permite entender que o “desenvolvimento” que essa expansão propõe para as regiões para as quais se dirige é desenvolvimento desse capitalismo monopolista e que significa incorporar essas regiões submetendo-as. Esta concepção do capitalismo dependente em Florestan Fernandes contém ainda dois desdobramentos muito importantes. Primeiro, que os setores dominantes locais das regiões tornadas capitalistas dependentes têm participação ativa e decisiva para a concretização da política que visa aquele “desenvolvimento”. Para Florestan, eles são parceiros, menores e subordinados, mas parceiros, do grande capital em expansão pelo mundo. São intermediários, mas enquanto intermediários são imprescindíveis, e contam com um retorno para si dos ganhos desse modo obtidos pelo capital em expansão. Esta lógica implica uma super-exploração dos trabalhadores e da massa da população das regiões capitalistas dependentes.</p>
<p>Segundo, que a democracia possível sob o capitalismo dependente é sempre uma democracia restrita, a tal ponto que é mais correto designá-la como uma autocracia, na qual a grande maioria do povo fica excluída dos direitos, direitos que supostamente uma democracia deveria estender a todos os cidadãos. Desse modo, a super-exploração implica também como conseqüência uma super-dominação do conjunto dos setores subalternizados da população nessas regiões.</p>
<p>Algumas vezes se tenta separar o Florestan Fernandes cientista e o Florestan Fernandes político. É preciso considerar, porém, que a descoberta da verdade da dominação, da submissão, da subalternização ou da exploração, é, como tal, profundamente questionadora da realidade social estruturada sobre esses processos de dominação, de submissão, de subalternização ou de exploração. De tal modo que a exposição desses processos é em si mesma profundamente política, e tanto mais eficaz na crítica que contém quanto mais clara e sistematicamente fundamentada.</p>
<p>Estas são análises estruturais, nas quais, no entanto, é possível encontrar a profundidade das raízes das tendências e dos comportamentos políticos das classes dominantes das regiões capitalistas dependentes. Florestan, no entanto, está sempre atento também às conjunturas e sabe perfeitamente que para ser concreta uma análise precisa conjugar os determinantes estruturais com os condicionantes conjunturais. Era desse modo que ele procurava trabalhar.</p>
<p>Esse tipo de pesquisa científica, abrangente e crítica, bem como o magistério que o acompanhava de perto, onde mais poderiam ser realizados a não ser na universidade pública? Em 25 de abril de 1969, com base no Ato Institucional nº 5, a ditadura imposta no Brasil pelo golpe civil-militar de 1964 excluiu Florestan Fernandes do serviço público em todo o território nacional. Cortava assim irremediavelmente a continuidade de pesquisa científica importante, conduzida por ele e por seus assistentes e colaboradores mais próximos, pesquisa que era resultado de trabalho longamente acumulado em instituição acadêmica superior que, enquanto instituição pública de ensino superior, se supunha resguardada em sua autonomia pedagógica, didática e de pesquisa. Mas tal suposição o arbítrio da ditadura revelou ser equivocada.</p>
<p>Com essa exclusão, Florestan perdeu o locus próprio para exercer o seu ofício como cientista. Precisou redimensionar suas atividades. Continuou suas pesquisas, mas desde então sem a interlocução permanente e sistemática de seus colegas e colaboradores e de seus estudantes, e sem apoio institucional, portanto de forma mais dispersa e descontinuada. Mesmo assim, retomou o seu trabalho individualmente, seguiu pesquisando e publicando os resultados de seus estudos, produzindo análises sempre lúcidas, perspicazes e iluminadoras.</p>
<p>Um dos traços marcantes da vida e da trajetória de Florestan foi sempre a defesa da educação pública, gratuita, laica, de qualidade, para todos. Na primeira Campanha em Defesa da Escola Pública, Florestan foi muito atuante e combativo e sua liderança foi reconhecida como fator importante da ampliação e da consistência da Campanha. Mas não apenas em momentos de grande mobilização como aquele, Florestan Fernandes esteve sempre presente com seu apoio claro, público e firme a todas as reivindicações e lutas dos movimentos dos professores, dos educadores e dos estudantes, de todos os níveis, em defesa da educação pública e gratuita, da elevação da sua qualidade e da sua democratização.</p>
<p>Como Deputado Federal Constituinte, Florestan foi o interlocutor privilegiado que o Forum Nacional em Defesa do Ensino Público e Gratuito na Constituinte teve na Subcomissão e na Comissão de Educação do Congresso Constituinte. Sua atuação para a melhor acolhida às propostas do Fórum foi importantíssima. Mas Florestan dialogava diretamente com o Forum e com os movimentos que o constituíam e chegava mesmo a ajudar, com sua análise sempre atenta e perspicaz, a nossa gestão das dificuldades criadas pelos inevitáveis atritos iniciais e conflitos eventuais entre os encaminhamentos de tantos movimentos de setores diferenciados no interior do Forum. Sem o Deputado Federal Constituinte Florestan Fernandes as lutas pela defesa da educação pública na Constituinte certamente teriam sido ainda muito mais difíceis do que foram.</p>
<p>A educação foi sempre um tema muito caro a Florestan, tema sobre o qual ele elaborou uma extensa e fecunda produção. Se há um fundo comum a essa produção, ele se forma em torno da educação pública gratuita de alta qualidade e altamente democratizada. Afinal, a escola pública e as bibliotecas públicas foram fundamentais para a vida de Florestan, aquele jovem de origem lumpen que se viu obrigado pelas necessidades de sobrevivência a trabalhar desde os seis anos de idade e que vislumbrou na educação a perspectiva de, por meio de seu próprio esforço, determinação e disciplina, poder transformar a sua condição social para, como ele dizia, “tornar-se gente” e ser reconhecido “como gente”. Leitor voraz, com sua inteligência e sua aplicação permanente à busca de saber, Florestan perseguiu, com determinação obstinada os seus objetivos através da educação e a partir do campo da educação tornou-se Florestan Fernandes, reconhecido nacional e internacionalmente como grande cientista, como grande professor e como destacado intelectual defensor das grandes causas dos dominados e subalternizados, dos oprimidos e humilhados.</p>
<p>* Mirim Limoeiro Cardoso é professora aposentada do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ.</p>
<p>Fonte: ANDES-SN</p>
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		<title>5 de agosto: Aniversário da cidade de Nossa Senhora das Neves</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Aug 2010 16:09:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>renata</dc:creator>
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		<description><![CDATA[5 DE AGOSTO CIDADE N. S. DAS NEVES
(*) José Flávio Silva
 
Posso está enganado com a sequência dos fatos ocorridos sobre a cidade de N. S. das Neves. Entendo que os conquistadores Martim Leitão, João Tavares e Frutuoso Barbosa encontraram-se no topo da colina, onde logo abaixo, no sopé, serpenteava, volumoso em água, um rio, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">5 DE AGOSTO CIDADE N. S. DAS NEVES</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">(*) José Flávio Silva</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;"><span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Posso está enganado com a sequência dos fatos ocorridos sobre a cidade de N. S. das Neves. Entendo que os conquistadores Martim Leitão, João Tavares e Frutuoso Barbosa encontraram-se no topo da colina, onde logo abaixo, no sopé, serpenteava, volumoso em água, um rio, conhecido entre os naturais por Para-aiba, nas indicação cartográfica, da época, Parayba. Contemplaram, até onde os olhos alcançavam, a vastidão verde, selvagem e inóspita. Então decidiram: é aqui que serão edificados os prédios para estruturar a cidade. Ao lado deles estavam alguns padres da Companhia de Jesus. Consenso religioso entre si, batizaram o terreno com o nome de N. S. das Neves. Porque N. S. das Neves? Porque o dia 5 de agosto é dedicado à senhora das neves (1).</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O segundo fato, antes de iniciar-se a construção, acrescentou-se o nome de Felipeia ao nome da cidade, ficando Felipeia de N. S. das Neves.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O terceiro fato aconteceu algumas décadas depois. Em 1635, Felipeia de N. S. das Neves foi cognominada de Frederickstadt, por imposição dos holandeses. A conquista da capitania da Parahyba realizou-se no ano anterior. Os batavos dominavam a cidade e algumas localidades circunvizinhas, principalmente os engenhos de fabricação de açúcar.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Certamente, a cidade era um pandemônio lingüístico, convivia-se com quatro línguas: 1) Felipeia de N. S. das Neves (português/espanhol); 2) Frederickstadt (holandês); 3) Frederica (português); 4) Parayba (tupi).</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">As águas seguem o leito do rio. A ideia segue uma linha que lhe dá sustentação. O filósofo pré-socrático Heráclito mencionava as águas do rio, para posicionar-se na sua ideia de movimento. Assinando em baixo dessa proposta o filósofo alemão Hegel, acrescentou que a ideia era o fio condutor da dialética. A cidade da Parahyba é a linha que sustenta a ideia de cidade. As águas que percorrem o leito do rio têm sua fonte. A origem do nome Para-aiba vem do tronco lingüístico tupi, língua que não conhecia metafísica. No entanto, forneceu o nome para o rio que batizou a capitania da Parahyba.  Significa dizer que antes da criação da capitania, o rio já era conhecido entre os potiguar, aquele acima citado.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Os nomes N. S. das Neves, Felipeia de N. S. das Neves e Frederickstadt, não vingaram porque foram, parece-me, impostos pelos dominadores: portugueses, espanhóis e batavos. No entanto, Parahyba era a capitania e as pessoas ligavam, umbilicalmente, Parahyba como território e Parahyba como sede, assim como os municípios têm os seus nomes e as suas sedes os mesmos nomes. Confundia-se capitania e sede. Alguns documentos da primeira metade do século XVII dão conta disso. Elza Regis, professora aposentada da UFPB e outros pesquisadores foram até os arquivos armazenados em Portugal à procura de documentos sobre a capitania. Não encontraram quaisquer documentos encabeçados com o nome Felipeia de N. S. das Neves, ou simplesmente Felipeia. É o que consta do catálogo publicado pela Editora Universitária da UFPB.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O dia 5 de agosto não é o dia de aniversário de nascimento da pessoa João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque. Este é 24 de janeiro. Nem é aniversário de João Pessoa capital, assunto para outro artigo. Este é 4 de setembro. Portanto, o batizado da capital da Paraíba, hoje, outrora denominada N. S. das Neves, foi no dia 5 de agosto de 1585. Como batismo é sacramento, seguindo a doutrina católica, isto quer dizer, é indelével, ou seja, uma vez batizada não há como retirar o caráter do batismo. Não há como mudar essa data natalícia.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Portanto, quem aniversaria no dia 5 de agosto de 2010 é a cidade de N. S. das Neves, em conexão com a capitania da Parahyba. Difícil é separar, neste contexto, Parahyba capitania, de Parahyba sede, por imposição dialeticamente histórica.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">____________________</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">(1) Joaquim Antonio Marques, vigário da Cidade da Parahyba, na primeira metade do século XIX, no “Sermão N. S. das Neves”, explica o porquê o nome N. S. das Neves.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">(*) José Flávio Silva: professor aposentado da UFPB.</div>
<p>(*) José Flávio Silva</p>
<p><span style="white-space: pre;"> </span></p>
<p><a href="http://www.adufpb.org.br/wp-content/uploads/2010/08/joaopessoa_aniversário.png"><img class="alignright size-medium wp-image-1222" title="joaopessoa_aniversário" src="http://www.adufpb.org.br/wp-content/uploads/2010/08/joaopessoa_aniversário-300x211.png" alt="joaopessoa_aniversário" width="300" height="211" /></a>Posso está enganado com a sequência dos fatos ocorridos sobre a cidade de N. S. das Neves. Entendo que os conquistadores Martim Leitão, João Tavares e Frutuoso Barbosa encontraram-se no topo da colina, onde logo abaixo, no sopé, serpenteava, volumoso em água, um rio, conhecido entre os naturais por Para-aiba, nas indicação cartográfica, da época, Parayba. Contemplaram, até onde os olhos alcançavam, a vastidão verde, selvagem e inóspita. Então decidiram: é aqui que serão edificados os prédios para estruturar a cidade. Ao lado deles estavam alguns padres da Companhia de Jesus. Consenso religioso entre si, batizaram o terreno com o nome de N. S. das Neves. Porque N. S. das Neves? Porque o dia 5 de agosto é dedicado à senhora das neves (1).</p>
<p>O segundo fato, antes de iniciar-se a construção, acrescentou-se o nome de Felipeia ao nome da cidade, ficando Felipeia de N. S. das Neves.</p>
<p>O terceiro fato aconteceu algumas décadas depois. Em 1635, Felipeia de N. S. das Neves foi cognominada de Frederickstadt, por imposição dos holandeses. A conquista da capitania da Parahyba realizou-se no ano anterior. Os batavos dominavam a cidade e algumas localidades circunvizinhas, principalmente os engenhos de fabricação de açúcar.</p>
<p>Certamente, a cidade era um pandemônio lingüístico, convivia-se com quatro línguas: 1) Felipeia de N. S. das Neves (português/espanhol); 2) Frederickstadt (holandês); 3) Frederica (português); 4) Parayba (tupi).</p>
<p>As águas seguem o leito do rio. A ideia segue uma linha que lhe dá sustentação. O filósofo pré-socrático Heráclito mencionava as águas do rio, para posicionar-se na sua ideia de movimento. Assinando em baixo dessa proposta o filósofo alemão Hegel, acrescentou que a ideia era o fio condutor da dialética. A cidade da Parahyba é a linha que sustenta a ideia de cidade. As águas que percorrem o leito do rio têm sua fonte. A origem do nome Para-aiba vem do tronco lingüístico tupi, língua que não conhecia metafísica. No entanto, forneceu o nome para o rio que batizou a capitania da Parahyba.  Significa dizer que antes da criação da capitania, o rio já era conhecido entre os potiguar, aquele acima citado.</p>
<p>Os nomes N. S. das Neves, Felipeia de N. S. das Neves e Frederickstadt, não vingaram porque foram, parece-me, impostos pelos dominadores: portugueses, espanhóis e batavos. No entanto, Parahyba era a capitania e as pessoas ligavam, umbilicalmente, Parahyba como território e Parahyba como sede, assim como os municípios têm os seus nomes e as suas sedes os mesmos nomes. Confundia-se capitania e sede. Alguns documentos da primeira metade do século XVII dão conta disso. Elza Regis, professora aposentada da UFPB e outros pesquisadores foram até os arquivos armazenados em Portugal à procura de documentos sobre a capitania. Não encontraram quaisquer documentos encabeçados com o nome Felipeia de N. S. das Neves, ou simplesmente Felipeia. É o que consta do catálogo publicado pela Editora Universitária da UFPB.</p>
<p>O dia 5 de agosto não é o dia de aniversário de nascimento da pessoa João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque. Este é 24 de janeiro. Nem é aniversário de João Pessoa capital, assunto para outro artigo. Este é 4 de setembro. Portanto, o batizado da capital da Paraíba, hoje, outrora denominada N. S. das Neves, foi no dia 5 de agosto de 1585. Como batismo é sacramento, seguindo a doutrina católica, isto quer dizer, é indelével, ou seja, uma vez batizada não há como retirar o caráter do batismo. Não há como mudar essa data natalícia.</p>
<p>Portanto, quem aniversaria no dia 5 de agosto de 2010 é a cidade de N. S. das Neves, em conexão com a capitania da Parahyba. Difícil é separar, neste contexto, Parahyba capitania, de Parahyba sede, por imposição dialeticamente histórica.</p>
<p>____________________</p>
<p>(1) Joaquim Antonio Marques, vigário da Cidade da Parahyba, na primeira metade do século XIX, no “Sermão N. S. das Neves”, explica o porquê o nome N. S. das Neves.</p>
<p>(*) José Flávio Silva: professor aposentado da UFPB.</p>
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		<title>Homenagem ao Prof. Radegundis (Depto. Música/CCHLA/UFPB)</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jul 2010 13:15:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[RADEGUNDIS
Murilo Bemardo
Seu trombone calou para sempre,
Seu metal não brilha mais.
Os lábios mágicos que o sopravam,
As mãos malabaristas que o manejavam,
Em maravilhoso ritmo e harmonia,
De repente,
De forma dolorosa, viraram cinzas.
Seus solos, agora, levados pelo vento
Da saudade e agonia,
Fazem dueto com as águas do rio Piancó,
, Que parecem rezar como um monastério,
Pelo desaparecimento de tão expressivo filho,
De [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>RADEGUNDIS</strong></p>
<p><em>Murilo Bemardo</em></p>
<p>Seu trombone calou para sempre,<br />
Seu metal não brilha mais.</p>
<p>Os lábios mágicos que o sopravam,</p>
<p>As mãos malabaristas que o manejavam,<br />
Em maravilhoso ritmo e harmonia,</p>
<p>De repente,</p>
<p>De forma dolorosa, viraram cinzas.</p>
<p>Seus solos, agora, levados pelo vento<br />
Da saudade e agonia,</p>
<p>Fazem dueto com as águas do rio Piancó,</p>
<p>, Que parecem rezar como um monastério,<br />
Pelo desaparecimento de tão expressivo filho,<br />
De tão fantástico músico.</p>
<p>Se fez pássaro musical.<br />
Voou países e continentes;<br />
E nenhum viveiro dourado</p>
<p>Onde se exibiu, conseguiu prendê-lo.<br />
Pois, a Paraíba, Itaporanga, a UFPB</p>
<p>E seu trombone, faziam parte de seu ser,<br />
Como sua vida e sua sombra.</p>
<p>Somente, hoje, separados,</p>
<p>Pela dor de sua morte prematura.</p>
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		<title>Radegundis e Mário: Viver e morrer</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Jul 2010 18:15:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>renata</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Jaldes Reis de Meneses
A súbita notícia de morte, o redemoinho de uma notícia em cima da outra, de dois professores – Radegundis Feitosa e Mário Assad – me deixou com um sentimento incomum de consternação, parecido com a vontade de poesia, que só pode ser expiado pela catarse da escrita. A cerimônia de adeus aos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Jaldes Reis de Meneses</em></p>
<p>A súbita notícia de morte, o redemoinho de uma notícia em cima da outra, de dois professores – Radegundis Feitosa e Mário Assad – me deixou com um sentimento incomum de consternação, parecido com a vontade de poesia, que só pode ser expiado pela catarse da escrita. A cerimônia de adeus aos dois companheiros de profissão me fez voltar à mente os temas da vida e da morte num grau parecido com o da morte de meu pai, há dois anos passados.</p>
<p>Não fui amigo íntimo de nenhum dos dois, cruzaram o meu caminho na condição de colegas de profissão com os quais em certas ocasiões compartilhei combates e atividades em comum e de que passei a admirar o evidente valor pessoal. Uma das orações do Padre Vieira sentencia: os discursos de quem não viu, são discursos, os discursos de quem viu são profecias. Com a devida vênia de Vieira, vou dar uma de profeta do passado. Tenho a di zer por testemunho direto de quem viu: foram duas vidas plenas de realização do talento. Eram duas personalidades, talvez uma desconhecida da outra &#8211; não sei -, que, ao menos aos meus olhos em retrovisor, agora se completam.</p>
<p>Por manifesto, me abstenho de demorar em dissertar a genialidade musical de Redegundis, como também das contribuições de Mário Assad, trabalhador profícuo, ao desenvolvimento da ciência e tecnologia, principalmente a Internet, na UFPB e na Paraíba. Artista e cientista, ambos eram figuras dotadas de enorme senso de humor, sustentado em alta voltagem de senso prático. Se couber um truísmo, a gente não repara, mas a vida realmente é bela. Não estamos na presença de generais nem de celebridades, de heróis sacrifiçais nem de profetas, mas de talentos de vida comum, cuja ventura encontra-se na fidelidade ao desejo de realizar a condição de músico e de físico.</p>
<p>Alguns, arguindo uma psicanálise simplificada, tendem a considerar a impossibilidade de realização do desejo um poço permanente de infelicidade, de derrota lúgubre do sujeito. É preciso ir devagar com o andor: para mim, a fidelidade do desejo guarda distância do ato de sublimar o ato sexual em arte e ciência, explicação do senso comum psicanalítico. A fidelidade ao desejo define a vida tanto de Radegundis como de Mário. Fidelidade é diferente de fé religiosa, que pode vir a ser uma inerte contemplação metafísica; em ambos, Radegundis e Mário, ao contrário, a escolha em ser músico ou físico, estava além da simples inserção no mercado de trabalho, eram projetos criativos em execução por toda a existência. Por isso, o senso de humor e o senso prático eram característicos nos dois. Não sei bem de Mário, mas Radegundis carregava o trombone por todo lugar, a qualquer momento de um encontro, sacava do instrumento e punha-se a tocar maravilhosamente: isso é que é fidelidade ao desejo, aquilo que equivocada mente algumas pessoas chamam de obsessão do artista ou do cientista e que nada tem a ver com alienação.</p>
<p>Procuro fazer uma distinção entre a admiração à singeleza dos que conseguiram a felicidade através de uma persistente fidelidade ao desejo e a falsa grandiloqüência do culto dos grandes ídolos. Os ídolos são como semideuses, preenchem involuntariamente os nossos recalques, mas não necessariamente são fieis ao próprio desejo, por isso muitos deles padecem infelizes. Os ídolos da cultura de massas são os substitutos dos deuses do Olimpo. Nada vale a pena se a alma fica pequena: de nada vale o reconhecimento da obra se ela presta desserviço à autonomia plena de si mesmo (Foucault tinha uma expressão que reproduz o que pretendo dizer: uma vida que exercite a liberdade da vontade ao mesmo tempo em que realiza a obra como plenitude, o cuidado de si). Reconhecidos, todavia distantes do estridente sucesso de celebridades, companheiros que já se f oram de nosso cotidiano, a obra de Radegundis e Mário ficam como fonte de exemplo: assim que se deve viver a vida, cuidar de si pela fidelidade a si mesmo é regar pelo exemplo a vida alheia.</p>
<p>A taça de vinho da vida é incomensurável, pois desfrutemo-la seguindo o exemplo de Radegundis e Mário.</p>
<p>blog: http://jaldes-campodeensaio.blogspot.com/</p>
<p>coluna: http://www.wscom.com.br/blog/jaldesmenezes</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>A nova Conferência de Teerã</title>
		<link>http://www.adufpb.org.br/a-nova-conferencia-de-teera/</link>
		<comments>http://www.adufpb.org.br/a-nova-conferencia-de-teera/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 21 May 2010 19:19:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>renata</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Jaldes Reis de Meneses
Em relações internacionais inexistem país e chefe de Estado “ingênuo” nem se improvisa em assunto sério: Lula jamais se deslocaria até o Irã de mãos abanando, caso o script não tivesse sido muito bem ensaiado anteriormente pela visita providencial do chanceler Celso Amorim e a equipe diplomática do Itamaraty.
Político experiente, Lula jamais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Jaldes Reis de Meneses</em></p>
<p>Em relações internacionais inexistem país e chefe de Estado “ingênuo” nem se improvisa em assunto sério: Lula jamais se deslocaria até o Irã de mãos abanando, caso o script não tivesse sido muito bem ensaiado anteriormente pela visita providencial do chanceler Celso Amorim e a equipe diplomática do Itamaraty.</p>
<p>Político experiente, Lula jamais arriscaria o prestigio internacional e principalmente interno (em tempos de eleição presidencial) desprovido do aceno (senão a certeza) da concertação de um acordo. Toda essa perfumaria é bobagem, a nuvem de fumaça que freqüentemente circula na imprensa e na internet com o objetivo de desviar o foco dos verdadeiros interesses em jogo.</p>
<p>Dessa maneira, tanto Barack Obama como Hillary Clinton evidentemente sabiam de antemão que algum tipo de acordo sairia dos Palácios atapetados de Teerã. O objetivo da desqualificação da posição de Lula e do Brasil sob o epiteto de “ingênuos” é por demais óbvia: salvaguardar a possibilidade de criticar duramente o acordo a posteriori, menos pelo conteúdo – já que outro parecido foi proposto no Conselho de Segurança da ONU, há oito meses passados, em Viena, na sede da AIEA, a agência nuclear das Nações Uniddas –, mais pela fábula de encenação logro do cordeiro (Lula) pela raposa (Ahmadinejad). Embora Mahmoud Ahmadinejad seja um raposa de alta periculosidade, Lula, nem de longe, é um cordeiro.</p>
<p>Qual verdadeiro motivo escondido na ação adrede de desqualificar o acordo?</p>
<p>O senhor da guerra deve ser também o senhor da paz. Logo no começo do governo, o próprio Obama acenou explicitamente negociar com o regime iraniano; em seguida, recuou, face ao jogo de morde e assobra encenado pelo Irã (aceitação protocolar dos acordo s de Viena e seguir tocando o projeto nuclear). Sejamos claros, qualquer que fosse o acordo, até mesmo, por absurdo, a rendição política do Irã, não interessa aos Estados Unidos (menos ainda a Israel) novos interlocutores diplomáticos no circuito geopolítico do Oriente Médio e da Ásia Menor, do mundo árabe e da nação persas, ambos de extração religiosa mulçumana.</p>
<p>Especificamente às relações entre os Estados Unidos e o Irã, há no passado remoto um divisor político emblemático não cicatrizado, ao contrário, exponenciado pela Revolução Xiita de 1979, comandada pelo Aiatolá Khomeini: foram os Estados Unidos que derrubaram o governo constitucional e nacionalista de Mohammed Mossadegh em 1953, tendo feito retornar a monarquia tirânica do Xá Reza Parlev. A operação do golpe de Estado de 1953 foi fundamental no sentido de acantonar os interesses de cobiça da principal região produtora mundial de petróleo no mundo, aliás, manif estos desde a Segunda Grande Guerra.</p>
<p>Neste ínterim, vale uma pequena digressão histórica: houve uma primeira Conferência de Teerã em 1943, no calor dos combates da Segunda Guerra Mundial, com as ilustres presenças de Stalin (URSS), Churchill (Império Inglês) e Roosevelt (EUA), ocasião em que foi decidido libertar a França pela região da Normadia. Durante a conferência, o Presidente Roosevelt mandou emissários à família Saud, na Arábia Saudita, propondo a criação, depois da guerra, de fontes permanentes de abastecimento de petróleo.</p>
<p>Das primeiras tratativas de negócios à ocupação militar preventiva. Um exame de relance no mapa fronteriço ao Irã elucida um fato insofimável: as tropas americanas (250 mil soldados) ocupam dois territórios vizinhos, o Iraque e o Afeganistão. Há, portanto, uma presença norte-americana saturada, inclusive militar, na região. Em consequência, o alarido de novos interlocutores é desiteress ante no jogo duro dos grandes do mundo.</p>
<p><em>Artigo também postado no portal wscom.com.br, em 18/05/10</em></p>
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		<title>Nota: Em defesa dos docentes aposentados</title>
		<link>http://www.adufpb.org.br/nota-em-defesa-dos-docentes-aposentados/</link>
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		<pubDate>Wed, 19 May 2010 12:26:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>renata</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[aposentados]]></category>

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		<description><![CDATA[EM DEFESA DOS DOCENTES APOSENTADOS
MENSAGEM AOS PARLAMENTARES
Srs. Parlamentares
Dirigimo-nos aos Srs. para expressar nosso sentimento de indignação e nossa absoluta desconformidade em relação à forma como os docentes das Instituições de Ensino Superior em nosso pais, sobretudo os do segmento dos aposentados, vem sendo tratados, quer pelos Governos Federais, Estaduais  e Municipais, quer pelo patronato privado. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">EM DEFESA DOS DOCENTES APOSENTADOS</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">MENSAGEM AOS PARLAMENTARES</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Srs. Parlamentares</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Dirigimo-nos aos Srs. para expressar nosso sentimento de indignação e nossa absoluta desconformidade em relação à forma como os docentes das Instituições de Ensino Superior em nosso pais, sobretudo os do segmento dos aposentados, vem sendo tratados, quer pelos Governos Federais, Estaduais  e Municipais, quer pelo patronato privado. Nesse sentido, solicitamos atenção para o que segue:</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">NOSSO PAPEL</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Não é preciso destacar o relevante papel que cumprimos no campo da educação superior, garantindo, nessas Instituições, mesmo que em condições adversas, insubstituíveis e relevantes trabalhos para o desenvolvimento da nossa sociedade.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Nossa atuação nos campos da formação profissional, nos mais variados ramos de atividade, em especial da própria educação preparando novos educadores, da pesquisa científica e da inovação tecnológica, condição indispensável para alavancar um desenvolvimento soberano, sem falar no trabalho de prestação de serviços à comunidade, complementando a rede assistencial pública, sabidamente insuficiente frente as necessidades da nossa população, é fator essencial para qualquer política comprometida com o projeto de sociedade que almejamos para o nosso país.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Entretanto, a preservação do princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e  extensão, imprescindível para que se garanta educação superior de qualidade só pode ser alcançada se as condições de exercício profissional dos docentes forem respeitadas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">AS DIFICULDADES E OS ATAQUES</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A precarização das condições de trabalho, os baixos patamares de remuneração, hoje sob ameaça de congelamento, a política de arrocho salarial, a ausência e as constantes mudanças nos planos de carreira &#8211; formulados sem critérios, pela ausência de um plano de diretrizes gerais, que demarque os princípios que devem ser respeitados para a elaboração desses estatutos, independente de seus vínculos e dos níveis de ensino a que se destinem as carreiras &#8211; a redução dos quadros funcionais, o emprego de professores substitutos em caráter permanente, o aumento da carga de trabalho, as exigências absurdas de produtividade, a ausência de planos de capacitação e as crescentes formas de assédio moral que vem sendo desenvolvidas nos locais de trabalho, são alguns dos elementos que ameaçam o presente e o futuro de nossa categoria profissional, que por tudo isso vem sendo levada a crescentes níveis de adoecimento, conforme comprovam as pesquisas e os registros médicos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O exemplo mais emblemático desse descaso e do futuro que se desenha, caso persistam tais condições, estão expressos, hoje, nas condições de vida, nos ataques e nas perdas que vem sofrendo os docentes aposentados da educação superior de nosso país.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Nos defrontamos, hoje, com inúmeras questões que refletem esse quadro de abandono e irresponsabilidade, entre elas:</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">a) Somos vítimas de assédio moral! Carregamos o estigma de “marajás”, “vagabundos” e “peças descartadas” que passam  a simbolizar, em função do discurso desqualificante que os Governantes passaram a utilizar, argumentos a  justificar as medidas punitivas que vem empregando em relação aos aposentados , em geral;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">b) Perdemos o estatuto da paridade e da isonomia, sob a justificativa de que isso impedia a implantação de uma política salarial para os servidores da ativa;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">c) Convivemos com um  cipoal de regras de aposentadoria, que foram implantadas com o objetivo de dificultar o processo de aposentação, ampliando nossa jornada de trabalho e obrigando-nos a comprovar nosso tempo de contribuição, num contexto onde a regra  nas relações de trabalho, ainda convive com o trabalho informal;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">d) Temos de nos submeter ao famigerado “fator previdenciário” que impôs perdas salariais e maior tempo de exploração de nossa força de trabalho;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">e) Somos obrigados a recolher contribuição para o INSS, ainda que o tenhamos feito, durante todo tempo de vida funcional, em um processo de retributação injustificável;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">f) Submetem-nos a perdas financeiras e a perda de status, em função das regras de transposição quando das alterações nas carreiras;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">g) Negam-nos reajustes salariais equivalentes aos percentuais de correção do Salário Mínimo, impondo-nos perdas crescentes e desvalorização gritantes em nossos proventos de aposentadoria e pensões;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">h) Obrigam-nos a recorrer a justiça para garantir direitos que a suprema corte judicial, o STF  e o STJ, já nos deram direito de causa, como é o caso da aplicação do Mandado de Injunção 880;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">i) Sofremos discriminação salarial quando da criação de gratificações de desempenho no serviço público, na medida que são atribuídos valores diferenciados para pagamento de ativos e aposentados;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">NÃO HÁ O QUE JUSTIFIQUE OS ATAQUES AOS DOCENTES APOSENTADOS</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Os dados levantados pela Auditoria Cidadã da Divida, assim como as publicações anuais da ANFIP, por todos conhecidos, demonstram a falácia da inexistência de recursos ou de déficit dos orçamentos da seguridade social. Não existe argumento econômico capaz de justificar a insuficiência de recursos para a educação, assim como para o pagamento dos salários e dos benefícios previdenciários daqueles que a ela se dedicam, onde se incluem os proventos de aposentadoria e a pensão aos dependentes, como vem acontecendo de há muito tempo em nosso país. Com esse verdadeiro abandono, quebra-se, um dos pilares de qualquer proposta séria que objetive a construção de uma sociedade soberana, mais humana, justa, igualitária e solidária.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">As difíceis condições de vida e o estigma a que são submetidos os aposentados são o “prêmio” que recebem por terem dedicado seu trabalho à construção de nossas Universidades e terem dado sua contribuição ao desenvolvimento de nosso país.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Além disso, a onda de reformas (previdenciária, trabalhista, da educação, entre outras) e de alterações na legislação infra-constitucional, a título de reestruturar o Estado, adaptando-o a um novo modelo de gestão, preconizado pelo neoliberalismo, tem servido não apenas para ajustar a função das Instituições ao novo papel que devem cumprir para atender aos interesses do capital, mas, também e sobretudo, para “adaptar” os trabalhadores a essa maquiavélica lógica.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">No caso dos aposentados, os ataques que lhes vem sendo desferidos, para além da falsa desculpa de “corrigir distorções” e “reduzir custos” para garantir o “ajuste fiscal” e aumentar o “superávit primário” destinado ao pagamento de juros da chamada dívida pública, constituem-se em uma espécie de ameaça aos trabalhadores da ativa, na linha de que: “Vejam o que vai acontecer com Vocês, caso persistam na resistência as propostas modernizantes que propomos!”</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Ou seja, além de vitimas, nós aposentados, passamos a ser exemplo, a não ser seguido pelos trabalhadores da ativa !</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O QUE ESPERAMOS E EXIGIMOS DOS PARLAMENTARES</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Frente aos elementos de esclarecimento expostos, mais do que compreensão, esperamos e exigimos dos Srs. Parlamentares posturas firmes de independência em relação às medidas Governamentais que retiram direitos, determinam perdas e ferem a dignidade dos docentes aposentados, assim como as de mesma natureza, que se originam no Congresso Nacional, pela iniciativa de parlamentares pertencentes a partidos que ao governo dão sustentação.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">É preciso em relação a tais propostas coerência política. Não é admissível que aqueles que ontem se colocavam ao lado dos trabalhadores, hoje assumam posições contrarias as propostas que então defendiam. Também, aqueles que ontem nos atacavam precisam, hoje, em nome da ética da responsabilidade rever suas posições, reconhecendo seus equívocos e propondo medidas de correção das injustiças que, inadvertidamente ou não, ajudaram a estabelecer.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Assim, pois, para além das tradicionais homenagens que temos sido alvos e, de que sem dúvida pelo nosso trabalho e dedicação nos tornamos merecedores, esperamos dos Srs. ações políticas concretas e posicionamentos coerentes na hora das votações.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Brasília, 4 de maio de 2010</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Diretoria do ANDES-SN</div>
<p style="font-size: large; text-align: center;"><strong>EM DEFESA DOS DOCENTES APOSENTADOS</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>MENSAGEM AOS PARLAMENTARES</strong></p>
<p><strong>Srs. Parlamentares</strong></p>
<p>Dirigimo-nos aos Srs. para expressar nosso sentimento de indignação e nossa absoluta desconformidade em relação à forma como os docentes das Instituições de Ensino Superior em nosso pais, sobretudo os do segmento dos aposentados, vem sendo tratados, quer pelos Governos Federais, Estaduais  e Municipais, quer pelo patronato privado. Nesse sentido, solicitamos atenção para o que segue:</p>
<p><strong>NOSSO PAPEL</strong></p>
<p>Não é preciso destacar o relevante papel que cumprimos no campo da educação superior, garantindo, nessas Instituições, mesmo que em condições adversas, insubstituíveis e relevantes trabalhos para o desenvolvimento da nossa sociedade.</p>
<p>Nossa atuação nos campos da formação profissional, nos mais variados ramos de atividade, em especial da própria educação preparando novos educadores, da pesquisa científica e da inovação tecnológica, condição indispensável para alavancar um desenvolvimento soberano, sem falar no trabalho de prestação de serviços à comunidade, complementando a rede assistencial pública, sabidamente insuficiente frente as necessidades da nossa população, é fator essencial para qualquer política comprometida com o projeto de sociedade que almejamos para o nosso país.</p>
<p>Entretanto, a preservação do princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e  extensão, imprescindível para que se garanta educação superior de qualidade só pode ser alcançada se as condições de exercício profissional dos docentes forem respeitadas.</p>
<p><strong>AS DIFICULDADES E OS ATAQUES</strong></p>
<p>A precarização das condições de trabalho, os baixos patamares de remuneração, hoje sob ameaça de congelamento, a política de arrocho salarial, a ausência e as constantes mudanças nos planos de carreira &#8211; formulados sem critérios, pela ausência de um plano de diretrizes gerais, que demarque os princípios que devem ser respeitados para a elaboração desses estatutos, independente de seus vínculos e dos níveis de ensino a que se destinem as carreiras &#8211; a redução dos quadros funcionais, o emprego de professores substitutos em caráter permanente, o aumento da carga de trabalho, as exigências absurdas de produtividade, a ausência de planos de capacitação e as crescentes formas de assédio moral que vem sendo desenvolvidas nos locais de trabalho, são alguns dos elementos que ameaçam o presente e o futuro de nossa categoria profissional, que por tudo isso vem sendo levada a crescentes níveis de adoecimento, conforme comprovam as pesquisas e os registros médicos.</p>
<p>O exemplo mais emblemático desse descaso e do futuro que se desenha, caso persistam tais condições, estão expressos, hoje, nas condições de vida, nos ataques e nas perdas que vem sofrendo os docentes aposentados da educação superior de nosso país.</p>
<p>Nos defrontamos, hoje, com inúmeras questões que refletem esse quadro de abandono e irresponsabilidade, entre elas:</p>
<p>a) Somos vítimas de assédio moral! Carregamos o estigma de “marajás”, “vagabundos” e “peças descartadas” que passam  a simbolizar, em função do discurso desqualificante que os Governantes passaram a utilizar, argumentos a  justificar as medidas punitivas que vem empregando em relação aos aposentados , em geral;</p>
<p>b) Perdemos o estatuto da paridade e da isonomia, sob a justificativa de que isso impedia a implantação de uma política salarial para os servidores da ativa;</p>
<p>c) Convivemos com um  cipoal de regras de aposentadoria, que foram implantadas com o objetivo de dificultar o processo de aposentação, ampliando nossa jornada de trabalho e obrigando-nos a comprovar nosso tempo de contribuição, num contexto onde a regra  nas relações de trabalho, ainda convive com o trabalho informal;</p>
<p>d) Temos de nos submeter ao famigerado “fator previdenciário” que impôs perdas salariais e maior tempo de exploração de nossa força de trabalho;</p>
<p>e) Somos obrigados a recolher contribuição para o INSS, ainda que o tenhamos feito, durante todo tempo de vida funcional, em um processo de retributação injustificável;</p>
<p>f) Submetem-nos a perdas financeiras e a perda de status, em função das regras de transposição quando das alterações nas carreiras;</p>
<p>g) Negam-nos reajustes salariais equivalentes aos percentuais de correção do Salário Mínimo, impondo-nos perdas crescentes e desvalorização gritantes em nossos proventos de aposentadoria e pensões;</p>
<p>h) Obrigam-nos a recorrer a justiça para garantir direitos que a suprema corte judicial, o STF  e o STJ, já nos deram direito de causa, como é o caso da aplicação do Mandado de Injunção 880;</p>
<p>i) Sofremos discriminação salarial quando da criação de gratificações de desempenho no serviço público, na medida que são atribuídos valores diferenciados para pagamento de ativos e aposentados;</p>
<p><strong>NÃO HÁ O QUE JUSTIFIQUE OS ATAQUES AOS DOCENTES APOSENTADOS</strong></p>
<p>Os dados levantados pela Auditoria Cidadã da Divida, assim como as publicações anuais da ANFIP, por todos conhecidos, demonstram a falácia da inexistência de recursos ou de déficit dos orçamentos da seguridade social. Não existe argumento econômico capaz de justificar a insuficiência de recursos para a educação, assim como para o pagamento dos salários e dos benefícios previdenciários daqueles que a ela se dedicam, onde se incluem os proventos de aposentadoria e a pensão aos dependentes, como vem acontecendo de há muito tempo em nosso país. Com esse verdadeiro abandono, quebra-se, um dos pilares de qualquer proposta séria que objetive a construção de uma sociedade soberana, mais humana, justa, igualitária e solidária.</p>
<p>As difíceis condições de vida e o estigma a que são submetidos os aposentados são o “prêmio” que recebem por terem dedicado seu trabalho à construção de nossas Universidades e terem dado sua contribuição ao desenvolvimento de nosso país.</p>
<p>Além disso, a onda de reformas (previdenciária, trabalhista, da educação, entre outras) e de alterações na legislação infra-constitucional, a título de reestruturar o Estado, adaptando-o a um novo modelo de gestão, preconizado pelo neoliberalismo, tem servido não apenas para ajustar a função das Instituições ao novo papel que devem cumprir para atender aos interesses do capital, mas, também e sobretudo, para “adaptar” os trabalhadores a essa maquiavélica lógica.</p>
<p>No caso dos aposentados, os ataques que lhes vem sendo desferidos, para além da falsa desculpa de “corrigir distorções” e “reduzir custos” para garantir o “ajuste fiscal” e aumentar o “superávit primário” destinado ao pagamento de juros da chamada dívida pública, constituem-se em uma espécie de ameaça aos trabalhadores da ativa, na linha de que: “Vejam o que vai acontecer com Vocês, caso persistam na resistência as propostas modernizantes que propomos!”</p>
<p>Ou seja, além de vitimas, nós aposentados, passamos a ser exemplo, a não ser seguido pelos trabalhadores da ativa !</p>
<p><strong>O QUE ESPERAMOS E EXIGIMOS DOS PARLAMENTARES</strong></p>
<p>Frente aos elementos de esclarecimento expostos, mais do que compreensão, esperamos e exigimos dos Srs. Parlamentares posturas firmes de independência em relação às medidas Governamentais que retiram direitos, determinam perdas e ferem a dignidade dos docentes aposentados, assim como as de mesma natureza, que se originam no Congresso Nacional, pela iniciativa de parlamentares pertencentes a partidos que ao governo dão sustentação.</p>
<p>É preciso em relação a tais propostas coerência política. Não é admissível que aqueles que ontem se colocavam ao lado dos trabalhadores, hoje assumam posições contrarias as propostas que então defendiam. Também, aqueles que ontem nos atacavam precisam, hoje, em nome da ética da responsabilidade rever suas posições, reconhecendo seus equívocos e propondo medidas de correção das injustiças que, inadvertidamente ou não, ajudaram a estabelecer.</p>
<p>Assim, pois, para além das tradicionais homenagens que temos sido alvos e, de que sem dúvida pelo nosso trabalho e dedicação nos tornamos merecedores, esperamos dos Srs. ações políticas concretas e posicionamentos coerentes na hora das votações.</p>
<p style="text-align: right;">Brasília, 4 de maio de 2010</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">Diretoria do ANDES-SN</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;"><em>Fonte: ANDES-SN</em></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>OPINIÃO &#8211; Cabo Branco: Terra de Ninguém</title>
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		<pubDate>Mon, 17 May 2010 13:01:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>renata</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Rolando Lazarte
Os vizinhos da rua Edvaldo B. Pinho, no Cabo Branco, não tem sossego. De dia, as prostitutas tomam conta do pedaço, com a sua gritaria e freqüentes discussões com fregueses ou entre elas. De noite, e muitas vezes também em pleno dia, ladrões invadem as residências e assaltam os passantes, ao ponto de alguns [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Rolando Lazarte</em></p>
<p>Os vizinhos da rua Edvaldo B. Pinho, no Cabo Branco, não tem sossego. De dia, as prostitutas tomam conta do pedaço, com a sua gritaria e freqüentes discussões com fregueses ou entre elas. De noite, e muitas vezes também em pleno dia, ladrões invadem as residências e assaltam os passantes, ao ponto de alguns pontos de ônibus terem sido desativados pelas empresas. O sono e a tranqüilidade dos moradores vivem em constante ameaça, e as autoridades não atendem reclamações no sentido de ser reparada a cerca de arame farpado que deveria proteger a mata e na verdade, destruída, serve de esconderijo para os marginais, ou de ser providenciado um policiamento ostensivo. Os impostos dos cidadãos não servem para lhes garantizar a paz e o sossego. O poder público se omite e os vizinhos da rua Edvaldo B Pinho, entregues à própria sorte, apelam para a imprensa para tentar mobilizar a cidadania em favor do direito que lhes cabe. Uma cidade sem lei é o preanuncio de um tempo indesejável, desde qualquer ponto de vista. Sabemos que este apelo não sensibilizará a quem deveria, por obrigação, cuidar dos cidadãos. Esperamos, contudo, que possa chamar a atenção de pessoas de bem que queiram intervir no sentido de proteger as mulheres prostituídas que são exploradas em condições vergonhosas e incomodando a vizinhança, e os próprios vizinhos, amedrontados ao ponto de muitos temerem sair à rua ainda em pleno dia por causa do clima de terra de ninguém que impera na área. Apelamos para a colaboração da imprensa na divulgação deste apelo.</p>
<p><em>Rolando Lazarte</em></p>
<p><em>RG 2.149.305 SSP-PB</em></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>O fetiche de quantidade</title>
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		<comments>http://www.adufpb.org.br/o-fetiche-de-quantidade/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 12 May 2010 14:34:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>renata</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.adufpb.org.br/o-fetiche-de-quantidade/</guid>
		<description><![CDATA[O fetiche de quantidade
Metas de produtividade e burocracia acadêmica diminuem o potencial de pesquisas científicas
A criação de conhecimento não pode ser medida somente pelo número de trabalhos escritos pelos pesquisadores, como é a tendência atual no Brasil
RENATO MEZAN
COLUNISTA DA FOLHA
A cada tanto tempo, volta-se a discutir como deve ser avaliado o trabalho dos professores. O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O fetiche de quantidade</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Metas de produtividade e burocracia acadêmica diminuem o potencial de pesquisas científicas</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A criação de conhecimento não pode ser medida somente pelo número de trabalhos escritos pelos pesquisadores, como é a tendência atual no Brasil</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">RENATO MEZAN</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">COLUNISTA DA FOLHA</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A cada tanto tempo, volta-se a discutir como deve ser avaliado o trabalho dos professores. O grande número de pessoas envolvidas nos diversos níveis de ensino, assim como o de artigos e livros que materializam resultados de pesquisa, tem determinado uma preferência por medidas quantitativas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Se estas podem trazer informações úteis como dado parcial para comparar resultados de escolas em vestibulares ou o desempenho médio de alunos em determinada matéria, sua aplicação como único critério de &#8220;produtividade&#8221; na pós-graduação vem gerando -a meu ver, pelo menos- distorções bastante sérias.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Não é meu intuito recusar, em princípio, a avaliação externa, que considero útil e necessária. Gostaria apenas de lembrar que a criação de conhecimento não pode ser medida somente pelo número de trabalhos escritos pelos pesquisadores, como é a tendência atual no Brasil. Tampouco me parece correta a fetichização da forma &#8220;artigo em revista&#8221; em detrim ento de textos de maior fôlego, para cuja elaboração, às vezes, são necessários anos de trabalho paciente.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A mesma concepção tem conduzido ao encurtamento dos prazos para a defesa de dissertações e teses na área de humanas, com o que se torna difícil que exibam a qualidade de muitas das realizadas com mais vagar, que (também) por isso se tornaram referência nos campos respectivos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O equívoco desse conjunto de posturas tornou-se, mais uma vez, sensível para mim ao ler dois livros que narram grandes aventuras do intelecto: &#8220;O Último Teorema de Fermat&#8221;, de Simon Singh (ed. Record), e &#8220;O Homem Que Amava a China&#8221;, de Simon Winchester (Companhia das Letras).</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O leitor talvez objete que não se podem comparar as realizações de que tratam com o trabalho de pesquisadores iniciantes; lembro, porém, que os autores delas também começaram modestamente e que, se lhes tivessem sido impostas as condições que critico, provavelmente não teriam podido des envolver as capacidades que lhes permitiram chegar até onde chegaram.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Everest da matemática</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O teorema de Fermat desafiou os matemáticos por mais de três séculos, até ser demonstrado em 1994 pelo britânico Andrew Wiles. O livro de Singh narra a história do problema, cujo fascínio consiste em ser compreensível para qualquer ginasiano e, ao mesmo tempo, ter uma solução extremamente complexa. Em resumo, trata-se de uma variante do teorema de Pitágoras: &#8220;Em todo triângulo retângulo, a soma do quadrado dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa&#8221;, ou, em linguagem matemática, a2²=b2²+c2².</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Lendo sobre esta expressão na &#8220;Aritmética&#8221; de Diofante (século 3º), o francês Pierre de Fermat (1601-65) -cuja especialidade era a teoria dos números e que, junto com Pascal, determinou as leis da probabilidade- teve a curiosidade de saber se a relação valia para outras potências: x3³= y3³ + z3, x4 = y4 + z4 e assim por diante . Não conseguindo encontrar nenhum trio de números que satisfizesse as condições da equação, formulou o teorema que acabou levando seu nome -&#8221;Não existem soluções inteiras para ela, se o valor de n for maior que 2&#8243;- e anotou na página do livro: &#8220;Encontrei uma demonstração maravilhosa para esta proposição, mas esta margem é estreita demais para que eu a possa escrever aqui&#8221;.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Após a morte de Fermat, seu filho publicou uma edição da obra grega com as observações do pai. Como o problema parecia simples, os matemáticos lançaram-se à tarefa de o resolver -e descobriram que era muitíssimo complicado.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Singh conta como inúmeros deles fracassaram ao longo dos 300 anos seguintes; os avanços foram lentíssimos, um conseguindo provar que o teorema era válido para a potência 3, outro (cem anos depois) para 5 etc. O enigma resistia a todas as tentativas de demonstração e acabou sendo conhecido como &#8220;o monte Everest da matemática&#8221;. É quase certo que Fermat se equivocou ao pensar que dispunha da prova, que exige conceitos e técnicas muito mais complexos que os disponíveis na sua época.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Quem a descobriu foi Andrew Wiles, e a história de como o fez é um forte argumento a favor da posição que defendo. O professor de Princeton [universidade americana] precisou de sete anos de cálculos e teve de criar pontes entre ramos inteiramente diferentes da disciplina, numa epopeia intelectual que Singh descreve com grande habilidade e clareza. Não é o caso de descrever aqui os passos que o levaram à vitória; quero ressaltar somente que, não tendo de apresentar projetos nem relatórios, publicando pouquíssimo durante sete anos e se retirando do &#8220;circuito interminável de reuniões científicas&#8221;, Wiles pôde concentrar-se com exclusividade no que estava fazendo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por exemplo, passou um ano inteiro revisando tudo o que já se tentara desde o século 18 e outro tanto para dominar certas ferramentas matemáticas com as quais tinha pouca familiaridade, mas indispensáveis para a estratégia que decidiu seguir. Questionado por Singh sobre seu método de trabalho, Wiles respondeu: &#8220;É necessário ter concentração total. Depois, você para. Então parece ocorrer uma espécie de relaxamento, durante o qual, aparentemente, o inconsciente assume o controle. É aí que surgem as ideias novas&#8221;.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Este processo é bem conhecido e costumo recomendá-lo a meus orientandos: absorver o máximo de informações e deixá-las &#8220;flutuar&#8221; até que apareça algum padrão, ou uma ligação entre coisas que aparentemente nada têm a ver uma com a outra. Uma variante da livre associação, em suma.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Ora, se está correndo contra o relógio, como o estudante pode se permitir isso? A chance de ter o &#8220;estalo de Vieira&#8221; é reduzida; o mais provável é que se conforme com as ideias já estabelecidas, o que obviamente diminui o potencial de inovação do seu trabalho.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Tarefa hercúlea</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Outro exemplo de que o tempo de gestação de uma obra precisa ser respeitado é o de Joseph Needham (1900-95), cuja vida extraordinária ficamos conhecendo em &#8220;O Homem Que Amava a China&#8221;.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Bioquímico de formação, apaixonou-se por uma estudante chinesa que fora a Cambridge [no Reino Unido] para se aperfeiçoar; ela lhe ensinou a língua e, à medida que se aprofundava no estudo da cultura chinesa, Needham foi se tomando de admiração pelas suas realizações científicas e tecnológicas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Em 1943, o Ministério do Exterior britânico o enviou como diplomata à China, então parcialmente ocupada pelos japoneses. Sua missão era ajudar os acadêmicos a manter o ânimo e a prosseguir em suas pesquisas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Para saber do que precisavam, viajou muito pelo país e entrou em contato com inúmeros cientistas; em seguida, mandava-lhes publicações científicas, reagentes, instrumentos e o que mais pudesse obter.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Nessxe périplo, Needham se deu conta de que -longe de terem se mantido à margem do desenvolvimento da civilização, como então se acreditava no Ocidente- os chineses tinham descoberto e inventado muito antes dos europeus uma enorme quantidade de coisas, tanto em áreas teóricas quanto no que se refere à vida prática (uma lista parcial cobre 12 páginas do livro de Winchester).</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Formulou então o que se tornou conhecido como &#8220;a pergunta de Needham&#8221;: se aquele povo tinha demonstrado tamanha criatividade, por que não foi entre eles, e sim na Europa, que a ciência moderna se desenvolveu?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A resposta envolvia provar que existiam condições para que isso pudesse ter acontecido, e depois elaborar hipóteses sobre por que não ocorreu. Daí a ideia de escrever um livro que mostrasse toda a inventividade dos chineses, tendo como base os textos recolhidos em suas viagens e as práticas que pudera observar.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Embora o projeto fosse ambicioso, a Cambridge University Press o aceitou, considerando que, uma v ez realizado, abrilhantaria ainda mais a reputação da universidade.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">&#8220;Science and Civilization in China&#8221; [Ciência e Civilização na China] teria sete volumes, e Needham acreditava que poderia escrevê-lo &#8220;num prazo relativamente curto para uma obra acadêmica: dez anos&#8221;.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Na verdade, tomou quatro vezes mais tempo, e, quando o autor morreu, em 1995, já contava 15 mil páginas. Empreendimento hercúleo, como se vê, que transformou radicalmente a percepção ocidental quanto ao papel da China na história da civilização.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O volume de trabalho envolvido era imenso: de saída, ler e classificar milhares de documentos sobre os mais variados assuntos; em seguida, organizar tudo de modo claro e persuasivo, e por fim apresentar algumas respostas à &#8220;pergunta de Needham&#8221;. Várias pessoas o auxiliaram no percurso (em particular, sua amante chinesa), mas a concepção de base, e boa parte do texto final, se devem exclusivamente a ele.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Monumento</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Needham não publicou uma linha de bioquímica durante os últimos 30 anos de sua carreira.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Tampouco tinha formação acadêmica em história das ideias -mas isso não o impediu de, com talento e disciplina, redigir uma das obras mais importantes do século 20.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Se tivesse sido atrapalhado por exigências burocráticas, se tivesse de orientar pós-graduandos, se a editora o pressionasse com prazos ou não o deixasse trabalhar em seu ritmo (o primeiro volume levou seis anos para ficar pronto), teria talvez escrito mais um livro interessante, mas não o monumento que nos legou.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O que estes exemplos nos ensinam é que um trabalho intelectual de grande alcance só pode ser feito em condições adequadas -e uma delas é a confiança dos que decidem (e manejam os cordões da bolsa) em quem se propõe a realizá-lo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Tal confiança envolve não suspeitar que tempo longo signifique preguiça, admitir que pensar também é trabalho, que a verificação d e uma ideia-chave ou de uma referência central pode levar meses -e que nada disso tem importância frente ao resultado final.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Em tempo: um dos motivos encontrados por Needham para o estancamento da criatividade chinesa a partir de 1500 foi justamente a aversão de uma estrutura burocrática acomodada na certeza de sua própria sapiência a tudo que discrepasse dos padrões impostos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Enquanto isso, na Europa (e depois na América do Norte) a inovação era valorizada, e o talento individual, recompensado. Nas palavras de um sinólogo citado no fim do livro, o resultado da atitude dos mandarins foi que &#8220;o incentivo se atrofiou, e a mediocridade tornou-se a norma&#8221;. Seria uma pena que, em nome da produtividade medida em termos somente quantitativos, caíssemos no mesmo erro.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">RENATO MEZAN é psicanalista e professor titular na Pontifícia Universidade Católica de SP.</div>
<p><strong>Metas de produtividade e burocracia acadêmica diminuem o potencial de pesquisas científicas </strong></p>
<p><strong>A criação de conhecimento não pode ser medida somente pelo número de trabalhos escritos pelos pesquisadores, como é a tendência atual no Brasil </strong></p>
<p><em>RENATO MEZAN *</em></p>
<p><em>COLUNISTA DA FOLHA</em></p>
<p>A cada tanto tempo, volta-se a discutir como deve ser avaliado o trabalho dos professores. O grande número de pessoas envolvidas nos diversos níveis de ensino, assim como o de artigos e livros que materializam resultados de pesquisa, tem determinado uma preferência por medidas quantitativas.</p>
<p>Se estas podem trazer informações úteis como dado parcial para comparar resultados de escolas em vestibulares ou o desempenho médio de alunos em determinada matéria, sua aplicação como único critério de &#8220;produtividade&#8221; na pós-graduação vem gerando -a meu ver, pelo menos- distorções bastante sérias.</p>
<p>Não é meu intuito recusar, em princípio, a avaliação externa, que considero útil e necessária. Gostaria apenas de lembrar que a criação de conhecimento não pode ser medida somente pelo número de trabalhos escritos pelos pesquisadores, como é a tendência atual no Brasil. Tampouco me parece correta a fetichização da forma &#8220;artigo em revista&#8221; em detrim ento de textos de maior fôlego, para cuja elaboração, às vezes, são necessários anos de trabalho paciente.</p>
<p>A mesma concepção tem conduzido ao encurtamento dos prazos para a defesa de dissertações e teses na área de humanas, com o que se torna difícil que exibam a qualidade de muitas das realizadas com mais vagar, que (também) por isso se tornaram referência nos campos respectivos.</p>
<p>O equívoco desse conjunto de posturas tornou-se, mais uma vez, sensível para mim ao ler dois livros que narram grandes aventuras do intelecto: &#8220;O Último Teorema de Fermat&#8221;, de Simon Singh (ed. Record), e &#8220;O Homem Que Amava a China&#8221;, de Simon Winchester (Companhia das Letras).</p>
<p>O leitor talvez objete que não se podem comparar as realizações de que tratam com o trabalho de pesquisadores iniciantes; lembro, porém, que os autores delas também começaram modestamente e que, se lhes tivessem sido impostas as condições que critico, provavelmente não teriam podido des envolver as capacidades que lhes permitiram chegar até onde chegaram.</p>
<p><strong>Everest da matemática</strong></p>
<p>O teorema de Fermat desafiou os matemáticos por mais de três séculos, até ser demonstrado em 1994 pelo britânico Andrew Wiles. O livro de Singh narra a história do problema, cujo fascínio consiste em ser compreensível para qualquer ginasiano e, ao mesmo tempo, ter uma solução extremamente complexa. Em resumo, trata-se de uma variante do teorema de Pitágoras: &#8220;Em todo triângulo retângulo, a soma do quadrado dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa&#8221;, ou, em linguagem matemática, a2²=b2²+c2².</p>
<p>Lendo sobre esta expressão na &#8220;Aritmética&#8221; de Diofante (século 3º), o francês Pierre de Fermat (1601-65) -cuja especialidade era a teoria dos números e que, junto com Pascal, determinou as leis da probabilidade- teve a curiosidade de saber se a relação valia para outras potências: x3³= y3³ + z3, x4 = y4 + z4 e assim por diante . Não conseguindo encontrar nenhum trio de números que satisfizesse as condições da equação, formulou o teorema que acabou levando seu nome -&#8221;Não existem soluções inteiras para ela, se o valor de n for maior que 2&#8243;- e anotou na página do livro: &#8220;Encontrei uma demonstração maravilhosa para esta proposição, mas esta margem é estreita demais para que eu a possa escrever aqui&#8221;.</p>
<p>Após a morte de Fermat, seu filho publicou uma edição da obra grega com as observações do pai. Como o problema parecia simples, os matemáticos lançaram-se à tarefa de o resolver -e descobriram que era muitíssimo complicado.</p>
<p>Singh conta como inúmeros deles fracassaram ao longo dos 300 anos seguintes; os avanços foram lentíssimos, um conseguindo provar que o teorema era válido para a potência 3, outro (cem anos depois) para 5 etc. O enigma resistia a todas as tentativas de demonstração e acabou sendo conhecido como &#8220;o monte Everest da matemática&#8221;. É quase certo que Fermat se equivocou ao pensar que dispunha da prova, que exige conceitos e técnicas muito mais complexos que os disponíveis na sua época.</p>
<p>Quem a descobriu foi Andrew Wiles, e a história de como o fez é um forte argumento a favor da posição que defendo. O professor de Princeton [universidade americana] precisou de sete anos de cálculos e teve de criar pontes entre ramos inteiramente diferentes da disciplina, numa epopeia intelectual que Singh descreve com grande habilidade e clareza. Não é o caso de descrever aqui os passos que o levaram à vitória; quero ressaltar somente que, não tendo de apresentar projetos nem relatórios, publicando pouquíssimo durante sete anos e se retirando do &#8220;circuito interminável de reuniões científicas&#8221;, Wiles pôde concentrar-se com exclusividade no que estava fazendo.</p>
<p>Por exemplo, passou um ano inteiro revisando tudo o que já se tentara desde o século 18 e outro tanto para dominar certas ferramentas matemáticas com as quais tinha pouca familiaridade, mas indispensáveis para a estratégia que decidiu seguir. Questionado por Singh sobre seu método de trabalho, Wiles respondeu: &#8220;É necessário ter concentração total. Depois, você para. Então parece ocorrer uma espécie de relaxamento, durante o qual, aparentemente, o inconsciente assume o controle. É aí que surgem as ideias novas&#8221;.</p>
<p>Este processo é bem conhecido e costumo recomendá-lo a meus orientandos: absorver o máximo de informações e deixá-las &#8220;flutuar&#8221; até que apareça algum padrão, ou uma ligação entre coisas que aparentemente nada têm a ver uma com a outra. Uma variante da livre associação, em suma.</p>
<p>Ora, se está correndo contra o relógio, como o estudante pode se permitir isso? A chance de ter o &#8220;estalo de Vieira&#8221; é reduzida; o mais provável é que se conforme com as ideias já estabelecidas, o que obviamente diminui o potencial de inovação do seu trabalho.</p>
<p><strong>Tarefa hercúlea</strong></p>
<p>Outro exemplo de que o tempo de gestação de uma obra precisa ser respeitado é o de Joseph Needham (1900-95), cuja vida extraordinária ficamos conhecendo em &#8220;O Homem Que Amava a China&#8221;.</p>
<p>Bioquímico de formação, apaixonou-se por uma estudante chinesa que fora a Cambridge [no Reino Unido] para se aperfeiçoar; ela lhe ensinou a língua e, à medida que se aprofundava no estudo da cultura chinesa, Needham foi se tomando de admiração pelas suas realizações científicas e tecnológicas.</p>
<p>Em 1943, o Ministério do Exterior britânico o enviou como diplomata à China, então parcialmente ocupada pelos japoneses. Sua missão era ajudar os acadêmicos a manter o ânimo e a prosseguir em suas pesquisas.</p>
<p>Para saber do que precisavam, viajou muito pelo país e entrou em contato com inúmeros cientistas; em seguida, mandava-lhes publicações científicas, reagentes, instrumentos e o que mais pudesse obter.</p>
<p>Nessxe périplo, Needham se deu conta de que -longe de terem se mantido à margem do desenvolvimento da civilização, como então se acreditava no Ocidente- os chineses tinham descoberto e inventado muito antes dos europeus uma enorme quantidade de coisas, tanto em áreas teóricas quanto no que se refere à vida prática (uma lista parcial cobre 12 páginas do livro de Winchester).</p>
<p>Formulou então o que se tornou conhecido como &#8220;a pergunta de Needham&#8221;: se aquele povo tinha demonstrado tamanha criatividade, por que não foi entre eles, e sim na Europa, que a ciência moderna se desenvolveu?</p>
<p>A resposta envolvia provar que existiam condições para que isso pudesse ter acontecido, e depois elaborar hipóteses sobre por que não ocorreu. Daí a ideia de escrever um livro que mostrasse toda a inventividade dos chineses, tendo como base os textos recolhidos em suas viagens e as práticas que pudera observar.</p>
<p>Embora o projeto fosse ambicioso, a Cambridge University Press o aceitou, considerando que, uma v ez realizado, abrilhantaria ainda mais a reputação da universidade.</p>
<p>&#8220;Science and Civilization in China&#8221; [Ciência e Civilização na China] teria sete volumes, e Needham acreditava que poderia escrevê-lo &#8220;num prazo relativamente curto para uma obra acadêmica: dez anos&#8221;.</p>
<p>Na verdade, tomou quatro vezes mais tempo, e, quando o autor morreu, em 1995, já contava 15 mil páginas. Empreendimento hercúleo, como se vê, que transformou radicalmente a percepção ocidental quanto ao papel da China na história da civilização.</p>
<p>O volume de trabalho envolvido era imenso: de saída, ler e classificar milhares de documentos sobre os mais variados assuntos; em seguida, organizar tudo de modo claro e persuasivo, e por fim apresentar algumas respostas à &#8220;pergunta de Needham&#8221;. Várias pessoas o auxiliaram no percurso (em particular, sua amante chinesa), mas a concepção de base, e boa parte do texto final, se devem exclusivamente a ele.</p>
<p><strong>Monumento</strong></p>
<p>Needham não publicou uma linha de bioquímica durante os últimos 30 anos de sua carreira.</p>
<p>Tampouco tinha formação acadêmica em história das ideias -mas isso não o impediu de, com talento e disciplina, redigir uma das obras mais importantes do século 20.</p>
<p>Se tivesse sido atrapalhado por exigências burocráticas, se tivesse de orientar pós-graduandos, se a editora o pressionasse com prazos ou não o deixasse trabalhar em seu ritmo (o primeiro volume levou seis anos para ficar pronto), teria talvez escrito mais um livro interessante, mas não o monumento que nos legou.</p>
<p>O que estes exemplos nos ensinam é que um trabalho intelectual de grande alcance só pode ser feito em condições adequadas -e uma delas é a confiança dos que decidem (e manejam os cordões da bolsa) em quem se propõe a realizá-lo.</p>
<p>Tal confiança envolve não suspeitar que tempo longo signifique preguiça, admitir que pensar também é trabalho, que a verificação d e uma ideia-chave ou de uma referência central pode levar meses -e que nada disso tem importância frente ao resultado final.</p>
<p>Em tempo: um dos motivos encontrados por Needham para o estancamento da criatividade chinesa a partir de 1500 foi justamente a aversão de uma estrutura burocrática acomodada na certeza de sua própria sapiência a tudo que discrepasse dos padrões impostos.</p>
<p>Enquanto isso, na Europa (e depois na América do Norte) a inovação era valorizada, e o talento individual, recompensado. Nas palavras de um sinólogo citado no fim do livro, o resultado da atitude dos mandarins foi que &#8220;o incentivo se atrofiou, e a mediocridade tornou-se a norma&#8221;. Seria uma pena que, em nome da produtividade medida em termos somente quantitativos, caíssemos no mesmo erro.</p>
<p><em>* RENATO MEZAN é psicanalista e professor titular na Pontifícia Universidade Católica de SP. </em></p>
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